Mais de 40 desenhos e séries lindos e educativos para crianças de até 4 anos

Já fiz este post aqui no blog antes, mais precisamente há 1 ano atrás, mas descobrimos tantos desenhos novos bacanas de lá pra cá, que achei que valia a pena uma atualização. Naquele post, listei 20 desenhos disponíveis na Netflix. Hoje, trago um total de 24 (seis novos e dois que saíram do cardápio da Netflix) e mais alguns que descobrimos na TV. Que tal aproveitar o feriadão para brincar e passear bastante com seus filhos e, nos momentos de descanso, assistirem juntinhos a um desenho bem legal, com direito a pipoca e cobertor? 🙂

Começo pelos que eu ainda não havia citado antes, todos na Netflix:

1. Patrulha Canina – O Luiz descobriu este desenho há menos de um mês e se apaixonou por ele. Trata-se de uma patrulha de seis cachorrinhos, comandados pelo jovem Ryder, que ajudam a resolver vários problemas na Baía da Aventura, onde vivem. Eles buscam soluções tanto para situações mais simples, como ajudar um amiguinho a reconstruir seu velotrol de material reciclável, até coisas bem mais complexas, como ajudar a limpar um vazamento de petróleo no mar ou ajudar o Papai Noel a recuperar sua estrela mágica, para salvar o Natal. Uma coisa bacana que acho neste desenho e em outros deste tipo é que não existem vilões. São todos pessoas de bom coração, que enfrentam algum dilema e precisam buscar uma solução para ele. Outra coisa que acho legal é a mensagem principal, de que sempre há solução para os problemas, por mais complexos que sejam, e que devemos ser persistentes e não perder a cabeça. (Ah, este desenho virou alvo de muita polêmica e reclamação por conta de um erro de dublagem, que, no Brasil, deixou Marshall e Zuma com vozes femininas na primeira temporada. O erro foi corrigido depois, mas o internauta não perdoa e teve até gente falando que foi tudo um plano diabólico para incutir discussões sobre ideologia de gênero nos bebês, rs. Sobre isso, recomendo a leitura DESTE POST, com boas reflexões a respeito.)

2. O Pequeno Reino de Ben e Holly – Dos mesmos criadores de Peppa, este desenho faz muito sucesso lá em casa. A trama é bem mais elaborada, acho que pensada para crianças já um pouco maiores, e também cheia de humor e didatismo, como no desenho da porquinha. Aqui, temos um reino em miniatura (com todas as curiosidades de ver as coisas sob a perspectiva deles), povoado por fadas e duendes, que têm uma certa rivalidade entre si. As fadas adoram usar mágica, os duendes são habilidosos com trabalhos manuais e detestam mágica. O desenho só tem uma temporada e estou na torcida para que venha a ter mais em breve.

3. Oddbods – Esses bichinhos meio amalucados fazem uma sátira da vida real, com personalidades bem próprias. Temos o valentão de pavio curto, o preguiçoso e relapso, o sujeito com mania de limpeza e perfeccionista, o exibido, o pregador de peças, a menina cientista super genial, a outra fofinha que só gosta de cor-de-rosa, e assim por diante. Um detalhe interessante é que não existem diálogos neste desenho. Os oddbods só conseguem soltar grunhidos. Isso estimula a imaginação dos pequenos, que conseguem acompanhar muito bem o que se passa na história.

4. Turma da Mônica – Dispensa apresentações, certo? Na Netflix, temos o CineGibi e os especiais temáticos da turminha do Mauricio de Sousa.

5. PJMasks – Três amiguinhos que viram super-heróis à noite e salvam o planeta do vilão Romeu. É bem uma adaptação de super-heróis clássicos, como Batman, para os pequetitos. E faz muito-muito sucesso nesta geração de 3 a 4 anos! (Desenho ao lado)

6. Que Monstro te Mordeu? – Série do cineasta Cao Hamburger, o mesmo de “Castelo Rá-tim-bum”, sobre monstrinhos inusitados como o monstro que faz a gente querer comer fast-food até se entupir. O cenário é muito rico, como era no castelo, e a série estimula a imaginação e também faz com que os pequenos percam o medo de monstros, já que são retratados como se fossem apenas crianças (meio esquisitinhas, mas inofensivas). O Luiz viu poucas vezes, no canal Rá-Tim-Bum! e na Netflix, e gostou sempre que viu.

