O primeiro jogo do Mineirão (e meu!) na Copa do Mundo

Eu estava toda triste porque trabalharia em praticamente todos os jogos da Copa, dentro da Redação, e, por isso, provavelmente não conseguiria assistir a nenhuma partida. Em 2010 eu já tinha perdido vários jogos, mas, neste ano, a tristeza era maior, por saber que haveria partidas bem aqui na minha cidade — coisa que eu jamais vou ver de novo, a menos que eu sobreviva mais outros 64 anos.

Até que li no jornal “O Tempo” que a Fifa tinha atualizado o número de ingressos vendidos e ainda havia mais 11.500 disponíveis, para vários jogos. Inclusive dois para o primeiro jogo da história do Mineirão em Copa do Mundo: Colômbia e Grécia, no único dia de folga absoluta, em que eu poderia ir. E inclusive no valor que estava mais barato, de R$ 60 (que, de mais a mais, tem sido o preço de ingressos para uma partida do Galo no Independência, por exemplo). Assim, eu poderia ter pelo menos um gostinho do que foi a Copa do Mundo no Brasil, com todos os seus sucessos e problemas.

Sugiro aos que têm vontade de assistir a um jogo e estão sem ingresso: fiquem de olho, porque acho que a Fifa ainda fará mais de suas “atualizações” nos próximos dias, e provavelmente haverá mais ingressos dando sopa por aí.

Abaixo, faço um breve relato e avaliação dos serviços necessários para se fazer uma Copa do Mundo. Alguns funcionaram, outros não. Mas todos os problemas me pareceram corrigíveis para os próximos jogos.

COMPRA DE INGRESSO

Todo o processo de compra é muito simples e eficiente: pela internet, com cartão de crédito, como se estivesse comprando uma passagem de avião. E olha que compramos faltando dois dias para o jogo. O site não estava lento, tudo funcionou bem. Depois, fomos ao Boulevard Shopping para retirar o ingresso e, de novo, foi muito tranquilo: não pegamos nenhuma fila, fomos direto ao totem onde se retira, e o processo todo não levou mais que cinco minutos (tanto que nem pagamos estacionamento). O ingresso vem com um envelope que traz informações úteis sobre as cidades-sede. E também com um guia só de Belo Horizonte.

Fotos: CMC. Clique sobre as imagens para vê-las em tamanho real

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ÔNIBUS PARA O ESTÁDIO

Tínhamos algumas opções: ir de carro, ir de BRT ou ir no ônibus que a BHTrans reservou para sair de cinco pontos da cidade e ir diretamente ao Mineirão, o Terminal Mineirão. Fomos no que saiu da Savassi. O processo todo de comprar a passagem, pegar a fila e ir no ônibus (podíamos optar por ir sentados ou em pé, e preferimos a segunda opção, por ser mais rápida) também levou cerca de 5 minutinhos. Havia um bom número de ônibus e a fila fluía muito bem naquele horário, às 11h.

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Fotos: CMC. Clique nas imagens para vê-las em tamanho real

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O ônibus era um coletivo regular da cidade, só que a preço de ônibus intermunicipal de luxo: R$ 15 ida e volta. Ou seja, a gente paga R$ 4,50 a mais do que uma passagem normal para andar no mesmo busão de todo dia, e indo em pé! O preço mais caro vale só por não ter paradas no caminho, o que tornaria a viagem mais rápida, mas, como vocês verão abaixo, a viagem foi lenta do mesmo jeito, por causa da ineficiência da BHTrans.

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O mais legal do ônibus Terminal Mineirão são os passageiros: um monte de gente animada, muitos colombianos, uma cantoria danada, um clima bom de quem está dando de ombros pro desconforto por estar feliz por ir para uma partida de futebol.

TRÂNSITO

O trajeto escolhido pelo ônibus da ida é o pior possível: passando pela Catalão, que estava congestionadíssima. A av. Carlos Luz tem três pistas e a BHTrans não só não reservou uma delas para os ônibus (o que seria o mais lógico a se fazer, inclusive para estimular as pessoas a quererem ir de transporte coletivo) como fez a coisa mais estúpida que já vi na vida: criou uma faixa para passagem de NENHUM veículo! Ou seja, ficou uma faixa fechada, a troco de nada, e a via que já é estreita passou a ter apenas duas faixas.

Faixa fechada para ninguém passar!

Faixa fechada para ninguém passar!

O resultado foi óbvio: o que era pra ser um percurso de meia hora, prometido pela BHTrans, virou uma viagem de 1h10. No final, ninguém do ônibus estava mais cantando ou bem-humorado: todos estavam olhando os relógios e pensando “vou perder o jogo”!

SINALIZAÇÃO PRECÁRIA

O ônibus não nos deixou na av. Fleming, como estava prometido, mas em uma rua pequena lá da Pampulha. Acho que por causa do horário, decidiram improvisar, parando mais perto do estádio, mas a consequência disso foi grave: não havia nenhuma placa de sinalização naquele lugar. A gente descia a pequena rua, caía em uma rua maior e ficava sem saber se deveria virar à esquerda ou à direita. Tivemos que contar com a boa vontade de um quiosque que vendia cerveja e água para nos informar e seguimos o fluxo de gente.

Ao chegar à av. Abrahão Caram, na porta do estádio, mais desinformação: não havia qualquer placa indicando para onde as pessoas deveriam se dirigir. Tivemos que pedir informação com um PM, que só deixava passar se estivesse com o ingresso em mãos (observação paralela: muita gente teve ingressos furtados na portinha do Mineirão, então é bom ficar esperto ao segurar o seu. Não deixe no bolso!).

