Morre o jornalista Dídimo Paiva, um bravo

Texto escrito por José de Souza Castro:

O jornalista Dídimo Paiva, que morreu neste sábado, 9 de março, aos 90 anos, foi aposentado compulsoriamente, dez anos antes, pelo jornal “Estado de Minas”, onde trabalhou por mais de 40 anos.

Há sete anos, quando escrevi um artigo lamentando que aquele jornal havia ignorado solenemente o lançamento de um livro sobre a vida e a obra de Dídimo Paiva, informei que ele estava terminando um novo livro, que já tinha até um título escolhido: “A Maldição dos Países Ricos em Minerais”.

“Um tema importantíssimo para o Brasil”, comentei, “que, com o Pré-Sal, se não tomar cuidado, terá o mesmo destino terrível dos países do Oriente Médio: uma pequena classe dirigente riquíssima a serviço das grandes potências e um grande povo cada vez mais pobre”.

Nunca mais ouvi falar desse livro. Pesquisando há pouco no Google, concluí que ou ele não foi publicado ou foi ignorado pela imprensa, como aconteceu, em geral, com aquele livro sobre Dídimo Paiva.

Uma pena. Acho que o autor teria muito a nos dizer, antes das tragédias em Mariana e Brumadinho, por obra e graça da maior de todas as mineradoras brasileiras – a Vale.

Dídimo era uma espécie de profeta, um batalhador. Convivi com ele, profissionalmente, por algum tempo, mas para descrevê-lo recorro a outro jornalista, José Cleves, que publicou um artigo  no Observatório da Imprensa, na época da publicação daquele livro sobre Dídimo Paiva:

“Conheci Dídimo em meados de 1970”, escreveu José Cleves, “em plena ditadura militar, quando ele era presidente do Sindicato dos Jornalistas de MG, ao lado do também amigo Washington Tadeu de Melo, que anos depois substituí na cobertura do Congresso Nacional pelo jornal Estado de Minas. Fiquei encafifado com aquele baixinho com cara de judeu polonês comandando o sindicato contra os milicos, sem medo e papas na língua. Dídimo não tem distúrbio de personalidade. Ele fala o que sente, de forma destemida, não importa o interlocutor. Ao receber do então governador de Minas Gerais, Aureliano Chaves, a doação de um imóvel para o sindicato, ele perguntou de estalo: ‘Se fosse para o Sindicato das Lavadeiras, o sr. faria a doação?’”

E foi em frente o Cleves:

“Aprendi muito com Dídimo Paiva, não sei se mais pela convivência ou pela leitura de seus editoriais, sempre muito ácidos, diretos (ele não gosta de subjetividades) e ricos em detalhes – é detalhista, pela percepção de que o brasileiro não gosta de ler e a maioria tem dificuldade de interpretação. Dídimo tem birra de jornalista que não sabe perguntar e chega a perder a paciência com os que ignoram literatura. Ele lê muito, até hoje, aos 83 anos, e se diz entediado com a falta de informação de grande parte dos jornalistas e com a má qualidade dos jornais – a maioria, segundo ele, mal escritos por culpa dos baixos investimentos na redação. Aliás, os baixos salários da categoria sempre foram contestados por ele. “Pagam mal, os donos de jornal só querem saber de lucros”, ele diz em voz alta e com a empáfia de quem nunca engoliu sapo.

Dídimo prevê para muito breve o fim do jornal de papel e teme pelo futuro dos jornalistas.”

Nisso, nem é preciso ser profeta…

Quem quiser saber mais sobre esse grande jornalista mineiro, vi um bom testemunho de um filho dele, o jornalista Esdras Paiva, publicado AQUI pelo jornal “O Tempo”.

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Jurista que pediu o afastamento de Dilma diz que a divulgação de vídeo obsceno por Bolsonaro seria causa para impeachment

 

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Lembram-se de Miguel Reale Júnior, aquele jurista que, juntamente com a professora Janaína Paschoal, desencadeou em 2015 o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff? O parecer dele foi manchete nos mais importantes veículos da imprensa no Brasil e no mundo.

