#PérolasdoLuiz – Casamento

Eu estava lendo um livro sobre curiosidades dos animais para o Luiz, quando cheguei ao capítulo sobre a águia-real. Dizia lá que ela é muito fiel.

“Ela escolhe um único parceiro e fica com ele por toooooda a vida”.

Luiz me olhou contente e logo emendou:

“Igual você, né, mamãe!”

 

 

Leia também:

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José Olímpio e Mercedes, um breve conto de amor e amargura

Pequenos cuidados. Autor: Puuung

Autor: Puuung

Recebi o conto abaixo da leitora Rita Prudêncio, que completa 33 anos de idade hoje (feliz aniversário!! 😀). Ela é professora e pesquisadora universitária em Rio Branco, no Acre. Seus textos podem ser lido no blog Água Batendo no Nariz. Para entrar em contato com ela, basta enviar um email.

Quando terminei de ler o conto de Rita, pensei na hora em como o amor pode estar nas coisas mais prosaicas. Mesmo que mesclado à decepção, desilusão, amargura e outros sentimentos nem tão bonitos. O texto aborda a rotina de um casamento, do ponto de vista do cuidadoso marido. E é muito apropriado para este Dia dos Namorados. Por isso, recomendo a leitura pelos apaixonados e desapaixonados que passarem por aqui neste domingão.

Bom proveito:

 

“José Olímpio acordou assustado. O quarto estava escuro e mais quente que o habitual. Ele tateou o móvel perto da cama, em silêncio, para não despertar Mercedes, que ressonava a seu lado, e encontrou o telefone celular. Cobriu a cabeça com as cobertas, para evitar que a luz azul da tela acordasse a esposa, e olhou as horas. Passava das seis da manhã, estava atrasado. Continuar lendo

10 textos para refletirmos sobre o respeito a TODA FORMA de amor

paradagay2011

Abraço coletivo, de pura felicidade, que cliquei ao final da Parada Gay de 2011, em São Paulo, na avenida Paulista. Foto: CMC

Desde sexta-feira, as redes sociais, notoriamente o Facebook, foram coloridas pelo arco-íris que é reconhecido mundialmente como o símbolo do ativismo LGBT. Além de milhares/ões de pessoas físicas que trocaram suas fotinhos pelo avatar mais alegre (com uma mãozinha do Facebook), várias empresas também aderiram à comemoração. Os veículos de comunicação, por exemplo: no Brasil, vi páginas de jornais e portais importantes, como o jornal O Tempo (onde trabalho), iG, Terra, Revista FórumBrasil Post, Correio Braziliense, o Blog do Noblat, e vários outros, alterando até logotipos muito tradicionais para participar da festa. A página da Folha de S.Paulo colocou pelo menos uma foto na capa. Veículos de fora também entraram na onda, como o Guardian e o Huffington Post (de todas as sucursais), além de times de futebol e baseball. Isso para não falar dos artistas e famosos em geral. #LoveWins foi a hashtag mais citada no Twitter do mundo todo, e olha que verifiquei em vários países.

Bom, se você estava de férias em Marte e ficou boiando com tanta celebração do amor universal (porque não se trata aqui de celebrar só o amor gay, mas celebrar que todas as pessoas, sejam quais forem suas sexualidades, possam se casar e constituir uma família, legalmente — e ser felizes para sempre, como nos contos de fadas!), pode clicar AQUI e ver uma breve explicação que escrevi.

No Brasil, a união estável entre gays foi reconhecida pelo STF em maio de 2011 (veja o post da época), mas o casamento civil entre homossexuais ainda não foi analisado por nossa suprema corte, como aconteceu na sexta-feira nos Estados Unidos. A diferença jurídica entre as duas formas de união é pequena, mas existe. De qualquer forma, em 2013, uma simples resolução do Conselho Nacional de Justiça, então presidido por Joaquim Barbosa, já obrigou todos os cartórios do país a registrar casamentos de quem quiser, independente da sexualidade dos pombinhos. Foi um passo gigante (e tão simples!), mas que ainda pode ser contestado no STF (veja o post que escrevi na época).

