Contribuição de leitor: ‘Neymar, por favor, pede pra sair’

O texto abaixo foi enviado pelo leitor Douglas Garcia, que já colaborou outras vezes aqui no blog. Concorda com o ponto de vista dele? Deixe sua opinião aí nos comentários 😉

Neymar durante jogo contra a Costa Rica | Reprodução

Neymar, por favor, pede pra sair

“O jogador Neymar, no último jogo da seleção brasileira de futebol contra a seleção da Costa Rica, em 22 de junho, perpetrou as seguintes ações:

1. Xingou um jogador adversário com palavras muito baixas, na frente do juiz, situado a poucos centímetros de si, gesto filmado e captado pela televisão e exibido no mundo inteiro.

2. Caiu diversas vezes em campo, diante de faltas efetivamente realizadas pelos jogadores adversários, em alguns casos, e de forma injustificada, em outros.

Charge do Duke

3. Reclamou de modo espalhafatoso com o juiz em diversas ocasiões a respeito de suas marcações. Em uma delas, golpeou raivosamente a bola com a mão, gesto pelo qual levou cartão amarelo.

4. Opôs-se a uma devolução de bola ao adversário, gesto de retribuição comum chamado de fair play, xingando o seu capitão e colega de time, Thiago Silva, que a havia realizado. O caso foi relatado à imprensa pelo próprio Thiago Silva.

5. Caiu de joelhos ao chão, em lágrimas, após o final, atraindo para si a atenção das câmeras.

Esses são os fatos.

Alguns espectadores que viram o jogo, com base na sua percepção dessas ações, poderiam dizer que:

Neymar agiu de modo desrespeitoso em 1, 3 e 4.

Neymar agiu de modo irresponsável em 2.

Neymar agiu de modo pouco solidário em 5.

Em todas essas ocasiões, Neymar terá agido mal.

Foi dito que Neymar gostaria de ser para o povo brasileiro uma espécie de novo Ayrton Senna.

Neymar, se é esse o seu propósito, nesse momento e nessas condições físicas e psicológicas, por favor, pede pra sair.”

 


Você também escreve análises, contos, crônicas, poemas, resenhas…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog, na seção de textos enviados pelos leitores 😉

 

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O fim da Copa do Mundo, a vida em círculos e a crônica de Drummond

Este dia chegou. Não ia durar para sempre, né? Hoje, por volta das 18h, talvez um pouco mais, a depender de prorrogações e pênaltis (que espero não serem necessários para a vitória alemã), estaremos assistindo à entrega da taça e, vapt-vupt, poderemos decretar que não há mais Copa por uns bons quatro anos.

Eu até queria escrever uma baita crônica sobre os jogos dentro do Brasil, sobre a derrota épica da seleção de Felipão, sobre a hospitalidade dos brasileiros com os estrangeiros, sobre a provocação irritante dos argentinos (um dos motivos que me fez torcer contra eles nesta final), sobre o caos que não houve nos aeroportos, estradas e hotéis, sobre os protestos que também praticamente não existiram etc, mas acho que todo mundo já cansou de ler boas crônicas sobre o assunto — e, confesso, estou meio exaurida neste fim de Copa.

Então resolvi fazer o seguinte. Vou copiar e colar abaixo uma crônica de Dru-dru, o querido Carlos Drummond de Andrade, que saiu estampada na capa do caderno de Esportes do “Jornal do Brasil” em 7 de julho de 1982, depois que a incrível seleção de Telê Santana perdeu nas quartas de final para a Itália, na Copa da Espanha. E, para mostrar como a crônica dele continua atual, vou fazer apenas algumas modificações, quase cirúrgicas mesmo, as quais destacarei em negrito e itálico, para não restar dúvidas de qual parte é a paródia e qual é a crônica original. Ao final do texto, darei o link para quem quiser ler apenas o que o gênio de Itabira realmente escreveu.

