Será que desta vez vai? Começou a contagem regressiva para as férias!

 

No dia 7 de junho do ano passado, escrevi ESTE POST AQUI falando que faltava 1 mês para minhas férias. Nele, eu contava como tirei poucas férias na vida, como cheguei a ficar 4 anos sem descanso de verdade, como as últimas férias pra valer tinham sido as de 2015, e estava feliz da vida, crente que, em julho, eu tiraria aquele um mês de férias remuneradas com que todo trabalhador sonha.

Só que, em julho, a revista em que eu trabalhava na época, e da qual era a editora, acabou. A “Canguru”, que eu vi nascer em 2015, para onde fui trabalhar quase um ano depois, de onde fui demitida pela primeira vez na vida após cinco meses – e recontratada em menos de um mês –, acabou se acabando de vez, depois de tantos altos e baixos. As pessoas não aguentaram mais um mês sem receber, tantas dívidas trabalhistas acumuladas, e todos pularam fora do barco. Não sei até hoje se foi uma falência ou uma implosão.

O processo foi doloroso – afinal, eu tinha me entregado de corpo e alma para o projeto durante dois anos, editei um total de 50 revistas, vi a “Canguru” chegando ao Rio e a São Paulo chutando a porta – e até hoje acho que não assimilei muito bem. (Fora o calote que todos levamos).

Mas este não era o tema deste post. O que eu queria contar é que aquela contagem regressiva não valeu nada, não tive minhas tão esperadas férias no ano passado (até tirei uma semana de folga antes de encarar outro trabalho, mas estava tão falida, contando tanto os centavos, que não deu para relaxar de verdade).

Fico com medo de ser algum tipo de maldição. Será que agora vai? Posso fazer a contagem regressiva ou algo cabuloso vai acontecer de novo? Como não sou muito mística, resolvi passar por cima desta bobagem e voltar a fazer risquinhos no calendário (inclusive aí no canto superior direito do blog):

SIM, FALTA UM MÊS! UM MÊS APENAS! FÉRIAS REMUNERADAS!

– Vem “ni mim”, 4 de novembro!

No dia 3 ainda trabalho, de plantão no domingo, mas, assim que a música de encerramento do “Fantástico” tocar, darei meu primeiro gritinho de alegria e de alívio, porque

PRE-

CI-

SO

DES-

CAN-

SAR.

E não é nem só porque minhas últimas férias de verdade foram em 2015, e porque desde então tenho um filho pequeno pra criar, e porque ralo muito em todos os trabalhos da minha vida, e nem porque passei por um processo traumático no meu trabalho anterior, mas também porque, afinal, este é um ano em que tivemos que lidar com Bolsonaro, com Brumadinho e com todas as demais tragédias diárias deste país em retrocesso. É muita notícia e muita notícia ruim pra ser noticiada. Haja férias pra compensar!

Ufa.

 

P.S. Pra quem acompanha este blog, me aguarde: assim que eu conseguir descansar bastante, vou dar um trato nisto aqui! Vai ficar lindo 😉

 

Leia também:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

Anúncios

Começou a contagem regressiva para as férias!

Eu tive muito poucas férias na vida.

Mesmo quando era “funcionária pública”, concursada pelo Banco do Brasil — a empresa mais certinha em termos de direitos trabalhistas na qual já trabalhei na vida –, eu sempre tirava férias quando já estava quase vencendo o prazo de dois anos. Na época, o esforço era para conciliar as férias no trabalho com a pausa na faculdade, em meses muito disputados também por outros colegas.

Daí entrei na “Folha de S.Paulo” e, bom, fiquei quatro anos sem férias de verdade. No máximo, uns dias de pausa perto do Natal.

Depois voltei a Beagá em outubro de 2012 e fui tirar minhas primeiras férias em maio de 2014. Merecidíssimas, desejadíssimas, foram minhas melhores férias de que consigo me lembrar. Pegamos o carro e descemos vários quilômetros em uma road trip até Santa Catarina, com diversas paradas por praias, cachoeiras e pela maravilhosa Serra da Mantiqueira. Lavei a alma e voltei com pique total para o jornal “O Tempo”.

Depois tive férias de novo em julho de 2015, já grávida, bastante prejudicadas por uma sinusite que me derrubou por uma semana. E em maio de 2016, emendando com a licença-maternidade, que eu não considero que tenham sido férias de verdade, porque era o dia inteiro por conta do Luiz, naquela fase da vida de mãe em que eu mal conseguia sair de casa por meia hora sozinha, porque tinha que amamentar toda hora e blablablá. E foi isso.

Daqui a exatamente 1 mês, terei minhas primeiras férias de verdade desde 2015, férias com direito a viajar, a desconectar, a refugiar, a esquecer senhas, a ler um bom livro, a sair da rotina até cansar. Ahhh, mais uma vez, espero ansiosamente pela oportunidade de lavar a alma, para voltar renovada, desestressada, pronta pra dar o gás total de novo.