7. Molang – Uma coelhinha (ou coelhinho?) e um pintinho ou filhote de passarinho (cujo gênero também não é muito claro), que vivem aventuras variadas e muito engraçadas. Um detalhe legal deste desenho é que os personagens falam numa língua inventada, desconhecida. Mas dá pra entender tudo o que querem dizer, porque usam entonações universais. Cada episódio é curtíssimo e com roteiros muito bem resolvidos. Vale a pena assistir, a família inteira gosta.

 

 

E agora os que eu já tinha citado antes, todos ainda disponíveis na Netflix:

  1. Mundo Bita – São clipes musicais, com ilustrações muito bonitas e coloridas, letras bem elaboradas e mensagens positivas e educativas ou simplesmente divertidas sobre o dia a dia, o corpo humano, os animais e as brincadeiras. Não tem história, são apenas clipes curtinhos com músicas, para essa fase em que os pequenos se interessam mais pelas trilhas do que pelas histórias. Leia AQUI a entrevista que fiz com o criador do Mundo Bita.
  2. Masha e o Urso – Baseado no conto de fadas de Cachinhos Dourados, essa animação russa é cheia de mágica, aventuras e é praticamente sem falas, com lindíssima trilha sonora de orquestra. Masha é muito levada e sei que haverá um grupo dizendo que ela ensina maus hábitos aos nossos filhos etc, mas ela também tem um carinho imenso pelo urso, que representa uma figura paternal na vida da garotinha minúscula, e a ternura e afeto entre os dois é comovente. Leia AQUI a entrevista que fiz com o diretor do estúdio de Masha e o Urso, em Moscou.
  3. Backyardigans – Além de ter historinha cheia de aventuras, esse desenho é lotado de músicas, cantadas pela própria trupe de personagens, que ainda por cima fazem coreografias para acompanhar! Acho legal por incentivar os pequenos a brincarem apenas com fantasia e imaginação, explorando mundos fantásticos sem sair do quintal de casa.
  4. Little Baby Bum – É o que tem conteúdo mais explicitamente educativo, dentre todos que citei. Tem a musiquinha para ensinar a guardar os brinquedos na caixa, outra pra escovar os dentes, outra pra mostrar a diferença das formas e cores, e assim por diante. Além de músicas clássicas, como a da roda do ônibus que gira e gira.
  5. Bob Zoom – Produção nacional que já tem tradução para inglês e espanhol, com musiquinhas clássicas da nossa infância (assim como fizeram os criadores da Galinha Pintadinha), numa ilustração bem simples, cujo personagem principal é uma formiguinha azul. Os pequenos adoram!
  6. Festa de Palavras – Animação original da Netflix, com quatro bebês que interagem a todo momento com nossos pequenos do lado de cá. A cada episódio, eles tentam descobrir palavras novas (por exemplo, há o episódio em que aprendem o que é “cotovelo”). Didático.
  7. Turminha Paraíso – Mais um de clipes musicais, com desenho realmente muito bonito.
  8. A Turma do Seu Lobato – Outro de clipes musicais bonitinho.
  9. Na Sala da Julie – Esta série é maravilhosa, com a grande atriz Julie Andrews, que fez Mary Poppins, por trás da produção e no papel da protagonista. Foi a favorita do Luiz por um tempo. Falei mais sobre ela AQUI. (A propósito, Luiz ama o filme Mary Poppins!)
  10. Daniel o Tigre – Um dos meus desenhos favoritos. Além de ser muito bonitinho, apesar de todo feito em 2D, ele é extremamente educativo. Mas, em vez de falar sobre a importância de escovar os dentes, por exemplo, vai além: fala sobre como lidar com a frustração, com os ciúmes do irmãozinho caçula que está chegando, com o dodói que apareceu no joelho durante a brincadeira, e outras tantas questões envolvendo, principalmente, os sentimentos. Os episódios giram em torno da família de Daniel, de sua escolinha ou de suas brincadeiras com os amigos. Cada questão é trabalhada sempre em dois episódios seguidos. E a música da trilha sonora, principalmente a que encerra o programa, é uma das mais lindas que já vi na TV!
  11. A Casa do Mickey Mouse – Desenho mais poluído, com os personagens clássicos da Disney, mas que encanta o Luiz, principalmente pelas engenhocas e outras coisas mágicas que aparecem na casa do Mickey. Como o interruptor gigante que, em vez de apenas acender a luz, abre um dispositivo para dar passagem a uma mão de robô, que puxa a cordinha da lâmpada e a acende. Coisas assim. É bastante interativo também.
  12. Peppa – Acho que dispensa apresentações, certo? Peppa é unanimidade. Desenhos curtos, simples, com historinhas fáceis de entender e, ouso dizer, cheio de piadas de inglês que só os adultos captam realmente. Como no fim do episódio em que o sr. Touro está escavando a estrada, que termina com uma exclamação: “Todos adoram ficar parados no trânsito!”. E todas aquelas buzinas. Minha maior diversão é ver se os personagens adultos estão sorrindo ou sérios, porque isso é suficiente para compor toda a piada inglesa da historieta.
  13. Galinha Pintadinha (e a Mini) – Outra que dispensa apresentações. Prefiro a versão Mini, que, em vez de apenas trazer os clipes musicais, já tão presentes em outras séries já citadas (como Bob Zoom e Turminha Paraíso), traz uma historinha mesmo, com começo, meio e fim. Leia AQUI entrevista da revista Canguru com os criadores da Galinha Pintadinha.
  14. Dora a Aventureira – Desenho ultrainterativo, chega até a cansar o excesso de vezes em que os personagens param o que estão fazendo para perguntar o que o expectador acha ou faria. Traz sempre uma pequena aventura e palavrinhas em inglês.
  15. Doutora Brinquedos – Desenho que explora a imaginação, com uma menininha interagindo o tempo todo apenas com seus brinquedos.
  16. Supermonstros em ação – Desenho fofo, cujos personagens principais são um vampiro, uma bruxa, um Frankenstein etc. Eles têm superpoderes e tal, mas as questões discutidas se parecem muito com as vividas por qualquer criança, como saber emprestar o brinquedo para o outro etc.
  17. Beat Bugs – Bichinhos que vivem aventuras em episódios que contêm sempre uma versão de música dos Beatles. Acho que vale mais pela trilha sonora do que pelas histórias em si, que interessam mais a crianças maiores.
  18. Pocoyo – Esse é o desenho mais “clean” de todos, com pouquíssimos elementos e um narrador sempre se intrometendo na história. É o que gosto menos, mas meu filho de vez em quando pede para assistir.

