Não é brincadeira

Tem coisa melhor que brincar com água e lama? Foto: CMC

 

O Luiz, assim como todas as crianças, fica completamente hipnotizado diante de uma tela. Já decorou os episódios de Peppa Pig e Masha e o Urso e aprendeu a falar “Youtube” antes do próprio nome – e olha que nem eu nem meu marido deixamos que ele fique com smartphone nas mãos por muito tempo.

Mas basta eu falar uma palavrinha mágica e o Luiz larga as telas sem pensar duas vezes: “BRINCAR“.

Pode ser que algum dia, provavelmente quando ele for uma “criança grande”, ou adolescente, nenhuma palavra, mágica ou não, faça com que ele desgrude do celular ou do videogame ou de qualquer que seja a moda da época. Aposto que isso vai me dar um aperto danado no coração também. Mas hoje, com seus 2 aninhos de vida, basta eu chamar pra brincar uma única vez e ele fica na maior alegria. Isso quando não é ele que me chama: “Bincar, mamãe!” Bonitinho demais.

Nada é melhor do que brincar com a mamãe ou o papai!

Não precisa ser nenhuma especialista para saber que nossas melhores memórias afetivas são criadas nesses momentos de brincadeira, lazer, passeios ou viagens. Escrevi sobre isso na semana passada. Basta qualquer um de nós fechar os olhos e se lembrar: nossas próprias lembranças confirmam a teoria. As mais doces envolvem brincadeiras.

Sabem como eu aprendi a ler e a escrever? Brincando de escolinha com minhas irmãs. Lembro direitinho da felicidade da minha mãe num dia em que ela pegou um envelope já usado, que estava sobre seu criado-mudo, e começou a escrever várias palavrinhas nele, enquanto fui lendo uma a uma. “Olha, a Cris já sabe ler!”, ela dizia, eufórica. Depois, ouvi a mesma história sendo repetida para várias pessoas: “Ela aprendeu a ler de tanto brincar com as irmãs, que fingiam ser as professoras e escreviam no quadro-negro de brinquedo”. Eu tinha 5 anos e lembro disso como se tivesse sido ontem. Olha o poder que esta memória tem! Continuar lendo

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A coisa mais legal de ser mãe: reviver meu lado criança

Dia desses, talvez influenciada pela Semana das Crianças, cheguei a uma conclusão sobre o que é a coisa mais legal de ter virado mãe: o mais legal de ter um filho é poder voltar a viver a infância!

Quando eu era criança, não queria crescer de jeito nenhum. Meu pai me apelidou de Peter-Pana, porque eu queria ser criança para sempre, vivendo na Terra do Nunca da minha imaginação fértil. Sempre gostei de brincar — brinquei de bonecas até os 15 anos, quando os hormônios e a pressão social já começaram a pesar. Mas brinco muito até hoje, já falei sobre isso aqui.

A diferença é que, com um filho pequeno, posso brincar MUITO MAIS! Logo depois do café da manhã, sento com o Luiz no chão da sala e brincamos de tudo: carrinho, pianinho, de jogar as coisas no chão, de guardar os brinquedos menores na latinha do Galo, de cantar, bater palminhas, olhar as figuras dos livros enquanto faço sons engraçados, rolar a bola grande, esconder e achar de novo, e mais uma infinidade de invencionices deliciosas. As gargalhadas que o Luiz dá e a carinha de surpresa, espanto, concentração, esforço, encantamento ou felicidade (são carinhas fofas que se alternam) tornam esse momento ainda mais divertido!

Depois que volto do trabalho, mais uma sessão de brincadeiras mil, mas desta vez com um ritmo menos frenético (porque é melhor o Luiz ir desacelerando no fim do dia, e porque já estou cansada). No fim de semana e em feriados, nem se fala. É o dia inteirinho brincando, com pequenos intervalos para as sonecas.

E fico pensando: vai ficar cada vez melhor, à medida que meu bebê for crescendo. Porque os jogos vão ficando mais interessantes, complexos, instigantes, desafiadores, até chegar o momento em que o Luiz vai me dar um xeque-mate no xadrez (ou não: joguei milhões de vezes com meu pai e só conquistei um xeque-mate e um empate; em todas as outras vezes, perdi de lavada).

