- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Desde minhas últimas dicas culturais, já vi 4 filmes inéditos e li 4 livros, também pela primeira vez (fora um livro e dois filmes pela segunda vez). Então achei que já estava na hora de fazer mais um postão como este, reunindo minhas dicas culturais antes que se acumulem mais 😉
Dica 1: livro Deixei flores sobre meu pai, de Pedro Ângelo
Trabalhei com o Pedro na minha primeira passagem (relâmpago) pelo portal G1, em 2012. Na época, acho que ele ainda era recém-formado, mas já dava para ver como era uma pessoa que tinha muita luz própria, além de ótimo texto. Tempos depois, ele largou o jornalismo e tornou-se professor de ioga.
Neste seu primeiro romance, ele une a qualidade investigativa de um bom repórter à introspecção meditativa de um bom professor de ioga. Abaixo, reproduzo a avaliação que escrevi na Amazon, logo depois que terminei a leitura:
“Livro delicado e sensível (mas também com muito espaço para um humor sutil do narrador), sobre a busca pela memória de um pai nunca conhecido. Um pai que “fez uma viagem” quando o protagonista tinha apenas 4 anos, e agora, aos 20 e poucos, ele tenta “realizar” essa morte e esse luto, numa road trip que começa no Rio de Janeiro e termina em dois países da Europa.
O autor escreve muito bem e gosta muito de notas de rodapé, que são o refúgio que ele encontrou para colocar um pouco mais de sua história pessoal dentro daquela autoficção. Senti falta de um apêndice contando pra gente o que, daquilo tudo, é a história mesmo do Ângelo e do Pedro e o que é pura ficção. Fica a sugestão para a segunda edição do livro :)”
(O autor já me respondeu que acha melhor “deixar o mistério pairando” rs).
Deixei flores sobre meu pai
Pedro Ângelo
Editora 7letras
153 páginas
R$ 68 na Amazon (preço consultado na data do post; sujeito a alterações)
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Dica 2: livro Coisa de gente branca, de Langston Hughes
Este livro tem 14 contos que exploram “as paranoias e perversidades da branquitude, que se inflama diante da maior infração que as personagens negras parecem cometer num país marcado pela escravidão: viver como quem não deve nada a ninguém“.
Esta é a síntese do texto da contracapa da edição que eu li, da Zahar, com apresentação de Mário Augusto Medeiros da Silva e tradução caprichada, cheia de contexto nas notas de rodapé, feita por José Roberto O’Shea.
O que mais me chamou a atenção na narrativa de Hughes, ativista tido como a principal figura do Harlem Renaissance (movimento cultural, social e artístico afroamericano durante as décadas de 1920 e 1930), foi o sarcasmo.
Ele escreve muitas vezes expressando o ponto de vista dos brancos, que tratam os negros ora com ódio, ora com arrogância, ora com paternalismo ou condescendência. Mas sempre com um aspecto racista.
O mais interessante que achei é que esta coletânea foi publicada em 1934, mas tem uma linguagem simples, direta, e uma temática extremamente atual (infelizmente).
Não é uma leitura fácil, porque ler sobre um país extremamente racista e segregacionista, e sobre brutalidade e violência decorrentes disso, às vezes nos exaure. Mas é uma leitura necessária.
Coisa de gente branca
Langston Hughes
Editora Zahar
215 páginas
R$ 78 na Amazon, com capa dura (preço consultado na data do post; sujeito a alterações)
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Dica 3: livro Um homem bom é difícil de encontrar e outras histórias, de Flannery O’Connor
De vez em quando acontece de eu ler um livro e o personagem desse livro indicar outro livro, e eu ficar curiosa para ler este também (é um trem de doido, né! :D). Aconteceu isso quando eu lia A vida do livreiro A. J. Fikry, de Gabrielle Zevin.
Uma das personagens tinha como livro favorito este “Um Homem Bom é Difícil de Encontrar e Outras Histórias”. Acabei encontrando a edição bonitona da TAG, com capa dura, luva etc, por R$ 30 na Estante Virtual. E comprei para ver por que este livro era tão bom assim para aquela livreira.
