A eugenia branca no Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

A luta pelos direitos humanos dos negros no Brasil será cada vez mais árdua. The Wall Street Journal publicou na última quinta-feira reportagem revelando que as clínicas de fertilização brasileiras procuram nos Estados Unidos doadores de esperma que sejam brancos e de olhos azuis, pois essa é a principal demanda da clientela.

Enquanto negros e mulatos são progressivamente mortos pela violência, como a vereadora do Rio de Janeiro que lutava pelos direitos das mulheres negras, a eugenia branca ganha um novo aliado. Segundo o jornal dos Estados Unidos, aumentou em 3.000% o número de brasileiros que preferem doadores brancos e de olhos azuis.

Eu não assino o jornal e não tenho acesso à reportagem completa, mas o blog Socialista Morena traduziu parte da reportagem, com a seguinte introdução:

“Parece a Alemanha nazista, mas é o Brasil de 2018: o Wall Street Journal traz nesta quinta-feira uma reportagem sobre como a procura por sêmen importado dos Estados Unidos explodiu em nosso país nos últimos anos, graças ao interesse de gente que deseja “branquear” os filhos e garantir que tenham olhos claros e aspecto europeu. Em outras palavras, eugenia. Hitler ficaria orgulhoso.”

E prossegue:

“Com olhos claros, cabelos loiros e algumas sardas no rosto, o doador número 9601 é um dos mais requisitados por mulheres ricas do Brasil que estão importando o DNA de jovens norte-americanos em números sem precedentes”, diz a reportagem assinada por Samantha Pearson. Baseada em dados da Anvisa, a repórter afirma que a importação de esperma gringo subiu 3000% desde 2011, sobretudo entre mulheres ricas solteiras e casais de lésbicas que preferem perfis de doadores com “pele clara” e “olhos azuis”.

Fonte: Wall Street Journal

A reportagem, acrescenta o Socialista Morena, cita a política de “branqueamento” que teve lugar em nosso país nos séculos 19 e 20, e o “racismo persistente” em nossos dias para explicar o desejo por filhos arianos. O Brasil foi um dos primeiros países a ter um movimento de “melhoria da raça” organizado, com o surgimento da Sociedade Eugênica de São Paulo, criada em 1918. Entre as iniciativas propostas estava impedir a imigração de pessoas que não fossem brancas. As famílias que estão importando esperma de doadores caucasianos parecem seguir à risca esta orientação.

Além de querer branquear os descendentes, o complexo de vira-latas também é uma razão para a importação: os brasileiros que compram esperma gringo dizem “não confiar” no “produto nacional”, como se estivessem tratando de um produto eletrônico ou tênis de corrida. Segundo uma mãe que importou esperma dos EUA, enquanto aqui as informações sobre o doador seriam precárias, ela conseguiu coletar 29 páginas sobre o doador norte-americano.

Fonte: WSJ

“O Brasil compra quase todo o esperma importado de doadores caracterizados como caucasianos. Quase um terço dos espécimes são de doadores loiros e 52% de homens com olhos azuis. O país também aparece como um dos mercados que mais crescem em importação de sêmen nos últimos anos. Mais de 500 tubos de sêmen congelado em nitrogênio líquido chegaram ao Brasil no ano passado, contra 16 em 2011”, diz a reportagem. “Em 2016, casais heterossexuais compraram 41% do esperma importado, mulheres solteiras, 36% e casais lésbicos, 21%, mas a demanda está crescendo entre os dois últimos grupos.”

Só está nos faltando para chegarmos ao mundo perfeito, na concepção desses compradores de sêmen, um cientista que, como Bertrand Zobrist (quem leu o livro “Inferno”, de Dan Brown, sabe quem é), desenvolva um vírus que impeça a fertilidade de todos os negros.

Aliás, uma ideia bem antiga. Monteiro Lobato publicou em 1926 seu livro para adultos “O presidente negro”, imaginando que no longínquo ano de 2228 seria eleito nos Estados Unidos o primeiro presidente negro. Como reação, um laboratório farmacêutico branco lançou um produto que espicharia o cabelo de todo negro que o usasse. Foi um sucesso imediato de venda. Todos os negros compraram. E todos nunca mais puderam ter filhos.

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Um comentário sobre “A eugenia branca no Brasil

  1. Analisemos estas verdades: 1) Entre os negros existem muito menos psicopatas do que entre os brancos; 2) Existe muito mais gente bondosa e de bom caráter entre os negros do que entre os brancos; 3) Pergunte a um adulto cego, filho de pais cegos, se ele queria ter nascido cego e ele dirá que não. Portanto, os pais dele cometeram, no mínimo, uma maldade; 4) Pergunte a um negro se ele gosta de seu próprio cabelo e ele dirá que não. Agora, a dúvida: será que este negro adulto filho de mãe negra, não teria preferido que sua mãe tivesse sido inseminada com semem loiro, para que ele tivesse o cabelo mais maneável ao pente? Fora isso, o negro é bonito, e não há motivo outro para a escolha em pauta.

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