Por que manter nossos cabelos cacheados

Foto de ontem, com o cabelo na altura dos ombros.

Foto tirada ontem, com o cabelo na altura dos ombros e um resquício de franja.

É a segunda vez que assisto a uma campanha publicitária da Unilever (neste caso específico, da marca Dove) e tenho vontade de chorar de emoção. A anterior era sobre a real beleza (veja AQUI). Agora foi sobre um assunto que me toca ainda mais: os cabelos cacheados.

Assista abaixo (em inglês):

O que mais me chamou a atenção neste vídeo foi a visão das crianças. Nunca tinha me passado pela cabeça, já que não tenho filhos, mas elas devem se sentir mais feias por terem cabelos enrolados, já que veem suas mães e ídolas — de cabelos naturalmente enrolados — fazendo de tudo para deixá-los mais lisos.

Eu tenho cachos e gosto deles. Nesses tempos de métodos japoneses infalíveis, em que 90% das mulheres estão com os cabelos alisados, acho que os cachos se destacam ainda mais na multidão. E já existem N produtos próprios para eles, então não é difícil manter o cabelo natural e, ao mesmo tempo, bem cuidado. (Belo Horizonte já até ganhou um centro especializado em cabelos crespos, veja AQUI).

Se você tem cabelos cacheados, e os mantém lisos há muito tempo, que tal fazer uma “experiência” neste começo de ano novo? Deixe seus cabelos voltarem ao normal, faça um corte que combine com seu rosto (veja sugestões AQUI e AQUI) e celebre seus cachos, que são cada dia mais raros — mas também já li que voltaram a ser “tendência” 😉 Acho que o importante é a gente se sentir bem com a gente mesma, então, se a experiência não te agradar, nada impede que você volte a alisá-los…

Na minha cabeça, só muda o corte: os cachos continuam por lá em 99% do tempo. E, nos últimos cinco anos, tenho mantido o cabelo mais curto (quando ele cresce, os cachos diminuem…). Como sou eu mesma que corto meus cabelos, o resultado quase sempre é imprevisível e inimitável, rs. Veja algumas das carinhas irrepetíveis neste período de tempo:

cachos

 

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“Carecas são pessoas muito sortudas”

Acho que essa idade em que estou é a que começa a preocupar os homens quanto à calvície. Tenho um monte de amigos já usando a famosa Finasterida, para inibir a queda dos cabelas e aquelas temidas “entradas”. Bobagem! Sempre falei aos meus amigos e namorados: se for ficar calvo, melhor rapar tudo de uma vez. Vai ficar estiloso e ainda economizar xampu pro resto da vida.

E há quem seja ainda mais favorável à calvície, quase com nojo de cabelos. Vejam só o trecho que li ontem do livro “Festa no Covil” (muito bom; quando eu acabar de ler, coloco a resenha aqui no blog), cujo narrador é uma criança:

“Os chapéus também servem pra isso, pra esconder o cabelo. E não só quando o penteado é feio, porque sempre é bom esconder o cabelo, até com penteados que todo mundo acha bonitos. O cabelo é uma parte morta do corpo. Por exemplo: quando você corta o cabelo, não dói. E, se não dói, é porque está morto. (…) O cabelo é que nem um cadáver que você carrega na cabeça quando está vivo. Além do mais é um cadáver fulminante, que cresce sem parar, o que é muito sórdido. Vai ver que quando você vira cadáver o cabelo deixa de ser sórdido, mas antes ele é, sim. É isso que os hipopótamos anões da Libéria têm de melhor, que eles são carecas.

Por isso eu não uso cabelo. O Yolcaut me rapa  com uma máquina quando ele começa a crescer. É uma máquina igual aos cortadores de grama do Azcatl, só que pequena. E o cabelo é que nem as ervas daninhas, que devem ser combatidas. Às vezes o Yolcaut fica bravo porque eu peço pra ele cortar meu cabelo muitas vezes. Definitivamente os carecas são pessoas muito sortudas.”

😀