Até hoje, (apenas) 22 países já reconheceram o casamento gay em todo o território, segundo este levantamento do G1. São muito poucos países, mas todos eles de muita importância, política e econômica, no mundo. Concentrados principalmente nas Américas e Europa (enquanto, em alguns outros recantos do planeta, gays ainda são presos — é considerado crime gostar de alguém do mesmo sexo — e até mesmo condenados à morte pelo Estado!).

Daí porque a decisão da maior potência do planeta (lembrando que, até sexta-feira, 36 dos 50 Estados norte-americanos já permitiam o casamento gay) é tão significativa na conta e pesa tão favoravelmente nesta luta lenta e moderna dos direitos humanos. Além disso, é importante que aconteça numa época de recrudescimento da intolerância religiosa em todo o mundo (vide atentados terroristas do Estado Islâmico naquela mesma sexta-feira).

Para fechar este post, que teve mais um objetivo de registro histórico, vou fazer uma compilação aos moldes da que já fiz duas vezes antes do blog, quando destaquei “13 textos para refletirmos sobre o que é ser MULHER ainda hoje” e “10 textos para refletirmos sobre a importância de respeitar a OPINIÃO dos outros“. Seguem abaixo 10 textos para refletirmos sobre o respeito a toda forma de AMOR:

  1. Pelos “valores da família”, em que mostro que não existem valores universais de uma família ideal, mas valores relativos de cada família, e que o respeito e a tolerância deveriam ser os principais.
  2. O dia de todas as famílias, em que mostro as dezenas de formas familiares que existem hoje, inclusive computadas pelo Censo.
  3. A era da homofobia e do machismo incontestados, em que relato uma cena corriqueira de preconceito vivida por um casal homossexual e presenciada por mim.
  4. Um pequeno anjo chamado Alex, em que conto a história (mais triste do mundo) do menininho de 8 anos que foi espancado até a morte pelo pai que o achava “muito afeminado”, por gostar de lavar vasilhas e ajudar a mãe nas tarefas domésticas.
  5. Stephen Fry versus Jair Bolsonaro, em que compartilho um documentário da BBC mostrando casos de homofobia no Brasil e suas consequências terríveis.
  6. O escarcéu com a bagagem do papa, em que o querido Francisco diz: “Se a pessoa é gay, quem sou eu pra julgá-la?”, dando uma bela resposta, vinda de quem vem, para os fanáticos religiosos e patrulheiros de plantão.
  7. Um beijaço diferente, em que uma leitora evangélica escreve que o pastor Feliciano não a representa e explica por quê.
  8. Somos todos complexos demais, em que falo do skinhead que encontrei em plena Parada Gay de São Paulo, em 2011.
  9. Revolução de costumes, em que falo sobre a decisão do STF de reconhecer a união estável de homossexuais, em 2011, e relembro batalhas anteriores, como o direito ao divórcio.
  10. Agora os gays podem se casar no Brasil, em que falo da decisão histórica do CNJ, de 2013.
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O arco-íris no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, durante a Parada Gay de 2012. Foto: CMC

P.S. Pra fechar meeeesmo, um breve puxão de orelha: no Brasil de hoje, tudo está virando briga, intolerância e ódio, até mesmo as campanhas mais bonitinhas, como esta de colorir foto de Facebook. Por incrível que pareça, vi gente brigando com amigos porque eles não quiseram colorir a foto (a propósito, apesar de ter achado a movimentação dos outros bem bonita, eu não colori a minha foto, assim como não me fotografei com a placa de “eu não mereço ser estuprada” e nem mudei meu nome para guarani caiová em outras ocasiões. Nem por isso sou menos preocupada com a questão da homofobia e todas as outras sobre as quais sempre escrevi). Me lembrou a vez em que vi amigos super inteligentes e sensatos se rebaixando ao nível sem noção de Marcos Feliciano e me obrigando a escrever no meu blog um post em “defesa” (entre aspas, porque relativa) do pastor. Cuidado para não nos tornarmos bárbaros até com quem é nosso amigo apenas por termos um ponto de vista ou uma atitude diferentes! Vale até reler o primeiro post entre os relacionados abaixo 😉

Leia também:

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Prefere estar na prisão a continuar casado? Leia este texto!

"Isso é parte do nosso processo."

