A Forma da Água: uma fábula sobre o amor proibido

Para ver no cinema: A FORMA DA ÁGUA (The Shape of Water)
Nota 9

Um dos temas mais recorrentes no cinema e na literatura mundiais é o amor proibido. De “Romeu e Julieta” a “A Bela e a Fera”, passando por tantos outros que abordam o amor interracial, intergalático, interétnico, e assim por diante. Então não chega a ser tão original assim o amor entre a faxineira muda e o homem anfíbio, meio monstro-meio deus, preso no laboratório ultrassecreto onde ela trabalha.

É apenas por conta de alguns poucos clichês na narrativa em forma de conto de fadas sobre o amor proibido que resolvi tirar um pontinho desse filme tão belo. Porque, na hora mesmo em que eu estava assistindo, só consegui mergulhar a fundo na história, torcer, me extasiar com a beleza daquele amor, envolto em fotografia poética (que explorou tão bem a luz filtrada pela água) e em trilha sonora perfeita. No fim, sala de cinema abarrotada de gente, quase fui eu a puxar os aplausos, como só acontece ao final dos bons filmes.

A história é de um capricho tão bom de se ver, tão delicado, que fica óbvio perceber a importância desse projeto na vida do diretor mexicano Guilhermo del Toro. Ele pensou mesmo em cada detalhe. Assinou o roteiro original, escolheu a dedo os atores principais (diz que escreveu a protagonista Elisa já com Sally Hawkins em mente), dirigiu. Sua equipe fez um trabalho de produção excepcional, que agora também concorre ao Oscar, junto com o figurino. Somos mesmo teletransportados para os anos 50, no auge da Guerra Fria, com tudo o que pode contribuir para esse efeito mágico: roupas, cenários, objetos de decoração, músicas… Além disso, a edição de som e montagem do filme são minuciosos.

E é assim que A Forma da Água chegou às 13 indicações ao Oscar, tanto pelos trabalhos mais técnicos (edição de som, mixagem de som, edição, design de produção, figurino, fotografia) quanto pelos mais artísticos (canção original, três baita atores concorrendo, roteiro original, melhor direção). E, para coroar, foi indicado ao prêmio de melhor filme do ano que, mesmo sem ter visto ainda os concorrentes, já aposto que deverá levar. Alguém aí duvida?

É preciso destacar o carisma de Sally Hawkins, que sempre vi em papéis menos importantes e que simplesmente arregaçou com sua Elisa cativante, forte, corajosa… sem que, para isso, precisasse dizer uma só palavra no filme todo (bom, ela acaba soltando algumas palavrinhas, num momento nostálgico e apaixonante do filme, mas não vou estragar a graça). É a segunda vez que é indicada ao Oscar, depois de sua participação no insosso Blue Jasmine, de Woody Allen. Octavia Spencer já ganhou meu coração desde Histórias Cruzadas (que lhe rendeu a estatueta) e, mais tarde, com seu ótimo papel em Estrelas Além do Tempo, então dispensa maiores apresentações. Richard Jenkins é o terceiro indicado do filme por seu papel tocante e, ao mesmo tempo, o mais engraçado do filme. E ainda teve Michael Shannon, que foi um vilão perfeito, e acabou sendo deixado de fora do páreo, injustamente.

Um filme pode ter linda história, balé, sapateado, música, fotografia incrível, uma pitada de fantasia, cuidado histórico, mas ainda não será nada sem atores maravilhosos. Foi mais um mérito de del Toro ter escolhido estes, direto do lado B das grandes produções de cinema. Torço para que leve pelo menos metade de todas estas várias indicações.

Assista ao trailer do filme:

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4 comentários sobre “A Forma da Água: uma fábula sobre o amor proibido

  1. Obra simpática com excelente atuação de Sally Hawkins. A criatura não tem desenvolvimento e as cenas de sexo são descartáveis. Dois pontos positivos: dar vez à voz dos mais silenciados e Del Toro refinando seu próprio cinema. Nota 7.

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  2. Você indicou Cris, eu fui assistir, com Dan, que queria ver Pantera Negra, mas não dava tempo de voltar para itabirito, e ele queria “matar a saudade” de sentar-se numa sala de cinema para “curtir a liberdade”, que acabara de conquistar, segundo ele…Era o único filme que o nosso tempo permitia assistir, e eu disse a ele que você havia me falado do filme e que havia gostado muito, que era um dos indicados para o Oscar como “melhor filme”, além de bom diretor e bons atores…Valeu Cris a indicação e a emoção que o filme nos provocou naquele momento de “reconquista da liberdade de Dan”… Hoje ele ficou feliz ao saber que havíamos assistido “o melhor filme do Oscar”. Parabéns pela sua crítica e apostas, continuaremos buscando suas indicações… beijos

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