A importância do amor para uma sociedade mais humana, igualitária e justa

Foto: Tim Marshall / Unsplash

Recentemente publiquei um texto da Beatriz Herkenhoff aqui no blog, sobre inclusão. Ela gostou e enviou outro, pedindo publicação. O tema desta vez também é importante: o amor. Estamos precisando de mais amor e menos ódio nesta sociedade, né? Num país em que o próprio presidente da República incita o discurso do ódio, prega o uso de armas e espalha mentiras sem nenhum pudor, o amor se faz ainda mais urgente.

Neste texto, ela fala de várias formas de amor: o romântico, o materno, o amor-próprio, o amor pela sociedade e pelo planeta em que vivemos. Vale a reflexão!

Beatriz é assistente social e professora aposentada pela Universidade Federal do Espírito Santo. Também tem doutorado em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e publicou o livro “Por um triz: Crônicas sobre a vida em tempos de Pandemia”, em 2022. Leia o texto dela a seguir.


 

O amor transforma e liberta

Foto: Nick Fewings / Unsplash

 

“Temos uma tendência a reproduzir o amor que recebemos ou que não recebemos. Entretanto, muitos foram abandonados e também conseguiram dar a volta por cima e amar lindamente.

Perder o pai quando tinha seis anos levou-me a amar de forma limitada. Ao ter medo de ser abandonada, dava mais do que recebia, e acabava entrando em relacionamentos para ‘salvar o outro em sua história de vida’. Claro que esse jeito de amar acabou me machucando, e em muitos casos gerando o que eu mais temia: o sentimento de rejeição.

Teve momentos em minha vida em que a carência conduziu a minha forma de amar. E isso é muito perigoso. Envolver-se com o outro a partir de nossas carências pode causar graves problemas para nós mesmos.

Todas essas experiências de amor e desamor levaram-me a buscar terapia antes de ser mãe. A ajuda profissional foi fundamental para eu estabelecer com meu filho uma relação de amor na dinâmica da gratuidade e da liberdade. Criamos raízes e dei asas para voar.

Descobri também que eu não posso amar o outro se eu não me amo. Quando eu me coloco em primeiro lugar, assumo um compromisso ético com meus sonhos e desejos. Consequentemente, responsabilizo-me por minhas decisões. O outro deixa de ser o responsável pela minha felicidade ou infelicidade. E isso é muito libertador.

Como sou uma pessoa de fé, sinto-me limitada em minha capacidade de amar, por isso permito que Deus manifeste o seu amor através de mim.

E como sei se sou instrumento desse amor? Quando as minhas escolhas geram vida, quando produzo frutos do bem, quando toco o outro com minhas atitudes mais do que com o meu discurso.

Se eu soprar vida por onde passar é porque o Espírito de luz me conduz.

Nessa dinâmica, sou convidada a viver com simplicidade e desprendimento. Provocar serenidade, alegria, harmonia e paz em todos os espaços que ocupo. Sair da onipotência para amar em plenitude. Viver um amor com menos controle, expectativas e cobranças.

Como sou humana, preciso perguntar com frequência se sou intolerante, se a minha presença causa desconforto, medo e ansiedade. Dialogar com as sombras que existem em mim é uma forma de enfraquecê-las.

Por essas razões, tenho amado muito! Amado intensamente!

E essa permissão para viver o amor em suas diferentes formas e nuances tira o foco de um único amor. Estou vivenciando o amor erótico, materno, filial, de tia, de madrinha, de irmã, de sobrinha, de amiga, de militante comprometida com um país mais humano e democrático. Partilhando o amor com diferentes idades: com crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

Mas o amor só tem sentido se ele extrapola as paredes do meu eu. Se ele se expande para a coletividade, para aqueles que nada têm, para aqueles que vivem cotidianamente a injustiça, o desemprego, o abandono, a pobreza, a miséria, o desrespeito aos seus direitos humanos e sociais.

Nossa passagem por esse planeta perde o sentido se não partilhamos os dons que recebemos. Somos convidados a ter, no dia a dia, gestos concretos de solidariedade, de amor, de serviço ao próximo. Se muito recebemos, somos convidados a muito dar.

Tudo que escrevi sobre o cuidado nas relações afetivas, amorosas, sociais, culturais, familiares, espirituais perde o sentido se vivemos de forma egoísta, individualista, buscando apenas a plenitude pessoal.

O que construo ao meu redor deve refletir na qualidade de vida do nosso planeta, na construção de um mundo mais humano, igualitário e justo. A forma como amo possibilitará que eu faça a diferença nesse mundo.

E vocês? Como estão amando?

 


Você também escreve crônicas, poemas, contos, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog na seção dos leitores 🙂

 

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Por Cristina Moreno de Castro (@kikacastro)

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Redes sociais: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro e www.instagram.com/arvoresdascidades.

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