Sobre a prisão de um jornalista mineiro

Na última segunda-feira, o jornalista Marco Aurélio Flores Carone foi preso, acusado de integrar uma quadrilha que falsifica documentos e faz denunciações caluniosas. Segundo a decisão da juíza Maria Isabel Fleck, com data de 17 de janeiro, o jornalista seria o “relações públicas” do grupo, ao publicar informações negativas “falsas” contra autoridades em seu jornal virtual, o “Novo Jornal” — que faz oposição aberta ao governo estadual mineiro, desde os tempos em que Aécio Neves era governador.

Já deve fazer pelo menos uns cinco anos que eu não acessava o “Novo Jornal” (até hoje) e a única vez que vi pessoalmente o jornalista agora preso foi em 2008, quando ele denunciou que o escritório onde funciona o jornal tinha sido arrombado, invadido e que vários documentos, arquivos e computadores tinham sido furtados. (Na época, fui lá apurar para uma matéria para a Agência Folha, mas acabou saindo um registro apenas no “Observatório da Imprensa” e em outros sites e blogs que se preocupam com a liberdade de imprensa.)

Portanto, não tenho como afiançar nada a respeito do trabalho de Carone, de sua pessoa, ou mesmo da qualidade ou credibilidade das notícias que são publicadas em seu portal. O que posso dizer, desde já, é que considero grave uma juíza decidir o que é ou não é informação de conteúdo jornalístico, para determinar se essas informações podem ou não ser publicadas por um jornal, virtual ou não. Imaginem se a moda pega e o mesmo é feito contra veículos consolidados, como a “Veja” ou a “Carta Capital”, que às vezes fazem uma reportagem inteira apenas com base em informações em off?

Desde 2008, promotores se preocupam em retirar do ar o site do “Novo Jornal”. Chegaram a conseguir, por um período. Depois, ações em outras instâncias retomaram o direito de publicação do site. Descontentes, agora decidiram pedir a prisão do dono. Para o sindicato dos jornalistas de Minas, o que houve é um “ataque ao direito e à liberdade de expressão”. Para o bloco de deputados Minas Sem Censura, trata-se de “censura prévia”.

Luiz Egypto, redator chefe do “Observatório da Imprensa”, pediu que meu pai tecesse suas observações sobre o que houve. É a manchete da edição de hoje do portal. Acho que é uma oportunidade de reflexão para jornalistas e não jornalistas, mineiros ou não. CLIQUEM AQUI para ler.

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3 comentários sobre “Sobre a prisão de um jornalista mineiro

  1. Eu acabei de ler o artigo “A prisão do dono do ‘Novo Jornal’” por José de Souza Castro, e ultimamente venho lendo vários artigos sobre a “ditadura absolutista” que vem e está a ser vivida em Minas.
    Mas quem sou eu para falar da ausência de democracia em Minas se os seus governantes são eleitos pelos votos dos cidadãos Mineiros?! Portanto, a alteração dos eleitos em tempo de eleições(não confio em urnas eletrônicas), são da vontade e da responsabilidade de quem exerce o direito(obrigação) de votar.
    O melhor modo de tentar acordar uma democracia, é mudar a qualidade do voto em cada eleição para que determinados políticos não se abanquem em lugares indevidos, mas isso está no modo de pensar e agir de cada um de nós!

    Bom artigo!

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  2. A liberdade de expressão não pode ser utilizada como escusa para se atacar valores e princípios tão fundamentais como a honra, a intimidade e a dignidade da pessoa humana.

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