Músicas para Luiz, meu bebê de 1 ano

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Nesta última semana estou totalmente emotiva, chorando à toa. Toda hora lembro de alguma coisa que aconteceu no último ano. Ao mesmo tempo que “passou voando”, como todos dizem, parece que foi há uma eternidade aquela madrugada na sala de parto, ao lado do Beto. Tanta coisa aconteceu nesse período!

E, se eu aprendi um monte e me surpreendi com a capacidade de lidar com uma exaustão muito diferente da que eu conhecia até então, imaginem o Luiz. Em apenas 12 meses ele já teve que aprender a chorar para se comunicar, mamar no peito, mamar na mamadeira, se acalmar para dormir sozinho, rolar, se sentar, arrastar, engatinhar, ficar de pé sozinho, andar (por enquanto, só com apoio), experimentar novos sabores, lidar com a dor do dente nascendo, bater palminha, dar tchau, apagar e acender a luz, mostrar onde está a própria cabeça, comer sozinho (algumas comidas), além de uma infinidade de outras coisas dificílimas, que a gente faz no automático, mas que demandam uma energia incrível!

Pelo menos, Luiz ponde contar com a presença constante da mamãe, do papai e dos avós e tias, que acompanham cada uma dessas conquistas de perto, e o incentivam. Minha forma de incentivar, e ao mesmo tempo registrar esses momentos na memória, é inventando musiquinhas para marcar cada fase. Nem sempre a letra é das melhores, porque elas são criadas no improviso, e a voz definitivamente é das piores. Mas o importante é o registro, que espero que o Luiz curta bastante no futuro. Fica sendo meu presente especial pelo primeiro aniversário do Luiz: mais dois CDs novinhos, que se juntam aos dois anteriores e fecham esta “coletânea” Músicas para Luiz, com 62 canções.

Compartilho no blog para que outras mães e pais que vivem o mesmo momento com seus filhos também se divirtam bastante, como nós nos divertimos por aqui 😀

 

 

Feliz aniversário, Luiz! Mamãe te ama muitão! ❤

 

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Copa começa com revolta e festa

Foto: leo Fontes / O Tempo - 2.6.2010 (antes de os barraqueiros deixarem o Mineirão)

Foto: leo Fontes / O Tempo – 2.6.2010 (antes de os barraqueiros deixarem o Mineirão)

A avenida Amazonas é um dos principais corredores da cidade. Em cada semáforo dela (e são muitos os semáforos!), sempre vejo um vendedor ambulante, geralmente oferecendo água e pipoca doce. Já escrevi sobre eles, pois já fui salva por alguns, nos dias de mais calor.

Pois ontem, quando eu passava por ali, vi um verdadeiro aparato em volta de dois desses ambulantes: policiais militares, guardas municipais e funcionária da prefeitura, de pranchetinha em punho.

“É por isso que as pessoas se revoltam! Eles precisam trabalhar! Por que não deixam eles terem o ganha-pão deles? Não estão roubando!”, ouvi de minha carona, moradora de Ibirité, furiosa, enquanto observava um dos ambulantes ser levado pelo guarda municipal, carregando dois sacões quase do tamanho dele, cheios de pipoca.

Pode-se argumentar que eles não recolhem imposto, e que o trabalho informal não é o ideal nem para os próprios trabalhadores. Mas não se discute que é o ganha-pão deles — e sou mil vezes mais favorável ao vendedor de água no dia de sol quente (um trabalho no mínimo lógico) do que ao flanelinha, que já ganhou até uniforme da prefeitura para “tomar conta” dos carros estacionados.

Independente dessa discussão, uma coisa é certa: eles nunca foram incomodados antes, e agora a ânsia para tirá-los das ruas, com a chegada da Copa do Mundo, é visível.

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Ontem mesmo vi com preocupação outra notícia, de mesmo caráter higienista: moradores de rua foram abordados por policiais e funcionários da prefeitura pela manhã e — mais grave — tiveram seus bens recolhidos, segundo relataram. Não custa lembrar que abordar uma pessoa que mora na rua, para oferecer que ela vá ao abrigo, é uma medida correta e corriqueira, mas é ilegal forçar a retirada, coagir com o uso policial e, principalmente, recolher bens pessoais dessa pessoa.

E fica aquela pulga atrás da orelha: fizeram isso respaldados por um decreto de dezembro do ano passado, às vésperas da Copa, na Savassi, região turística e “nobre” da cidade… Sei.

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Não bastasse a coincidência, foi também ontem que uma rádio da cidade noticiou que pipoqueiros estão sendo retirados das calçadas. Calma lá, não mexam com os pipoqueiros! Nesse caso, o respaldo é de uma lei de 2010, promulgada pelo já prefeito Marcio Lacerda (PSB), que proíbe trabalhador com veículo de tração humana se estiver em calçada. É claro que a lei não pegou, os pipoqueiros, organizados em sindicato desde 1956, resistiram, mas agora estão sendo removidos de novo, às vésperas da Copa.

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Vale lembrar que esse problema com os ambulantes não é de hoje. Os primeiros afetados foram os barraqueiros do entorno do Mineirão, que foram removidos de lá em 2010, quando começou a reforma no estádio, para a Copa. Só que o Mineirão foi inaugurado em dezembro de 2012, teve seu primeiro jogo em fevereiro do ano passado — e nada de os barraqueiros voltarem.

Nem precisa dizer que o público lamentou a perda dos tradicionais tropeirões e pães com pernil, vendidos ali. E a prefeitura não buscou uma solução clássica, como a demarcação do lugar das barracas, distribuição de uniforme (como fez com os flanelinhas) e recolhimento de imposto. Tivesse buscado, todos ficariam felizes.

