Mais um ano que acaba (e haja notícia!)

Salvador Dali

Salvador Dali

Rio das Ostras, fogos de artifício, mar azul. Marchinhas politizadas de Carnaval. Vejo todos os filmes do Oscar. Morre jornalista Santiago Andrade. Facebook compra aplicativo WhatsApp por US$ 16 bilhões. Morrem Philip Seymour Hoffman e Eduardo Coutinho. Carnaval. Avião da Malásia desaparece com 239 a bordo. Fui para o portal. Operação Lava-Jato revela esquema de corrupção na Petrobras e ex-diretor é preso. 29 anos de idade. Eu não mereço ser estuprada. Doença em família. Semana Santa no Ceará. Morre Gabriel García Márquez, José Wilker, Luciano do Valle. Férias on the road: São Paulo, Santa Catarina, Minas. Copa do Mundo. No Mineirão. Família ganha novo bebê. Tragédia em BH, viaduto cai, 2 morrem e 22 ficam feridos. Avião é abatido com 298 passageiros na Ucrânia. Revelado aeroporto que governo de Minas construiu para família de Aécio. Morrem Ariano Suassuna, Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro, Plínio de Arruda Sampaio. Vexame na Seleção, 7 a 1 pra Alemanha. Galo campeão da Recopa. Morre Robin Williams, captain, my captain. Morre Eduardo Campos, ressurge Marina Silva. Roger Abdelmassih é preso. Eu me casei. Ilha Grande, paraíso. Blog no Brasil Post. Fernando Pimentel é eleito no primeiro turno e põe fim a 12 anos de dinastia tucana em Minas. Eleições do ódio. Dilma é reeleita, com vitórias em Minas (onde Aécio governou), Rio (onde Aécio mora) e Pernambuco (de Eduardo Campos). Show de Luiz Melodia. Ineditamente, executivos de grandes empreiteiras são presos por oferecerem propina. Galo campeão da Copa do Brasil vencendo por 3 a 0 seu maior rival. Chaves morre, morre Manoel de Barros. Família ganha outro bebê. Perdi 7 kg sem perder a cabeçaEstados Unidos e Cuba se reaproximam após 53 anos. Morre Joe Cocker. Natal (e aniversário do blog). Serra do Cipó. Avião desaparece na Indonésia com 162 a bordo. Ano do ebola. Ano de crise hídrica sem precedentes.

Uma coisa que não faltou neste ano foi notícia, né? A matéria prima dos jornalistas esteve mais ativa que nunca.

Fora este parágrafo de retrospectiva, pessoal, nacional e mundial, eu também quero destacar um desafio que o “Brasil Post” propôs a seus blogueiros e que publiquei por lá nesta semana: eles perguntaram para quem tiro o chapéu e para quem enterro o chapéu bem fundo em minha cabeça neste 2014. CLIQUE AQUI para ver o que respondi 😉

E você, o que achou deste 2014? Quais fatos mais marcaram sua vida, pessoalmente ou não? Para quem você tira o chapéu neste ano?

Feliz ano novo! Que sua passagem de ano seja bem alegre e divertida e que 2015 seja um ano ainda melhor e mais agitado do que foi este 😀

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Minhas notas para a Copa do Mundo 2014

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Agora que a Copa acabou, é hora de fazer avaliações (e de sentir alguma nostalgia também, vai). O presidente da Fifa já deu nota 9,25 para o Mundial no Brasil, a Dilma já lançou o bordão “Copa das Copas“, e outros já tinham dito algo parecido, entre turistas e jornalistas do mundo todo. Os estádios, construídos ou reformados para o evento, também foram bem avaliados em geral.

Então é minha vez de dar notas também, eba! Vejam só minhas principais notas e as explicações entre parêntesis:

  • Copa do Mundo no Brasil = 10 (e o caos que todos alardeavam não houve!)
  • Seleção alemã = 10 (em todos os quesitos: qualidade em campo, simpatia, respeito aos brasileiros etc; mereceram o título e era previsível a surra que deram no Brasil — tanto que até eu previ 😀 )
  • Hospitalidade brasileira = 9 (-1 por cair em algumas provocações infantis)
  • Brasileiros nos estádios = 5 (-5 pelos imbecis vaiadores de hinos e de chefes de Estado)
  • Torcedores argentinos = 2 (-8 pelas provocações, alimentação de uma rivalidade que nem era bilateral, alimentação de ódio, desrespeito e cenas de racismo que vi ou foram noticiadas)
  • Seleção argentina = 7 (a campanha foi na base do sufoco, embora tenha jogado pau a pau com os alemães no tempo normal do jogo da final, desaparecendo na prorrogação; eles também entraram na provocação de sua torcida)
  • Messi = 6 (nem Maradona acha que ele merecia o prêmio de consolação que levou; a nota vai mais para a Fifa, no caso)
  • Seleção brasileira = 1 (maior vexame da história do futebol brasileiro)
  • Simpatia dos jogadores da Seleção brasileira = 9 (só perderam para os alemães nesse quesito porque saíram fugidos depois de levar 7 a 1)
  • Felipão = 1 (pelo menos chegou às quartas)
  • Paula Lavigne = 0 (atitude mais vergonhosa do que os 7 a 1 dos canarinhos)

