Melhores livros de 2014

Continuando uma tradição deste blog, segue uma lista dos 10 livros mais divertidos deste ano:

sempreemdesvantagem

 

Sempre em desvantagem, de Walter Mosley, 236 págs. 14 capítulos, que também podem ser lidos como contos separados, sobre a história de Sócrates, um ex-presidiário que mora em Los Angeles, nos Estados Unidos. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

ogoano

 

O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón, 410 págs. Esotérico, mas muito muito bom e bem escrito, com um narrador-personagem engraçado, irônico e sombrio ao mesmo tempo. Este não virou best-seller por acaso, não. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

xadrez

 

A Máquina de Xadrez, de Robert Löhr, 351 págs. História real, de um barão do século 18 que enganou toda a corte imperial de Viena ao anunciar ter criado uma máquina que consegue jogar xadrez — um autômato que pensa. Na verdade, era um anão genial, escondido dentro do mecanismo. As consequências da fraude e a ansiedade gerada por ela são muito boas. Leia mais sobre ele AQUI.

 

holocausto

 

Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, 255 págs. Uma história pouco conhecida dos brasileiros, embora tenha sido uma tragédia — praticada com o aval do Estado — que resultou na morte de ao menos 60 mil pessoas em 50 anos. Um livro-reportagem que, embora relate o horror, sabe amenizá-lo com histórias emocionantes e muito humanas. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

cuco

 

O Chamado do Cuco, de Robert Galbraith (JK Rowling), 447 págs. Um detetive que investiga um assassinato de top model confundido com suicídio. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

 

pelefria

 

A Pele Fria, de Albert Sánchez Piñol, 239 págs. Um homem que decide, por conta própria, passar um ano inteiro numa ilha minúscula perto da Antártica, onde só vive mais um habitante. Mas aí, logo no começo, descobrimos que a ilha não é assim tão desabitada, e nosso protagonista terá de lutar diariamente, com todas as suas forças e recursos escassos, para salvar a própria pele. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

dan

 

Inferno, de Dan Brown, 446 págs. Imaginei que seria um best-seller chato, mas, além de ser muito bem escrito, traz reflexões interessantes sobre a superpopulação, embora não seja este seu objetivo principal. Pode ser encontrado por a partir de R$ 19,14.

 

 

leitederramado

 

Leite Derramado, de Chico Buarque, 195 págs. Leia sobre ele AQUI, é muito difícil resumir em poucas linhas.

 

 

 

quebert

 

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, de Jöel Dicker, 572 págs. Tem todos os ingredientes que os bons livros costumam ter, e muito mais: tem suspense, drama, comédia, sátira, história de amor, história policial, várias narrativas entrelaçadas (contadas por personagens diferentes, em formatos diferentes, em épocas diferentes, tudo de forma tão coesa que, mesmo com mil reviravoltas, você nunca perde o fio da meada). Leia mais sobre ele AQUI.

 

dorian

 

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, 298 págs. Um clássico da literatura que questiona a busca incessante pela beleza e pela juventude eternas. O mais interessante do livro, que tem seus momentos entediantes, são as falas de Lorde Henry, que é o personagem mais instigante do livro, e solta muitas pérolas sobre seu modo peculiar de encarar a vida. Mais sobre isso AQUI. Pode ser comprado a partir de R$ 13,80.

 

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A Barcelona sombria e engraçada ao mesmo tempo

ogoano

Ouvi a recomendação dos meus pais, que têm um gosto para livros muito parecido com o meu: este livro é muito bom, embora seja meio esotérico.

Esotérico. Esta palavra ficou balançando na minha cabeça por algum tempo, até que eu deitasse numa rede para ler o livro pela primeira vez. Tenho preconceito contra coisas esotéricas. Lembra tarô, horóscopo etc. (Eu até leio o horóscopo de vez em quando, mas mais para me divertir com o microconto que cabe ali dentro do que para acreditar no que ele tenta me dizer.)

Por outro lado, pensei que poderia ser um esotérico tipo o livro “O Cavalo Amarelo“, da mestre dos romances policiais Agatha Christie. Naquele livro, mortes aconteciam de forma misteriosa, havia bruxas e paranormais, magia negra e afins, mas tudo se resolveu de forma bastante racional no final.

O preconceito desapareceu de vez quando comecei a ler a primeira frase do livro. Carlos Ruiz Rafón escreve bem, pra valer, não é desses picaretas que ganham dinheiro fazendo best-seller ruim. E o herói do livro, que nos é apresentado já com a narrativa em primeira pessoa, é um aspirante a jornalista e um amante da literatura! Nenhum personagem poderia me inspirar mais simpatia (e empatia) de forma tão instantânea. Ele descreve as coisas a seu redor de forma soturna, lúgubre, sinistra, tétrica (e posso seguir desvelando os sinônimos, porque todos soam bem para o cenário do livro). A começar por Barcelona, que é uma cidade que, depois de ler este livro, tenho medo de conhecer. E continuando na Redação do jornal “La Voz de La Indústria” – se eu ainda fosse colegial, teria desistido de virar jornalista depois de ler a descrição de um ambiente de trabalho tão mesquinho e cheio de pessoas arrogantes, incompetentes e babacas.

O mais bacana do livro é essa forma de falar do personagem-narrador, David Martín. Ele não esconde pormenores desagradáveis, mas é engraçadíssimo, irônico, sarcástico, daquele tipo que não perde uma piada nem à beira do abismo. Isso torna a narrativa leve e fluida, mesmo que permeada de mistérios intrincados.

O que me desagradou um pouco foi o fim. É claro que não vou contar nada dele por aqui, mas fiquei desapontada por ter encontrado mais do esoterismo e menos do racionalismo da escola de Agatha Christie. De qualquer forma, posso dizer que, das 410 páginas do livro, é como se 400 valessem muito a leitura. Do tipo de querer esticar a luz acesa no quarto por mais uns minutinhos antes de dormir, mesmo com os olhos ardendo de tanto ler. Um tipo que não se encontra em qualquer autor de best-seller por aí.

“O Jogo do Anjo”
Carlos Ruiz Zafón
Editora Objetiva
410 páginas
De R$ 22,40 a R$ 49,90