Recado aos donos de pets egoístas e irresponsáveis

Texto escrito por Beto Trajano:

Hoje não foi o dia de salvação de Marion. Aquela tão sonhada etapa final da entrevista, do tão esperado emprego, foi como um tiro no alvo reverso. Nota Zero.

A esperança de conquistar Brunele também foi para as cucuias nos planos de Gildeão.

E, desconcertado, Alencar acabou reprovado no exame para tirar carteira de motorista, em sua quarta tentativa.

Vidas que nunca se encontraram foram barradas pelo mesmo destino. O pé lambrecado de um fedido estrume de cachorro depositado no meio da rua, pouco antes de os seus objetivos serem conquistados.

Todas as manhãs, Pitis, Totós, Joaquins, Brigites, Dianas vão passear com seus donos pelas ruas. É hora de defecar e mijar. Alguns dos donos levam uns saquinhos para catar os dejetos, mas a maioria deixa o estrume fedorento lá, brilhando nas calçadas. Continuar lendo

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Sejamos mais cachorros!

Einstein

Einstein

Um amigo meu, que preferiu não ser identificado no post, escreveu uma mensagem tão inspiradora que resolvi compartilhá-la aqui no blog. Para pensar:

“Decidi falar aqui da morte do Einstein, que já rolou há um tempo, para pedir para vocês serem mais cachorros. É que bateu uma saudade imensa dele e o tempo nunca foi muito importante entre a gente. Tive na vida a oportunidade de ir aprendendo com os cachorros a ser mais descalço, mais pelado, mais carinhoso e mais alegre. A gente já vive num mundo tão humano, somos tão obcecados com objetos e eletricidade que nos esquecemos do maravilhoso mistério de nossas próprias biologias. Nossa amizade com os cachorros é em seus poucos milhares de anos talvez a mais profícua relação entre duas espécies, basta olhar e ver. Que no mundo de curtições, catucações e bajulações narcisísticas possamos sempre olhar para nossa ancestralidade comum com os cachorros e, ao invés de fantasiarmos eles como pessoas, possamos ver em nós os mamíferos que somos. Sejam mais cachorros e me chamem para que juntos uivemos sob a lua.”

O lindo cachorro Einstein e seu dono, em foto de arquivo pessoal dele.

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Procura-se um amor

Todo mundo procura um amor com alguma característica. Dia desses descobri, pelo blog da Alice, o trabalho da designer Thaís Aragão, que vem sendo publicado em seu Facebook.

É uma série com várias dessas características, para todos os gostos 🙂

As minhas favoritas (clique sobre a imagem para ver em tamanho real):

              

Clique AQUI para ver todos 🙂

Cachorro é melhor que gente

O vídeo acima já é um viral, com mais de um milhão de acessos, e só fui assistir hoje.

Mostra a recepção calorosa do boxer Chuck quando vê seu dono, um soldado que estava fora do país por oito meses.

É emocionante!

Me fez lembrar minha cachorrinha, Kika, que estava meio doentinha quando fui morar longe de casa, por cinco meses, aos 14 anos — e piorou no período.

Quando voltei, ela melhorou bastante, mas um mês depois fui à praia, por 15 dias, e ela sentiu novamente o baque de me ver longe. Ou assim imagino, porque quando voltei da praia ela já estava quase morrendo e nada que eu fizesse ajudava a recuperá-la desta vez.

Kika, a cachorrinha mais inteligente do planeta.

A Kika era genial. Bastava pegarmos a coleira ou falarmos a palavra “coleira” ou “passear”, e ela já ficava como louca, latindo e pulando, alegríssima. Como o Chuck do vídeo.

Se nos via mexendo nos baldes, por outro lado, escondia-se sobre a cama de casal dos meus pais, bem no fundo, e cravava as unhas no chão para evitar que a pegássemos para o banho.

Com a palavra “caminha!”, já se encaminhava, sonolenta, para o “quartinho” (a área em frente ao elevador) e já deitava na caixa que era sua cama, onde já havia uma toalha para ajudar a esquentar.

E ela entendia dezenas de outras palavras, mesmo sem nunca ter tido um adestramento formal.

Quando passávamos o dia fora, ela nos recebia aos latidos, alegríssima. Detalhe: percebia que a gente tinha chegado a uma distância de cinco andares! A gente ouvia os latidos da garagem!

Como todos os inteligentes, era um bocado rebelde, e não concordava quando a prendíamos  na área de serviço na hora do almoço, por exemplo. Afinal, era super esganada e adorava devorar todas as sobras de almoço possíveis — especialmente os ossos de frango, que engolia de uma vez só!

Eu poderia escrever um livro inteiro só com as histórias dela, que são muitas e muito emocionantes.

A querida Kikinha viveu 10 anos e era minha melhor amiga. Até hoje, passados mais de dez anos de sua morte, ainda tenho saudades. E era “só” uma cachorrinha… Nunca mais quis me envolver com um cachorro da mesma forma, com medo de repetir o sofrimento da perda.

No dia em que ela morreu, eu estava atrasada para a aula e não dei muita atenção ao fato de ela estar quase rastejando ao sair da caminha. Me arrependo até hoje de não ter matado a aula naquele dia e ficado com ela em suas últimas horas, fazendo o cafuné atrás da orelha de que ela tanto gostava.

Depois que fui para a escola, ela se arrastou até debaixo da minha cama, para onde nunca ia em situações normais. Foi o lugar que escolheu para morrer — e não acho que tenha sido uma escolha aleatória.

Foi a última demonstração de carinho da Kikinha para mim, feita com a inteligência de sempre.

Ao contrário dos seres humanos, que são rancorosos, egoístas, estúpidos e, muitas vezes, cruéis, os cães perdoam todas as nossas falhas e só se preocupam em nos fazer bem. Os gatófilos que me desculpem, mas nada se compara à lealdade e ao amor dos cães. Que saudade!