“Isso é parte do nosso processo.” Charge da “The New Yorker”

A repórter Carolina Caetano, de “O Tempo”, é daquelas que conseguem extrair as histórias mais surpreendentes a partir dos crimes e boletins de ocorrência mais banais. Ela tem um faro de repórter de polícia de antigamente: faz a ronda de sempre, entre os batalhões e delegacias, que todos os outros fazem, mas consegue descobrir, a partir das primeiras informações, as histórias mais inusitadas — daquelas que dão inveja ao “Sensacionalista” 😉

Uma das últimas reportagens dela que me chamaram a atenção foi esta da semana passada: “Marido se cansa das reclamações da mulher e implora para ser preso“. Além da história propriamente dita, fiquei impressionada com os comentários.

Escreveu Euclides Silva:

“Num primeiro momento, a notícia é engraçada e inusitada, mas só quem já passou (e ainda passa por isso) pode dimensionar. Elas começam a falar…se você se cala para encerrar o assunto, elas ficam mais nervosas e falam mais…se você responde, elas partem para a baixaria, gritam e ofendem você e sua família, e muitas ainda partem para a agressão física já alertando: “encosta, encosta a mão em mim que eu te denuncio com base na lei Maria da Penha”…Sei que muitos podem estar rindo, mas isso vem acontecendo, e muito…”

E o Henrique Silva:

“Isso é coisa mais comum do que se pensa. Casar com a pessoa errada é trágico, assim como escolher a profissão errada. São cruzes difíceis de carregar qdo erramos na escolha. Tb ja me deu vontade de me matar, sumir e ate me separar, mas o pobre qdo casa ao divorciar sempre sai no prejuízo. O jeito é aceitar calado e viver insatisfeito, uma mulher “largada” sabe muito brm como estragar a vida do ex companheiro, tudo piora mil vezes. O jeito é aturar, tomar cerveja e ver o futebol pra esquecer da vidinha que me meti. Eu entendo perfeitamente o q esse cara deve passar, tb sou vítima de mulher problemática e estressada dentro de casa, tudo ta ruim pra ela. Deus me livre! Fico o menos q posso em casa pra evitar atrito.”

Por fim, o Wagner Santos:

“Isso é mais comum do que todos pensam. Muitas mulheres ficam se fazendo de vítima e quando o homem tenta fazer alguma coisa pra resolver, elas fazem chantagem barata, fazem barraco e fazem um inferno na vida do homem. E ainda tem gente que acha que a mulher é uma florzinha plantada no jardim. Pra mim não significa nada ter dia internacional da mulher, pois muitas delas são apenas bonitas por fora é um fosso de propaganda enganosa. Lei para proteger os homens, já!”

Cada um desses comentários teve várias “curtidas”, mostrando que outros leitores concordaram ou se identificaram com a situação descrita por esses.

O que mais me chamou a atenção na reportagem e nos três comentários foi essa percepção triste dos casamentos. Pelo primeira vez, me dei conta da quantidade de casais infelizes que existem por aí, mas que optam por evitar o divórcio — seja por razões religiosas, seja por medo de serem julgados pela sociedade, seja por medo de ficarem no “prejuízo” –, e, sem encontrarem muita saída, acabam vivendo anos e anos de sofrimento, que tentam contornar com traições, bebedeira ou a pura tortura psicológica. Claro que, nessa sinuca, encontram-se tanto homens como mulheres.

Eu não me canso de pensar: por que não se separam, pura e simplesmente? Um colega, que já se divorciou, respondeu: “É muito mais complicado do que você imagina. O processo é traumático.” Mas será tão traumático quanto viver até o fim da vida preso a alguém de quem não se gosta? Pior: alguém que você odeia? Cuja companhia não suporta?

Lembrei imediatamente de um capítulo do livro “O velho que acordou menino“, com memórias do sábio escritor Rubem Alves. Conta ele:

“Segundo testemunhas fidedignas não há registro de que meu avô capitão Evaristo e minha avó Dona Delminda jamais tenham trocado palavras em público. (…)

Parece que eles se detestavam. Com razão. Não existe forma mais segura de fazer com que duas pessoas se odeiem que prendê-las numa mesma casa. (…) Os casamentos eram negócios arranjados pelos pais. (…) Os sentimentos não importavam. (…)

Não existe coisa que enfureça mais a parte raivosa de uma dupla do que saber que a outra parte está se divertindo. Muitos casais que se odeiam não se separam por não poderem suportar a ideia da liberdade feliz do outro. Ficam juntos a vida inteira pela insuperável felicidade de fazer da vida do outro um inferno.”

