Nova opção de restaurante, lanche e bar em Beagá

Pena que esqueci de tirar foto do croissant de filé com queijo* =/ Este é de brigadeiro. (Fotos: CMC)

Fazia tempo que eu não ia para a Savassi e ainda não tinha visto a praça completamente reformada. Achei legal a ideia de uma praça de alimentação ao ar livre, num lugar tão agradável, para onde é possível ir a pé lá de casa. Para melhorar, na hora do almoço hoje estava tocando um sambinha gostoso, bem feitinho, num palquinho montado ali na esquina onde agora há uma fonte e antes havia o Café 3 Corações (hoje ainda lá, mas um pouco mais para dentro da rua Antonio de Albuquerque). Dizem que essas apresentações musicais continuam até o próximo dia 16.

E todo esse clima agradável, de sol, música boa, banquinhos na praça cheia de sábado combinou muito bem com o novo bar/restaurante/lanchonete que inaugurou naquele quarteirão fechado nesta semana e que fui conhecer hoje. O Croasonho.

A franquia já tem várias unidades no Sul do Brasil e agora chegou pela primeira vez a Minas, começando de cara no ponto mais nobre da cidade. Foi aberto aqui por um primo meu** — bastante perfeccionista, a ponto de cuidar pessoalmente da lavagem das toalhas do restaurante — em sociedade com dois amigos. Também existe uma unidade em Copacaba no Rio, e deve abrir uma em São Paulo nos próximos meses.

Trata-se de um espaço para almoçar, fazer o lanche da tarde e também para o buteco da noite e, em breve, para o café da manhã (por enquanto, abre às 11h e vai até o último cliente da noite, mas é possível que passe a abrir mais cedo em breve).

O croissant, carro-chefe da casa, vem em três tamanhos, sendo o médio já suficiente para substituir um almoço.

Croissants em três tamanhos. E estes modelos da foto estão sem recheio, então imaginem algo beeem mais farto 😉

Tem a massa fina, leve, com uma casquinha crocante e saborosa que se baseia na receita tradicional da França, e um recheio fartíssimo, ao contrário do que vemos nos croissants de padaria por aí. Hoje eu comi o de filé com requeijão e queijo, mas também provei um pedaço do de estrogonofe de filé e do de brigadeiro — ambos também deliciosos.

São dezenas de sabores, doces e salgados, ao preço de R$ 8 a R$ 20 a unidade.

Também há pratos executivos (saladas, massas, carnes), combos e enroladinhos. Para beber, uma carta gigante de vários tipos de cafés, chocolates quentes super encorpados, capuccinos e afins. Vinho em taça e garrafa, e Heinecken 600 ml geladinha (minha favorita!).

Ao final, depois de comer o prato principal, a sobremesa e virar várias Heineckens e um chocolate quente, o almoço saiu a R$ 30 por pessoa.

Fica a dica para o pessoal da balada e também para as famílias — hoje mesmo levamos as três gerações da família para comer lá, e a sobrinha de 4 anos logo fez amizade com a criança de outra mesa 😀

***** (ótimo)

$$ (de R$ 25 a R$ 40 por pessoa)

* Voltei no próprio sábado à noite e fiz as fotos dos croissants salgados, que eu tinha ficado devendo. Aliás, experimentei mais dois ótimos sabores: peito de peru com tomate seco, rúcula e requeijão e de frango ao molho curry. E outra doce: chocolate com morango! Seguem as fotos feitas com o celular:

Este é de brócolis, que a amiga pediu e não experimentei.

** Fique claro, pra quem não me conhece bem: se o lugar fosse uma porcaria, eu não falaria bem dele só por ser de um parente.
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O Dia da Tia

Depois da Madrinha, a Tia.

A Tia que me deixou tantas lembranças.

Boa parte delas é associada a comidas. Comidas maravilhosas, que ela fazia com prazer.

Tinha o frango ensopado do almoço. E o café com muitos biscoitos. Tinha um queijo que ela derretia na chapa, até ficar bem torradinho e crocante, e que eu comia como se fosse a coisa mais gostosa do universo. Ah, e as pelinhas de frango…! Eram o paraíso. Também tinha bolos… e balas.