Concordam com minhas notas? Quais são as suas? Coloque aí nos comentários 😉

CLIQUE AQUI para ler as notas para a Copa em Beagá (e no Mineirão), especificamente.

P.S. Propositalmente, abordei apenas o aspecto futebolístico nas notas acima. Não quero discutir problemas estruturais ou antigos do Brasil (como os que explicam a triste tragédia da queda do viaduto em Beagá, que tirou o gosto de festa da minha boca na fase final da Copa) num post sobre esporte.

Leia os outros posts sobre a Copa do Mundo:

O fim da Copa do Mundo, a vida em círculos e a crônica de Drummond

Este dia chegou. Não ia durar para sempre, né? Hoje, por volta das 18h, talvez um pouco mais, a depender de prorrogações e pênaltis (que espero não serem necessários para a vitória alemã), estaremos assistindo à entrega da taça e, vapt-vupt, poderemos decretar que não há mais Copa por uns bons quatro anos.

Eu até queria escrever uma baita crônica sobre os jogos dentro do Brasil, sobre a derrota épica da seleção de Felipão, sobre a hospitalidade dos brasileiros com os estrangeiros, sobre a provocação irritante dos argentinos (um dos motivos que me fez torcer contra eles nesta final), sobre o caos que não houve nos aeroportos, estradas e hotéis, sobre os protestos que também praticamente não existiram etc, mas acho que todo mundo já cansou de ler boas crônicas sobre o assunto — e, confesso, estou meio exaurida neste fim de Copa.

Então resolvi fazer o seguinte. Vou copiar e colar abaixo uma crônica de Dru-dru, o querido Carlos Drummond de Andrade, que saiu estampada na capa do caderno de Esportes do “Jornal do Brasil” em 7 de julho de 1982, depois que a incrível seleção de Telê Santana perdeu nas quartas de final para a Itália, na Copa da Espanha. E, para mostrar como a crônica dele continua atual, vou fazer apenas algumas modificações, quase cirúrgicas mesmo, as quais destacarei em negrito e itálico, para não restar dúvidas de qual parte é a paródia e qual é a crônica original. Ao final do texto, darei o link para quem quiser ler apenas o que o gênio de Itabira realmente escreveu.

Aí vai:

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“Perder, Ganhar, Viver

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia da suicida do Nepal e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada da presidente, que se preparava, como torcedora número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela sexta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…

Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.

Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção jogasse dentro do Brasil, apenas para pegar o caneco, como propriedade exclusiva e inalienável do país, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós jogamos aqui pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não estamos de mãos vazias porque não ganhamos a taça. Ganhamos alguma coisa boa e palpável, conquista da necessidade de renovação. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Alemanha não tinha obrigação de perder para o nosso time, nas condições em que ele está. [Frase cortada] Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.

Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Felipão e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como São Victor, o craque não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Felipão! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 2014 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.

E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?”

E é isso 😉 Vejam como quase não tive que mudar nada no texto. Adaptei uma coisa aqui, outra ali, mudei o trecho que dizia ser apenas uma questão de sorte — já que faltou mesmo foi talento para nossa atual Seleção e seu comandante –, e nem mesmo a parte das eleições, dos governistas versus oposicionistas precisou ser retocada. Até suicídio teve, vai entender! A impressão que tenho é que a vida anda em círculos, em ciclos finitos, que sempre se repetem, que permitem que um texto escrito em 1982 continue válido 32 anos depois. Com a diferença que, neste momento, estamos na entressafra de jogadores (quem nos dera ter Toninho Cerezo, Falcão, Luisinho, Sócrates e Zico na seleção atual) e de escritores (que falta faz um Drummond nos jornais do país!). E aí temos que nos virar com Fred, Júlio César e uma tal de Cristina, que só serve para parodiar 😀

Dito isto, CLIQUE AQUI para ler a crônica original do Dru-dru.

