‘The Economist’ prevê mandato curto de Jair Bolsonaro, o aprendiz de presidente

Texto escrito por José de Souza Castro:

Ilustração que estava no artigo da “The Economist”

Tida como uma espécie de bíblia dos grandes banqueiros internacionais, a revista inglesa “The Economist” avisa em sua última edição que, a menos que pare de provocar e aprenda a governar, o mandato de Jair Bolsonaro poderá ser curto.

O artigo intitulado “Jair Bolsonaro, Brazil’s apprentice president”, foi publicado na coluna Bello, que trata de questões da América Latina. Bello foi um pseudônimo escolhido na década de 1980. O pseudônimo na “The Economist” serve ao propósito, segundo a revista, de tornar mais consistente a qualidade do texto, bem como uma cultura mais colegial, seja lá o que isso signifique.

Essa prática era corriqueira na imprensa brasileira. Millôr Fernandes foi Emanuel Vão Gogo e Carlos Drummond de Andrade variava no começo da carreira assinando como Antônio Crispim, Mickey ou Gato Félix. Talvez a moda devesse voltar nos tempos atuais, para tentar proteger repórteres e articulistas do furor de políticos e juízes.

Para Bello, uma das principais razões de Jair Bolsonaro ter sido eleito presidente da República foi a promessa de que a economia voltaria a se mover depois de quatro anos parada. Ao nomear Paulo Guedes como seu superministro da Economia, o presidente conquistou o apoio do grande negócio e das finanças. Muitos acreditaram que a chegada de Bolsonaro ao governo reanimaria a economia, mas passados três meses ela permanece moribunda como sempre. Investidores começam a perceber que Guedes enfrenta tarefa íngreme para que o Congresso aprove a reforma da Previdência, que “é crucial para a saúde fiscal do Brasil”, segundo a revista “The Economist”.

A publicação atribui ao déficit fiscal elevado o fato de os juros para os tomadores privados serem mais altos do que deveriam ser. Ou seja, a culpa não é da ganância dos banqueiros, mas dos pobres pensionistas do INSS. De qualquer maneira, reconhece Bello, a reforma da Previdência não é suficiente para que o Brasil volte a ter um crescimento econômico robusto. Isso requer reforma tributária e outras medidas para elevar a competitividade.

O grande problema, constata o autor, é que Bolsonaro precisa ainda mostrar que entende o seu novo trabalho. Ele tem dissipado capital político por seus preconceitos. Por exemplo, convocando as forças armadas a comemorar o aniversário, dia 31 de março, do golpe militar de 1964.

Por mais que tenham horror a Bolsonaro, conclui a revista inglesa, democratas não deveriam desejar que ele caísse antes de completar seu mandato. Pouco tempo se passou, mas sua presidência já encara um teste crucial. “Nós temos duas alternativas”, seu porta-voz disse nesta semana. “Aprovar a reforma da Previdência ou cair num poço sem fundo”.

O porta-voz, como se sabe, é um general da reserva. Ele e seus colegas nada têm a temer dessa reforma da Previdência

E nem os bancos da futura reforma fiscal, a depender do ministro da Economia e do que se passou durante os longos anos do governo petista.

Se alguém quiser saber mais a respeito dessa última frase, deve ler a entrevista de Ciro Gomes ao jornal português “Diário de Notícias“. Trecho:

“O Brasil fechou 13 mil indústrias nos últimos três anos. O Brasil fechou 12 mil casas de comércio nos últimos três anos. Nós estamos com 14 milhões de desempregados, 63 milhões de brasileiros com nome sujo no sistema de controlo de crédito, e os bancos tendo lucros exorbitantes, recordistas, basicamente estipendiados pelo Estado brasileiro, que patrocina uma taxa de juros absolutamente criminosa durante todo o período assim referido de esquerda.”

Sim, Bolsonaro também prometeu acabar com a corrupção e nomeou o deus da Lava Jato como ministro da Justiça. Nenhum deles vai atacar a maior corrupção que suga o sangue dos brasileiros: os juros bancários. Se atacarem, o mandato vai encurtar ainda mais.

Remember Dilma Rousseff.

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