Para refletir

Em tempos de Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn, Flickr, Formspring, Foursquare, Google+, Waze, blogs, WhastApp etcccccccccccccc, vale a pena pensarmos nesta ótima charge que o Liniers publicou em novembro e guardei com carinho para compartilhar aqui no blog:

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Quanto mais Facebook, mais infelizes somos (ou não)

homodigitalis

Quanto mais usamos o Facebook, mais infelizes e solitários nos sentimos.

Quem diz isso não sou eu, mas um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Michigan e muito bem relatado em reportagem de Eduardo Graça, publicada pela “Carta Capital”.

Os argumentos desfiados na matéria são, em resumo:

  1. a rede social estimula o isolamento e os seres humanos se sentem mais felizes quando se encontram, fisicamente, com outros seres humanos (os “amigos” de verdade);
  2. a rede social estimula os ciúmes e são reais os casos de separação a partir de uma traição “virtual”;
  3. a rede social estimula a comparação com uma vida editada pelas pessoas de modo a parecer sempre sensacional e, consequentemente, leva à inveja (inclusive daqueles que genuinamente amamos e admiramos);
  4. a rede social estimula outros problemas como preconceito, bullying, polarização de ideias etc.

Ao ler a reportagem, fiquei cheia de pulgas atrás da orelha e com uma única certeza: todos os estudiosos de comunicação do mundo devem estar debruçados sobre o Facebook e outras redes sociais, pensando a respeito de suas causas, consequências e impactos, e ainda com teorias inconclusivas a respeito das utilidades, vantagens, desvantagens, perigos, problemas etc. A questão da privacidade e da mercantilização dos nossos dados pessoais está lá, e acho que é o problema mais evidente da rede. Mas também é fato que o email está desaparecendo e que, hoje, a maioria das pessoas opta pelo Facebook para se comunicar — por enquanto, até que surjam substitutos, como o WhatsApp, Instagram e outros, que serão sempre substitutos, com uma mesma essência. Seja qual for a conclusão de pesquisas como esta da Universidade de Michigan, para mim é certo que muito do que vivenciamos nas redes sociais, de bom e de ruim, depende da forma como nos expomos nelas e de como as usamos.

A experiência que eu tenho lá provavelmente é totalmente diferente da que você tem. Para ilustrar: eu não deixo nenhum dos meus posts abertos a quem não for autorizado a vê-los (os que adicionei como “amigos”), não adiciono quem não conheço, cerca de 70% dos adicionados são contatos profissionais e cerca de 50% dos meus posts são divulgação do que escrevo neste blog. Por outro lado, há os que saem adicionando qualquer um, deixando a vida toda exposta, mesmo a quem não tem Facebook, usam a rede para xingar o ex-namorado e postam fotos do cachorro que apanhou da dona a 567 km de distância.

Eu sou mais ou menos infeliz do que essa pessoa, em meu uso da rede social? Não faço ideia, mas procuro usá-la mais para comunicar do que para sociabilizar, e acho que isso — e o que advém disso, que é, dentre outras coisas, a comparação com a vida (editada) alheia — acaba fazendo alguma diferença no grau de importância que damos ao que é colocado ali.

Enfim, como eu já disse, isso é e será tema de dezenas de dissertações e teses pelo mundo afora, porque é uma realidade que já está posta, e só nos resta refletir a respeito. No fim da reportagem, cuja leitura recomendo, um pesquisador da Universidade de Nova York tira uma conclusão que fez muito sentido para mim:

“As sociedades tendem a se apropriar das tecnologias e usá-las de modo utilitário, reflexo de suas próprias necessidades. O livro foi tanto uma resposta quanto um alavancador do nascente individualismo. Os filmes são uma consequência e retrato direto da sociedade de massas. Seria mesmo um acidente o Facebook e afins, com sua ênfase em uma rede de ‘amigos’, termo largamente reduzido ao histórico da carreira profissional e às preferências de consumo, se tornarem a escolha preferencial de comunicação da sociedade neoliberal globalizada? Simples assim: temos o tipo de comunicação que merecemos.”

E aí: vocês acham que merecemos o Facebook? Deixem sua opinião sobre esta polêmica-sem-respostas-certas 😉

***

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Geração Robocop

[Compartilhe pelo: Facebook/Twitter/Youtube]

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“Parem o mundo que eu quero descer!”

Esta foi minha reação, ontem, ao ler matéria que dizia que, se eu fizer um coraçãozinho com as mãos diante de qualquer objeto, os óculos do Google vão imediatamente compartilhar nas redes sociais que eu curti aquele objeto.