Vou curtindo cada fase sem pressa, porque sei que a vida já corre por si só, mas cheia de expectativa pelas milhares de brincadeiras que eu e Luiz ainda vamos inventar juntos. Duas crianças: o filhinho e a mamãe Peter-Pana.

Definitivamente, esta é a parte mais incrível e divertida de ser mãe…! 😀

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Brincar também é para velhos

Laurinha brincando de monstro, em 2013

Laurinha brincando de monstro, em 2013

Perguntaram a minha sobrinha de 7 anos recém-completos (a Laurinha, lembram?):

— Laurinha, você já viu velho brincar?
— Claro que já!
— Quem?!
— Uai, a tia Cris!

😀

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Brincar também é para adultos

Era a festa de um aninho da minha prima de segundo grau. Tudo decorado e bonito, em bufê infantil. Os adultos dispostos em mesas, tomando a cerveja do fim de semana, comendo salgadinhos. A criançada, sem tempo pra lembrar de comer ou tomar refri, deliciada com a casinha de bonecas, o mercadinho, o pula-pula, a piscina de bolinhas. E eu, perdida entre a cerveja, o refri, o almoço e os vários brinquedos à minha disposição: pinball, Xbox One, mesinha de hockey, totó, fliperama de corrida de carros.

Nas três horas em que fiquei na festa, me vi disputando a fórmula 1 em meio a várias batidas, jogando uma partida acirrada de hockey de mesa, batendo o oponente em 10 a 3 no totó (Galo 10, Bayern de Munique, 3!), suando em bicas, tentando acompanhar os movimentos de um frenético Justin Bieber na dancinha do Xbox One.

E, assim, se perguntar à criançada o quanto eles se divertiram na festinha, é capaz que respondam: “Demaissss!”, mas vou sempre acrescentar um “s” no fim para dizer como me senti. Na volta pra casa, eu estava falante, bochechas vermelhas, rindo à toa: tinha brincado mais que qualquer um naquele quarteirão.

Isso me fez pensar. Os jogos foram inventados, 2.600 anos antes de Cristo, e foram sendo brincados ao longo dos séculos seguintes, a princípio, por adultos. É comum ler em livros e ver em filmes sobre períodos antigos da História em que a nobreza se reunia com frequência para jogar e que era através de jogos e danças que as mulheres eram apresentadas a seus pretendentes, por exemplo. Assim, foram criados jogos de tabuleiro, de cartas e os esportes.

Mas, na sociedade em que vivemos, os jogos e brincadeiras foram ficando relegados às crianças. É raro ver adultos se reunindo para jogar. E, mesmo assim, há os jogos vistos como “aceitáveis” pelos adultos (poker e buraco, por exemplo) e outros que já são tachados de infantis. O lúdico é visto como algo ridículo.

Leio agora que, na Idade Média, quando a Igreja Católica controlava o pensamento e a moral de forma bem rigorosa, muitos jogos foram condenados como algo imoral e vergonhoso. Pois bem, caiu o conceito de imoral, mas persistiu a vergonha. Agora, brincar é infantil e um adulto que entre na roda está fazendo papel de bobo.

Quem perde com isso? Quem não se dá ao prazer de brincar. De sair de uma festa com as bochechas coradas, a testa brilhando de suor, e uma euforia indescritível no peito.

Esta época de Natal costuma vir com uma brincadeira a tiracolo: o amigo-oculto (ou secreto, em algumas regiões do país). Vale entrar de cabeça no jogo, usar a criatividade, tornar o evento menos burocrático e mercadológico e mais lúdico. E que tal se os adultos experimentassem se reunir, de vez em quando, só para brincar? Vale ser jogos de tabuleiro, de cartas, mas também os clássicos Pedro-Paulo e outros que mexem com a memória, a língua e a interação.

Acho que muitos problemas de estresse, fadiga, tédio e demência seriam amenizados se pudéssemos resgatar o prazer e o lazer dos jogos em nossa adultice excessivamente séria e chata.