Lá na porta do estádio, tivemos que pegar uma fila que não servia pra nada, porque desaguava num lugar aberto e, quem chegasse primeiro à catraca, entrava. Quando passei essa catraca eletrônica, os hinos das seleções já tocavam. Quando finalmente nos sentamos, o jogo estava prestes a começar. Dois minutos para as 13h.

Vale dizer que toda essa parte da sinalização é uma falha da Fifa, e não mais da Prefeitura de BH.

ESTRUTURA DO ESTÁDIO

O Mineirão propriamente dito está bem organizado, tinha uma porção de voluntários para ajudar a encontrar a cadeira numerada, e as cadeiras foram efetivamente respeitadas. Não faltou cerveja (R$ 10 a Brahma e R$ 13 a Bud), nem água (R$ 6), nem comida. As filas das lanchonetes fluíram bem quando estive lá, e também havia muitos carrinhos para vender comida e bebida. O banheiro que usei estava limpíssimo, com papel higiênico e papel-toalha. O sinal de internet pegou em praticamente toda a partida, com algumas falhas vez por outra.

E estava lotado! Vale um parêntesis para dizer como a torcida colombiana é alegre (como muitos já tinham percebido pela festa que eles fizeram na Praça da Savassi, na véspera). O público presente foi de 57.164 pessoas, quase todas vestindo amarelo (camisas da Colômbia ou do Brasil), vários com a camisa do Galo e um grupinho minúsculo torcendo pela Grécia.

JOGO

Ah, o jogo! Os colombianos bailaram em cima dos retranqueiros da Grécia, sendo que o primeiro gol já foi aos cinco minutos do primeiro tempo, disparado pelo melhor em campo, o  lateral Armero. A torcida inteira (mesmo um cruzeirense vestido de grego que estava ao meu lado) era para a Colômbia. O placar, de 3 a 0, foi até pouco.

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SAÍDA DO ESTÁDIO

Mais desinformação. Saímos e logo vimos uma voluntária da Fifa, que não soube informar onde era o Terminal para a Savassi. Perguntamos a outro voluntário e ele nos passou a informação errada. Perguntamos a um funcionário da BHTrans e ele teve que consultar um papel e nos disse o caminho, sem muita segurança. Fomos seguindo à esquerda, até finalmente ver placas. Tivemos que andar um trajeto longuíssimo, até bem depois da Igrejinha da Pampulha. Chegando lá, ainda não havia uns dez ônibus à espera, como era de se imaginar, mas eles também não demoraram muito a chegar.

Cadê a fila de ônibus que deveria estar aqui?

Cadê a fila de ônibus que deveria estar aqui?

Já o caminho de volta foi muito melhor que o de ida, passando por dentro do bairro, para evitar o engarrafamento da av. Otacílio Negrão de Lima, no entorno da Lagoa da Pampulha, e chegar à av. Pedro II, que fluía muito melhor que a Catalão.

CONCLUSÃO

No fim das contas, o saldo foi positivo. Assistir a um jogo de Copa do Mundo foi muito emocionante, uma festa que vou guardar pra sempre e que acho que deixaria feliz todo mundo que gosta de futebol. Houve falhas na sinalização da Fifa e na organização da BHTrans, mas corrigíveis para os próximos jogos. Fiquei com a impressão de que o Brasil está sabendo fazer bem a Copa e vai ganhar bons frutos com o evento, pela quantidade de turistas que está chegando em massa, na maior alegria, e sendo muito bem recebidos. Também me parece que não rolou aquele caos que todo mundo dizia que ia acontecer…

NOTAS

  • BHTrans – 2 (os ônibus foram boa solução, mas o gerenciamento do trânsito foi péssimo, por não pensarem em fazer um corredor exclusivo para os coletivos)
  • Fifa – 5 (tiro metade da nota por causa da sinalização precária, voluntários desinformados e pelo preço dos comes e bebes dentro do estádio)
  • Estrutura do Mineirão – 8 (só o sinal da internet que não funcionou 100% do tempo)
  • Seleção da Grécia – 5 (retranqueiros e desajeitados, perdiam passes toda hora)
  • Seleção da Colômbia – 10 (3 a 0 foi pouco!)
  • Torcida – 10 (que alegria! E quando é que podemos ver cruzeirenses e atleticanos sentados lado a lado, inclusive cantando hinos de seus times, sem qualquer tipo de confusão?)
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3 comentários sobre “O primeiro jogo do Mineirão (e meu!) na Copa do Mundo

  1. Ainda na enquete você dizia que a resposta iria ser de grande valia. Digo agora que este post me foi muito útil. Curso engenharia de mobilidade, que lida com todos esses problemas de transporte (individual e de massa), logistica e estrutura. A primeira mão, o que me parece é que a via inutilizada pode ter sido reservada aos ônibus das seleções – tirei a conclusão sozinho, não posso dar garantias.

    Toda sua descrição – detalhada – contribui para um entendimento pessoal sobre a copa e “a quantas anda”. Apesar de morar numa cidade próxima, o trabalho não me permite gozar da experiência de forma completa, presencial. Pra falar a verdade, com todos os relatos na internet, até visitar a cidade num desses finais de semana como é de costume tem dividido minha curiosidade com o receio de algo ruim acontecer a mim.

    Parabéns pelo texto e seguimos torcendo pelo Brasil (seleção e país).

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