Aí vai:

drudru

“Perder, Ganhar, Viver

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia da suicida do Nepal e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada da presidente, que se preparava, como torcedora número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela sexta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…

Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.

Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção jogasse dentro do Brasil, apenas para pegar o caneco, como propriedade exclusiva e inalienável do país, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós jogamos aqui pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não estamos de mãos vazias porque não ganhamos a taça. Ganhamos alguma coisa boa e palpável, conquista da necessidade de renovação. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Alemanha não tinha obrigação de perder para o nosso time, nas condições em que ele está. [Frase cortada] Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.

Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Felipão e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como São Victor, o craque não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Felipão! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 2014 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.

E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?”

E é isso 😉 Vejam como quase não tive que mudar nada no texto. Adaptei uma coisa aqui, outra ali, mudei o trecho que dizia ser apenas uma questão de sorte — já que faltou mesmo foi talento para nossa atual Seleção e seu comandante –, e nem mesmo a parte das eleições, dos governistas versus oposicionistas precisou ser retocada. Até suicídio teve, vai entender! A impressão que tenho é que a vida anda em círculos, em ciclos finitos, que sempre se repetem, que permitem que um texto escrito em 1982 continue válido 32 anos depois. Com a diferença que, neste momento, estamos na entressafra de jogadores (quem nos dera ter Toninho Cerezo, Falcão, Luisinho, Sócrates e Zico na seleção atual) e de escritores (que falta faz um Drummond nos jornais do país!). E aí temos que nos virar com Fred, Júlio César e uma tal de Cristina, que só serve para parodiar 😀

Dito isto, CLIQUE AQUI para ler a crônica original do Dru-dru.

Leia mais posts sobre a Copa do Mundo:

“Eu Falei!” — o técnico dentro de cada um de nós

Já que agora é a hora de as pessoas se gabarem com o famoso “Já falei!!!”, de todo brasileiro dar uma de técnico e dizer o que deveria ter mudado no time da Seleção, de todo mundo achincalhar o Felipão e chamá-lo de burro, de alguns dizerem que o Neymar se livrou de uma, de os jogadores da Seleção terem encolhido de heróis para pessoas que saem fugidas da cidade e terem chorado muito, de a imprensa estar buscando palavras para explicar o vexame que era esperado só pelos cronistas esportivos mais sérios mas que era ignorado nas exaltações da Seleção pré-jogo, de os alemães estarem ainda de cara (e sorte nossa que a seleção alemã tirou o pé, ou teria sido uma derrota pior, de uns 10 a 1), de uns jurarem que tinham sonhado com uma derrota de 7 a 1, de as crianças — especialmente elas, as crianças, que mais gostam de Copas do Mundo — chorarem com a experiência de um sentimento novo, da humilhação/vergonha/vexame, de os mais ranzinzas dizerem “Agora vamos parar de nos preocupar com o circo e preocupar com o pão, blablablá”, como se fizesse algum mal torcer pelo país no maior evento de futebol do planeta e como se não pudéssemos torcer e ser críticos com outros problemas ao mesmo tempo, de a maioria das pessoas estar levando na esportiva, fazendo piadas e divulgando memes, embora tenha tido uns idiotas brigando ou incendiando ônibus, de tudo isso que vem acontecendo ao nosso redor desde o fim da tarde de terça-feira, venho, por meio deste, dizer que eu também “Já falei!” — e tenho provas 🙂

Segue o post que publiquei no Facebook em 16 de junho, depois de ver Brasil jogando contra México e Croácia, Holanda jogando contra Espanha (5 a 1, agora subitamente um placar menos vergonhoso), Colômbia e Grécia ao vivo, Inglaterra e Itália, Argentina e Bósnia, e tendo acabado de assistir à incrível Alemanha contra Portugal (4 a 0, também nada vergonhoso), dentre outros jogos:

“Tenho dó do Brasil se pegar a Alemanha. Jogando sem seu maior craque, já fez um artilheiro e goleou um time forte como Portugal. Parece que os alemães se multiplicam em campo, igual os clones naquele vídeo da Nike. Tem cem alemães para dez portugueses!”