Por enquanto, isso existe só na patente do Google Glass, mas essas tecnologias vestíveis estão a um pulo de se tornarem concretas em nosso cotidiano. Imaginem que, há dez anos, era inimaginável a cena de todas as pessoas numa mesa de bar postando tópicos no Facebook, via smartphone, em vez de interagirem com seus amigos. Hoje isso existe em cada esquina. Os smartphones estão cada vez mais rápidos, conectados e inteligentes.

O futuro próximo, de dez anos ou menos, será o seguinte: pessoas com óculos e relógios superinteligentes, tirando fotos com um movimento discreto do corpo e compartilhando as coisas com um gesto de mão. Breguíssimas mãos em formato de corações serão vistas a todo instante. Pior: aplicativos de reconhecimento facial serão banais e será possível identificar seu interlocutor na rua — qualquer que seja ele — apenas olhando em sua direção. Informações que ele possuir na internet serão compiladas pelo computador e catalogadas diante dos seus olhos. Aquelas fotos dele no Facebook aparecerão diante de você, com a data em que ele se casou e a escola onde o filho dele estuda.

Piração? Pelo rumo que as coisas estão tomando, não. Será o fim da privacidade e da possibilidade de ser anônimo no mundo. Parem, eu quero mesmo descer!

Tudo isso nos leva a uma reflexão mais profunda. Quem viverá por mais tempo nesse mundo? Nossos filhos e netos. Então, tudo o que compartilhamos deles, enquanto ainda são crianças e não podem escolher, poderá ser usado contra eles no futuro. A foto fofinha do seu bebê, que você orgulhosamente mostra a seus amigos e parentes no Facebook poderá ser vista por alguém com um “smartglass” quando seu bebê já estiver procurando um emprego. E ele nem terá tido a chance de optar por uma exposição menor, porque seus pais e tios já o terão exposto há décadas.

Ah sim, e todas essas imagens, comentários e informações sobre as pessoas ainda poderão ser livremente usados por grandes empresas em seus anúncios — sem que você e seu filho ganhem nem um tostão por isso.

Foi pensando nisso que Ryan McLaughlin resolveu tomar uma atitude drástica: deletou toda e qualquer imagem de seus filhos de sites públicos. Ele traz vários de seus argumentos e justificativas NESTE ARTIGO, que vale muito a pena ser lido, ao menos para nossa reflexão/piração.

OK, tudo isso é ainda uma grande hipótese sombria que se descortina. Também haverá investimentos bilionários na proteção de dados, porque haverá grande demanda para eles. Mas, ainda assim, acho que estamos caminhando para uma inexorável superexposição de anônimos. Um cenário sombrio, de filme de ficção científica trash. E uma situação em que teremos muito pouco controle sobre nossas próprias imagens. Ah sim, e com mãozinhas em formato de coração, por todos os cantos.

Sério, parem o mundo, eu preciso descer!  :-O

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15 passos para proteger suas informações no Facebook

Continuando o post de ontem, resolvi fazer uma lista de dicas para proteger as informações pessoais no Facebook.

Imagino que sejam óbvias para a maioria das pessoas, mas acho que podem ser úteis para outras tantas. Ontem mesmo um colega disse que não sabia que era possível regular o que os outros postam em seus próprios murais com link para a gente (aquelas fotos horríveis que as pessoas sem coração colocam da gente só porque elas saíram impecáveis ao lado ;)).

Seguem algumas coisas básicas:

1) Primeiro: em seu perfil, no cantinho superior direito, tem uma caixa escrito “ver como…”. Clicando nela, será possível você descobrir como o público em geral acessa seu Facebook, ou seja, quais informações da sua página — fotos, frases no mural, detalhes sobre você — estão abertas para qualquer um que entrar no Facebook, mesmo aqueles que não são seus amigos ou nem têm conta na rede social. Esse é o primeiro passo para que você leve um susto sobre tudo o que andou deixando à vista de todos até hoje ou se certifique de que está tudo devidamente protegido. A minha página, por exemplo, só permite a estranhos saber que nasci em Beagá, moro em São Paulo e sou do sexo feminino. Só. Xô, xeretas! 😀

2) Para mudar realmente o que está sobrando na sua página, clique lá na setinha mais ao alto, no cantinho superior extremo da direita. Vá primeiro em “configurações da conta”. Aí você pode alterar seu nome (não precisa deixar à disposição de todos seu nome COMPLETO, porque isso só facilita aos xeretas te encontrarem).