Agora algumas descobertas muito boas na TV:

Também descobrimos alguns desenhos bem legais na TV, alguns dos quais ainda não citados aqui no blog, e que não existem na Netflix:

  1. Noddy, o detetive no país dos brinquedos (Gloobinho)
  2. Detetives do Prédio Azul – agrada crianças mais velhas também, mas os pequenos já conseguem entender e se divertir com as histórias, que são muito bem boladas (Gloob).
  3. Oi, Duggee (Gloobinho) – desenho curtinho mostrando um aprendizado de um grupo de escoteiros.
  4. Yo Yo (Gloobinho)
  5. A Colmeia Feliz (Zoo Moo) – desenho mais antigo, mas muito bonitinho, com ensinamentos legais sobre comportamento para os pequenos.
  6. Mouk (Zoo Moo) – ensina sobre os costumes de vários países do mundo. Muito legal! (Desenho ao lado)
  7. SOS Sônia (Zoo Moo)
  8. Teatro das Fábulas (Zoo Moo)
  9. Cocoricó (TV Rá-tim-bum) – um clássico!
  10. O Show da Luna! (Discovery Kids e TV Rá-tim-bum) – desenho extremamente educativo, já premiado várias vezes, e que agrada a crianças de várias faixas etárias.
  11. Cantando com Ping e Pong (Discovery Kids) – educação musical.
  12. Super Wings (Discovery Kids)
  13. Monchhichi (Discovery Kids)
  14. The Happos Family (Boomerang)
  15. Meu Amigãozão (Discovery Kids) – outro desenho lindo, coprodução entre Brasil e Canadá, com vários ensinamentos bacanas e muito sobre a imaginação infantil sendo explorada.
  16. George, o Curioso (Discovery Kids) – adoro! Mais sobre ele AQUI.
  17. Floogals (Discovery Kids) – uma descoberta do mundo pelos olhos dos pequenos (e dos E.T.s de outro planeta…)!