E os comentários que fiz dentro do post:

“Se fosse pra avaliar só por um jogo, a final é Alemanha e Holanda. Mas claro que ainda tem muita água pra rolar.”

“Pq, de todos os jogos que vi, e foram quase todos, só a Alemanha e a Holanda jogaram brilhantemente.”

“Tô falando: se o Brasil jogar como tá jogando contra o México e pegar a Alemanha, vai ser um vexame muito grande!!!!!”

16junho

E é isso. Na verdade, praticamente não assisti ao jogo, porque estava trabalhando na hora. E porque perdi bastante do clima de Copa do Mundo desde a tragédia do viaduto, na quinta passada. Mas ainda gosto muito de futebol e posso dizer que entendo um cadim do assunto, né? 🙂 Agora, na final, vou torcer pela Alemanha, já que a Holanda não conseguiu passar, e espero que os alemães (que vêm sendo tão simpáticos com os brasileiros) promovam um maracanazo argentino também. E você, vai torcer por algo ou alguém? 😀

ATUALIZAÇÃO: Você viu o vídeo do vidente que, também em 16/6, falou que Neymar ficaria de fora, o Brasil seria eliminado com “um gol atrás do outro” e que só Argentina, Alemanha e Holanda teriam chance de ser campeões? CLIQUE AQUI para ver. Este sim foi ninja, hein 😉

Leia outros posts sobre a Copa do Mundo:

Copa começa com revolta e festa

Foto: leo Fontes / O Tempo - 2.6.2010 (antes de os barraqueiros deixarem o Mineirão)

Foto: leo Fontes / O Tempo – 2.6.2010 (antes de os barraqueiros deixarem o Mineirão)

A avenida Amazonas é um dos principais corredores da cidade. Em cada semáforo dela (e são muitos os semáforos!), sempre vejo um vendedor ambulante, geralmente oferecendo água e pipoca doce. Já escrevi sobre eles, pois já fui salva por alguns, nos dias de mais calor.

Pois ontem, quando eu passava por ali, vi um verdadeiro aparato em volta de dois desses ambulantes: policiais militares, guardas municipais e funcionária da prefeitura, de pranchetinha em punho.

“É por isso que as pessoas se revoltam! Eles precisam trabalhar! Por que não deixam eles terem o ganha-pão deles? Não estão roubando!”, ouvi de minha carona, moradora de Ibirité, furiosa, enquanto observava um dos ambulantes ser levado pelo guarda municipal, carregando dois sacões quase do tamanho dele, cheios de pipoca.

Pode-se argumentar que eles não recolhem imposto, e que o trabalho informal não é o ideal nem para os próprios trabalhadores. Mas não se discute que é o ganha-pão deles — e sou mil vezes mais favorável ao vendedor de água no dia de sol quente (um trabalho no mínimo lógico) do que ao flanelinha, que já ganhou até uniforme da prefeitura para “tomar conta” dos carros estacionados.

Independente dessa discussão, uma coisa é certa: eles nunca foram incomodados antes, e agora a ânsia para tirá-los das ruas, com a chegada da Copa do Mundo, é visível.

***

Ontem mesmo vi com preocupação outra notícia, de mesmo caráter higienista: moradores de rua foram abordados por policiais e funcionários da prefeitura pela manhã e — mais grave — tiveram seus bens recolhidos, segundo relataram. Não custa lembrar que abordar uma pessoa que mora na rua, para oferecer que ela vá ao abrigo, é uma medida correta e corriqueira, mas é ilegal forçar a retirada, coagir com o uso policial e, principalmente, recolher bens pessoais dessa pessoa.