Os cerca de 150 homens e mulheres simplesmente seguiram fora do lugar onde costumavam trabalhar havia mais de 50 anos.

A solução apresentada — também nesta semana, veja só outra coincidência! — foi que retomassem seu posto na área externa do Mineirão — mas só depois da Copa. Quer faturar com comida típica mineira no evento da Fifa, onde milhares de pessoas vão circular? Não pode! Depois da Copa, bem, a gente conversa.

E assim começamos a Copa nesta quinta-feira: com parte do povão varrida pra debaixo do tapete, pra inglês não ver. “Por isso o povo protesta!”, ouço a voz daquela minha carona. Por falar nisso, nada menos que 7.200 pessoas (enquanto escrevo) confirmaram presença no protesto de Beagá, ao meio-dia de hoje. Bom, não exatamente um protesto, mas uma festa, com direito a quadrilha junina e pelada.

No fim das contas, tenho pra mim que tudo será mesmo uma festa, e haverá mais festa do que revolta. E acho que talvez assim seja melhor. Afinal, depois de tanto ralar, o brasileiro merece se divertir. Seja ele o que vai jogar uma pelada no “protesto” da Praça Sete, o que vai dar um jeito de vender água em outros semáforos calorentos e faturar com a cidade cheia, ou o que, ainda em luta para voltar a trabalhar onde sempre trabalhou, e prejudicado pela Copa, vai espairecer se reunindo com os amigos para torcer pela Seleção.

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P.S. Chegaram a fazer um abaixo-assinado para que os barraqueiros do Mineirão voltem ao lugar a tempo da Copa. Mas esse abaixo-assinado foi muito tardio e dificilmente vai atingir o número de assinaturas que pretende, a tempo da estreia do Mineirão no sábado. De qualquer forma, se quiser assinar, pode CLICAR AQUI.

P.S.S. Enquanto escrevo este post, escuto fogos de artifício estourando na minha janela há vários minutos. E não me canso de pensar: vai Victor!, vai Jô!, vai Bernard! 😀

Adendo às 12h: O post acima foi escrito pensando em Beagá. Em São Paulo, como sempre, a confusão está sendo muito maior. Vejo a transmissão ao vivo na TV e o que vejo é uma guerra, em pelo menos três pontos diferentes de São Paulo. PM usando bombas de gás, black blocs arrancando placas de sinalização e ao menos 5 feridos (enquanto escrevo), sendo 3 jornalistas.

Brincar também é para adultos

Era a festa de um aninho da minha prima de segundo grau. Tudo decorado e bonito, em bufê infantil. Os adultos dispostos em mesas, tomando a cerveja do fim de semana, comendo salgadinhos. A criançada, sem tempo pra lembrar de comer ou tomar refri, deliciada com a casinha de bonecas, o mercadinho, o pula-pula, a piscina de bolinhas. E eu, perdida entre a cerveja, o refri, o almoço e os vários brinquedos à minha disposição: pinball, Xbox One, mesinha de hockey, totó, fliperama de corrida de carros.

Nas três horas em que fiquei na festa, me vi disputando a fórmula 1 em meio a várias batidas, jogando uma partida acirrada de hockey de mesa, batendo o oponente em 10 a 3 no totó (Galo 10, Bayern de Munique, 3!), suando em bicas, tentando acompanhar os movimentos de um frenético Justin Bieber na dancinha do Xbox One.

E, assim, se perguntar à criançada o quanto eles se divertiram na festinha, é capaz que respondam: “Demaissss!”, mas vou sempre acrescentar um “s” no fim para dizer como me senti. Na volta pra casa, eu estava falante, bochechas vermelhas, rindo à toa: tinha brincado mais que qualquer um naquele quarteirão.

Isso me fez pensar. Os jogos foram inventados, 2.600 anos antes de Cristo, e foram sendo brincados ao longo dos séculos seguintes, a princípio, por adultos. É comum ler em livros e ver em filmes sobre períodos antigos da História em que a nobreza se reunia com frequência para jogar e que era através de jogos e danças que as mulheres eram apresentadas a seus pretendentes, por exemplo. Assim, foram criados jogos de tabuleiro, de cartas e os esportes.

Mas, na sociedade em que vivemos, os jogos e brincadeiras foram ficando relegados às crianças. É raro ver adultos se reunindo para jogar. E, mesmo assim, há os jogos vistos como “aceitáveis” pelos adultos (poker e buraco, por exemplo) e outros que já são tachados de infantis. O lúdico é visto como algo ridículo.

Leio agora que, na Idade Média, quando a Igreja Católica controlava o pensamento e a moral de forma bem rigorosa, muitos jogos foram condenados como algo imoral e vergonhoso. Pois bem, caiu o conceito de imoral, mas persistiu a vergonha. Agora, brincar é infantil e um adulto que entre na roda está fazendo papel de bobo.

Quem perde com isso? Quem não se dá ao prazer de brincar. De sair de uma festa com as bochechas coradas, a testa brilhando de suor, e uma euforia indescritível no peito.

Esta época de Natal costuma vir com uma brincadeira a tiracolo: o amigo-oculto (ou secreto, em algumas regiões do país). Vale entrar de cabeça no jogo, usar a criatividade, tornar o evento menos burocrático e mercadológico e mais lúdico. E que tal se os adultos experimentassem se reunir, de vez em quando, só para brincar? Vale ser jogos de tabuleiro, de cartas, mas também os clássicos Pedro-Paulo e outros que mexem com a memória, a língua e a interação.

Acho que muitos problemas de estresse, fadiga, tédio e demência seriam amenizados se pudéssemos resgatar o prazer e o lazer dos jogos em nossa adultice excessivamente séria e chata.