Pais e mães de crianças pequenas: não destruam a mágica do Natal!

Sequência de cosquinhas na alma da festa de Natal

Sequência de cosquinhas na alma da festa de Natal (dez/2010)

Já falei aqui sobre o que acho do Natal. Não é só a data que mais dá lucros para o comércio ou uma data importante para o Cristianismo. É também um estado de espírito, um amontoado de memórias boas de famílias unidas, celebração, reencontro, solidariedade, doação etc.

Desenvolvo a ideia melhor NESTE post.

Para mim, até a cor do Natal é diferente. Vivemos num mundo meio acinzentado ao longo de mais de 11 meses no ano e, lá no finzinho, ele ganha tons alegres e avermelhados, as pessoas ganham mais sorrisos, são mais cordiais, o trânsito desengarrafa um pouco, toda a cidade ganha luzes e enfeites e fica mais bonita.

Isso, pra mim, é mágico. A ponto de às vezes eu sentir esse estado de espírito em datas totalmente diferentes: acordar em pleno abril achando que o dia está “com cara de Natal”.

E Papai Noel, o “mito”, é parte importante desse estado de espírito. Tanto é que, até hoje, com 28 anos de idade, gosto de cultivar a ideia de que existem dezenas de Nicolaus pelo mundo, dispostos a distribuir presentes para fazer a alegria fácil das crianças. Tem gente que faz isso até com vaquinha na internet — e dá certo 🙂 Por isso, parte importante do preparo do meu estado de espírito é ler o maravilhoso “Milagre na Rua 34”, do Valentine Dabies, com suas parcas 117 páginas (dá pra ler em duas horas, no máximo), e me encantar com a história do Papai Noel real.

Se até para os adultos acreditar nele é saudável, imagina para as crianças. Elas têm o direito de acreditar em fantasias e desenvolver bastante a imaginação. É a época da vida para isso e só fará o bem para elas no futuro.

Meus pais também pensavam assim e sempre incentivaram que eu acreditasse em Papai Noel. Minha mãe escrevia cartas, fingindo ser ele, e os dois escondiam os presentes no maleiro e só colocavam na árvore na madrugada de 24 para 25 de dezembro, seguindo todo o ritual (que meus irmãos mais velhos ajudavam a preservar, sem estragos). A mágica só foi desfeita por minha própria culpa: reconheci a letra da minha mãe na última das cartinhas e perguntei a ela, que já não teve como negar depois de um tempo. Mas meus pais fizeram a mágica durar pelo máximo que puderam e só fico feliz e agradecida por isso.

Escrevo com bastante antecedência, porque ainda está em tempo e tenho que ser mais rápida que os shoppings e comerciais: pais de crianças pequenas, meus queridos, não façam a bobagem de destruir essa linda fantasia de seus filhos. E saibam que, ao fazer isso, vocês vão contribuir pra destruir também a de todos os coleguinhas dos seus filhos, porque criança adora passar adiante esse tipo de informação.

VEJAM SÓ o que aconteceu com minha sobrinha 😦

Pra que falar a uma criança de 5 anos que o Papai Noel não existe?! O que se ganha com isso?? Só sei listar o que se perde…

(Mas fiquem à vontade para me contestar aí nos comentários)

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Cada livro para cada idade

Minha sobrinha, de 3 anos e meio, é doida com “O Mágico de Oz”. Conhece até as falas de cor do filme que viu 573 vezes e do livro que alguém leu para ela.

Eu, por minha vez, fui ler esse clássico da economia (!) aos 15 ou 16 anos – e, como era de se imaginar, achei um lixo.

Livros têm idade certa para serem lidos. Passada essa idade, tornam-se bobos.

Já passou pela terrível experiência de reler, lá pela adolescência, um livro que você amou a infância, e ficar com aquele gosto amargo na boca, de pura decepção? O melhor é nunca relê-los, ficar apenas com a doce memória (a exceção é meu ritual de ler “Milagre na Rua 34” até hoje, às vésperas do Natal).

