Um livro que me deu fome de ler

quebert

Eu nunca tinha ouvido falar desse livro. Não vi nem em críticas de jornais, nem em blogs, nem no “burburinho” das redes sociais. E olha que foi um dos livros da Flip, mas, em julho, minha cabeça estava muito mais perto da Copa e das Eleições do que da Literatura.

O fato é que vi “A Verdade sobre o Caso Harry Quebert” numa dessas bancadas de livraria dentro de aeroporto e imediatamente fiquei interessada. Desde o título à ilustração da capa — uma cidade pacata dos Estados Unidos da década de 50, mas que bem poderia ser de 20 anos depois –, passando pelo resumo na orelha e chegando às dezenas de notas elogiosas de jornais do mundo todo, que classificavam o livro como “fenômeno global”, “melhor do ano”, “narrativa brilhante”, “romance mais comentado da década”, que “será estudado por futuros escritores” e que, depois dele, “a literatura contemporânea nunca mais será a mesma”. Uau!

Passei a viagem toda penando para acabar o outro livro que eu lia no momento, e me mordendo de curiosidade para ler este, que dormia na mala. Sentia uma agitação incomum, em se tratando de um autor que para mim era desconhecido (e, ainda por cima, tem a minha idade!).

Quando finalmente comecei a ler, não parei mais. Qualquer momento de folga que eu tinha, inclusive nos 20 minutos antes de sair para o trabalho, que uso para cochilar, aproveitei para ler. Eu não sentia tanta fome assim por um livro desde “Cem Anos de Solidão”, que eu lia até na fila do cinema.

Terminei de ler à 1h da madrugada de ontem.

Um dos personagens, o mestre do narrador, diz em dado momento: “Cerca de meio segundo após terminar o seu livro e ler a última palavra, o leitor deve se sentir invadido por uma sensação avassaladora. Por um instante fugaz, ele não deve pensar senão em tudo que acabou de ler, admirar a capa e sorrir, com uma ponta de tristeza pela saudade que sentirá de todos os personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter terminado.”

E é isso que sinto hoje: saudade do livro que já acabei de ler e que lamento ter terminado, mesmo após quase 600 páginas.

E por quê?, você vai me perguntar. Porque tem todos os ingredientes que os bons livros costumam ter, e muito mais: tem suspense, drama, comédia, sátira, história de amor, história policial, várias narrativas entrelaçadas (contadas por personagens diferentes, em formatos diferentes, em épocas diferentes, tudo de forma tão coesa que, mesmo com mil reviravoltas, você nunca perde o fio da meada). Os personagens são bem construídos, alguns ultra-exagerados, são bem-humorados e cheios de vida. E, para melhorar ainda mais, é um livro metalinguístico, que, o tempo todo, aborda a execução do próprio livro, com muitos conselhos práticos para quem quer ser um escritor e críticas de sobra ao modelo editorial moderno.

Em resumo, é a história de um escritor, Marcus Goldman, com bloqueio de inspiração, que vai passar uma temporada na casa de seu mestre, amigo e antigo professor, o ilustre escritor Harry Quebert. Pouco depois, o cadáver de uma menina que desapareceu em 1975, aos 15 anos, é encontrado enterrado no jardim de Quebert e ele é acusado de assassinato, 33 anos após o crime. Para provar a inocência do amigo, Goldman começa a investigar a história por conta própria. E navega entre relatos que se iniciam na década de 60 e só vão terminar em 2008. Fora isso, não vou contar mais nem um detalhe sobre o enredo, porque será muito mais divertido você descobrir sozinho. Eu prometo 🙂

“A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert”
Joël Dicker
Intrínseca
572 páginas
De R$ 23 a R$ 37

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2 comentários sobre “Um livro que me deu fome de ler

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