Pois ele foi ouvido agora pelo repórter Dimitrius Dantas, do “Globo”. Diz o jurista que a divulgação do vídeo obsceno pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) configura quebra do decoro e pode até mesmo justificar um processo de impeachment, com base na Lei 1.079 de 1950. Essa lei define os crimes de responsabilidade do presidente da República. E afirma que é crime contra a probidade na administração “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

Para Reale Júnior, não há dúvida a respeito no caso de Bolsonaro. Agora, se ele vai fazer o pedido de impeachment, são outros 500. Reale Júnior não é um advogado barato. Quem se dispõe a pagar pelo serviço dele?

Eu não, pois não tenho dinheiro e, muito menos, sei se seria o melhor para o Brasil que o presidente fosse substituído por seu vice, o general Hamilton Mourão. O precedente Michel Temer não foi dos mais animadores.

Talvez seja melhor que Bolsonaro vá se derretendo e, com ele, os que votaram nele. O Brasil tem tanta experiência com essas desgraceiras políticas que um dia acaba se recuperando. Não foi o que aconteceu depois de duas décadas de ditadura civil-militar iniciada em primeiro de abril de 1964?

Chegou a ser um país respeitado internacionalmente, nos tempos de Luiz Inácio Lula da Silva no poder. Vai-se transformando agora em escárnio mundial. Uma espécie de bobo grandão que se alegra ao ver suas riquezas sendo valorizadas – e levadas a preço de banana – pelos donos do dinheiro e dos canhões mundo a fora.

Sentem-se prestigiados, esses bobões, principalmente os das três armas.

O vídeo contendo atos obscenos tinha sido visto, previamente, por algumas centenas de pessoas, antes de ser publicado por Bolsonaro. “Com a divulgação, ele deu exposição a um fato restrito, sem nenhuma necessidade: ou seja, ampliou o ato. Algo que seria visto por algumas pessoas foi visto pelo Brasil inteiro”, afirmou Reale Júnior. Segundo ele, o crime de praticar ato obsceno em lugar público é considerado, no Código Penal, menos grave do que o de sua divulgação.

Na opinião do jurista, a publicação do vídeo nas redes sociais de Bolsonaro indica que a intenção do presidente não era a responsabilização dos autores do crime, mas fazer uma relação falsa entre obscenidade e Carnaval. O objetivo do presidente era desmoralizar os blocos que, durante o feriado, o criticaram.

A divulgação do vídeo foi notícia, segundo Carta Capital para jornais estrangeiros importantes como “The Guardian”, “Financial Times”, “New York Times”, para citar alguns.

A justificar tal destaque, o “New York Times” começou o texto dizendo, conforme tradução da Carta Capital: “O artigo que você está prestes a ler pertence a um vídeo com conteúdo sexual, publicado pelo presidente da quarta maior democracia do mundo.”

Cá pra nós, uma constatação de que tamanho não é documento. Quarta maior democracia do mundo?

Encerro com um trecho do “The Guardian” de Londres:

“Dissenting partygoers up and down the country have uploaded footage of huge crowds chanting obscenities at Bolsonaro under the hashtag #EiBolsonaroVaiTomarNoCu, which politely translates as #GetScrewedBolsonaro. The chants were heard even at the heart of Brazilian carnival, in Rio’s Sambadrome.”

Não é preciso traduzir…


Nota da Cris:

Sobre mais este deplorável momento originado no cérebro pouco avantajado do presidente do Brasil (mais um, dentre tantos outros, já listados aqui no blog), eu só consegui fazer um pequeno texto-desabafo, que postei na mesma rede social onde tudo começou. Teve grande repercussão e reproduzo aqui no blog também:

https://platform.twitter.com/widgets.js

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Lula é o bode no desfile do Paraíso do Tuiuti

Texto escrito por José de Souza Castro:

É querer muito, mesmo baixando entre nós o espírito carnavalesco, que os que elegeram o atual presidente do Brasil descubram no desfile na Sapucaí, na madrugada desta terça-feira gorda, o verdadeiro mito, o Salvador da Pátria.

Não é o capitão Jair Bolsonaro. Quem virou mito, de fato, conforme Paraíso do Tuiuti, é o Bode Ioiô, que em 1922, numa eleição dominada pelo coronelismo, se tornou o símbolo do voto de protesto.

O bode foi eleito vereador de Fortaleza. Não tomou posse, mas virou mito. Ioiô morreu em 1931, “mas sua carcaça e seu legado estão preservados no Museu do Ceará e no coração do cearense”, diz o carnavalesco Jack Vasconcelos, ao justificar a escolha da história de Ioiô para o desfile deste ano.

