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Idoso é o &%$#@&!

Até Seu Madruga seria chamado de "idoso" nos tempos chatíssimos de hoje.
Até Seu Madruga seria chamado de “idoso” nos tempos chatíssimos de hoje.

Jornalista, especialmente de impresso, tem um problema grave chamado limite de espaço. É por isso que uma das máximas da edição de jornais é “título bom é o que cabe”. Fez caber, já é um avanço.

“Idoso” é uma palavra ótima, porque é curta e dá a dimensão da idade da pessoa. Pelo Estatuto do Idoso, é aquele com mais de 6o anos. Outras leis definem benefícios a partir dos 65.

Acontece que, na realidade em que vivemos, um sujeito de 60, 70 e, muitas vezes, até 80 anos, está longe de ser um idoso. Tanto de se identificar como tal, quanto de ter visto assim pelo restante da sociedade.

E imagina como é ser identificado, reduzido até, a uma palavra com a qual você não se identifica? Dona Etelvina, aquela que morreu tentando salvar uma flor, foi reduzida a uma idosa. Nada mais. Havia outros adjetivos possíveis: aposentada, portuguesa, sexagenária (eca). Ou um substantivo simples: mulher. Próprio: Etelvina. Provisório e adequado no caso: vítima. Esses não ofendem, nem tampouco reduzem, justamente por serem simples, diretos, sem qualquer conotação negativa ou positiva.

Meus pais já têm mais de 60 anos (não posso dizer quantos, para não me xingarem aqui, rs) e ficaram indignados com o tratamento dado a Etelvina, a idosa. Comentário do meu pai: “São esses jovens, nas Redações, que ficam reduzindo as pessoas a uma palavra, sem saber o tanto de gente que estão desagradando” (algo assim. Minha memória é muito pior que a dos meus pais, então coloquei entre aspas mais por atrevimento que por certeza do que foi dito).

Os manuais de Redação já aboliram o “dona”, o “senhora”, o “esposa” e até palavras absolutamente corriqueiras como “viatura”. Está em boa hora de pararem de usar o “idoso”, que não demora a entrar no limbo linguístico dos anciãos.

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

8 comentários em “Idoso é o &%$#@&! Deixe um comentário

  1. Ficam as aspas, Cris. Sua memória é melhor que a minha.

    O problema do idoso (eu já me considero ancião, aos 68 anos, embora falte uns poucos anos para chegar à idade da sabedoria) assim chamado na imprensa é o reducionismo. A pessoa passa a vida trabalhando, exercendo uma profissão ou um cargo público ou privado que ela conquistou a duras penas e, no fim, tudo o que resta para ela é ser classificada como idoso ou idosa.

    Por que não velho(a), palavrinha bem mais simpática e mais comum na língua portuguesa? Até os adolescentes chamam um ao outro de velho, sem qualquer conotação de idade, e isso desde quando eu era adolescente – ou muito antes, possivelmente. (Parece que idoso entra na mesma categoria do politicamente correto, aquela mesma que acabou com todas as favelas de Belo Horizonte; agora são aglomerados ou vilas, mas a pobreza e a exploração dos pobres coitados que moram ali em barracos alugados por maganos continuam as mesmas.)

    Chamar alguém de aposentado também não é solução, pois ninguém se aposenta sem antes ter tido um passado de trabalho que não pode ser assim reduzido. A melhor solução – e essa constava do Manual de Redação do Jornal do Brasil, um dos mais antigos de nossa imprensa, é esta: na primeira vez que se referir a uma pessoa, escreva seu nome completo. Em todas as outras vezes, basta o último sobrenome, porque o leitor vai saber identificá-la sem qualquer dificuldade. E não importa se tiver que escrever o sobrenome (Castro, no nosso caso) tantas vezes for necessário.

    Ou, se não quiser adotar um comportamento estrangeiro (nos Estados Unidos, por exemplo, é que se chama alguém pelo sobrenome, comumente), chame a pessoa pelo primeiro nome. Nomes muito comuns, como José (não mais) ou Maria (idem) podem ter mais de um personagem na história. Nesse caso, o sobrenome costuma resolver bem a questão da identificação. Simples, não?

    Ah, bom: mas tem o problema do título. “José morreu de uma pedrada na cabeça” ficaria esquisito. Aí pode entrar: “Homem morreu…) e quem quiser saber se o homem era jovem ou velho, pode se informar no texto da notícia.

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