No dia da maior birra, fiz uma coisa simples — e a reação do meu filho foi surpreendente

Meu filhote ainda não chegou aos temidos 2 anos, mas já aprendeu a fazer um pouco de birra. Ou manha, ou pirraça, chame como preferir.

Nada como lemos em vários relatos por aí, de se deitar no chão da fila do supermercado e espernear por alguma coisa, ou de ficar 5 minutos inteiros gritando a plenos pulmões, ou de prender a respiração até desmaiar, ou de se bater, ou de bater em mim.

Nada tão dramático. Mas ele já faz aquela manha básica e esperada para a faixa de idade. Que a gente lê que é um grande marco do desenvolvimento da criança, porque mostra que ela chegou ao ponto de querer marcar posição, de querer testar seus limites, de querer tentar ser mais independente. Legal, legal, mas que é uma fase danada de chata, isso é. Daí porque ganhou o apelido de “terrible two”.

Eis que, há algumas noites atrás, Luiz fez uma birra maior que de costume. Além de jorrar suco pelo chão da sala — algo que ele sabe que eu detesto que ele faça, e faz, e depois ainda me olha, bem desafiador, mostrando que fez –, de cuspir toda a comida da janta que passei um tempão cozinhando — outra coisa que ele sabe que eu detesto que ele faça –, de repetir o cuspe na segunda tentativa de janta da noite, de jogar comida no chão, ele ainda gritou bem alto quando falei com ele que estava errado etc.

Às vezes dá vontade de apenas chorar. Ou de dar um gritão mais alto que o dele, competindo pra ver quem é a criança mais pirracenta da casa. Ou de dar uma daquelas palmadas dos tempos da geração da minha avó (porque meus pais nunca me bateram). Ou de deixar ele num cantinho, com a porta fechada, chorando até que ele se canse.

Mas aí me lembro que a mãe sou eu, que a adulta sou eu, que a pessoa com um mínimo de maturidade sou eu, que ele não tem nem 2 anos de idade, que se eu gritar ele vai achar que ganha quem grita mais alto, que se eu bater ele vai achar que ganha quem usa a violência, que tem hora que é cansativo, mas ninguém nunca me falou que a maternidade era bolinho.

E o que fiz naquela noite foi o seguinte. E deu certo:

1- Desisti de dar o jantar e fui dar o banho nele enquanto ele chorava, falando (num tom de voz normal) que não tinha por que ele chorar e que eu não tinha gostado nem um pouco do comportamento anterior.

2- Enquanto tomava o banho, cercado de brinquedos, ele foi parando de chorar aos poucos e começou a se acalmar. E eu falando sem parar nem por um minuto. Que não foi legal o que ele fez etc.

3- Ao deitá-lo no trocador para colocar a roupinha, ele já completamente calmo e sem chorar, aproveitei que ele estava mais atento e fiz um longo discurso. Disse que ele tinha feito três coisas erradas: desperdiçado comida que a mamãe tinha cozinhado com todo o carinho; desobedecido a mamãe, ao fazer algo que já falei mil vezes para não fazer (jogar comida e suco no chão); e desrespeitado a mamãe, ao gritar enquanto eu estava corrigindo o que ele tinha feito de errado.

4- Repeti esse discurso com as palavras mais simples que encontrei, da forma mais clara que encontrei, num tom de voz baixo (mas firme), sempre olhando nos olhos do Luiz, enquanto colocava a roupa nele. Quando chegava ao fim do falatório, perguntava: “Entendeu?”. Fiz isso umas quatro vezes, até que, na última, ele acenou positivamente com a cabeça, olhando para mim, e percebi, pelo olhar dele, que ele realmente tinha entendido.

5- Logo em seguida, ele se sentou e disse “Mamãe!”, num tom de voz alegre, pegou no meu rosto com as duas mãozinhas, aproximou os olhinhos dos meus, e fez carinho. Nunca vou me esquecer dessa reação tão espontânea e, ao mesmo tempo, inusitada, depois de ter ouvido quatro ou cinco vezes o mesmo longo e entediante sermão. Foi muito mágico! Depois disso, ele pediu pela comida que tinha jogado no chão antes do banho, e comeu um pouquinho antes de recusar de vez. Era um daqueles dias de pouca fome e eu não sou de ficar forçando a comer quando não tá a fim.

Depois daquela noite, ele não chegou a fazer nenhuma birra que mereça destaque. Ficou naquela. E levei como lição para mim que, por mais difícil que seja, é importante insistir na compreensão. Uma criança de 2 anos tem capacidade de compreensão já impressionante, mas ainda limitada. Cabe a mim, a adulta da família, a mãe, a comunicadora por formação e profissão, achar um jeito de me fazer comunicar, de me fazer entender, de ser compreendida pelo meu pequeno.