Leia mais posts sobre a Copa do Mundo:

“Eu Falei!” — o técnico dentro de cada um de nós

Já que agora é a hora de as pessoas se gabarem com o famoso “Já falei!!!”, de todo brasileiro dar uma de técnico e dizer o que deveria ter mudado no time da Seleção, de todo mundo achincalhar o Felipão e chamá-lo de burro, de alguns dizerem que o Neymar se livrou de uma, de os jogadores da Seleção terem encolhido de heróis para pessoas que saem fugidas da cidade e terem chorado muito, de a imprensa estar buscando palavras para explicar o vexame que era esperado só pelos cronistas esportivos mais sérios mas que era ignorado nas exaltações da Seleção pré-jogo, de os alemães estarem ainda de cara (e sorte nossa que a seleção alemã tirou o pé, ou teria sido uma derrota pior, de uns 10 a 1), de uns jurarem que tinham sonhado com uma derrota de 7 a 1, de as crianças — especialmente elas, as crianças, que mais gostam de Copas do Mundo — chorarem com a experiência de um sentimento novo, da humilhação/vergonha/vexame, de os mais ranzinzas dizerem “Agora vamos parar de nos preocupar com o circo e preocupar com o pão, blablablá”, como se fizesse algum mal torcer pelo país no maior evento de futebol do planeta e como se não pudéssemos torcer e ser críticos com outros problemas ao mesmo tempo, de a maioria das pessoas estar levando na esportiva, fazendo piadas e divulgando memes, embora tenha tido uns idiotas brigando ou incendiando ônibus, de tudo isso que vem acontecendo ao nosso redor desde o fim da tarde de terça-feira, venho, por meio deste, dizer que eu também “Já falei!” — e tenho provas 🙂

Segue o post que publiquei no Facebook em 16 de junho, depois de ver Brasil jogando contra México e Croácia, Holanda jogando contra Espanha (5 a 1, agora subitamente um placar menos vergonhoso), Colômbia e Grécia ao vivo, Inglaterra e Itália, Argentina e Bósnia, e tendo acabado de assistir à incrível Alemanha contra Portugal (4 a 0, também nada vergonhoso), dentre outros jogos:

“Tenho dó do Brasil se pegar a Alemanha. Jogando sem seu maior craque, já fez um artilheiro e goleou um time forte como Portugal. Parece que os alemães se multiplicam em campo, igual os clones naquele vídeo da Nike. Tem cem alemães para dez portugueses!”

E os comentários que fiz dentro do post:

“Se fosse pra avaliar só por um jogo, a final é Alemanha e Holanda. Mas claro que ainda tem muita água pra rolar.”

“Pq, de todos os jogos que vi, e foram quase todos, só a Alemanha e a Holanda jogaram brilhantemente.”

“Tô falando: se o Brasil jogar como tá jogando contra o México e pegar a Alemanha, vai ser um vexame muito grande!!!!!”

16junho

E é isso. Na verdade, praticamente não assisti ao jogo, porque estava trabalhando na hora. E porque perdi bastante do clima de Copa do Mundo desde a tragédia do viaduto, na quinta passada. Mas ainda gosto muito de futebol e posso dizer que entendo um cadim do assunto, né? 🙂 Agora, na final, vou torcer pela Alemanha, já que a Holanda não conseguiu passar, e espero que os alemães (que vêm sendo tão simpáticos com os brasileiros) promovam um maracanazo argentino também. E você, vai torcer por algo ou alguém? 😀

ATUALIZAÇÃO: Você viu o vídeo do vidente que, também em 16/6, falou que Neymar ficaria de fora, o Brasil seria eliminado com “um gol atrás do outro” e que só Argentina, Alemanha e Holanda teriam chance de ser campeões? CLIQUE AQUI para ver. Este sim foi ninja, hein 😉

Leia outros posts sobre a Copa do Mundo:

O primeiro jogo do Mineirão (e meu!) na Copa do Mundo

Eu estava toda triste porque trabalharia em praticamente todos os jogos da Copa, dentro da Redação, e, por isso, provavelmente não conseguiria assistir a nenhuma partida. Em 2010 eu já tinha perdido vários jogos, mas, neste ano, a tristeza era maior, por saber que haveria partidas bem aqui na minha cidade — coisa que eu jamais vou ver de novo, a menos que eu sobreviva mais outros 64 anos.

Até que li no jornal “O Tempo” que a Fifa tinha atualizado o número de ingressos vendidos e ainda havia mais 11.500 disponíveis, para vários jogos. Inclusive dois para o primeiro jogo da história do Mineirão em Copa do Mundo: Colômbia e Grécia, no único dia de folga absoluta, em que eu poderia ir. E inclusive no valor que estava mais barato, de R$ 60 (que, de mais a mais, tem sido o preço de ingressos para uma partida do Galo no Independência, por exemplo). Assim, eu poderia ter pelo menos um gostinho do que foi a Copa do Mundo no Brasil, com todos os seus sucessos e problemas.