Outro problema é ler antes da hora um livro que seria melhor entendido anos mais tarde. Acho que isso me aconteceu na leitura de “Crime e Castigo” e de “Metamorfose”. Mas sobre isso falo em outro post.

O que me interessa aqui é falar da frustração do meu pai, até hoje, por eu ter passado por toda a infância e juventude sem experimentar dois autores que o marcaram imensamente: a condessa de Ségur e o escritor alemão Karl May, de “Pelo Curdistão Bravio” (que, reza a lenda, escrevia sobre os países da Ásia sem nunca ter pisado neles).

Ele tentou de todo jeito encontrar esses livros quando eu era criança, sem sucesso. Hoje, que temos sebos virtuais e Mercados Livres da vida, é tarde demais: eu provavelmente já acharia esses livros uma bobagem. E se meu pai os relesse, ficaria com o gosto amargo substituindo a doce lembrança dos tempos em que devorava as bibliotecas das escolas de padres com histórias cheias de aventuras.

Todo modo, deixo aqui como dica para meus amigos que tenham filhos pequenos. Ou para o Thor Batista, que também está começando…

Os rituais

Já falei aqui algumas vezes que eu adoro criar pequenos rituais, “tradições” para serem cumpridas em determinadas ocasiões, às vezes com determinados amigos. É algo que ajuda a criar cumplicidade ou, quando faço sozinha, ajuda a dar sentido a alguma data (por exemplo, o natal).

Fiquei tentando lembrar de alguns desses rituais e cheguei à seguinte lista:

– Quando vou com a família a Mucuri, temos que ir para a churrascaria ao chegar à cidade, à noite.

– No natal, é tradição eu ler “Milagre na rua 34”, para relembrar do que se trata o espírito natalino.

– Se vou à Serra do Cipó, a primeira parada tem que ser na Padaria Cipó. Uma das tradições era jantar na Santa Pizza e observar as estrelas depois, mas dizem que a pizzaria fechou 😦

– Quando estou indo embora de Beagá para a Terra Cinza, depois de uma visita, é tradição eu mandar mensagens de celular para as pessoas, despedindo e marcando a “próxima aventura”.

– Desde que me mudei pra São Paulo, a tradição é enviar um email semanal aos amigos e parentes mais próximos, com as novidades e reflexões dos últimos dias.

– Uma tradição com a minha avó Rosa era jogar baralho ouvindo “Eu Sei que Vou te Amar”, versão do Milton Nascimento, que ela colocava no repeat. Até hoje essa música me lembra dela.

– Uma tradição que eu tinha com minha turma de amigos do colégio era o encontro no Café 3 Corações (que hoje é uma telefônica), na praça da Savassi. Até hoje chamo eles de “turma do Café”, apelido dado pelo meu primeiro namorado.

– Adoro listas! Faço listas dos livros que li no ano (cada ano menores 😦 ) e dos filmes que vi no cinema. No fim do ano, as listas de presentes (cada vez maiores 🙂 ).

– Eu sempre dava cartões nos aniversários, porque é o que mais gosto de receber e acho que meus amigos também gostavam. Mas minha inspiração foi diminuindo e hoje em dia faço isso raramente. Mas ainda gosto de sempre dar uma lembrancinha de presente pro aniversariante.

– Tinha uma época que eu ia sempre ao Mezanino da Travessa com um amigo e a tradição era pedir cerveja de trigo e gritar para que a banda Free as a Beatle tocasse “Paperback Writer” (E, quando incorporaram ao repertório por nossa causa, “Rocky Racoon”). Essa virou uma das tradições mais divertidas, porque até hoje a turma sempre pede Paperback nos shows de cover dos Beatles por causa daquela época (imagina a alegria quando o Paul, em pessoa, “atendeu” ao nosso pedido no show do Morumbi! :D).

Toda hora lembro de um ritual novo e sempre invento mais alguns, quando as circunstâncias me obrigam a me desfazer de outros. Quem me conhece bem e lê este blog pode se lembrar também e pôr aí nos comentários 😉

E vocês? Quais são seus rituais favoritos?