‘The Big Sick’: é preciso rir para poder bem chorar

Vale a pena assistir: DOENTES DE AMOR (The Big Sick)
Nota 8

Eu fico doente com as traduções dos nomes de filmes no Brasil. Alguns conseguem manter uma certa dignidade, mas casos como de “Doentes de Amor” são (des)exemplares. Me vêm à cabeça imediatamente as tirinhas do Liniers sobre “o senhor que traduz os nomes dos filmes”:

Só nos resta rir, não é mesmo? “The Big Sick” virou “Doentes de Amor”. Isso sem falar em “Darkest Hour“, que virou “O Destino de Uma Nação”, e – horror dos horrores! – “Mudbound“, que virou “Lágrimas sobre o Mississippi”.

Mas sabe uma coisa que The Big Sick nos ensina de muito legal? Que devemos rir até nos momentos de maiores desgraças. Que o humor alivia a barra pesada, embora nem sempre seja possível recorrer às piadas nas horas de tristeza. Mas, quando for possível, tudo bem fazer isso.

Esse filme foi catalogado como comédia, mas também drama e romance. E é um pouco disso tudo mesmo: uma história de amor tragicômica – como boa parte das histórias de amor reais. Vale dizer que foi só no fim do filme que me dei conta de uma informação que boa parte das resenhas já divulgava livremente: que o filme é baseado em uma história de amor real. Que seu roteirista e protagonista, Kumail Nanjiani, interpreta ele mesmo: um paquistanês que mora nos Estados Unidos, tenta ganhar a vida como comediante, mas sua família quer que ele mantenha as tradições muçulmanas e de seu país de origem, pelas quais ele simplesmente não se interessa. No meio do caminho, conhece Emily – americana, loira, branca, não-muçulmana –, que confunde ainda mais seus sentimentos e convicções. Não bastasse essa excelente história de amor a la Romeu e Julieta, Emily entra em coma.

A Emily do filme é baseada na esposa real de Kumail, a escritora Emily V. Gordon, que assina com ele o roteiro do filme, indicadíssimo ao Oscar. O roteiro é tão forte e a história é tão bem contada que foi disputado a tapa por nada menos que Sony, Focus Features, Netflix e Amazon – sendo que esta acabou levando os direitos de distribuição por US$ 12 milhões. (O roteiro de “Corra!” levou a melhor no Oscar, e era realmente outra história arrebatadora. Páreo duro.)

Ainda é bem legal o elenco do filme, com os veteranos Holly Hunter e Ray Romano (de Everybody Loves Raymond) em papéis cruciais. Trata-se de uma verdadeira homenagem ao universo do humor, ainda que num pano de fundo de grandes questões dramáticas, como religião, conflitos familiares, doenças, traição etc. Afinal, são as tristezas da vida os maiores combustíveis para o humor, não é mesmo?

Assista ao trailer do filme:

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Os livros e seus cenários mágicos

Outro dia recebi pelo WhatsApp uma daquelas brincadeiras que circulam de vez em quando, tipo ESTA. A pergunta era:

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Quando fui parar pra pensar, me espantei com os últimos cenários que percorri por meio dos livros:

no atual, estou numa África do Sul colonial, em regiões bastante inóspitas, com elefantes, tribos selvagens e muita aventura. Também acabo de passar por Omã, na Península Arábica.

Antes, estive em Lima e Piura, no Peru. Um calor danado, mas pouco do cenário é descrito para mim: a atenção do autor é mais concentrada nos personagens.

Fui percorrendo minha relação de livros lidos e pela primeira vez me dei conta da importância relativa do cenário em cada um deles. Em alguns, como este que estou lendo agora, o local onde se desenrola a história é essencial, é praticamente um personagem extra no livro. É comum que isso aconteça em livros de aventura, onde os personagens passam grandes perrengues no trajeto que escolheram. Já em outros livros, a gente nem é informado sobre onde se passa a história. O autor nos leva para a cabeça do personagem, ou para o núcleo da família, e nada mais parece interessar muito.

Voltei a pensar nisso, ao ver a série de tirinhas que Liniers tem colocado em seu Macanudo nos últimos dias, mostrando as viagens que Enriqueta faz a cada leitura:

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Esta é uma das grandes delícias da leitura (principalmente de ficção): você ser transportado a cenários desconhecidos, inóspitos, loucos, históricos, inimagináveis. Ou a uma Paris trivial do século 21, mas que até hoje só conheço pela literatura e pelo cinema.

E você: por onde andou em suas últimas leituras? 

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Para refletir

Em tempos de Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn, Flickr, Formspring, Foursquare, Google+, Waze, blogs, WhastApp etcccccccccccccc, vale a pena pensarmos nesta ótima charge que o Liniers publicou em novembro e guardei com carinho para compartilhar aqui no blog:

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