Sugiro aos que têm vontade de assistir a um jogo e estão sem ingresso: fiquem de olho, porque acho que a Fifa ainda fará mais de suas “atualizações” nos próximos dias, e provavelmente haverá mais ingressos dando sopa por aí.

Abaixo, faço um breve relato e avaliação dos serviços necessários para se fazer uma Copa do Mundo. Alguns funcionaram, outros não. Mas todos os problemas me pareceram corrigíveis para os próximos jogos.

COMPRA DE INGRESSO

Todo o processo de compra é muito simples e eficiente: pela internet, com cartão de crédito, como se estivesse comprando uma passagem de avião. E olha que compramos faltando dois dias para o jogo. O site não estava lento, tudo funcionou bem. Depois, fomos ao Boulevard Shopping para retirar o ingresso e, de novo, foi muito tranquilo: não pegamos nenhuma fila, fomos direto ao totem onde se retira, e o processo todo não levou mais que cinco minutos (tanto que nem pagamos estacionamento). O ingresso vem com um envelope que traz informações úteis sobre as cidades-sede. E também com um guia só de Belo Horizonte.

Fotos: CMC. Clique sobre as imagens para vê-las em tamanho real

Fotos: CMC. Clique sobre as imagens para vê-las em tamanho real

ÔNIBUS PARA O ESTÁDIO

Tínhamos algumas opções: ir de carro, ir de BRT ou ir no ônibus que a BHTrans reservou para sair de cinco pontos da cidade e ir diretamente ao Mineirão, o Terminal Mineirão. Fomos no que saiu da Savassi. O processo todo de comprar a passagem, pegar a fila e ir no ônibus (podíamos optar por ir sentados ou em pé, e preferimos a segunda opção, por ser mais rápida) também levou cerca de 5 minutinhos. Havia um bom número de ônibus e a fila fluía muito bem naquele horário, às 11h.

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Fotos: CMC. Clique nas imagens para vê-las em tamanho real

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O ônibus era um coletivo regular da cidade, só que a preço de ônibus intermunicipal de luxo: R$ 15 ida e volta. Ou seja, a gente paga R$ 4,50 a mais do que uma passagem normal para andar no mesmo busão de todo dia, e indo em pé! O preço mais caro vale só por não ter paradas no caminho, o que tornaria a viagem mais rápida, mas, como vocês verão abaixo, a viagem foi lenta do mesmo jeito, por causa da ineficiência da BHTrans.

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O mais legal do ônibus Terminal Mineirão são os passageiros: um monte de gente animada, muitos colombianos, uma cantoria danada, um clima bom de quem está dando de ombros pro desconforto por estar feliz por ir para uma partida de futebol.

TRÂNSITO

O trajeto escolhido pelo ônibus da ida é o pior possível: passando pela Catalão, que estava congestionadíssima. A av. Carlos Luz tem três pistas e a BHTrans não só não reservou uma delas para os ônibus (o que seria o mais lógico a se fazer, inclusive para estimular as pessoas a quererem ir de transporte coletivo) como fez a coisa mais estúpida que já vi na vida: criou uma faixa para passagem de NENHUM veículo! Ou seja, ficou uma faixa fechada, a troco de nada, e a via que já é estreita passou a ter apenas duas faixas.

Faixa fechada para ninguém passar!

Faixa fechada para ninguém passar!

O resultado foi óbvio: o que era pra ser um percurso de meia hora, prometido pela BHTrans, virou uma viagem de 1h10. No final, ninguém do ônibus estava mais cantando ou bem-humorado: todos estavam olhando os relógios e pensando “vou perder o jogo”!

SINALIZAÇÃO PRECÁRIA

O ônibus não nos deixou na av. Fleming, como estava prometido, mas em uma rua pequena lá da Pampulha. Acho que por causa do horário, decidiram improvisar, parando mais perto do estádio, mas a consequência disso foi grave: não havia nenhuma placa de sinalização naquele lugar. A gente descia a pequena rua, caía em uma rua maior e ficava sem saber se deveria virar à esquerda ou à direita. Tivemos que contar com a boa vontade de um quiosque que vendia cerveja e água para nos informar e seguimos o fluxo de gente.