Eu sou uma pessoa quase workaholic, custo a me desligar do trabalho no dia a dia, dou um gás sobre-humano em todos os empregos, visto a camisa completamente do trabalho que eu estiver exercendo no momento, nunca faço só o que me é pedido, sempre tento ir além, e além, e além. Mas considero o descanso uma das coisas mais essenciais do universo. Pra alguém com tanta carga de energia como a que eu dedico, se não tiro um descanso nos fins de semana, uma hora, eventualmente, eu pifo.

Folgas são fundamentais.

Com isso em mente, e curiosa, fui pesquisar sobre a origem das férias. Fiquei surpresa ao constatar que são poucos os textos a respeito no Google, e poucos com qualidade. O melhor que achei foi este do TST, que traz um histórico mundial da adoção das férias, além de algumas regras e curiosidades. Recomendo a leitura na íntegra, mas destaco uns trechos muito interessantes:  Continuar lendo

Os 10 relatos mais marcantes do #EuEmpregadaDoméstica

Laudelina de Campos Melo, mineira de Poços de Caldas, fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil, em 1936. Foto: Reprodução / Facebook

Laudelina de Campos Melo, mineira de Poços de Caldas, fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil, em 1936.

Primeiro, eis um breve raio X do trabalho doméstico no Brasil:

  • 92% dos empregados domésticos são mulheres;
  • 14% das brasileiras ocupadas no Brasil trabalham como domésticas;
  • Elas são 5,9 milhões de mulheres;
  • Salário médio das domésticas é de R$ 700 (lembrando que, desde janeiro deste ano, o salário mínimo nacional é de R$ 880);
  • Mais de 70% não têm carteira assinada;
  • As negras têm situação ainda pior que as brancas (salário mais baixo e menos carteira assinada)

Vendo esses números, dá para concluir que, quantitativamente, a situação das empregadas domésticas é péssima. São muitas mulheres que ganham mal e trabalham informalmente.

Apesar de elas terem conquistado vários direitos trabalhistas importantes, qualitativamente, continuam sendo tratadas como escravas modernas, ao menos em muitos lares.

Preta-Rara. Foto: Divulgação

Preta-Rara. Foto: Divulgação

É aí que eu queria chegar. Se você senta pra conversar com qualquer doméstica, ouve histórias de arrepiar os cabelinhos da nuca. Imagine ler dezenas de relatos, de várias trabalhadoras diferentes, compilados de uma vez só?

Foi o que fez a rapper e professora Preta-Rara, ex-doméstica, ao divulgar com muita habilidade, por meio do Facebook, os relatos de várias domésticas, ex-domésticas, filhos de domésticas. Tudo sob o guarda-chuva da hashtag #EuEmpregadaDoméstica, que também já repercutiu no Twitter.

Ela conta como teve a ideia de fazer essa divulgação:

preta

Repare que a página foi criada no dia 19 de julho, ou seja, há exatamente uma semana. E, enquanto escrevo este post (noite de segunda-feira), a página criada por Preta-Rara já está com mais de 100 mil seguidores. Em apenas quatro dias de existência, ela já tinha recebido mais de 5.000 relatos.

O que explica tamanho sucesso? Depoimentos como estes abaixo, que selecionei para o blog. São um soco no estômago e suscitam reflexões, debates, INCÔMODOS. São almas sendo lavadas, ainda que tardiamente: Continuar lendo

Um governo interino que age como se não o fosse

Texto escrito por José de Souza Castro:

A Petrobras acena que até o fim deste ano mais da metade do petróleo extraído no Brasil virá dos campos do pré-sal. Em junho, conforme a empresa informou nesta semana, a produção nessa área chegou a 1,24 milhão de barris de óleo equivalente (petróleo + gás natural), ou seja, 40% do óleo produzido no país. As multinacionais do petróleo cobiçam o pré-sal brasileiro e contam com a boa vontade do governo interino de Michel Temer – que tem agido com a desenvoltura de quem não é simples interino.

Coletiva com a Imprensa da Presidência da CNI, Robson braga de Andrade. Foto Miguel Ângelo

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Foto de Miguel Ângelo

Pior: um governo fraco e, por isso, sujeito às pressões. Quanto mais ricos os grupos de pressão, mais as possibilidades de serem atendidos. Talvez até exagerem nessa percepção, como fez recentemente o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade.

Os mineiros o conhecem bem. Eu mesmo tive a oportunidade de fazer-lhe um perfil com base em informações do ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas, Stefan Salej, no livro “O Enigma Salej”. No mínimo, foi apontado como traidor – o que o aproxima de Michel Temer, com quem se reuniu no dia 8 de julho com mais uma centena de empresários do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).

Na saída, Robson defendeu, em entrevista, mudanças duras na Previdência Social e nas leis trabalhistas. “No Brasil”, disse o presidente da CNI, “temos 44 horas de trabalho semanal. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36, passou para a possibilidade de até 80 horas de trabalho semanal”. Além do retrocesso das 80 horas semanais, citou números errados para justificar o injustificável.