Eu tinha lido recentemente o “Coisa de gente branca”, que fora escrito só duas décadas antes deste, e também era de contos, também abordando muito a questão racial, então foi impossível não comparar os dois.
A conclusão a que cheguei é que Flannery escreve muito bem, mas acaba ficando quase totalmente restrita ao universo em que ela esteve confinada a maior parte da vida, por causa do lúpus (doença que a matou aos 39 anos). O universo das fazendas do Sul dos Estados Unidos, muitas vezes gerenciadas por mulheres viúvas (como era a mãe de Flannery).
Então, de vez em quando, senti que os contos acabavam se repetindo entre si. Também porque os homens espertalhões, cruéis e inescrupulosos, os vilões das histórias, também acabavam se parecendo.
Outra coisa que me incomodou é que eu li toda aquela hipocrisia e racismo e violência com a lente da ironia, vinda do livro do Langston Hughes, mas, depois de um certo tempo, acabei me perguntando se havia mesmo alguma crítica ali ou se a autora não era ela própria, justamente, o retrato daquela sociedade racista, sendo uma sulista branca nascida na década de 1920.
Ao me aprofundar um pouco sobre Flannery O’Connor, descobri que essa questão é muito debatida no meio literário, mais ou menos como acontece aqui no Brasil com Monteiro Lobato.
Polêmicas à parte, este é um livro de contos que está longe de estar entre meus favoritos (como era para aquela personagem do outro livro), mas que, pela qualidade literária que nos puxa para dentro da narrativa, com certeza merece ser conhecido.
Um homem bom é difícil de encontrar e outras histórias
Flannery O’Connor
Editora Nova Fronteira
287 páginas
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Dica 4: livro O supercatastrófico passeio ao zoológico, de Joël Dicker
Sou fã dos livros de detetives desse autor suíço, voltados para o público adulto. Já escrevi aqui no blog sobre A Verdade sobre o Caso Harry Quebert, O Desaparecimento de Stephanie Mailer, O Enigma do Quarto 622 e O Caso Alaska Sanders. Por isso, quando vi que ele tinha lançado essa história infantojuvenil, não hesitei em comprar para o Luiz.
Já adianto que, enquanto escrevo este post, ele ainda não leu o livro, então não tenho como saber se ele gostou. Mas eu li, e achei bem interessante para crianças (para crianças mesmo, não “para todas as idades”, como faz crer a sinopse).
É narrado por uma garota atípica, que estuda em uma escola pequena para apenas seis crianças. A escolinha delas é inundada e são obrigadas a migrar para um colégio vizinho, bem maior. Enquanto se adaptam à nova realidade, procuram desvendar o mistério do que causou aquela inundação esquisita.
Assim, o livro aborda temas como inclusão, bullying e democracia (sim, fala muito sobre democracia, e de forma bem didática!), de um jeito leve e com o suspense característico do autor.
O supercatastrófico passeio ao zoológico
Joël Dicker
Editora Intrínseca
206 páginas
R$ 45 na Amazon (preço consultado na data do post; sujeito a alterações)
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Dica 5: filme O Mandaloriano e Grogu, em cartaz nos cinemas
Vale a pena assistir: Star Wars: O Mandaloriano e Grogu (The Mandalorian and Grogu) | 2026 | 2h12 de duração | Classificação: 14 anos | nota 9
Já começo avisando que não sou uma das superfãs da saga Star Wars. Nem me lembro quando assisti a um filme da franquia, mas foi há muuuuito tempo e eu não guardei mais quase nenhum detalhe.
Inclusive fiquei com medo de este ser um daqueles filmes restritos para os fanáticos e eu ficar boiando enquanto assistia. Mas não foi o caso: o roteiro é muito bem amarrado, do início ao fim, e é muito fácil acompanhar e entender tudo (embora, provavelmente, a experiência seja bem melhor para quem viu todos os mil anteriores).
