Imagine a morada/esconderijo de um rei do narcotráfico, com toda a violência esperada num ambiente assim.
Agora pense que quem descreve esse ambiente é um criança de estimados 7 anos, filho do bandido.
Você vai chegar ao ótimo livro “Festa no Covil“, dica do meu amigo Fábio Chiossi.
Toda a linguagem da história é infantil, com as limitações em vocabulário e interpretação próprias de uma criança.
Por mais esperta que seja a criança, com vocabulário “precoce”, como ela diz logo no início (suas palavras favoritas, que se repetem em várias páginas, são “patético”, “pulcro”, “fulminante”, “sórdido” e “nefasto”), as coisas do mundo adulto são, muitas vezes, enigmáticas e misteriosas para serem alcançadas por sua inocência.
E essa é justamente a graça do livro: nós entendemos o que passa desapercebido pelo narrador mirim e lamentamos por ele estar ali naquele meio e por crescer aprendendo qual a melhor maneira de matar alguém e quais os tipos de armas que existem no mundo.
Pior ainda: crescendo numa solidão imensa, tendo contato com apenas “14 ou 15” pessoas, nenhuma outra criança.
O livro ainda permite tiradas cômicas muito boas, como o trecho sobre os carecas, que já postei aqui no blog.
Enfim, é mais um livreto com potencial de virar clássico da literatura latino-americana, que já nos trouxe tantos autores maravilhosos e agora nos apresenta mais um, o mexicano Juan Pablo Villalobos.






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