Lembro que, quando li este livro, achei a perspectiva do autor muito surreal e improvável. Mas a reportagem da Carolina  Caetano e os comentários que vieram depois provam que Rubem Alves estava certo. Acho que muitos não se separam justamente porque não se veem em outra vida além desta, em que trabalham arduamente para fazer a vida do cônjuge um inferno — e vice-versa.

Eu tenho ainda pouco tempo de casamento e acho inconcebível a ideia de me ver presa a alguém que eu não ame, admire e respeite — como amo, admiro e respeito meu marido, e tenho prazer com a companhia dele, em conversar com ele. Mas cada um é cada qual.

Aos que ainda não “escolheram a pessoa certa”, como definiu um dos comentaristas, dou uma dica do Rubem Alves para que o façam, com menos chances de erros, e evitem cair nesse círculo de horrores de preferir a prisão ao casamento. Em outro livro dele que gosto muito, “Ostra Feliz Não Faz Pérola”, ele dá a receita (página 81):

“‘Ao pensar a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Serei capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a minha velhice?” (Nietzsche) Tudo o mais no casamento é transitório.”

Leia também:

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Os 30 melhores posts do blog, segundo os leitores

Oscar

Vou tirar uma semana de folga do blog, a partir de amanhã. O motivo da vez é raro — só vai me acontecer uma vez na vida, eu espero: vou oficializar um casamento 😉

Como são muitos dias sem posts, coisa que não aconteceu nem quando eu tirei férias mesmo, deixarei vocês com algumas sugestões de leitura.

Naquele censo que fiz entre os leitores do blog, perguntei se algum post os marcou especialmente, se o leitor consegue se lembrar de algum texto favorito de todos os tempos. E recebi algumas respostas interessantes, muitas coincidentes entre vários leitores. Fica valendo, então, como uma compilação especial e recomendação de leitura para esses dias de folga. Abaixo, os 30 melhores posts (ou grupos de posts) do blog, segundo os leitores assíduos, que responderam ao meu censo:

  1. Carta a Sasha Meneghel
  2. Grafite em BH
  3. Carta a duas jovens com Charcot-Marie-Tooth
  4. Dos milagres do levedo de cerveja
  5. Infância maluquinha
  6. Um passo pra frente, outro pra trás, ambos pra cima (mudança de SP para BH)
  7. 293 canções de blues (algumas raríssimas) para baixar de graça
  8. Barbearias de blues
  9. Mega coletânea de 15 álbuns de blues para download grátis
  10. A nadadora dentro de mim (e as partes 2 e 3)
  11. “É pelas mulheres que estão me agredindo que eu estou lutando”
  12. Quem são nossos moradores de rua? (e a parte 2)
  13. Cobertura e análise dos protestos de 2013 (mais de 20 posts)
  14. Cobertura e análise do Mais Médicos, em 9 posts
  15. Um paraíso chamado Rio das Ostras
  16. Receita de frangoada
  17. Conheçam uma jovem poeta portuguesa
  18. Vamos nos unir contra os boatos!
  19. O massacre da Palestina de um jeito que qualquer um pode entender
  20. You’ve got mail!
  21. A menina de 4 anos mais esperta do mundo!
  22. Campanha contra o hábito de pegar o elevador pra subir só um andar
  23. O Garoto da Bicicleta
  24. O melhor pão que já comi na vida
  25. Nem tudo é o que parece
  26. A saga de achar um lugar para morar
  27. Desoneração fiscal ou presente para os ricos?
  28. 15 passos para proteger suas informações no Facebook
  29. Um tema de aniversário infantil nada convencional
  30. Mulheres guerreiras e, finalmente, livres

Alguns leitores citaram categorias e assuntos (tags), em vez de posts específicos. As principais:

Pronto! Leitura não vai faltar nos próximos dias! Prometo voltar com bastante inspiração 🙂