É um daqueles filmes cheios de aventuras, com muita luta, um verdadeiro épico da ficção científica. As duas horas e pouco passaram voando. E ainda levei o Luiz, que tem 10 anos, mas não teve nenhuma dificuldade de acompanhar este filme de 14 (inclusive foi o segundo filme legendado que ele assistiu na vida… Está crescendo ;)).
Acho que tem grandes chances de ser indicado ao Oscar de melhor efeito visual, design de produção, figurino etc. Mas não me perguntem se este filme agradou ou não aos fãs de Star Wars. Não sei dizer e não procurei saber.
Só sei que eu e Luiz gostamos muito e nos derretemos com Grogu. E acho que poderá ser uma boa porta de entrada para que muitas crianças (e adultos!) conheçam melhor esse universo mágico do George Lucas.
*
P.S. Só depois de ir ao cinema descobrimos que existe uma série com três temporadas sobre o Mandaloriano na Disney+. Começamos nossa maratona ontem mesmo! 😉
Assista ao trailer do filme O Mandaloriano e Grogu:
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Dica 6: filme Michael, em cartaz nos cinemas
Vale a pena assistir: Michael
2026 | 2h07 de duração | Classificação: 12 anos | nota 7
Fiquei em dúvida sobre qual nota dar para “Michael”. Porque, de novo já aviso: nunca fui muito fã do Michael Jackson.
Gosto de algumas músicas, mas mesmo os hits nunca me tocaram muito a fundo, não fazem tanto meu estilo. E a vida pessoal do artista, bom, esta sem precisa comentar. Cresci ouvindo as polêmicas sobre racismo e pedofilia.
Mas, depois de assistir ao filme (foi o primeiro legendado que o Luiz viu na vida), saímos da sala animados. Das duas horas e pouco, metade deve ser só de apresentações musicais, então por aí se vê que não houve nem tempo de abordar as outras polêmicas da vida de Michael.
Mesmo quem não gosta especialmente do repertório não tem como ignorar a genialidade por trás daquele vocal, daqueles passos de dança e de toda a criatividade em torno daquelas canções.
Então, como o filme se dedica a abordar esse lado de Michael, da infância (em que era explorado e maltratado pelo pai) à turnê de “Bad”, no fim dos anos 80, o saldo é muito positivo. Com direito ao clipe de Thriller reproduzido à perfeição.
Mas, depois, fui refletir um pouco sobre o filme e me incomodou aquela santificação do Michael Jackson. Ele é mostrado como um cara maravilhoso, sereno, que fala baixinho, trata todo mundo com gentileza e respeito, aprende a se impor de um jeito delicado, e que custa a se livrar do domínio cruel do pai. Ambicioso, visionário, mas bonzinho até demais.
A interpretação do sobrinho Jaafar Jackson é muito boa nas cenas musicais e nos passos de dança, com semelhança física impressionante em alguns ângulos, mas é sofrível nos diálogos. Já o Michael criança, dos tempos do Jackson Five, interpretado por Juliano Valdi, é bem especial.
Enfim, acabei tirando pontos porque achei que uma biografia que esconde aspectos tão importantes da vida de uma pessoa é, no mínimo, desonesta. Mas, se a gente for ao cinema com zero senso crítico, querendo apenas se divertir ouvindo os hits do “maior de todos os tempos”, então este é um filme que não deixa nada a desejar.
Assista ao trailer do filme Michael:
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Dica 7: filme O gênio do Crime, em cartaz nos cinemas
Vale assistir: O Gênio do Crime
2026 | 1h33 de duração | Classificação: 12 anos | nota 7
Li “O Gênio do Crime” quando tinha uns 11 ou 12 anos e, na época, lembro que adorei. Agora, quando vimos que ia estrear esse filme, li de novo, junto com o Luiz, meu filho de 10 anos.
Ele também adorou. Eu gostei da história, ainda achei a escrita envolvente, mas fiquei impressionada com os incontáveis erros de português. O autor parece que não sabia usar vírgulas. E, bom, se ele contava boas histórias, cabia à editora ter providenciado uma revisão decente, né? Enfim.