Há 15 anos, a editora Sextante, do Rio, publicou o livro “A Economia do Ócio”, do filósofo italiano Domenico de Masi. Trecho: Continuar lendo

Salários de juízes e de professores, uma aberração da cultura brasileira

Charge de Jarbas

Charge de Jarbas

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma esperança para os professores estaduais paulistas. O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, nomeou o desembargador José Renato Nalini secretário da Educação. O novo secretário sabe da importância de uma boa remuneração para o exercício correto da profissão.

Pelo menos, a dos juízes. Diz ele, nesse vídeo que agora está bombando na Internet, ao defender o auxílio-moradia para os juízes, que ele serve para que “o juiz fique um pouquinho mais animado, não tenha tanta depressão, tanta síndrome de pânico, tanto AVC etc.”

Se não mudou de opinião no novo cargo, o desembargador talvez use os mesmos argumentos (ou parte deles, porque os professores dispensam a parte que fala de ir a Miami para comprar ternos) para defender o reajuste dos salários dos mestres.

O governo federal reajustou no dia 16 deste mês de janeiro o piso salarial dos professores da rede pública de ensino no país. Com o reajuste de 11,36% em relação ao ano passado, o piso sobe para R$ 2.135 por mês. Mas governadores tentam evitar que o piso entre em vigor agora.

Se entrar, um professor, com o novo piso, vai ganhar 11 vezes menos que um juiz, sem contar os vários benefícios e gratificações extras — como o auxílio-moradia –, que são recebidos por todos os juízes. No tribunal do Rio de Janeiro, “entre proventos e benefícios, há juízes recebendo 150 mil mensais”, diz a jornalista e escritora brasileira Cláudia Wallin. Ela mora na Suécia, e escreveu um artigo para um site comparando o comportamento – e os salários – dos juízes suecos e brasileiros. Trecho:

“Em nenhuma instância do Judiciário sueco, magistrados têm direito a carro oficial e motorista pago com o dinheiro do contribuinte. Sem auxílio-aluguel e nem apartamento funcional, todos pagam do próprio bolso por seus custos de moradia.

Para viver em um país que tem um dos mais altos impostos do mundo, e um dos custos de vida mais elevados do planeta, os juízes suecos têm salários que variam entre 50 mil e 100 mil coroas suecas – o equivalente a cerca de R$ 16,5 mil e R$ 33 mil, respectivamente.

Para ficar no exemplo dos vencimentos máximos de um magistrado sueco: descontados os impostos, um juiz da Suprema Corte da Suécia, que tem um salário de 100 mil coroas, recebe em valores líquidos o equivalente a cerca de R$ 18,2 mil por mês.

No Brasil, um juiz federal recebe salário de 25,2 mil, e os ministros do STF – que ganham atualmente 29,4 mil – aprovaram proposta para aumentar os próprios salários para 35,9 mil. Isso sem contabilizar os diferentes benefícios e gratificações extras disponíveis para as diferentes categorias do Judiciário (…)

Também não há Excelências entre os magistrados suecos. Assim me lembra Göran Lambertz, juiz do Supremo Tribunal da Suécia, quando pergunto a ele sobre suas impressões acerca dos recentes benefícios reivindicados pela Corte brasileira.

‘Claudia, mais uma vez peço a você que me chame de Göran. Estamos na Suécia’, ele diz, quando o chamo mais uma vez de ‘Sr. Lambertz’. E prossegue: ‘É realmente inacreditável saber que juízes se empenham na busca de tais privilégios. Nós, juízes, somos pagos com o dinheiro dos impostos do contribuinte, e temos que ser responsáveis. Juízes devem ser elementos exemplares em uma sociedade, porque é deles que depende a ordem em um país. E é particularmente importante que não sejam gananciosos.’”

Pergunta-se: qual a justiça mais respeitada por seus cidadãos: a brasileira ou a sueca? Sem esperar pela resposta, por óbvio, acrescento: quem é mais respeitado no Brasil, um professor que ganha R$ 2.135 por mês ou um juiz que ganha R$ 150 mil?

Dado o caráter dos brasileiros, acostumados a séculos de subjugação pelos poderosos daqui e de além, não me animo a garantir que a resposta seja “o pobre professor”. E nem deveria, pois sou um defensor de melhores salários para o professor. E não creio nessa conversa de que o mestre, por exercer uma profissão missionária, não precisa ganhar bem.

Por semear saberes, o professor precisa ser dignamente remunerado. Até mesmo para que não seja desrespeitado dentro da sala de aulas por um aluno cujo pai ganha bem mais que o professor. Aluno que cresceu numa uma cultura como a desse desembargador defensor dos privilégios da casta a que pertence e que, dificilmente, vai se rebaixar a defender com denodo uma casta que deve julgar bem inferior – a dos professores.

Para concluir, corrijo então a primeira frase do artigo: a nomeação do desembargador não renova a esperança dos professores da rede pública no Estado mais rico do país. Em São Paulo, conforme essa notícia de junho de 2015, eles tinham remuneração por hora de R$ 15,10 e salário-base de R$ 2.415,89. Menor, quem diria, que Minas Gerais (R$ 15,16 e R$ 2.425,50). Minas, como já foi afirmado aqui no blog, destaca-se entre os Estados que pagam os piores salários aos professores.

tarja_licenca

Leia também:

faceblogttblogPague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!