Prisão de Guido Mantega, um ponto fora da curva

Guido Mantega, em foto de Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil (06/03/2013)

Guido Mantega, em foto de Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil (06/03/2013)

Texto escrito por José de Souza Castro:

A prisão de Guido Mantega pela Polícia Federal, cumprindo ordens do juiz Sergio Moro, foi um ponto fora da curva. O juiz se viu obrigado a cancelar a prisão poucas horas depois. Motivo: a forte reação pelo fato de a PF ter ido ao Hospital Sírio-Libanês para buscar o ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma, onde ele acompanhava a mulher para uma cirurgia que poderia livrá-la do câncer.

Foi um ato monstruoso, declarou o blogueiro Fernando Brito, logo repercutido em diversos blogs. Não havia urgência na prisão, pois a ordem de Moro fora assinada na manhã de 16 de agosto. Ou seja, 22 dias antes. Por que esperar, para que a prisão fosse feita exatamente dentro do Hospital Sírio-Libanês?

Se não é o produto de uma “fábrica de monstruosidade em curso, que repugnaria qualquer tribunal onde houvesse um mínimo de humanidade”, como escreveu Brito, foi um ato deliberado de sabotagem da Polícia Federal a Sérgio Moro.

Se sabotagem, o responsável será punido, mas dificilmente o distinto público ficará sabendo. Continuar lendo

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Vamos entrar no clima da eleição municipal?

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Ok, já acabaram os Jogos Olímpicos, os Paralímpicos, o impeachment… Que tal agora prestarmos atenção nas eleições municipais? O primeiro turno vai acontecer daqui a exatamente 10 dias, e parece que ninguém está muito envolvido ainda. À exceção dos jornalistas, que estão fazendo o dever de casa.

Se você ainda não correu atrás das informações sobre os 11 candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte, e quer se informar direito antes de tomar uma decisão, recomendo quatro links que podem ser úteis: Continuar lendo

Toda mãe acredita em bicho-papão. Você não?

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Antes de virar mãe, eu achava que só algumas crianças pequenas acreditavam em bicho-papão. Aquele ser abominável e monstruoso que se esconde debaixo da cama, ou dentro do armário, para assustar os pimpolhos durante a noite.

Mas, uma vez mãe, descobri que ele não ataca as criancinhas: seu alvo preferencial somos nós.

Ou melhor: ele ataca NOSSAS criancinhas, mas para NOS assustar.

E se disfarça de várias aparências abomináveis e monstruosas, dependendo da época do ano. Por exemplo, na época das chuvas de verão, Continuar lendo

Você sabia que BH é um ‘polo nacional’ do esporte radical e da aventura?

Voo de parapente na Serra da Moeda, pertinho de BH. Foto: Youtube / reprodução

Voo de parapente na Serra da Moeda, pertinho de BH. Foto: Youtube / reprodução

 

Não se preocupe: eu também não sabia.

Mas talvez seja porque não pratico esportes radicais. O pessoal adepto de acquaride, acrobacia aérea, arvorismo, automobilismo, asa-delta, BMX, bungee jumping, canoagem, canyoning, corrida aérea, orientação, corrida de aventura, kitesurf, mergulho, motocross, mountain bike, paintball, parapente, parkur, paraquedismo, patinação, rafting, rapel, sandboard, skateboard, tirolesa, trekking, triathlon, voo livre, wakeboard, wheelie e – UFA! – windsurf pode me informar, por gentileza, se esta capital mineira, outrora tão recatada, é mesmo o lugar que as pessoas do Brasil inteiro procuram em busca de aventuras radicais?

Se não for na prática, acaba de tornar-se assim por força da lei. É que o prefeito Marcio Lacerda (PSB) sancionou a lei 10.966/2016, publicada no “Diário Oficinal do Município” (DOM) na última segunda-feira (12), que determina o seguinte: Continuar lendo

Dâmina, a nossa brava deputada cunhista

Foto: Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil, em abril de 2015

Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil, em 4/2015

Texto escrito por José de Souza Castro:

Li no jornal ‘O Tempo’ que, dos 53 deputados mineiros, 44 votaram pela cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha, e apenas Dâmina Pereira, hoje no PSL, votou contra. É o tipo de coisa que me deixa curioso. Resolvi pesquisar. Nunca ouvira falar em Dâmina. Uma pesquisa no Google só mostrou uma Dâmina, a tal deputada. (Há muitas Da Mina, porém.)

Confesso que não foi fácil ouvir um discurso dela na sessão de impeachment de Dilma Rousseff, presidida por Eduardo Cunha, no dia 18 de abril deste ano. Não é a oratória que se espera de uma filósofa. Porém, vejo AQUI que Dâmina é filósofa.

Deve ter sido como filósofa que Dâmina votou a favor do impeachment de Dilma. “Aqueles que cometem crimes precisam ser julgados e penalizados”, diz ela, naquele célebre discurso entrecortado por algumas vaias. “As ruas não descansarão enquanto houver corrupção.”

Quem se animar a ouvir o discurso de nossa ilustre filósofa, se tiver um pouco de paciência, verá também na sequência, no Youtube, o marido dela, Carlos Alberto Pereira, dono do Grupo CAP, falando sobre os projetos que Dâmina apresentou na Câmara dos Deputados.

Na Câmara ela se acha porque o marido foi impedido pela Justiça Eleitoral de se candidatar novamente a deputado federal em 2014, por ser ficha-suja. Sujou a ficha por causa de crimes que teria praticado, segundo o Ministério Público e a Justiça, quando prefeito de Lavras, no Sul de Minas, eleito pelo PDT.

Em seu lugar, foi eleita sua mulher, que concorria a um cargo eletivo pela primeira vez. Dâmina justificou o sacrifício dizendo que era preciso aumentar a participação feminina na política. Para isso, investiu pesado. Gastou na campanha eleitoral mais de R$ 3,39 milhões. Foram sete empresas doadoras, num total de cerca de R$ 25 mil, e duas pessoas físicas: a própria candidata, que entrou com R$ 3,34 milhões, e seu marido, com R$ 22,8 mil.

Dâmina foi a terceira menos votada entre os deputados federais mineiros eleitos em 2014. Como se candidatou por um partido pequeno, o PMN, pôde se eleger com 52.679 votos, quase seis vezes menos que Reginaldo Lopes, por exemplo, do então formidável PT. Mas era a mais rica, conforme as declarações de bens apresentadas pelos candidatos à Justiça Eleitoral, com patrimônio declarado de R$ 38,8 milhões.

Talvez não seja tão rica quanto Eduardo Cunha, cujo mandato tentou salvar, mas deve ganhar em muito de Dilma, contra quem não se frustrou ao votar na Câmara dos Deputados pelo impeachment.

Terá sido apenas solidariedade entre milionários, esse voto favorável a Cunha? Só ela poderá responder. Sendo filósofa… Quanto a mim, espero que Dâmina (que nome!) não consiga se explicar convincentemente aos mais de 52 mil eleitores que votaram nela em 2014. Torço para que a deputada cunhista não se reeleja, por mais dinheiro que gaste nas próximas eleições.

Sujou a ficha…

Ah, talvez o marido tenha que vender a mansão que comprou em Brasília por R$ 3,5 milhões para dar à família conforto enquanto Dânima se esfalfa na Câmara dos Deputados. Quem se animar, pode pesquisar: será que a deputada milionária recebe auxílio-moradia em Brasília, como a maioria dos colegas?

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