Vamos abraçar o Outubro Rosa?

Micelle, em foto de Gustavo Andrade para a revista “Canguru” de outubro.

Acho que todo mundo conhece alguém que já teve câncer de mama. É impressionante a incidência desse tipo de câncer em mulheres de meia-idade — e é o segundo tipo mais comum entre mulheres no Brasil e em todo o mundo. Estima-se quase 60 mil novos casos ao ano.

No entanto, as pessoas só falam a respeito neste mês de outubro, quando a campanha do Outubro Rosa desperta o tema nos noticiários e redes sociais. Afinal, câncer é tabu. É aquela doença que só acontece com os outros.

Uma pena que seja assim, porque o diagnóstico precoce — em qualquer  tipo de câncer — aumenta consideravelmente as chances de cura. Cura mesmo. Já falei sobre isso ao trazer para o blog o árduo assunto do câncer em crianças (lembram do Setembro Dourado?). No caso do câncer de mama (que também acomete homens, sabia?), mais de um terço dos pacientes podem ser curados se o tumor for descoberto logo no início.

Comecei o post falando que todo mundo conhece alguém que teve câncer de mama. Eu conheço um caso emblemático: minha mãe. Ela é um exemplo de como o diagnóstico precoce leva à cura. Seu depoimento foi compartilhado aqui no blog no ano passado, se você ainda não leu.

Também fiquei conhecendo mais duas mulheres guerreiras, em tratamento contra o câncer de mama, na reportagem que saiu neste mês na revista “Canguru”, apurada e escrita pela ótima repórter Rafaela Matias.

Micelle, de 39 anos, que soltou as seguintes frases: Continuar lendo

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Os 10 relatos mais marcantes do #EuEmpregadaDoméstica

Laudelina de Campos Melo, mineira de Poços de Caldas, fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil, em 1936. Foto: Reprodução / Facebook

Laudelina de Campos Melo, mineira de Poços de Caldas, fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil, em 1936.

Primeiro, eis um breve raio X do trabalho doméstico no Brasil:

  • 92% dos empregados domésticos são mulheres;
  • 14% das brasileiras ocupadas no Brasil trabalham como domésticas;
  • Elas são 5,9 milhões de mulheres;
  • Salário médio das domésticas é de R$ 700 (lembrando que, desde janeiro deste ano, o salário mínimo nacional é de R$ 880);
  • Mais de 70% não têm carteira assinada;
  • As negras têm situação ainda pior que as brancas (salário mais baixo e menos carteira assinada)

Vendo esses números, dá para concluir que, quantitativamente, a situação das empregadas domésticas é péssima. São muitas mulheres que ganham mal e trabalham informalmente.

Apesar de elas terem conquistado vários direitos trabalhistas importantes, qualitativamente, continuam sendo tratadas como escravas modernas, ao menos em muitos lares.

Preta-Rara. Foto: Divulgação

Preta-Rara. Foto: Divulgação

É aí que eu queria chegar. Se você senta pra conversar com qualquer doméstica, ouve histórias de arrepiar os cabelinhos da nuca. Imagine ler dezenas de relatos, de várias trabalhadoras diferentes, compilados de uma vez só?

Foi o que fez a rapper e professora Preta-Rara, ex-doméstica, ao divulgar com muita habilidade, por meio do Facebook, os relatos de várias domésticas, ex-domésticas, filhos de domésticas. Tudo sob o guarda-chuva da hashtag #EuEmpregadaDoméstica, que também já repercutiu no Twitter.

Ela conta como teve a ideia de fazer essa divulgação:

preta

Repare que a página foi criada no dia 19 de julho, ou seja, há exatamente uma semana. E, enquanto escrevo este post (noite de segunda-feira), a página criada por Preta-Rara já está com mais de 100 mil seguidores. Em apenas quatro dias de existência, ela já tinha recebido mais de 5.000 relatos.

O que explica tamanho sucesso? Depoimentos como estes abaixo, que selecionei para o blog. São um soco no estômago e suscitam reflexões, debates, INCÔMODOS. São almas sendo lavadas, ainda que tardiamente: Continuar lendo

“New York Times” defende a produção e o uso da maconha

Foto: Stockxpert

Foto: Stockxpert

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma posição que eu gostaria de ter defendido nos dois anos em que redigi os editoriais de um jornal mineiro, entre junho de 2012 e junho de 2014, passa a ser defendida nesta semana, numa série de editoriais, pelo “New York Times”: a legalização da maconha. A notícia pode ser lida AQUI.