As balas merecem um capítulo à parte. Ficavam “escondidas” no armário, entre roupas, onde eu e meus primos “Debrinha” e Cássio íamos cometer alguns furtos ocasionais. Tenho certeza de que ficavam propositalmente mal escondidas para que pudéssemos ser justamente recompensados por nossas pequenas aventuras.

Aventurar-se por aquela casa era mágico, um deleite para todas as crianças, mas especialmente para uma que cresceu em apartamento, como eu. A começar pelo imenso dossel que protegia o sono dos pernilongos, fartos naquela cidade quente. E as cristaleiras antigas cujas partes giravam, parecendo estarem subindo, ou descendo — e assim aprendi o que é ilusão de ótica. E a máquina de costura grandona, cercada por vários tecidos.

A Tia estava sempre maquiada, bochechas vermelhas, colar, roupas coloridas, cabelo tingido. Vaidosa e elegante e bonita. Nas fotos, sua pose favorita era o perfil. Belo perfil, que destacava os olhos grandes, que as filhas herdaram.

E tinha um sotaque cantado, cantado mesmo, como até eu, mineira de Beagá, conseguia perceber. Não era um sotaque da roça, como os atores globais se esforçam para tentar reproduzir ao imitar os mineiros. Tinha um ritmo próprio, que outros primos e tios meus, da mesma região, também têm. O sotaque mais bonito do país, diga-se.

Sempre entremeado pelas notícias da família, porque a Tia era boa de papo e de prosa e estava sempre se preocupando com todos.

Porque não era nem sotaque, nem vaidade, nem garfo que descreviam a Tia, mas sua atitude sempre prestativa com todos os irmãos, filhos, netos, marido — sobrinhos. Com a mãe, que lá morou nos últimos meses de vida, e precisava da vigília constante da filha.

E sempre sorridente.

A última vez em que a vi foi num outro dia triste, o dia em que enviei a primeira carta a deus. Mas não foi a última vez em que falei com ela. Esta faz pouco dias, por telefone, e, apesar de estar prestes a passar por uma cirurgia delicada, lá estava a voz dela, cheia de sorrisos, confiante e animada, com aquela cantoria do sotaque da Tia.

Fico feliz por ter telefonado (apesar do meu pouco hábito de telefonar para as pessoas, tão raro que o Tio nem me reconheceu na hora). Porque é aquela cantoria que vai ficar na minha memória para sempre.

Os mais jovens ensinando aos mais velhos (inclusive nossos jovens “eus” cutucando os velhos de agora)

Para pegar na locadora: EDUKATORS (Die fetten Jahre sind vorbei)

Nota 9

Quando assisti a EDUKATORS pela primeira vez, no cinema, provavelmente em 2004, o que me saltava aos olhos era a questão ideológica. Os jovens anticapitalistas lutando contra as injustiças de um mundo desigual, de uma maneira pacifista e bastante criativa — ou “didática”, como supunham.

Eu própria me via fazendo o mesmo.

No último domingo assisti ao filme de novo (ou à metade final dele), pela terceira vez, no canal Futura, e achei curioso que outras coisas tenham me chamado mais a atenção na história do que o fator político propriamente dito.

Não sei se estou menos politizada de lá para cá (é possível) ou se estou mais aberta a olhares de mundo menos unilaterais (também provável). Embora tudo, em última instância, seja político, o mundo comporta mais matizes que, quando eu era mais nova, deixava escapar.

Desta vez me chamou a atenção, por exemplo, o valor de uma amizade que suporta até as piores traições, em nome de uma lealdade acumulada, muito mais importante.

Também me emocionou ver uma história de “amor livre”, e de como as questões do coração se sobrepõem a todas as demais.

E como é mágica a interferência que o convívio com jovens causa nos mais velhos, pelo simples desengavetamento de memórias. Necessário ter esse convívio com os mais jovens, de tempos em tempos (e nem precisam ser duas pessoas separadas por um abismo geracional: o simples convívio com alguém, digamos, quatro anos mais novo, que está pisando pela primeira vez em um local de trabalho, já é revigorante para o colega quatro anos mais velho, desde que este não seja nem arrogante nem preconceituoso).

