
Outro dia um conhecido postou o seguinte comentário em sua página de Facebook:
“Um professor meu da escola de teatro morreu há mais de um ano. Hoje seria seu aniversário. Até o momento, 170 pessoas já deram parabéns. Rolou também “sucesso!”, “saúde” e “tudo de bom nessa vida, querido!”. O mundo está mesmo muito esquisito. :( ”
Na hora, me ocorreu o seguinte: nesse mundo virtual em que vivemos, as pessoas não sabem nem que as outras, ditas “amigas” de Facebook, já morreram há um ano. Quando eu morrer, quero que meus “perfis virtuais” morram comigo.
E lembrei de um texto de Luli Radfahrer, publicado na “Folha” da última segunda-feira, que pode ser lido AQUI. Ele fala de sites e aplicativos que já existem para cuidar do nosso “legado digital”. Diz ele que já existem até sites que guardam a voz e amostras de DNA dos falecidos. Também há os que mandam mensagens póstumas a amigos — o que, por mais lúgubre que seja, também tem um toque especial, que o “Future Me” já garantia. Também já existe um Cadastro Nacional de Falecidos, cuja criação eu noticiei em 2008.
Seja como for, acho muito doido abrir a página de Facebook (ou outra rede social qualquer) de uma pessoa morta e encontrá-la transformada em um mausoléu, com pessoas desejando seu “descanse em paz”. Mas mais bizarro ainda é ver que alguém recebeu 170 mensagens de pessoas desejando “muitos anos de vida”, um ano depois de sua morte. Faz pensar em quão sinceros são esses cumprimentos que recebemos em nossos dias de celebração…
Também me fez lembrar de um caso, contado por uma colega, de uma pessoa que resolveu fazer um experimento: criou uma página falsa de Facebook, com direito a foto de perfil, data de aniversário, e bastante interatividade com outras pessoas, que “aceitavam sua amizade” sem qualquer cerimônia. Quando o perfil falso “fez aniversário”, recebeu dezenas de mensagens do nível de “parabéns, querida!” pra cima. Fica a pergunta: as pessoas são falsas ou simplesmente não se preocupam mais com quem são as gentes de carne e osso por trás de um IP? E qual nosso nível de segurança diante da facilidade que temos para nos relacionarmos com completos desconhecidos ou personagens de ficção?
Sei lá. A reflexão sobre todo esse turbilhão de novidades tecnológicas em que vivemos dá muito pano pra manga. E o mais interessante é que foi desencadeada pelo comentário do meu caro amigo de Facebook — mas… de onde é mesmo que eu conheço ele?





Deixe uma resposta