No ano passado, com o Vampirão, Paraíso do Tuiuti se tornou vice-campeã no Carnaval carioca. Todos sabiam quem era o Vampirão, menos a TV Globo, que transmitia o desfile, incapaz de associá-lo com Michel Temer, o usurpador da faixa presidencial que pertencera a Dilma Rousseff.

O vampirão da Tuiuti

 

Como se sairá desta vez Chico Pinheiro? Quem será o bode Ioiô?

Não há como deixar de identificar o mito do Tuiuti. “Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de seu povo. Um herói da resistência”.

No “Histórico do Enredo”, o nome de Lula não é mencionado. É preciso? Jack Vasconcelos dá uma dica: “Ioiô é a imagem da resiliência de um povo que, inigualável, nos revela o genuíno salvador da nossa pátria: o bom humor”.

Que mais podemos querer, nesses tempos de ódio? Se não podemos esperar que uma dia Lula seja livre e que o bom humor volte a imperar, teremos nesse desfile do Paraíso do Tuiuti um bode Ioiô como símbolo “de um país que, apesar de insistir em velhas práticas políticas, sempre saberá rir de si mesmo”

Obrigado, Jack Vasconcelos. Nesse desfile, diz o carnavalesco, Ioiô é uma espécie de Davi em luta contra o gigante Golias. “Um legítimo Salvador da Pátria capaz de nos reconectar com a alegria e com a esperança”.

Mais informações AQUI.

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Bolão do Oscar 2019: acertei 13 de 18 categorias (72% de aproveitamento!)

Como podem ver no mosaico acima, que criei para o post de anteontem, meu filme favorito deste ano foi “Green Book”, um dos três filmes que mereceram minha nota 10. “Roma”, ao qual dei nota 9, achei belíssimo e achei que levaria o prêmio principal da noite, mas fiquei felicíssima que “Green Book” tenha passado na frente neste quesito.

Por isso, no geral, acho que fui bem em minhas apostas. Além de errar esta, errei na melhor fotografia, no melhor figurino e direção de arte (ambos para “Pantera Negra”, filme que ainda não consegui ver) e na melhor animação (isso que dá resolver dar pitaco em uma categoria sem ter visto nenhum dos concorrentes nela). Por outro lado, estou muito feliz que acertei os quatro prêmios de melhores atores e atrizes (inclusive apostando na Olivia Colman) e os dois prêmios de melhores roteiros, além de melhor diretor e uma penca de prêmios técnicos.

Para conferir, os acertos foram:

  1. Melhor ator coadjuvante: Mahershala Ali, de Green Book
  2. Melhor maquiagem: Vice
  3. Melhor edição de som: Bohemian Rhapsody
  4. Melhor mixagem de som: Bohemian Rhapsody
  5. Melhor filme de língua estrangeira: “Roma
  6. Melhor atriz coadjuvante: Regina King, de “Se a rua Beale falasse”.
  7. Melhor edição: Bohemian Rhapsody
  8. Melhor roteiro adaptado: Infiltrado na Klan“!
  9. Melhor roteiro original: Green Book“!
  10. Melhor canção original: “Shallow”, de Nasce uma Estrela.
  11. Melhor diretor: Alfonso Cuarón, de “Roma
  12. Melhor ator: Rami Malek, de Bohemian Rhapsody
  13. Melhor atriz: Olivia Colman, de A Favorita

No geral, achei o Oscar deste ano muito justo. “Nasce Uma Estrela”, por exemplo, não merecia levar nada mais que a melhor canção. Infiltrado e Bohemian, que foram os outros dois filmes que mereceram minha nota 10, foram bem contemplados. “Roma”, que é um filme lindíssimo, levou em categorias importantes, como “melhor filme de língua estrangeira”, “melhor direção” e “melhor fotografia”. “Vice” talvez merecesse ter seus atores premiados, mas o roteiro e a direção não me entusiasmaram nem um pouco, então a “melhor maquiagem” cumpriu o papel de não deixar passar batido. O mesmo com os efeitos especiais para “O Primeiro Homem”. E, como escrevi na resenha, o fato de “A Favorita” ter liderado em indicações não quer dizer absolutamente nada. Levou o prêmio de melhor atriz, como imaginei, e está de bom tamanho.

No mais, achei bom ver o Oscar mais curto e sem apresentador principal. Estão se empenhando para tornar a cerimônia mais palatável para o público em geral, que bom! Que o cinema chegue a mais casas e corações ao redor do planeta.