O filme apenas se inspira no livro, fazendo várias adaptações importantes. Tanto para atualizar para os nossos tempos (por exemplo, ao modernizar a impressão das figurinhas do álbum, que na época ainda era totalmente artesanal), quanto para dar mais destaque à personagem feminina da turma, quanto para eliminar algumas coisas que eram normais nos anos 70 e hoje são impensáveis (como uma criança tomando uísque).
Mas, além disso, houve outras liberdades, como a mudança radical na personalidade dos personagens da turminha, a mudança no perfil do detetive (que até deixou de ser gringo) e até mesmo na explicação geral sobre quem é e quais as motivações do gênio do crime.
Resultado: como a gente tinha acabado de ler o livro, que o Luiz tinha gostado muito, ele saiu da sala de cinema meio frustrado com o que foi feito do filme.
Apesar disso, achei o filme interessante para as crianças. Não deixa de ser uma boa aventura e uma introdução ao universo das histórias de detetives, com atores mirins bem empenhados em seus papéis.
Para os adultos que só leram O Gênio do Crime na infância, vale também pelo lado nostálgico da experiência.
Assista ao trailer do filme O Gênio do Crime:
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Dica 8: filme As Ovelhas Detetives, em cartaz nos cinemas
Vale assistir: As Ovelhas Detetives (The Sheep Detectives)
2026 | 1h49 de duração | Classificação: 12 anos | nota 8
Por falar em introdução às histórias de detetives para as crianças, outro filme que assisti neste mês e cumpre o mesmo papel foi este As Ovelhas Detetives, com Hugh Jackman.
Nesse filme, o pastor de um grupo de ovelhas é encontrado morto, e elas começam a investigar, ajudando o policial local.
A história imita clássicos como os da Agatha Christie, em que todos são suspeitos em potencial e, no fim, o personagem menos esperado é o assassino ou assassina.
De quebra, o filme ainda aborda a importância da memória, de não esquecer o passado, por mais doloroso que seja, para que pessoas queridas sejam honradas e injustiças históricas sejam corrigidas.
É um misto de mistério e suspense com comédia e humor trapalhão, então diverte tanto as crianças quanto os adultos de todas as idades.
Assista ao trailer de As Ovelhas Detetives:
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Dica 9: minissérie Desobedientes, na Netflix
Vale assistir na Netflix: Desobedientes (Wayward)
2025 | 8 episódios de cerca de 40 minutos cada | Classificação: 16 anos | nota 8
Gosto muito de minisséries, porque têm começo, meio e fim. Costumam se resolver bem em menos de dez episódios. Não ficam naquelas enrolações de temporadas sem fim, que se arrastam por décadas.
Foi um dos motivos pelos quais comecei a ver “Desobedientes” no último fim de semana. O outro é que Toni Collette é a protagonista, e acho ela uma atriz INCRÍVEL.
A história se passa em uma cidadezinha de Vermont, nos Estados Unidos, a fictícia Tall Pines. No começo parece um lugarzinho bucólico e feliz, com aquele espírito de comunidade de cidades do interior. Mas, aos poucos, vamos percebendo que o lugar e as pessoas de lá são sinistros.
Tudo gira em torno do Instituto Tall Pines, uma escola-reformatório-rehab para adolescentes “problemáticos”. Muitos dos quais totalmente abandonados pelos pais. A personagem de Toni Collette é a líder do espaço.
A minissérie, com oito capítulos, é cheia de suspense e mistério, que só se emaranham, gerando desconforto crescente na gente. Não quero falar muito mais, para não estragar a experiência, mas só vou adiantar uma coisa: um dos temas centrais da história é o fanatismo e a formação de seitas, que é uma coisa que eu ABOMINO.
Apesar do final, que frustrou muita gente (eu incluída), acho que a série é um bom suspense psicológico, que merece ser vista por todos que gostam do gênero. A gente maratona facilmente (assisti de uma tacada só, entre domingo e segunda) e ainda fica com um gosto de “bem que podia ter mais uminha temporada”. Ah, e só pra registrar: a trilha sonora é ÓTIMA! 😀
Assista ao trailer da série Desobedientes:
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