3) Clicando em “configurações de segurança”, no lado esquerdo, pode ativar mecanismos de conferência de dados para dificultar que alguém tente invadir sua conta.

4) Em “assinantes”, você deve DESMARCAR a opção de permitir assinaturas, caso ela esteja marcada. Os assinantes são desconhecidos, que não precisam de permissão para ser seus amigos e podem, mesmo assim, receber atualizações de tudo o que você posta.

5) Lá naquela setinha do canto superior direito, escolha agora a opção “configurações de privacidade”. No campo “controlar sua privacidade padrão”, escolha “amigos”. Assim, somente quem você autorizou que seja seu amigo poderá ler o que você escreve normalmente.

6) Na hora de postar algo, você pode mudar essa configuração padrão SÓ DAQUELA VEZ. Para isso, basta clicar na caixinha ao lado de “publicar” e escolher, por exemplo, que aquele post pode ser público, ou que só deve aparecer para pessoas escolhidas de forma personalizada.

7) De volta às configurações de privacidade, clique em “como conectar” e defina para quem seu email e telefone pode ser exibido e se todos estão autorizados a enviar uma mensagem para você e a pedir para ser se amigo ou não. (Não vejo problemas em ter essas duas coisas abertas para “todos”. Afinal, você pode simplesmente não autorizar o pedido de alguém para ser seu amigo, mas a graça do Facebook é justamente permitir que potenciais amigos te descubram na rede).

8) No campo “Perfil e Marcação”, sugiro que deixe apenas “amigos” publicarem em seu mural e ver o que os outros publicaram. Afinal, desconhecidos ainda têm a opção de te enviar uma mensagem, se for o caso. Importante: ATIVE a opção “analisar publicações em que você foi marcado antes de serem exibidas no seu perfil”. Assim, não corre o risco de algum amigo postar um segredo sobre a sua vida e todos lerem antes de você ter tempo de apagar. Inclusive amigos desse amigo que você nem conhece.

9) Na opção “limite o público para publicações passadas”, tudo aquilo que você publicou e que estava marcado para que todo mundo pudesse ver será automaticamente trocado e só os amigos poderão ver. Você também pode trocar um a um desses casos, acessando sua página e clicando no simbolozinho que aparece logo ao lado da data de publicação de cada post.

10) Em “gerenciar bloqueio”, é possível bloquear usuários e aqueles convites irritantes para eventos malas ou para adicionar aplicativos idiotas (eu não tenho nenhum aplicativo, diga-se), tipo “Meu Calendário” e afins.

11) Agora acesse seu perfil e clique em “Informações”. Ali você pode editar cada um dos campos (por exemplo, “Trabalho”) e escolher exatamente o que é visível para quem. Por exemplo, apenas meus amigos sabem onde trabalho e onde já estudei. Minha sugestão é que NADA fique disponível ao público.

12) Clique em “Fotos” e faça o mesmo: bloqueie TODAS as suas fotos para o público. Deixe abertas apenas para amigos ou para pessoas específicas.

13) Não adianta nada você restringir suas informações aos amigos se você é do tipo que adiciona qualquer um como amigo e tem centenas e milhares de pessoas nessa categoria. Seja seletivo. Selecione apenas pessoas em que confie e que conheça bem.

14) Mesmo depois de tomar todas essas medidas de precaução, NUNCA publique informações muito pessoais, como endereço, telefone residencial, cada passo que dá, cada lugar para onde está indo, informações muito particulares de pessoas do seu círculo etc. Você pode ter adicionado algum “amigo virtual” que não é tão amigo assim e pode se aproveitar dessas informações ou, o que é mais comum, algum dos seus amigos pode deixar escapar essa informação de forma inadvertida. O importante é que tudo o que é escrito e publicado na internet, por mais restrito que esteja, está sujeito a ser descoberto por algum xereta. Basta um ctrl+C da sua linha do tempo e um ctrl+V no email de alguém, por exemplo…

15) Depois de feitos todos esses passos, volte a acessar aquele local do item 1 e certifique-se de que o público em geral não terá acesso a NADA da sua vida, nem foto, nem texto do mural, nem informação básica. Se algo ainda tiver escapado — por exemplo, uma publicação de mural que não deve ser lida pelo público –, mude o status dessa publicação ou as definições do seu perfil.

PS. Fiquem à vontade para acrescentar outras dicas e sugestões de segurança aí nos comentários. Estas são só as mais básicas mesmo, que fiz agora rapidamente numa primeira olhada no meu próprio perfil de Facebook 😉