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Dia da Consciência Negra: minha seleção de LIVROS para nos ajudar a refletir neste 20 de novembro

Protesto após a morte de George Floyd, em Charlotte, EUA. Foto: Clay Banks / Unsplash / Divulgação

 

Já aproveitei o 20 de novembro, em outras ocasiões, para trazer aqui para o blog sugestões de filmes e de músicas para ver e ouvir nesta data tão importante e neste país tão racista.

Hoje, coincidentemente, estou lendo o excelente “Kindred”, de Octavia Butler, e percebi que seria uma boa oportunidade de trazer sugestões de livros que também nos ajudem a refletir sobre temas como racismo, cultura negra, desigualdade racial, África, história, escravidão e outros correlatos.

Expanda sua CONSCIÊNCIA NEGRA, não só nos meses de novembro, mas em todos!

Anote aí:

 

Kindred: Laços de SangueOctavia E. Butler – 432 páginas – Estou ainda na página 100 do livro, mas muita coisa já aconteceu e meus olhos já se arregalaram umas 50 vezes desde que comecei a leitura. É um daqueles livros que marcam, e que a gente lê de uma tacada só. Como ainda não terminei, vou deixar pra fazer a resenha completa depois no blog, mas compartilho aqui o resuminho da editora: “Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça. Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida… até acontecer de novo. E de novo. Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.” Lembrando que “kindred” e, inglês, é “parentesco”. Essa palavra vai ganhar novo significado ao longo da leitura.

 

Novo Mundo em ChamasVíktor Waewell – 414 págs – Livro muito bem escrito e com personagens interessantíssimos. Um lado da história do Brasil que a gente nunca aprende na escola. Claro que tudo é apimentado pela ficção e pela imaginação detalhista do autor, mas há personagens e situações reais por trás de todos esses acontecimentos épicos que se deram no período colonial brasileiro. Em tempos em que as palavras “resistência” e “empoderamento” andam tão em voga, vale a pena saber que elas tiveram muita força entre os escravos e escravas quando eles mais precisaram lutar por sua dignidade. Leia mais.

 

ConfinadaLeandro Assis e Triscila Oliveira – 125 páginas – Trata-se de um livro em quadrinhos que conta a história do Brasil atual, em plena pandemia, e escancara a sociedade desigual e racista em que vivemos. Mostra como meritocracia é uma lenda urbana, como as oportunidades são diferentes para pessoas de camadas sociais diferentes e como a pandemia deixou isso ainda mais evidente. As duas personagens principais são uma “influencer” rica e a jovem que trabalha para ela como empregada doméstica. Um livro político, politizado, atual, uma crônica perfeita de 2020, para ler e reler várias vezes no futuro. Leia mais.

 

Sempre em desvantagemWalter Mosley – 236 págs –  Uma temática que permeia todas as histórias é a discriminação à comunidade negra. A forma como o autor, Walter Mosley, escreve sobre isso me fez pensar em vários momentos que eu estava lendo um livro que se passava ainda na era pré-Martin Luther King, de segregação explícita. A toda hora tinha que me obrigar a lembrar que era uma história dos anos 2000. O que me fez pensar: seria exagero de Mosley ou a sociedade norte-americana, mesmo nas ruas modernas de Los Angeles, ainda continua mesmo tão atrasada e com tantos guetos raciais? Acho que deve ser a segunda opção. (E, se lá é assim, num país tão mais combativo em relação ao racismo, pobre do Brasil…). Leia mais.

 

Pequena AbelhaChris Cleave – 270 páginas – Trata-se de uma história emocionante, narrada em primeira pessoa pelas duas protagonistas, que vai além da questão racial ao abordar também o drama dos refugiados. Um dos grandes méritos do livro é o de escancarar o absurdo de alguém não ter direito a uma vida digna apenas por ser de outro país. Abelhinha, é, afinal, tão igual a qualquer um de nós. Ela tem uma sombra em seu passado e em suas memórias, mas tornou-se uma jovem mais forte por isso mesmo, além de ter se fortalecido aprendendo o idioma correto, falado por todos os outros, o que a aproximou dos demais. Inteligente, boa, forte… Vamos lendo e nos apaixonando cada vez mais por Abelhinha. E aí fica inevitável pensar: mas por quê? Por que ela não pode morar na Inglaterra, ou em qualquer outro lugar? E daí para “Por que qualquer outro refugiado não poderia encontrar abrigo onde haja um mínimo de humanidade?” é um pulo. Leia mais.

 

Um Girassol nos Teus Cabelosvárias autoras – Este livro me chamou a atenção nestes tempos duros que temos vivido, com gente até comemorando a morte de uma pessoa – não uma morte qualquer, mas um extermínio, um assassinato – apenas por pensar diferente. Trata-se de 50 poemas que foram escritos por mulheres de várias partes do Brasil e reunidos numa antologia, como forma de homenagear e relembrar Marielle Franco e sua morte estúpida. Leia mais.

 

 

Buddy Bolden’s BluesMichael Ondaatje – 173 págs – Livro sobre um dos criadores do jazz. Um filho de New Orleans. Com esse título, o livro bem poderia ser uma biografia. E ele tem, sim, vários dados biográficos, baseados em documentos históricos, que chegam a ser inseridos na narrativa, como âncoras para lembrar o desvairado do cornetim de que ele tem audiência e ela não pode se perder totalmente. Mas o livro não é uma biografia e o motivo para isso é muito simples: quase nada se sabe sobre Bolden. Não há, por exemplo, nem um único registro fonográfico de suas músicas. Uma única foto, desbotada, junto dos outros músicos, dá uma ideia de como ele era fisicamente (esta que aparece recortada aí ao lado). Não há certeza do ano em que nasceu, nem do que fez até surgir, de repente, tocando num desfile, aos 20 e poucos anos. Leia mais.

 

BluesRobert Crumb – 106 páginas – Livro maravilhoso para os amantes do blues, feito por um dos melhores jornalistas e pesquisadores do assunto. Leia mais.

 

Agora as sugestões dos leitores:

Negras raízesAlex Haley – 528 páginas (na edição da Record de 1985) – Dica do José de Souza Castro: “Você já leu “Negras raízes”, do escritor negro Alex Haley? Acho que merecia entrar nessa lista. Foi publicado em 1976 com o título “Roots: The Saga of an American Family”. É sua obra mais conhecida. Um romance histórico de grande qualidade literária. Aqui só encontrei o livro traduzido em sites de livros usados. Não me interessei, pois já havia lido o original em inglês.”

 

E você? Tem alguma sugestão de livro legal para compartilhar conosco? Coloque aí nos comentários e acrescento aqui ao post!

 

 

 


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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

2 comentários em “Dia da Consciência Negra: minha seleção de LIVROS para nos ajudar a refletir neste 20 de novembro Deixe um comentário

  1. Você já leu “Negras raízes”, do escritor negro Alex Haley? Acho que merecia entrar nessa lista. Foi publicado em 1976 com o título “Roots: The Saga of an American Family”. É sua obra mais conhecida. Um romance histórico de grande qualidade literária. Aqui só encontrei o livro traduzido em sites de livros usados. Não me interessei, pois já havia lido o original em inglês.

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