EXTRA: O Luiz ainda não tem paciência para ver longas, nem mesmo de animação, mas teve dois filmes que ele não só viu e adorou, como já viu dezenas de vezes! Ambos estão disponíveis na Netflix: Menino Maluquinho e Mary Poppins.

Leia também:

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Um SAC(o)

O post abaixo é longo, mas acho que merece ser lido do início ao fim, porque todos vão se identificar com os fatos, verídicos, relatados.

Acho que só existe uma coisa no mundo que é tão ruim quanto a tortura, mas nem é considerada uma tortura pelas entidades de direitos humanos internacionais: o labirinto a que somos submetidos a cada vez que precisamos falar com um serviço de televendas, ou central de atendimento ao consumidor.

Eu, que já detesto telefone até para falar com pessoas de quem gosto muito, literalmente paguei por todos os meus pecados, e ainda estou com saldo positivo na caderneta do inferno, desde o dia 7 de outubro, quando me mudei para Belo Horizonte. Vem sendo, disparado, a pior parte, a mais estressante da minha mudança.

De lá para cá, tive que entrar nos portais do inferno dos SACs no mínimo 50 vezes. Não é exagero: só dos números de protocolos que me lembrei de anotar, tenho 29. Vinte e nove! Fora que só me lembro de anotar esses números (ou tenho papel fácil na hora) a cada duas ligações. Falei mais com os adeptos do gerundismo e com aquelas máquinas infernais do que com todas as outras pessoas do meu círculo de amizades, somadas.

O mais legal é que, depois de tantas ligações para resolver problemas com a NET, Oi, Vivo, Comgas, Eletropaulo, Folha e Cemig, especialmente as duas primeiras, virei uma expert em teleatendimento. Estou quase doutorando no assunto. Como não sei qual cátedra aceitaria minha tese, deixo aqui, humildemente, no meu bloguinho. Que sirva de contribuição ao menos aos treinadores desses serviços abomináveis, aos gerentes de marketing, aos engenheiros dessas empresas. Talvez eles não tenham noção do tanto que o serviço que prestam é ruim e do tanto que, consequentemente, queimam a imagem da empresa com isso. Ou talvez tenham noção, mas deem de ombros, cientes de que todos os (dois ou três) concorrentes estão no mesmo nível e não há para onde nós, ratinhos do sistema, corrermos (bom, até que há. É cada vez maior o número dos que fogem desse sistema e, por exemplo, aderem a canais piratas da internet para assistirem ao que a TV a cabo ofereceria em seu pacote mais caro. Nesse caso, rá, quem perde é a TV, enfim).

13 protocolos na NET

A recordista dos meus desesperos é, sem chance de comparação, a NET. Esta provedora teve a capacidade de dificultar ao máximo um processo que seria do maior interesse dela própria: minha mudança de endereço, mantendo o pacote com eles, nos mesmos moldes. Era a chance de fazerem um serviço tão bom, mas tão bom, que me daria até vontade de dar um upgrade na velocidade da internet, que eu bem tou precisando, né?

Mas fizeram tudo errado, do primeiro ao último dia. O desencontro de informações foi risível. Primeiro dia: peço para cancelar minha conta em São Paulo, pensando em abrir um novo contrato quando chegasse a Beagá (que é o que, vocês verão, eu deveria ter feito mesmo). A atendente diz que posso simplesmente suspender o pacote e, quando eu já tivesse me mudado, pedir a mudança. Mas que eu deveria esperar uns dias para fazer isso, enquanto o chamado dela era conferido, para ver se meu endereço novo poderia ter NET.

Passados esses dias, volto a ligar. A outra atendente não entende a ideia da suspensão. Não sabe do que se trata. Fica batendo na tecla de que só devo suspender se eu for viajar. “Mas eu vou, minha filha!” Ela, por fim, compreende o que a outra havia me orientado. Pergunto: “Devo levar os aparelhos da NET comigo?” “Sim.” Pergunto isso umas quatro vezes, para ter certeza de que ela sabia o que estava dizendo, para eu não levar algo que não me pertence de forma errada.

