Os reais motivos por trás de uma guerra dos EUA contra a Síria

Charge de Lederly publicada na "Folha de S.Paulo" de 2.9.2013.

Charge de Lederly publicada na “Folha de S.Paulo” de 2.9.2013.

Texto escrito por José de Souza Castro:

É possível que muitos leitores estejam se indagando o quê, de fato, move os Estados Unidos a entrar numa nova guerra, desta vez para derrubar Bashar Al-Assad, pondo em risco milhares de vidas a pretexto de punir o ditador pela morte, com armas químicas, de pouco mais de mil sírios.

Talvez Jerry Robinson, autor do best-seller “Bankruptcy of Our Nation: 21 Income Streams” e publisher do site “Follow the Money Weekly”, possa ser de alguma ajuda para vencer a nossa perplexidade.

Em artigo publicado no dia 27 de agosto e que pode ser lido AQUI em tradução portuguesa (ou AQUI, no original em inglês), Robinson afirma que em 2011, algumas semanas após ser desencadeada a guerra civil na Síria, o jornal “Tehran Times” informou que Síria, Irã e Iraque planejavam construir o Gasoduto Islâmico para exportar gás iraniano (e russo) para a Europa. Teria extensão total de 6.000 quilômetros e custaria US$ 10 bilhões, com previsão de ficar pronto em 2018.

Em julho passado, os líderes da Síria, Irã e Iraque se reuniram para assinar um acordo preliminar sobre o gasoduto, com esperança de fechá-lo até o fim deste ano.

Os três países são governados por xiitas. O problema é que países do Golfo governados por sunitas, principalmente Arábia Saudita e Qatar, aliados dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, têm seu próprio projeto (o Gasoduto Árabe), que também passaria pela Síria. Mas que sofre forte oposição de Assad. Este, por sua vez, tem como inimigos na região Israel, Jordânia e Turquia, além da Al Qaeda, que gostaria de derrubar Assad para instalar um governo sunita na Síria.

Jerry Robinson classifica como propaganda tudo isso que vem sendo dito a respeito do uso de armas químicas pelo governo Assad. Afirma que os EUA planejavam, há muito tempo, tomar a Síria. Ele cita um general americano, Wesley Clark, segundo o qual os Estados Unidos já tinham tomado a decisão de invadir a Síria em 2001. Além disso, afirma o autor, evidências mais contundentes da intenção do Ocidente de lançar um ataque preventivo contra a Síria foram reveladas num relatório “explosivo” divulgado pelo jornal britânico “Daily Mail” em janeiro de 2013.

O jornal teria se baseado em e-mails alegadamente vazados que provariam que a Casa Branca “deu luz verde a um ataque com armas químicas na Síria que poderia ser atribuído ao regime de Assad”, para estimular uma ação militar internacional contra o país devastado. Os e-mails seriam de dois altos funcionários de uma empresa britânica (a Britan) do ramo de defesa. Se verdadeiros, o Qatar é que financiaria as forças rebeldes na Síria para o uso de armas químicas. Por sinal, algumas semanas atrás o “Daily Mail” retirou essa história de seu site, “talvez na expectativa da recente ação de armas químicas”, escreveu Robinson.

Outro autor, Paul Joseph Watson, afirmou no dia 28 de agosto que interceptações de chamadas telefônicas indicam que o governo sírio não ordenou o ataque. Mesmo assim, elas seriam apresentadas pelo governo Obama como prova de que Bashar Al-Assad estava por trás da matança por armas químicas.

As chamadas telefônicas feitas pelo Ministério da Defesa da Síria foram interceptadas pelo Mossad, o serviço secreto israelense, e comunicadas aos EUA. Os oficiais sírios trocaram, em pânico, telefonemas com o líder de uma unidade de armas químicas, exigindo respostas para uma ação que matou mais de mil pessoas, horas após o ataque da semana passada. Por que, indaga Watson, estaria o Ministério da Defesa fazendo tais chamadas assustadas, se ele tivesse ordenado o ataque? Ou o Ministério não deu a ordem ou, no pior dos cenários, ela foi dada por um oficial sírio que ultrapassou os limites de sua competência.

O que precisamos saber, antes de ser contra ou a favor de Barack Obama nessa decisão de atacar a Síria, é se ele está preocupado mesmo com vidas humanas ou com os bilhões de dólares que empresas de seu país esperam ganhar com a guerra – ou com o Gasoduto – ou será oleoduto? – Árabe.