Nunca fui usuário, mas meu interesse pela droga vem de muito tempo. Logo no início de meu curso de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1968, descobri que havia entre meus colegas alguns maconheiros – como eram chamados pejorativamente os usuários. Eles eram incentivados principalmente pelo desejo de contestação à ditadura, que travava dura batalha contra a maconha, e pelo movimento da juventude, em vários países, contra a guerra do Vietnam.

No curso, os maconheiros eram minoria. Chamavam de “caretas” os outros, e faziam proselitismo, tentando sair da posição incômoda de minoria pelo menos ali, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, a mais ligada às questões políticas e sociais entre todas as unidades da UFMG.

Desde adolescente, resolvi não experimentar cigarros, para não me viciar como meu pai. E estendi a decisão à maconha, mesmo acreditando, na faculdade, que seus males eram menores que os do tabaco. O professor José Elias Murad, um especialista em drogas, a quem entrevistei para o “Jornal da Universidade”, tinha uma posição parecida. A entrevista causou polêmica, e anos mais tarde parece que esse médico e farmacêutico mudou de opinião.

Como também mudou, mas inversamente, o “New York Times”, que é agora o maior jornal dos Estados Unidos a assumir a defesa da legalização da maconha, embora ache legítimas as preocupações da população quanto aos malefícios do vício. “Nós acreditamos que, em todos os aspectos — efeitos para a saúde, impacto na sociedade e temas de ordem pública — a balança pende para o lado da legalização nacional”. No outro prato da balança, o álcool e o tabaco.

A posição foi tomada depois de uma grande discussão entre os membros do conselho editorial do jornal, “inspirado num movimento que vem se expandindo rapidamente entre os Estados por reformas das leis sobre maconha”. Dos 50 Estados norte-americanos, 34 já adotaram alguma mudança sobre o uso e a produção e existem dois projetos de lei no Congresso dos Estados Unidos para alterar a lei que há mais de 40 anos aprovou a proibição da maconha, “prejudicando a sociedade ao proibir uma substância tão menos perigosa que o álcool”, diz o editorial.

Segundo o “New York Times”, são altos os custos sociais de tais leis contra a maconha. Cita dados do FBI: em 2012, foram feitas nos EUA 658 mil prisões por posse de maconha e 256 mil por uso de cocaína, heroína e derivados. “Para piorar, o resultado é racista, atingindo de forma desproporcional jovens negros, arruinando suas vidas e criando novas gerações de criminosos de carreira”, diz o editorial.

Ele compara com a proibição do álcool nos EUA. Durante 13 anos, a partir de 1920, enquanto vigorou a Lei Seca, as pessoas continuaram bebendo e a criminalidade cresceu, afirma.

A mim, o que preocupava mais, quando desejava escrever a respeito – e não o fiz, porque não havia no jornal um conselho editorial e não me animei a tomar sozinho tal posição – era a corrupção policial gerada pelo suposto combate à maconha. Se dependesse de mim, não apenas a maconha deveria ser liberada. Em vez de gastar recursos com o combate às drogas, o dinheiro seria mais bem empregado com a conscientização das pessoas, por meio da educação e de campanhas bem feitas, sobre os malefícios de seu uso. Eu incluiria o álcool e o tabaco, que são mais prejudiciais que a maconha, mas que, por serem legalizados, não contribuem para a corrupção policial.

Será interessante a leitura desses editoriais do “New York Times”. O jornal anunciou em seu site que serão publicados seis deles, até o dia 5 de agosto, abordando os aspectos criminais, históricos, de saúde e regulamentação da maconha. Como esse jornal dos Estados Unidos pode ter mais influência sobre as autoridades brasileiras que os locais, algumas mudanças talvez venham a ocorrer por aqui.

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Educação vale mais que multa

É o que aprendemos quando assistimos ao vídeo abaixo que, segundo é informado no Youtube, mostra o trabalho de um agente de trânsito que foi escolhido pelos próprios condutores como um exemplo e foi homenageado pelo Detran durante a Semana Nacional do Trânsito de 2011:

Ao contrário de muitos outros agentes, que possivelmente têm metas a cumprir, esse inspetor está muito mais preocupado em conscientizar e educar os motoristas, motociclistas e pedestres do que em multá-los. E, aparentemente, tem dado certo, a ponto de vermos vários motoristas parando nas faixas (e sendo aplaudidos, como quando fazemos quando um bebê reproduz direitinho alguma coisa recém-ensinada) e obedecendo ao agente só na base da conversa. Não vi bloquinho de autuação em todos os quase quatro minutos de filme.

Cidades como São Paulo e Beagá estão precisando de políticas públicas que valorizem esse tipo de postura.