Por fim (ao menos para este post), me saltou aos olhos a necessidade que todos temos de ter um refúgio no meio do mato, na mais longínqua montanha, para nos encontrarmos, nos revigorarmos desse mundo doido — mas não necessariamente mudarmos de vez. “Na Natureza Selvagem” levou essa lógica ao extremo, Edukators a mostra pelas beiradas, mas com conclusão semelhante.

Não quero estragar a graça do filme com todas as pequeninhas reflexões que surgiram desta segunda vez. O importante é que, seja como for, ele sempre foi um bom filme de se ver.

O sistema financeiro e a bomba atômica

Texto de José de Souza Castro:

Quando eu coordenava o jornalismo numa rádio de Belo Horizonte, só havia um assunto tabu – a crítica ao Sistema Financeiro Nacional em geral e aos bancos em particular. A crítica era proibida porque o dono da rádio era também dono de banco. Mais tarde, quando já havia sido desligado desse emprego, o banco teve que ser vendido para não ir à bancarrota, mas o proprietário continuou dono da rádio.

Esses longos oito anos de interdição a um assunto de grande interesse público me levaram, nos anos seguintes, a escrever muito sobre bancos, inclusive neste jovem blog. Volto a escrever, depois de ler neste domingo dois artigos.

O primeiro, de Clóvis Rossi, chamando atenção para a crise do sistema financeiro, exemplificada pelos prejuízos do banco norte-americano JPMorgan, provocados por investimentos de mais de 100 bilhões de dólares em produtos arriscados “que estiveram no centro da crise financeira de 2008”, conforme o “Financial Times”. O JP Morgan, concluiu Rossi, “ainda tem em suas entranhas os tais ativos tóxicos que foram a verdadeira causa da crise”.

O segundo, escrito pelo cientista político Stephan Bogdan Salej, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, também trata da crise bancária e acrescenta um dado preocupante ao caso do JPMorgan Chase, não propriamente em relação ao prejuízo, mas ao fato de que o banco usou tecnologias que estão fora do controle das autoridades monetárias. Escreveu:

“O problema não é só o comportamento irresponsável do presidente do banco, que além do mais faz parte do conselho de administração do Banco Central de Nova Iorque, mas a falta do controle do governo norte-americano sobre o sistema bancário. Ou, se quiserem, também do espanhol, onde o terceiro maior banco do país, dirigido por ex-ministro da economia, quebrou e foi nacionalizado. Os bancos usam sistemas tão sofisticados que beiram cada vez mais a uma loteria do que a um negócio que deveria trazer a segurança aos seus clientes e ao país.”

Salej acrescenta que os governos têm dificuldades para controlar o sistema financeiro, que valoriza o jogo e os ganhos e não uma relação financeira que produza resultados para todos. “É um perigo para o mundo muito maior do que a bomba atômica”, concluiu, referindo-se provavelmente ao fato de que depois daquelas primeiras bombas atômicas lançadas sobre o Japão, elas não mataram mais ninguém, enquanto as sequelas da crise do sistema financeiro ameaçam de morte milhões de pessoas mundo afora.

Música para os casais que brigam muito

Enquanto minha inspiração não vem (ela sumiu desde quinta), deixo vocês com uma musiquinha muito divertida, que compara os sotaques americano e britânico e simboliza as pequenas diferenças entre casais, que podem levar à separação ou à adaptação…

Ela foi escrita por George Gershwin e a versão abaixo é do maravilhoso duo Ella Fitzgerald e Louis Armstrong:

A música foi composta para o filme “Shall We Dance”, de 1937, e foi cantada pelo casal Fred Astaire e Ginger Rogers, que, além de terem vozes maravilhosas, sabiam dançar sobre patins sem perder a elegância! Bons tempos do cinema.

Segue o trechinho em que cantam a música e patinam:

Que sirva de inspiração aos casais mundo afora. Eu sempre disse para minhas amigas aconselhadeiras: todo par é separado por diversas diferenças — e é bom que seja assim –, que não vão mudar com o tempo. Algumas nós consideramos defeitos, outras são qualidades. E o mesmo acontece com nossas características, as quais muitas são graves defeitos para o outro. Mas apenas quando os defeitos são intoleráveis é que devemos “call the whole thing off” (ou acabar com tudo isso). Os demais podem ser ajustados para o bem da convivência, “porque sabemos que precisamos um do outro” 😀