Assim que me mudo, ligo para a NET de novo, para reativar a conta suspensa e pedir a mudança de endereço. O sujeito dá a entender que tudo está feito e que vão me ligar nas próximas horas apenas para confirmar a visita do técnico. E que em até 5 dias úteis eu teria internet em casa. Era uma segunda, então espero que até sábado tudo já esteja certo.

Passam três dias, nenhuma ligação. Retorno à NET. E a tortura prossegue: “Não há nenhum pedido de mudança de endereço aqui, minha senhora.” Tenho que informar tuuuuudo de novo, desde o início da suspensão, e ela garante que, dessa vez, vão me ligar para agendar a mudança de endereço.

Claro, não ligam. Eu ligo de novo. Esbravejo pela primeira vez: minha filha, trabalho com internet em casa, já é quinta-feira, não posso ficar esperando mais cinco dias, era pra ter sido resolvido até sábado etc. Ela anota meu pedido de urgência.

Surpreendentemente, passam-se apenas dois minutos até que uma atendente ligue para agendar a mudança de endereço e visita do técnico. Aleluia! Começo a pensar que eu sou intransigente, não são tão ruins assim, afinal. Até que ela diz que o sistema de agendamento deu pau e ela vai me ligar de volta em até quatro horas pra finalizar tudo.

Não liga.

No dia seguinte, lá vou eu ligar de novo. “Já é sexta-feira, queria agendar pra amanhã, mas a moça que ficou de me retornar sumiu!” Registram de novo de manhã. Ninguém liga. Retorno à noite, já desesperada. Nunca mais ligam.

Sem a menor paciência mais, decido cancelar minha assinatura e contratar em outras. A mulher que liga para confirmar meu cancelamento diz que ia ligar de volta para marcar a retirada dos equipamentos.

Não liga.

Retorno em seguida e outra atendente diz que aquela tinha agendado, por livre e espontânea vontade, para retirar no dia 17/11, um sábado. Ok, não marquei nada, mas pode ser essa data. Confirmo o endereço de BH para retirada. “Sim, esse mesmo.” Beleza então.

Até que um infeliz da Ouvidoria da NET me liga e diz que não, ao contrário do que me disseram antes, eles não fazem retirada em BH. Ou eu envio pelo Correio ou vou até um endereço presencial de BH, no bairro Renascença, para entregar.

Até para encerrar a conta é difícil!

Detalhe: registrei na Anatel e não adiantou nada. Nunca me ligaram de lá também.

Anatel

A agência do governo federal que controla e fiscaliza as prestadoras do serviço de comunicação do país merece um capítulo à parte.

Sempre defendi que a ouvidoria da Anatel valia muito mais do que as das operadoras, que as soluções vinham mais rápido e de forma mais efetiva. Desta vez, falhou. Não só não me responderam, nem a empresa me procurou para falar desse registro, como, quando fui ver com a Anatel no que tinha dado minha reclamação, descobri que a agência havia repassado minha reclamação a outra empresa que nada tem a ver com o assunto e nem sequer atua em Minas Gerais.

Bomba!

Outras tentativas

Bom, resolvi ver com a concorrência. Não é possível que seria pior que a NET. Até a voz daquela máquina que nos atende no início estava me dando calafrios. Aliás, até a máquina é ineficaz. Pede que eu confirme meu email, soletra ele inteirinho, eu confirmo, pensando que nunca mais será pedido isso para mim. Quando ligo dois minutos depois, lá vem a máquina pedir a mesma coisa de novo. Fala sério!

Tentei primeiro a TIM. Não oferece o serviço em BH.

A Vivo chega a ser ridícula. Em vez de dar opção de digitar o número X para falar sobre tal assunto, ela quer que a gente diga em voz alta. O problema é que o computador deles não entende de jeito nenhum o que é dito.

“Diga se você quer para sua residência ou escritório.”

“Residência.”

“Desculpe, não entendi.”

“RESIDÊNCIA.”

“Vamos tentar novamente.”

“R-E-S-I-D-Ê-N-C-I-A!”

“Desculpe não entendi.”

Tentei com um sotaque mais paulistano e passou. Mas depois: “O que você quer?”

“Comprar um produto.”