Essas ideias que algumas pessoas têm de que crianças de apenas 2 anos estão “manipulando” me parecem completamente nonsense. Para mim, eles são apenas serzinhos em desenvolvimento — e acontece, muitas vezes, de serem mais desenvolvidos do que muita gente que já tem décadas de vida nas costas. Que bom que meu Luiz está me permitindo seguir em constante evolução, ao lado dele!

***

P.S. Antes que alguém comente isso: sei que ainda há uma longa jornada da “fase da birra” pela frente. É bem provável que outras birras, mais homéricas, ainda aconteçam, e não sei se minha “fórmula mágica” vai funcionar nas próximas vezes. Simplesmente porque não exitem fórmulas mágicas, não é mesmo? Cada dia é um dia, cada experiência é única, e raramente as reações se repetem. Mas a cada experiência aprendemos um pouquinho mais, Luiz e eu, e o pai dele. Que assim seja!

E você, como lida ou lidou com as birras dos seus filhos? Como passou pela “terrible two”?

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Denúncia de Janot contra cúpula do PMDB dá pra rir e pra chorar

Jader Barbalho (PMDB-PA), em clique de 2015. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Texto escrito por José de Souza Castro:

Mais um teatrinho no Judiciário. Na última sexta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou cinco senadores do PMDB, além do ex-senador José Sarney e do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Todos acusados de receberem propina num total de R$ 864 milhões e de gerarem prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras e de R$ 113 milhões aos da Transpetro. Os senadores são estes: Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA) e Valdir Raupp (RO).

Janot termina seu mandato dia 17 de setembro em meio a uma enxurrada de denúncias. Teatrinho. Isso fica claro quando se examina o caso de um dos denunciados, Jáder Barbalho.

Com longa carreira política, ele sempre escapou dos vários processos a que respondeu. Um dos mais célebres foi o Escândalo da Sudam, em pleno governo Fernando Henrique Cardoso. Entre 1994 e 1999, as fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia teriam ultrapassado R$ 2 bilhões.

Barbalho foi um dos 25 acusados. Quando o escândalo surgiu, ele era presidente do Senado e renunciou ao mandato. E FHC tomou medida radical: extinguiu a Sudam, para abafar o caso. O PT reagiu, entrando no Supremo Tribunal Federal contra isso. Logo no começo do governo Lula, a Sudam renasceu.

Até hoje, ninguém foi condenado pelos prejuízos à Sudam. Em 2005, o ministro Gilmar Mendes, nomeado por FHC, era relator do caso e votou pelo seu arquivamento, alegando falhas nas peças acusatórias, sendo acompanhado pelo plenário do Supremo. Barbalho e todos os outros se livraram, porque alguns dos acusados tinham foro privilegiado e o processo não poderia ter sido remetido à Justiça de primeiro grau. Desde esse erro, anos já haviam se passado, como veremos ao final deste artigo.

Sudam foi apenas um dos 45 escândalos que marcaram o governo FHC, como se vê neste artigo publicado pela Revista Consciência em julho de 2002.

A Sudam, criada em outubro de 1966 pelo general Castelo Branco, transformou-se num feudo de Jáder Barbalho quando José Sarney presidiu o Brasil e Barbalho governou o Pará. Mais tarde, no governo FHC, Barbalho disputou com Antônio Carlos Magalhães, do PFL baiano, a presidência do Senado. O baiano venceu, mas acabou renunciando ao mandado, acusado de ter violado o painel eletrônico do Senado. Em seguida, Jáder se elegeu com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também renunciou para não ser cassado em razão do escândalo da Sudam.

Em fevereiro de 2012, a “Folha de S.Paulo” publicou reportagem, revelando que erros cometidos por juízes e procuradores contribuíram para que um processo em que o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) é réu se arrastasse por uma década e meia sem chegar a uma conclusão. Vale transcrever aqui a reportagem de cinco anos atrás, para mostrar os caminhos e descaminhos da Justiça, confirmando também a nossa desesperança de que agora, com a denúncia de Janot, será diferente: Continuar lendo

Breve vídeo, de 16 segundos, para que você possa descansar a cabeça um pouquinho

Tem muita coisa terrível acontecendo e nos exaurindo e exaurindo o Brasil inteiro. No último ano.

Por isso hoje trago um pequeno videozinho que fiz no dia 19 de agosto, apenas como um convite ao descanso. Porque não tem como fazer nada de útil para a sociedade quando estamos completamente esgotados, não é mesmo?

São só 16 segundos para você respirar um pouquinho:

E se você é daqueles que tem feriado, bom proveito!

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