Acabou

Não foi o Nordeste. Não foi o Bolsa Família. Não foram os analfabetos e ignorantes. Uma parte significativa do Brasil, de mais de 54 milhões de pessoas, reelegeu, por maioria simples, a candidata do PT, presidente Dilma Rousseff. O mapa abaixo mostra como não há essa divisão idiota entre Norte e Sul que as pessoas dizem, está tudo bem mais diluído:

O Brasil é um país-continente, nada por aqui pode ser simplificado assim. Se for colocar na conta de um Estado, pode-se dizer que Minas Gerais foi o principal peso da balança — e os eleitores mineiros, melhor do que ninguém, conhecem Aécio Neves, então votaram com consciência. Não são mais burros que você, você não é dono da verdade — ninguém é.

O negócio é que Dilma ganhou na eleição mais polarizada de todos os tempos e terá de fazer muitas melhorias em sua gestão, para agradar à quase-metade do Brasil que preferiu o outro candidato. Isso é bom: tivesse ganhado de lavada, talvez vivêssemos um segundo mandato acomodado. Mas, como foi de raspão, terá de ser um segundo mandato muito melhor que o primeiro.

E agora este blog voltará à programação normal 😀 Vou continuar a postar algumas coisas sobre política, mas também sobre cinema, literatura, música, poesia, fotografia, futebol, culinária, turismo e todos os outros assuntos que costumo abordar aqui neste espaço 😉

Estou feliz porque, nas últimas semanas, produzi 19 (com este, 20) posts sobre assuntos relacionados à eleição (veja abaixo), especialmente depois que Eduardo Campos morreu e mais intensamente ainda quando o pleito foi para o segundo turno. Abri espaço para a divergência, sempre defendi a serenidade nas discussões, me coloquei fora dessa guerra que estava acontecendo nas ruas e nas redes sociais. E cá estou, neste 27 de outubro, sem ter perdido um único amigo por causa dessa futebolização besta da política, que só acontece pelo fato de 99% das pessoas serem muito despolitizadas na maior parte do tempo.

Agora acabou. Vai ter gente juntando os caquinhos, buscando reconciliações, por causa de brigas imaturas e por não terem sabido entender que cada um vota em quem quiser, e o voto dos outros é pensado, ponderado de acordo com as prioridades de cada um, e, por isso mesmo, precisa ser respeitado. Eu vou continuar com meu trabalho, que nunca acaba: acompanhar de perto os governos de Dilma Rousseff e de Fernando Pimentel e escrever sobre eles quando for preciso, nos avanços e nos deslizes. E recomendo a mesma atenção e crítica a todos os brasileiros, que precisam aprender a ser cidadãos todos os dias, não só de quatro em quatro anos.

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