“Desculpe não entendi…”

E assim por diante.

Ok se eu tivesse a língua presa, fosse uma gringa etc. Mas não sou. Aliás, quem tem língua presa nunca pode ser atendida por alguém da Vivo? Eu hein.

Pior foi depois:

“Qual produto: linha fixa, televisão ou internet?”

“Internet.”

“Certo: você quer linha fixa. Vou te transferir para um dos nossos atendentes.”

Oi?

Oi, então

Eis que tento na Oi. Pra falar a verdade, achei os atendentes da Oi bem melhores que os da NET e Vivo (que, no final, disse que sou obrigada a ter uma linha fixa para adquirir TV ou internet. Como assim “obrigada”?! Anatel, você está acompanhando a venda casada, por favor?). Mais gentis, menos maquinais e menos indispostos. Talvez porque todas as atendentes tinham aquele sotaque nordestino supersimpático, um dos mais bonitos do Brasil.

Mesmo assim, coisas misteriosas aconteceram.

Por exemplo, eu contratei uma TV a cabo e registraram uma TV com antena externa.

Marquei visita para terça, a partir das 16h. Fiquei esperando até as 21h, fiz duas ligações no meio do caminho para perguntar cadê o sujeito (“Pode chegar até as 21h, senhora. Aguarde mais”), e nada. Nenhuma satisfação básica. No dia seguinte, quando fui perguntar o que houve, a atendente disse que nunca tinha sido agendada essa visita anterior!

Claro, devo estar imaginando coisas. Inclusive imaginando as duas conversas que tive com a própria Oi sobre essa visita…

Dois dias depois, chega o técnico, e descobrimos o negócio da antena, que nem posso ter no meu prédio. Liguei para corrigir, já que eu sempre pedi TV a cabo, e ouvi: “Não trabalhamos com TV a cabo em Belo Horizonte, senhora.”

Uai, como não? Foi o que contratei desde o início. Peço pra me enviarem a gravação que mostra o que contratei. A atendente diz que, para isso, preciso informar também o nome do atendente, coisa que ninguém no planeta sabe que precisa anotar nem é avisado disso durante o atendimento.

Resultado: cancelei a TV, já que não tive opção, e, sem nenhuma outra perspectiva à vista (fora do mundo mágico dos gatos) voltei quase chorando para a NET só pela TV.

Para cancelar, uma novela à parte. Aliás, para contratar também: na Oi você liga, grava, informa tudo, faz todos os procedimentos normais de contratação ou cancelamento. Mas depois precisa esperar uma segunda ligação para confirmar tuuuuudo de novo. Se essa ligação não chega, recomeça o ciclo malévolo. E lá não adianta ligar para a central esperando resolver todos os pepinos de uma vez: é um número para contratar TV, um para contratar internet, um para atendimento de TV, um para atendimento de internet, um para combo, um para acompanhamento de pedidos. O atendente de um setor não conversa com o do outro, não sabe nada do outro assunto, não consegue consultar e nem sequer transferir direto. Resignadamente, apenas te informa o novo telefone a ser chamado.

Consegui cancelar a TV da Oi. Contratar a da NET. Desta vez, foram eficazes e vieram em um dia. Daí porque, desde o início, acho que o problema foi a tal da suspensão, que a primeira atendente me orientou a fazer…

Resolvo checar com a Oi se minha internet está chegando, já que contratei na segunda-feira (da segunda semana, reparem bem) e me disseram que levaria dez dias corridos para o modem chegar pelo Correio. Mas, surpresa!, já é sexta-feira e nem sequer a contratação foi confirmada, porque está perdida num limbo chamado “auditoria de crédito”.

Acabo tomando outra decisão resignada e humilde: retornar para a NET também minha internet, com a esperança de que eles levem menos de dez dias para instalá-la, como agora fizeram com a TV.

Ligo para a NET e me informo sobre valores. A internet sairia a R$ 59,90, diz a atendente. Faço minhas contas, decido fechar negócio. Mas descubro que tenho que esperar primeiro pela instalação da TV para conseguir pedir a internet. Paciência…

Assim que a TV é instalada, ligo para contratar a internet. Mas a outra atendente diz que o valor, agora, seria de R$ 129,90! Que a promoção valeria só se eu também comprasse um telefone fixo, que não quero. Brinco com ela, antes de desligar: “Vou esperar dez minutos e ligar de novo. Quem sabe a primeira atendente não vende para mim o produto que ela ofereceu e você agora diz que não existe, né?” Ela faz um muxoxo.