***

Nota da Cris: Quem se lembra de como foi a desculpa para a invasão do Iraque, em 2003, não estranha nenhuma dessas atuais teorias sobre a guerra contra a Síria. O próprio George W. Bush reconheceu, anos depois, a artimanha. No momento em que escrevo este post, mais de 125 mil civis morreram no Iraque nesses dez anos de sangria — os últimos corpos foram contabilizados ontem.

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A invasão do Iraque e o olhar de um garoto

Comecei minha vida na blogosfera, há exatos 8 anos e 9 meses, quando a primeira bomba dos Estados Unidos soou no solo do Iraque, sob o comendo de George W. Bush, com a desculpa, então já esfarrapada, de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.

E só agora, cumprindo tardiamente uma promessa de campanha, Barack Obama anuncia a retirada definitiva dos soldados norte-americanos no país invadido. Sem cantar vitória, pelo menos.

O saldo, obviamente, foi aquela carnificina prevista:

  • 4.487 militares americanos
  • 10.000 soldados iraquianos
  • 104 mil civis iraquianos (a 113 mil)

Nunca vi guerra, ou invasão unilateral, deixar mais soldados que civis mortos. É sempre na escala de dez vezes mais civis destroçados do que soldados pagos para matar outros soldados.

Bom, quem melhor contou a história da saída dos Estados Unidos do Iraque foi um garoto que hoje deve estar com 14 anos.

Confesso que quando a Folha anunciou que João Montanaro seria novo chargista da nobre página 2 aos sábados, meu preconceito replicou: “Mas ele é muito novo! Não tem nem repertório!”

Mas, apesar de não ser meu traço favorito, tenho me surpreendido a cada dia com as charges do rapaz. E, convenhamos, eu também era quase “uma garota” quando comecei a palpitar pela internet afora — como posso criticar, então?

E vamos à que interessa, publicada no último sábado:

Disse tudo, não?

***

P.S. Sobre a morte de Kim Jong-il, hoje, deixando o filho de nome parecido em seu lugar, não tenho muito o que comentar. Que os norte-coreanos aprendam com os árabes e iniciem sua primavera atrasada (ou adiantada). E sempre há lugar para o humor (Dica do @AFranca :))

A estampa do jornal e minhas suspeitas de nada

Uma das coisas mais legais de acontecimentos com impacto mundial, como o 11 de setembro, a invasão do Iraque, o terremoto no Haiti e a (suposta) morte de Bin Laden, é poder comparar as primeiras páginas de todos os jornais do mundo e ver quem pisou na bola e quem acertou em cheio.

(Na maioria desses episódios, que geralmente envolvem grandes tragédias, dá pra dizer que é a única coisa legal também…)

E cá estamos de novo com uma dessas oportunidades que, a bem da verdade, se for mesmo verdadeira, nem chega a ser trágica, em se tratando de um (suposto) líder terrorista.

Acabei de postar alguns exemplos de primeiras páginas no blog Novo em Folha, vejam AQUI.

Outros podem ser vistos no sempre ótimo site Newseum, que, além de mostrar as capas de veículos de todo o mundo diariamente, armazena aquelas dos eventos marcantes como os que citei acima.

Alguns exemplos:

  

Eu ia colocar mais exemplos, mas o processo está muuuuito lento, vejam vocês mesmos lá no site, sim? 😉

Por fim, mas sem mudar totalmente de assunto: alguém se convenceu com a desculpa dos EUA para não mostrar o cadáver do defunto? Isso não é MUITO suspeito? Se era pra evitar visitas de fanáticos ao túmulo, mostrasse de forma segura para vários órgãos internacionais e, depois de se formar todas as provas possíveis, inclusive visuais, jogasse o corpo ao mar ou ao fogo, whatever. Mas, não. Foi tudo na butuca.

Aliás, não sou adepta de todo tipo de teoria da conspiração (tipo esses emails que recebemos sobre saidinha de banco, o novo golpe do cinema, o quanto a Fanta Uva faz mal e afins), mas o 11 de Setembro, as invasões ao Afeganistão e Iraque e as aparições de Bin Laden sempre me levantaram suspeitas de toda sorte, nunca plenamente satisfeitas pelos fatos oficiais.

Mas é o tipo de lebre que não adianta nem levantar, porque nunca se poderá provar. Então, vida que segue, com ou sem Osamas.