Abaixo a gourmetização do mundo!

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Apesar de não ter sido selecionada entre as finalistas do Concurso de Marchinhas, a música “Explosão Gourmet”, de Alexandre Pimentel e Guilherme Freitas, tem, para mim, uma das melhores letras entre os candidatos deste ano.

Já faz tempo que quero escrever um post sobre isso, mas eles, de forma irônica e divertida, disseram quase tudo o que eu penso dessa gourmetização que vivemos hoje em dia. Vocês podem ouvir abaixo:

Outro dia tive que ir a um salão de beleza (uma das coisas que só faço a cada seis meses, e olhe lá; toda vez que invento de fazer a unha com manicures profissionais, elas me arrancam um bife e saem se justificando: “Nossa, mas como sua cutícula é fininha, né! Parece de um bebê”. Eu fico com cara de já-sabia-que-iam-fazer-isso-então-deixa-pra-lá-mas-nunca-mais-volto-aqui). Como eu ia dizendo, tive que ir a um salão, mas este era tão metido a besta que o nome era “estúdio” (ou studio?) não sei das quantas. E aí percebi que: se o salão é normal, chama salão. Se é gourmetizado, virou instituto, estúdio ou ateliê de beleza.

Padaria gourmetizada é ateliê de pão. Cafeteria gourmetizada é laboratório de café. Lanchonete gourmetizada é poãodequeijaria. Os prédios de luxo não vêm mais com churrasqueira coletiva, vêm com “espaço gourmet”. E, é claro, se alguma coisa ganha este adjetivo pendurado no nome, o preço dobra ou triplica.

Gourmetizar é tipo o tucanizar, cunhado pelo brilhante Zé Simão, mas muito piorado. Porque não é raro que qualquer feijão com arroz da vovó seja tachado de gourmet – e aí, meu amigo, prepare para pagar o preço de um caviar. É tipo a galinhada do Alex Atala: é a galinhada da vovó, idêntica, mas com grife. Galinhada gourmet.

Já inventaram picolé gourmet, sorvete gourmet, brigadeiro gourmet, vinho, cerveja, praticamente tudo. Falta o torresmo gourmet, pra acompanhar a cachaça, já gourmetizada há tempos (outro dia fui a um restaurante que tinha “cachaçaer”, o sommelier da cachaça).

Fica a ideia: quem lançar o torresmo gourmet vai ganhar o meu respeito e admiração! O paradoxo que junta a sofisticação com a tosqueria, praticamente uma versão culinária da marchinha zoada que ficou de fora do concurso de Carnaval.

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