E fica aquela pulga atrás da orelha: fizeram isso respaldados por um decreto de dezembro do ano passado, às vésperas da Copa, na Savassi, região turística e “nobre” da cidade… Sei.

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Não bastasse a coincidência, foi também ontem que uma rádio da cidade noticiou que pipoqueiros estão sendo retirados das calçadas. Calma lá, não mexam com os pipoqueiros! Nesse caso, o respaldo é de uma lei de 2010, promulgada pelo já prefeito Marcio Lacerda (PSB), que proíbe trabalhador com veículo de tração humana se estiver em calçada. É claro que a lei não pegou, os pipoqueiros, organizados em sindicato desde 1956, resistiram, mas agora estão sendo removidos de novo, às vésperas da Copa.

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Vale lembrar que esse problema com os ambulantes não é de hoje. Os primeiros afetados foram os barraqueiros do entorno do Mineirão, que foram removidos de lá em 2010, quando começou a reforma no estádio, para a Copa. Só que o Mineirão foi inaugurado em dezembro de 2012, teve seu primeiro jogo em fevereiro do ano passado — e nada de os barraqueiros voltarem.

Nem precisa dizer que o público lamentou a perda dos tradicionais tropeirões e pães com pernil, vendidos ali. E a prefeitura não buscou uma solução clássica, como a demarcação do lugar das barracas, distribuição de uniforme (como fez com os flanelinhas) e recolhimento de imposto. Tivesse buscado, todos ficariam felizes.

Os cerca de 150 homens e mulheres simplesmente seguiram fora do lugar onde costumavam trabalhar havia mais de 50 anos.

A solução apresentada — também nesta semana, veja só outra coincidência! — foi que retomassem seu posto na área externa do Mineirão — mas só depois da Copa. Quer faturar com comida típica mineira no evento da Fifa, onde milhares de pessoas vão circular? Não pode! Depois da Copa, bem, a gente conversa.

E assim começamos a Copa nesta quinta-feira: com parte do povão varrida pra debaixo do tapete, pra inglês não ver. “Por isso o povo protesta!”, ouço a voz daquela minha carona. Por falar nisso, nada menos que 7.200 pessoas (enquanto escrevo) confirmaram presença no protesto de Beagá, ao meio-dia de hoje. Bom, não exatamente um protesto, mas uma festa, com direito a quadrilha junina e pelada.

No fim das contas, tenho pra mim que tudo será mesmo uma festa, e haverá mais festa do que revolta. E acho que talvez assim seja melhor. Afinal, depois de tanto ralar, o brasileiro merece se divertir. Seja ele o que vai jogar uma pelada no “protesto” da Praça Sete, o que vai dar um jeito de vender água em outros semáforos calorentos e faturar com a cidade cheia, ou o que, ainda em luta para voltar a trabalhar onde sempre trabalhou, e prejudicado pela Copa, vai espairecer se reunindo com os amigos para torcer pela Seleção.

***

P.S. Chegaram a fazer um abaixo-assinado para que os barraqueiros do Mineirão voltem ao lugar a tempo da Copa. Mas esse abaixo-assinado foi muito tardio e dificilmente vai atingir o número de assinaturas que pretende, a tempo da estreia do Mineirão no sábado. De qualquer forma, se quiser assinar, pode CLICAR AQUI.

P.S.S. Enquanto escrevo este post, escuto fogos de artifício estourando na minha janela há vários minutos. E não me canso de pensar: vai Victor!, vai Jô!, vai Bernard! 😀

Adendo às 12h: O post acima foi escrito pensando em Beagá. Em São Paulo, como sempre, a confusão está sendo muito maior. Vejo a transmissão ao vivo na TV e o que vejo é uma guerra, em pelo menos três pontos diferentes de São Paulo. PM usando bombas de gás, black blocs arrancando placas de sinalização e ao menos 5 feridos (enquanto escrevo), sendo 3 jornalistas.