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A morte de Rodrigo Bossi, o delegado que descobriu a farsa da turma do Aécio Neves

Texto escrito por José de Souza Castro:

Deputado Rogério Corrêa prestou homenagem ao delegado.

Publicamos uma vez aqui sobre o delegado Rodrigo Bossi de Pinho, quando ele revelou a farsa que tinha sido a prisão de Marco Aurélio Flores Carone, o criador do “Novo Jornal”. É triste que a segunda vez que falamos sobre ele seja para lamentar sua morte, no dia 1º de janeiro, aos 51 anos, exatamente no dia em que o deputado Aécio Neves recebia alta de um hospital em Florianópolis (SC), onde na véspera sofrera uma cirurgia de emergência por causa de um apendicite.

Vai fazer falta à polícia mineira, levado por um câncer descoberto em fevereiro de 2019, um delegado que, como chefe do Departamento de Fraudes da Polícia Civil de Minas, declarou que Carone era o “único, autêntico, preso político pós-redemocratização” e que seu caso deveria ser apreciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Carone foi preso em janeiro de 2014, ano em que Aécio Neves iria concorrer à presidência da República pelo PSDB. Essa história é bem conhecida e já escrevi bastante sobre ela. Mas a morte do delegado que descobriu a fraude, só soube dela ao ler três dias depois numa reportagem assinada pela jornalista Conceição Lemes, no Viomundo.

O delegado Bossi e sua equipe conduziram as investigações que desmascararam “uma farsa de mais de uma década envolvendo a turma do tucano Aécio Neves”, escreveu Conceição. “Eles tinham plena convicção de que Carone e Nilton (Monteiro) foram vítimas de uma organização criminosa que operou em Minas Gerais para perseguição política”, acrescentou.

A novidade na reportagem, para mim, foi a participação do então governador Fernando Pimentel, do PT, na proteção à turma de Aécio, dificultando o trabalho da equipe de Bossi.

“Meu primeiro contato com o doutor Rodrigo Bossi foi em 20 de março de 2018, via whatsapp”, revelou a jornalista. “Disse-lhe que gostaríamos de entrevistá-lo sobre as delações de Marcos Valério e Nilton Monteiro (ele começava a tocá-las) e principalmente a respeito das megapressões que estava  enfrentando. Pudera. Estava lidando com todo o esquema de corrupção montado pelo grupo político de Aécio, com ramificações na Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Poder Judiciário”.

O delegado respondeu que não podia dar entrevista sem autorização do governo e que essa autorização nunca era dada. “Não estão me deixando falar. Têm o rabo preso. E, ainda por cima, estão conchavando para as eleições”, disse Bossi.

De fato, Conceição Lemes não conseguiu que a autorização fosse dada para entrevistar o delegado. E agora ela publica a íntegra de uma mensagem que recebeu um dia depois da morte do de Bossi. Foi escrita pela viúva, a arquiteta Sandra Fagundes Fernandino, e pode ser lida AQUI.

Não foi a primeira vez que Sandra saiu em defesa do marido. Pouco depois da morte de Marielle Franco, ela escreveu no Facebook: “… hoje a bala foi disparada para calar meu marido, Rodrigo Bossi de Pinho, delegado chefe do Departamento de Fraudes da Polícia Civil de MG. Investigando fraudes cometidas nos processos que invalidaram a famosa Lista de Furnas, Rodrigo vem sendo perseguido por muitos, inclusive por membros e representantes da própria Polícia Civil, que direta ou indiretamente poderão ser afetados pelas suas investigações.”

Ela se indignara por uma reportagem do jornal “Estado de Minas”, em que o marido não fora ouvido, mas sim um “delegado que presidiu o inquérito no passado e que, provavelmente, está se sentindo ameaçado. E a reportagem vem bem no momento em que Marcos Valério assina a sua delação com o Dep. de Fraudes, garantindo ter provas que comprovam fatos da investigação. É chocante como parte da nossa imprensa ainda se presta ao papel infame de garantir o poder dos poderosos a qualquer custo e de desprezar a sua função primordial de informar a população”, acrescentou Sandra Fagundes Fernandino.

Ao conhecer a história de Rodrigo Bossi de Pinho, contada por Sandra Fagundes Fernandino, renovei minhas esperanças de um Brasil melhor, apesar de todos os Aécios e Bolsonaros e Pimenteis.

 


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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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