Quanto mais Facebook, mais infelizes somos (ou não)

homodigitalis

Quanto mais usamos o Facebook, mais infelizes e solitários nos sentimos.

Quem diz isso não sou eu, mas um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Michigan e muito bem relatado em reportagem de Eduardo Graça, publicada pela “Carta Capital”.

Os argumentos desfiados na matéria são, em resumo:

  1. a rede social estimula o isolamento e os seres humanos se sentem mais felizes quando se encontram, fisicamente, com outros seres humanos (os “amigos” de verdade);
  2. a rede social estimula os ciúmes e são reais os casos de separação a partir de uma traição “virtual”;
  3. a rede social estimula a comparação com uma vida editada pelas pessoas de modo a parecer sempre sensacional e, consequentemente, leva à inveja (inclusive daqueles que genuinamente amamos e admiramos);
  4. a rede social estimula outros problemas como preconceito, bullying, polarização de ideias etc.

Ao ler a reportagem, fiquei cheia de pulgas atrás da orelha e com uma única certeza: todos os estudiosos de comunicação do mundo devem estar debruçados sobre o Facebook e outras redes sociais, pensando a respeito de suas causas, consequências e impactos, e ainda com teorias inconclusivas a respeito das utilidades, vantagens, desvantagens, perigos, problemas etc. A questão da privacidade e da mercantilização dos nossos dados pessoais está lá, e acho que é o problema mais evidente da rede. Mas também é fato que o email está desaparecendo e que, hoje, a maioria das pessoas opta pelo Facebook para se comunicar — por enquanto, até que surjam substitutos, como o WhatsApp, Instagram e outros, que serão sempre substitutos, com uma mesma essência. Seja qual for a conclusão de pesquisas como esta da Universidade de Michigan, para mim é certo que muito do que vivenciamos nas redes sociais, de bom e de ruim, depende da forma como nos expomos nelas e de como as usamos.

A experiência que eu tenho lá provavelmente é totalmente diferente da que você tem. Para ilustrar: eu não deixo nenhum dos meus posts abertos a quem não for autorizado a vê-los (os que adicionei como “amigos”), não adiciono quem não conheço, cerca de 70% dos adicionados são contatos profissionais e cerca de 50% dos meus posts são divulgação do que escrevo neste blog. Por outro lado, há os que saem adicionando qualquer um, deixando a vida toda exposta, mesmo a quem não tem Facebook, usam a rede para xingar o ex-namorado e postam fotos do cachorro que apanhou da dona a 567 km de distância.

Eu sou mais ou menos infeliz do que essa pessoa, em meu uso da rede social? Não faço ideia, mas procuro usá-la mais para comunicar do que para sociabilizar, e acho que isso — e o que advém disso, que é, dentre outras coisas, a comparação com a vida (editada) alheia — acaba fazendo alguma diferença no grau de importância que damos ao que é colocado ali.

Enfim, como eu já disse, isso é e será tema de dezenas de dissertações e teses pelo mundo afora, porque é uma realidade que já está posta, e só nos resta refletir a respeito. No fim da reportagem, cuja leitura recomendo, um pesquisador da Universidade de Nova York tira uma conclusão que fez muito sentido para mim:

“As sociedades tendem a se apropriar das tecnologias e usá-las de modo utilitário, reflexo de suas próprias necessidades. O livro foi tanto uma resposta quanto um alavancador do nascente individualismo. Os filmes são uma consequência e retrato direto da sociedade de massas. Seria mesmo um acidente o Facebook e afins, com sua ênfase em uma rede de ‘amigos’, termo largamente reduzido ao histórico da carreira profissional e às preferências de consumo, se tornarem a escolha preferencial de comunicação da sociedade neoliberal globalizada? Simples assim: temos o tipo de comunicação que merecemos.”

E aí: vocês acham que merecemos o Facebook? Deixem sua opinião sobre esta polêmica-sem-respostas-certas 😉

***

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9 comentários sobre “Quanto mais Facebook, mais infelizes somos (ou não)

  1. Isso vai mesmo de como a pessoa usa a rede.Eu acho que faltaram na pesquisa alguns aspectos positivos. Eu, por exemplo, não consigo ver todas as pessoas com a regularidade que gostaria, mas a rede encurta a distância, não deixa a gente se perder completamente. Gosto de dividir histórias, de ler o que essas pessoas contam. Claro que não substitui o contato “real”, mas claro também que ninguém consegue encontrar todos os amigos todos os dias ou uma vez por semana para colocar o papo em dia. Enfim, vai render muita tese para os estudiosos não só da comunicação, mas da sociologia, da psicologia e das relações humanas em geral.

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  2. No facebook ou em quaisquer outros meios de comunicação virtual, criamos uma predisposição mutua que faz com que nos tornemos zelosos do bem estar daqueles que se encontram do outro lado da tela.

    Esta interatividade virtual é muito interessante pois torna-se uma troca de conhecimentos e um entrelaçar de culturas, opiniões e comentários. Tornamo-nos muito mais comunicativos, apuramos melhor nossos sentidos e expomos mais nossos pensamentos.

    Recebemos rapidamente informações daquilo que se passa no outro lado do mundo ou mesmo de algo que acontece na rua, no bairro, na cidade ou no estado vizinho.

    Através destes meios virtuais, também nos relacionamos com aqueles amigos e familiares que não conseguimos encontrar fisicamente no dia a dia com a frequência desejada, demonstrando serem uma extensão positiva da vida real.

    Até os idosos agradecem estes novos e poderosos meios de comunicação para se encontrarem com seus amigos e conhecidos e também para angariarem novas amizades virtuais.

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      • No meu ver faz falta um investimento profundo na Educação e Cultura desta Nação!
        A infraestrutura escolar está decadente e ultrapassada. Cerca de 20% dos docentes da educação básica e 50 % do ensino médio público não têm formação superior e existem muitos professores universitários sem graduação. Os métodos de ensino estão desatualizados. Os salários são baixos.
        Podem estudar muitos problemas na academia, mas enquanto a Educação não estiver solucionada existirão cada vez mais crises de violência tanto nas redes sociais como na sociedade civil urbana e rural.

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