Ao chegar à av. Abrahão Caram, na porta do estádio, mais desinformação: não havia qualquer placa indicando para onde as pessoas deveriam se dirigir. Tivemos que pedir informação com um PM, que só deixava passar se estivesse com o ingresso em mãos (observação paralela: muita gente teve ingressos furtados na portinha do Mineirão, então é bom ficar esperto ao segurar o seu. Não deixe no bolso!).

Lá na porta do estádio, tivemos que pegar uma fila que não servia pra nada, porque desaguava num lugar aberto e, quem chegasse primeiro à catraca, entrava. Quando passei essa catraca eletrônica, os hinos das seleções já tocavam. Quando finalmente nos sentamos, o jogo estava prestes a começar. Dois minutos para as 13h.

Vale dizer que toda essa parte da sinalização é uma falha da Fifa, e não mais da Prefeitura de BH.

ESTRUTURA DO ESTÁDIO

O Mineirão propriamente dito está bem organizado, tinha uma porção de voluntários para ajudar a encontrar a cadeira numerada, e as cadeiras foram efetivamente respeitadas. Não faltou cerveja (R$ 10 a Brahma e R$ 13 a Bud), nem água (R$ 6), nem comida. As filas das lanchonetes fluíram bem quando estive lá, e também havia muitos carrinhos para vender comida e bebida. O banheiro que usei estava limpíssimo, com papel higiênico e papel-toalha. O sinal de internet pegou em praticamente toda a partida, com algumas falhas vez por outra.

E estava lotado! Vale um parêntesis para dizer como a torcida colombiana é alegre (como muitos já tinham percebido pela festa que eles fizeram na Praça da Savassi, na véspera). O público presente foi de 57.164 pessoas, quase todas vestindo amarelo (camisas da Colômbia ou do Brasil), vários com a camisa do Galo e um grupinho minúsculo torcendo pela Grécia.

JOGO

Ah, o jogo! Os colombianos bailaram em cima dos retranqueiros da Grécia, sendo que o primeiro gol já foi aos cinco minutos do primeiro tempo, disparado pelo melhor em campo, o  lateral Armero. A torcida inteira (mesmo um cruzeirense vestido de grego que estava ao meu lado) era para a Colômbia. O placar, de 3 a 0, foi até pouco.

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SAÍDA DO ESTÁDIO

Mais desinformação. Saímos e logo vimos uma voluntária da Fifa, que não soube informar onde era o Terminal para a Savassi. Perguntamos a outro voluntário e ele nos passou a informação errada. Perguntamos a um funcionário da BHTrans e ele teve que consultar um papel e nos disse o caminho, sem muita segurança. Fomos seguindo à esquerda, até finalmente ver placas. Tivemos que andar um trajeto longuíssimo, até bem depois da Igrejinha da Pampulha. Chegando lá, ainda não havia uns dez ônibus à espera, como era de se imaginar, mas eles também não demoraram muito a chegar.

Cadê a fila de ônibus que deveria estar aqui?

Cadê a fila de ônibus que deveria estar aqui?

Já o caminho de volta foi muito melhor que o de ida, passando por dentro do bairro, para evitar o engarrafamento da av. Otacílio Negrão de Lima, no entorno da Lagoa da Pampulha, e chegar à av. Pedro II, que fluía muito melhor que a Catalão.

CONCLUSÃO

No fim das contas, o saldo foi positivo. Assistir a um jogo de Copa do Mundo foi muito emocionante, uma festa que vou guardar pra sempre e que acho que deixaria feliz todo mundo que gosta de futebol. Houve falhas na sinalização da Fifa e na organização da BHTrans, mas corrigíveis para os próximos jogos. Fiquei com a impressão de que o Brasil está sabendo fazer bem a Copa e vai ganhar bons frutos com o evento, pela quantidade de turistas que está chegando em massa, na maior alegria, e sendo muito bem recebidos. Também me parece que não rolou aquele caos que todo mundo dizia que ia acontecer…

NOTAS

  • BHTrans – 2 (os ônibus foram boa solução, mas o gerenciamento do trânsito foi péssimo, por não pensarem em fazer um corredor exclusivo para os coletivos)
  • Fifa – 5 (tiro metade da nota por causa da sinalização precária, voluntários desinformados e pelo preço dos comes e bebes dentro do estádio)
  • Estrutura do Mineirão – 8 (só o sinal da internet que não funcionou 100% do tempo)
  • Seleção da Grécia – 5 (retranqueiros e desajeitados, perdiam passes toda hora)
  • Seleção da Colômbia – 10 (3 a 0 foi pouco!)
  • Torcida – 10 (que alegria! E quando é que podemos ver cruzeirenses e atleticanos sentados lado a lado, inclusive cantando hinos de seus times, sem qualquer tipo de confusão?)