O caráter, o juízo, o legado

Para ver no cinema: O JUIZ (The Judge)
Nota 8

thejudge

Comecei a assistir ao filme sem saber nem do que se tratava, como gosto de fazer quase sempre. Faltavam dez minutos para começar, eu já estava ali mesmo, e era meu dia de folga. Só sabia do nome: “O Juiz”. Seria uma espécie de Law & Order? Filme de tribunal, com enredo à moda John Grisham? No começo, foi o que pareceu. Aos poucos, no entanto, fui descobrindo que trata-se mais de um filme de aceitação do passado, de retorno à família, de lembrança das origens. E de pais e filhos, ressentimentos, rancores, perdão, essa coisa toda. Como em “Nebraska“, sabem?

Não pensem que, ao enquadrá-lo em um modelo pré-formatado, estou querendo desmerecer “O Juiz”. De jeito nenhum. Uma vez enquadrado, o filme pode nos surpreender ou não. E “O Juiz” me surpreendeu em vários momentos.

Primeiro, que logo teremos um crime. E o julgamento desse crime vai tomar o filme todo. Mas, paralelamente a esse julgamento da Lei, haverá o julgamento do pai com o filho, e vice-versa. O julgamento dos homens, das famílias, das lembranças. E esses julgamentos paralelos vão te fazer chorar, se você estiver com o mesmo espírito sensível que eu. Chorei, chorei, chorei, como há tempos não me acontecia vendo um filme. Apesar desse drama todo, também dei boas risadas. Há momentos de dureza e há os de candura, como na vida de todos nós.

Eu e minha mania de querer escrever resenha de filmes contando o mínimo possível! Assim não dá. Mas é que sempre prefiro me surpreender com os filmes, e desejo a mesma preferência a quem chega aqui no blog. O que posso dizer mais? O juiz da história é interpretado por um monstro do cinema, ninguém menos que Robert Duvall, com quase 150 filmes nas costas. Seu filho, que será também seu advogado, é outro cara de que gosto muito, Robert Downey Jr, famoso por fazer papéis de super-heróis e Sherlocks, mas também por atuações tocantes como em O Solista. E os dois conseguiram arrancar de mim muitas reflexões.

Por exemplo:

Será que ninguém é passível de cometer o crime que o juiz cometeu, pelo motivo que ele cometeu? O que define o caráter de uma pessoa? O que é justiça, o que é justo? Será que podemos julgar os outros ao nosso redor, especialmente os que mais amamos, quando não agem conosco da forma como queríamos? E estamos prontos para aceitar o julgamento que fazem de nós?

Muitas vezes não adianta muito ter o melhor emprego, uma Ferrari na garagem, uma mulher com “bumbum de atleta do colegial”, uma filha maravilhosa e um salário com muitos dígitos, se não temos o bom juízo daqueles que consideramos “o” juiz. Ou se não deixamos um legado quando morremos.

Veja o trailer:

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