Breviário dos canalhas (II)

O poema abaixo foi enviado pelo poeta Ângelo Novaes, que já tinha publicado por aqui o “Breviário dos Canalhas”, há quase dois anos. Boa leitura!

 

Num país muito distante,
De gente de olhar sombrio,
Canalhas praticam as táticas
Tão gastas, mas tão diretas
Que se diria sua canalhice honesta:

Às mulheres que desejam, apontam o dedo e gritam: “São putas!
Aos artistas que invejam, disparam: “São sujos!”
Aos que falam de ciência, que ignoram, decretam: “São fracos!”
Aos que trabalham em silêncio, assustam: “Vocês custam!”
Aos que contam o que eles fazem, ameaçam: “Não falem!”

Eles mesmos loucos, fracos, lassos e rasos.
Têm muito a ganhar ao agir assim.
Pensam que desviam os olhos
Do pouco que vai em suas entranhas.

Dizem que esse país fica em lugar
Perdido entre a China e a Romênia.
Não sei.
Só assisto à delonga
E tudo que aguarda
O destino dos canalhas.


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Breviário dos canalhas

O poema abaixo foi enviado pelo poeta Ângelo Novaes. Você também escreve contos, crônicas, poemas, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog, na seção de textos enviados pelos leitores 😉:

 

Quando todas as notícias eram más

E o vôo das andorinhas não se via.

Dias em que se aprendia aguentar

Sem objeto, apenas aguentar.

A esperança que canalhas bastariam

A si mesmos. E depois, eles também, aguentariam.

Assim, ao menos, algo bom eles nos deram.

Vocês agora podem sentir o que sentimos.

Nossa cara sem rosto não é estranha.

O pão cotidiano das ofensas partilhamos.

O acontecido é muito pior do que se esperava.

E que pare de piorar é o que esperamos.

Os canalhas em roda se preservam.

Suas caras compostas contemplamos,

Atentos ao sentido oculto das palavras

Daqueles que guardam as primícias

Do destino infausto dos mortais

Quando todas as notícias eram más.

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Contribuição de leitor: ‘Enquanto’

Protesto contra Dilma Roussef no Rio de Janeiro, em março. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Protesto contra Dilma Roussef no Rio de Janeiro, em março. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Recebi o poema abaixo, bastante pertinente para o atual momento político do Brasil, enviado pelo leitor Ângelo Novaes.

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ENQUANTO

Enquanto os canalhas prosperam,
A cor das camisas preocupa.
A dona de cara amarrada
Empurra o carrinho na pressa.

Avança adiante limpando
Seu mundo de outros passantes.
Não espere que os outros te esperem,
O ódio é um esporte invejável

Trocando insultos aqueles
Que soltam seus cães na pracinha.
Crianças são prendas vistosas,
Mas cães garantem distância

A moça grita com a “velha”
Que passa na faixa sem pressa.
O carro é a faca na testa
De quem se antecipa na mesa.

Como são lindos os burgueses,
Diria um poeta baiano.
Ainda que a mofa da pena
Descubra também outras vestes.

Enquanto os canalhas prosperam,
As facas se mostram nas caras,
Nos carros, nos dentes das bestas,
Nas belas camisas amarelas.

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