Era brincadeira, mas foi exatamente o que aconteceu.

Liguei, e a outra atendente ofereceu a internet pelos R$ 59,90 numa boa. Roleta russa. Quando fechei o contrato, eu estava tão aliviada que disse a ela que era a melhor atendente da NET. Pelo menos alguém ficou feliz hoje.

Carrossel do inferno

E agora tenho que cancelar a internet da Oi. Começa aqui um dos espetáculos mais sinistros de mau atendimento que já presenciei na face da Terra. A Oi tem menos protocolos que a NET, mas por uma simples razão: não fornecem o protocolo. Se não, certamente seria a recordista da minha listinha de trocentas ligações.

Lá vou eu, pelo número 1057: “Olá, gostaria de cancelar minha internet, que contratei na segunda e ainda nem chegou.”

“Qual seu número Oi fixo?”

“Não tenho Oi fixo, só contratei a internet.”

“Um momento, senhora.”

Segue um vácuo que dura aproximadamente 16 minutos.

“Não é nesse número. Ligue para o 0800-031-0001 ou 0800-285-3131.

Respiro fundo e ligo. Repito tudo. Repete-se o tempo exasperante de espera. Ao fim: “Não é aqui, senhora. Ligue para o telefone 10331.”

Já com raiva, ligo para o 10331. Mais um tempão de espera.

“Não é aqui, senhora. É no 1057.”

“Mas já liguei pra lá! Me passaram pro 0800 que passou pra cá!”

“Alguém errou na informação, senhora.”

(Não me diga.)

Resignada, ligo de novo para o 1057.

Tudo se repete. Sempre. De lá, para o 0800, de lá, para o 10331, deste, para o 1057. Pegadinha do Malandro.

Juro que minha paciência me fez cumprir este ciclo vicioso TRÊS digníssimas vezes. Ou seja, liguei três vezes para os três números, igual a uma pateta. No final, comecei a chorar. Nem assim a atendente fria e cruel se comoveu. “Não é aqui, senhora. Ligue para…”

Tentei registrar na Ouvidoria (que chamam de Ombudsman) da Oi, que só atende pela internet. Mas até para isso você é obrigada a ter um número de Oi Fixo, que não tenho. Ou seja, a Ouvidoria só atende a alguns clientes da Oi, não a todos… Alô, Anatel?

Fim

Agora é o seguinte: consegui ter a TV e a internet, tudo ainda na NET, como era em São Paulo. Mas, para isso, tive que ficar uns 200 minutos conversando com máquinas, tive que esperar mais de duas semanas, tive que chorar por ser feita de idiota em tantos desencontros de informação, me vi presa numa cilada de ser empurrada de um número para outro para outro e de volta para o primeiro. Hoje conheço os SAC como a palma da minha mão e tenho uma certeza nesta vida: o inventor desse serviço de atendimento aos moldes do que existe hoje é o Diabo em pessoa. Vendo minha alma a qualquer um, do céu ou do inferno, desde que eu não precise, nunca mais na minha vida terrena, ter que falar com esse pessoal sádico. (Mas fica a dica para os masoquistas.)

P.S.

Minha intenção, com este post, não é desrespeitar os teleatendentes, que não são, no fundo, culpados por esse caos. Muitos deles até se esforçam, são claramente bem-intencionados. Há, claro, os maleducados e preguiçosos, que já dizem alô com má vontade, mas isso há em qualquer profissão. O que eu acho o fim do mundo é que essas megaempresas milionárias não invistam em treinamento e tecnologia para facilitar a vida do cliente, inclusive na hora em que o cliente vai exercer seu direito sagrado de cancelar um contrato. Proponho uma solução simples para isso: que os dirigentes dessas companhias se deem ao trabalho de contratar e cancelar um serviço de sua empresa e das concorrentes, de forma anônima, via SAC, para constatarem o desastre que é. Talvez assim criem vergonha na cara e façam algo digno dos milhões que faturam às nossas custas nesse oligopólio de dois ou três camaradas.