Aécio Neves e o que não se lia na imprensa mineira até recentemente sobre ele

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Em 2010 resolvi ajuntar num livro os artigos que eu vinha escrevendo no blog Tamos com Raiva, precursor deste, e no blog do Massote, sobre o governo Aécio Neves.

O livro nunca foi publicado, nem na biblioteca do blog.

Acho que chegou a hora de fazê-lo, neste momento em que muitos mineiros, que ao longo dos anos em que Aécio governou Minas nada leram contra ele e seu governo na imprensa mineira, devem estar surpresos com as denúncias que surgem com as delações da Lava Jato, sobretudo as da JBF.

Finalmente, parece que se rompeu o impenetrável manto de proteção que a imprensa brasileira vinha dando ao neto de Tancredo Neves e à irmã dele, Andréa Neves, que teve papel importantíssimo no governo Aécio Neves. E que foi presa hoje.

Os blogs independentes, em Minas, não têm condições de suprir o papel da imprensa, sobretudo nas televisões e rádios, dado o seu pouco alcance. Mesmo sabendo disso, Cris e eu decidimos fazer a nossa parte, como jornalistas e cidadãos que prezam a democracia e o Estado de Direito, ambos muito sofridos neste grande e bobo país.

Na introdução do livro, explico melhor minhas motivações ao escrever os artigos e juntá-los num livro.

CLIQUE AQUI para fazer o download gratuito do livro com 165 páginas. E boa leitura!

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Farmácia Popular caminha para o fim no governo Temer

Foto: João Paulo Chagas / Wikipedia

Quando Michel Temer assumiu a presidência do Brasil, sem ter sido eleito para isso, o remédio contra o colesterol Sinvastatina era vendido nas farmácias conveniadas ao programa Farmácia Popular a R$ 1. Um ano depois, o mesmo remédio é encontrado nas mesmas drogarias por R$ 8. Um aumento de 700% no preço. Isso não é inflação, é política de governo. Que afeta, principalmente, os mais pobres e os mais idosos.

(Lembrando que, atualmente, cerca de 40% dos brasileiros têm colesterol alto e aproximadamente 17 milhões de pessoas morrem em todo o mundo devido às doenças do coração, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No país, são cerca de 300 mil mortes por ano em decorrência de infartos e derrames. Por mês, 10 milhões de pessoas, em sua maioria com mais de 60 anos, são atendidas pelo Farmácia Popular.)

O remédio contra colesterol alto é apenas um dos fornecidos pelo programa Farmácia Popular. Há ainda remédios contra hipertensão arterial, diabetes, asma, glaucoma, doença de Parkinson, rinite, osteoporose, dentre outros.

Não sei dizer qual foi o aumento dos preços dos outros remédios, teria que ser feita uma pesquisa entre os usuários ou os estabelecimentos. Mas o aumento do remédio contra colesterol é um indicativo do que deve ter acontecido aos demais.

No início deste ano, o governo anunciou fechamento de quase 400 unidades próprias do Farmácia Popular. Restaram apenas as farmácias conveniadas.

Agora, no dia 11 de maio, o Brasil 247 informou ter tido acesso a um documento oficializando o encerramento de repasses para o programa. Nenhum outro veículo de comunicação do país repercutiu a notícia. Procurei a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde para esclarecer a questão na segunda-feira (15) e ainda aguardo resposta.

Seja ou não verdade esta notícia bombástica do Brasil 247, todas as outras ações citadas anteriormente mostram um fato: o programa Farmácia Popular não é prioridade deste governo e está caminhando para o fim. Pobres velhos doentes e pobres deste Brasil que se tornou uma fábrica de más notícias!


Atualização às 10h30: Não sou só eu que estou preocupada com o fim do Farmácia Popular. Li agora, no site da Câmara dos Deputados, que hoje será criada uma Frente Parlamentar em Defesa do Farmácia Popular. O evento, às 18h, terá transmissão ao vivo. Diz o texto: “Segundo os farmacêuticos brasileiros, o programa “Farmácia Popular do Brasil” vem passando por inúmeras dificuldades, sendo inclusive ameaçado de exclusão das políticas públicas do Governo federal.”

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Uma viagem sentimental ao Vale do Jequitinhonha e ao sertão

Estrada mineira próxima ao parque nacional Grande Sertão Veredas. Foto: Wikimedia

Texto escrito por José de Souza Castro:

Quarenta e quatro anos depois de me casar, conheci finalmente Salinas, onde minha mulher, Ivona, viveu quando menina. Viajamos no carro de Josires, o irmão caçula dela. Dormimos uma noite em Teófilo Otoni, cidade em que minha mulher se formou professora e começou a lecionar. Conosco ia Márcia, prima dos dois.

A parte mais desagradável da viagem de cinco dias ocorreu em Teófilo Otoni, quando a Cris telefonou para comunicar que resolvera suspender a publicação deste blog no portal do jornal O Tempo, pois não queriam que escrevêssemos sobre política.

Já sabíamos, com Guimarães Rosa, que “viver é muito perigoso…”. Preferimos continuar vivendo assim, sem censura. “O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.” Obrigado, João.

Só me lembrei dele quatro dias depois daquele telefonema, quando passávamos sobre o Rio das Velhas, perto de Corinto, após uma noite dormida em Montes Claros. Nada a ver com palavras. O sentimento de perigo foi mais intenso durante as três horas e meia que foram gastas para percorrer pouco mais de 200 quilômetros entre Salinas e Montes Claros, numa rodovia atravancada por caminhões e carros dirigidos por suicidas.

Acho que o autor de “Grande Sertão: Veredas” não reconheceria o cenário de seus contos e romances escritos entre 1936 e 1967. O sertão que eu vi pareceu-me muito diferente daquele que conheci nos livros lidos na minha juventude. As veredas se tornaram escassas. Os eucaliptos dominam a paisagem, apesar das leis de proteção dos pequizeiros e outras árvores nativas. Vaqueiros tocando boiadas pelas estradas, nem pensar. Continuar lendo