CLIQUE AQUI para ler todas as resenhas dos filmes do Oscar que vi até agora! Vou continuar assistindo aos outros e atualizando esta lista, combinado?

Leia também:

 

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Minhas apostas para o Oscar 2019

Neste ano, consegui assistir a apenas 11 filmes indicados ao Oscar 2018 (embora minha meta fosse ver os 20 principais), nas categorias mais importantes da maior premiação do cinema (melhor filme, direção, atuações e roteiros, dentre outras). Até comecei bem, em janeiro, mas a barragem da Vale em Brumadinho se rompeu, matando mais de 300 pessoas, e isso me desnorteou. De lá pra cá, vi bem poucos filmes, e sempre de forma muito corrida e intermitente.

Dentre os realmente mais importantes, faltou ver “Pantera Negra”, com 7 indicações, que fui deixando para o fim por ter um pouco de preguiça de filme de super-herói (até hoje não vi “Logan”, que estava na minha lista do ano passado).

Apesar desses buracos, mantenho a tradição do blog, e vou fazer minhas apostas para meu bolão do Oscar — que não levam em conta o meu gosto pessoal, traduzido nas notas que dei para cada filme, mas o que considero que a academia vai preferir. No ano passado, acertei 15 de 16 categorias (93% de aproveitamento). Quanto será que vou acertar neste ano, em que estou com zero clima tanto para Oscar quanto para Carnaval (e para quase qualquer coisa leve da vida)?

Aí estão minhas fichinhas:

  1. Melhor ator coadjuvante: Mahershala Ali, de Green Book
  2. Melhor maquiagem: Vice
  3. Melhor figurino: A Favorita
  4. Melhor edição de som: Bohemian Rhapsody
  5. Melhor mixagem de som: Bohemian Rhapsody
  6. Melhor direção de arte: A Favorita
  7. Melhor filme de língua estrangeira:Roma
  8. Melhor atriz coadjuvante: Neste o páreo está duríssimo e, pra piorar, não vi a atuação de Regina King, que é uma das grandes favoritas ao prêmio. Mas vi as atuações de Emma Stone e Rachel Weisz e, como frisei na resenha, não acho que elas vão levar o prêmio. Amy Adams, que está em sua sexta indicação ao Oscar, não me pareceu excepcional em “Vice”, como em filmes anteriores. E Marina de Tavira não tem a menor chance. Por isso, vou votar na única atriz à qual não assisti, por eliminação: arrisco em Regina King, de “Se a rua Beale falasse”.
  9. Melhor animação: Os Incríveis 2
  10. Melhor edição: Bohemian Rhapsody
  11. Melhor roteiro adaptado: Vou apostar no meu favorito dentre os indicados, porque o páreo está duro e não consegui assistir a dois dos concorrentes: dá-lhe “Infiltrado na Klan“!
  12. Melhor roteiro original: Mesma coisa do que disse acima: vou no meu favoritíssimo dentre os roteiros, “Green Book“!
  13. Melhor fotografia: Guerra Fria
  14. Melhor canção original: Minha favorita é “When A Cowboy Trades His Spurs for Wings”, de Buster Scruggs, mas acho que a pop-chiclete “Shallow”, de Nasce uma Estrela, vai levar.
  15. Melhor diretor: Alfonso Cuarón, de “Roma
  16. Melhor ator: Rami Malek, de Bohemian Rhapsody
  17. Melhor atriz: Uma pena eu não ter visto a atuação de Glenn Close ainda, o que prejudica meu julgamento. Mas vou de Olivia Colman, de A Favorita
  18. Melhor filme: Neste ano, três filmes mexeram muito comigo, a ponto de eu dar nota 10 a eles: Green Book, Infiltrado na Klan e Bohemian Rhapsody. Apesar disso, acho que o filme que vai levar o prêmio principal da noite será “Roma“. Veremos!

E você? Concorda com minhas notas para cada um dos 11 filmes? E com minhas apostas nestas 18 categorias acima? Participe do bolão aí na parte de “Comentários” do blog! Depois da cerimônia vou publicar aqui o resultado da premiação e meu desempenho neste ano de tantas dúvidas 😀

Na noite do Oscar, se eu conseguir me manter de pé, vou comentar freneticamente, durante toda a cerimônia, lá no Twitter! Comentem comigo 😉

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