15 capas de jornais sobre o ataque a Bolsonaro e uma tentativa de analisar o impacto disso nas eleições

No dia 18 de agosto de 2014, escrevi aqui no blog que estava se desenhando um cenário em que Dilma e Marina iriam ao segundo turno. Tinha se passado apenas cinco dias desde a morte de Eduardo Campos, que era líder da chapa com Marina Silva, e o país estava ainda repercutindo fortemente o acidente fatal de avião.

Como bem sabemos, Marina subiu mesmo pouco depois da morte de Campos, mas depois voltou a cair, enquanto o eleitorado de Dilma e de Aécio se manteve firme e forte, levando ao segundo turno, mais uma vez, um candidato do PT e um do PSDB.

Por isso, é precipitadíssimo dizer que uma facada que não levou a grandes sequelas (até onde se sabe) num candidato radical de extrema-direita que tem altíssimos índices de rejeição e parecia já ter atingido seu teto possa fazer com que ele seja eleito. Ou mesmo com que vá ao segundo turno.

Dito isso, passo a ponderar que o que valeu para 2014 não tem nada a ver com o que se passa no país quatro anos depois. O que mudou de lá pra cá?

  • A campanha eleitoral se tornou muito mais curta. Naquele ano, Marina ficou forte por cerca de um mês e depois murchou. Agora, falta apenas um mês para o pleito.
  • O principal líder de todas as pesquisas de opinião já feitas até hoje, que é o Lula, favoritíssimo a vencer ou a ir ao segundo turno, está preso e impedido de concorrer. E enrolando pra passar o bastão para o vice, ao contrário do que aconteceu quando Campos morreu. Numa estratégia muito questionável, que mantém Haddad com míseros 4% de intenção de voto, já que nem sequer pode se apresentar como candidato, mesmo que faltando tão pouco para o dia da votação.
  • Se em 2014 o país já ficou muito polarizado, neste ano, a radicalização parece ter atingido um auge, sem falar no conservadorismo e no fanatismo. O discurso de ódio se fortaleceu, muito por causa do candidato do PSL agora alvo de violência de um aparente doido. Outro dia mesmo ele estava dizendo que “ia fuzilar a petralhada“. E diz coisas assim, que incitam a violência, para grande alegria de seu eleitorado, que é principalmente formado por homens e jovens (exemplos abaixo). Quando o cara é esfaqueado, em vez de seus apoiadores pregarem a calmaria dos ânimos, saem disparando nas redes sociais que “têm certeza” que foi um partido de esquerda que armou isso etc. Certamente vão ser multados ou ter que se retratar de alguma forma, mas o que repercute, nesses tempos de pós-verdade, é a asneira dita primeiro e não a retratação sussurrada semanas mais tarde.

Pela primeira vez em muitos anos, chegamos a um mês das eleições sem ter a menor ideia de quem vai ao segundo turno. Bolsonaro pode ter saído fortalecido desse ataque, não só pelo sentimento de empatia que o brasileiro constrói com pessoas que sofrem violência ou que morrem, mas também – e talvez principalmente por isso – porque os adversários vão pegar mais leve com ele a partir de agora, temendo soarem desrespeitosos etc. O tucano Alckmin, que é quem mais vinha batendo em Bolsonaro na campanha eleitoral, a fim de abocanhar o eleitor de direita, já retirou trechos de sua propaganda política que continham críticas ao militar. Então o candidato da extrema-direita, que já não queria participar de debates para não ser humilhado de novo, agora vai ter 30 dias para ficar quietinho e ainda ser poupado pelos adversários, aparecendo, quando quiser, só no terreno onde suas ideias prosperam com mais facilidade: no lodo das redes sociais.

Então é bem possível, como aposta Fernando Barros e Silva, que foi editor de política da “Folha de S.Paulo” por muitos anos e desde 2012 comanda a redação da revista Piauí, que Bolsonaro chegue mesmo ao segundo turno. Contra quem? Haddad, se Lula conseguir transferir votos para ele a tempo? Ciro Gomes, que parece estar crescendo? Marina, que também vem crescendo um pouco, surpreendentemente? Ou mesmo Alckmin, que está numa situação bem menos confortável, mas tem imenso tempo na TV?

Quase tudo pode acontecer em um mês, e esse ataque a faca só serviu para embolar mais as especulações, acirrar mais os ânimos e aumentar ainda mais o (baixo) nível dos discursos de ódio na internet (e quiçá nas ruas). Que já não vinha bem há tempos, bastando lembrar os tiros que a caravana do Lula recebeu no Paraná no início do ano. E arma de fogo mata, até mais do que facas – como Bolsonaro bem sabe.

Que medo que dá viver em um país com tal nível de fragmentação, com tal possibilidade de “vale-tudo”, com tal incerteza. Boa sorte para nós em outubro! E principalmente depois de outubro!


Abaixo, destaco 15 capas de jornal de hoje, mantendo minha tradição de registrar como a imprensa noticiou dias históricos. Porque não há dúvida de que essa facada foi um divisor de águas nestas eleições, e talvez no futuro próximo do país. Qual destas capas você acha que acertou mais (ou errou menos), e por quê?

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Alckmin quer acabar com o Ministério do Trabalho. Se Caio Vieira de Mello não acabar antes

Texto escrito por José de Souza Castro:

De Ricardo Kotscho em seu blog, comentando a entrevista chocha de Geraldo Alckmin no Roda Viva da TV Cultura: “A única novidade foi Alckmin revelar que tem a intenção de extinguir o Ministério do Trabalho, sem dizer o que colocar no lugar para equilibrar o jogo de forças dentro do governo.”

Depois de tudo que se fez para deturpar uma das primeiras iniciativas do governo revolucionário de Getúlio Vargas, não vou lamentar o triste fim do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, como foi chamado em 1930, se o tucano vencer as eleições e cumprir pelo menos essa promessa.

O último dos ministros nomeados para a pasta por Michel Temer é, de fato, o homem certo no lugar certo para bater o prego no caixão de um órgão público criado, sobretudo, para defender o trabalhador do jugo feroz de industriais e comerciantes.

Não deixa de ser irônico que o homem do prego no caixão seja um juiz do Trabalho não concursado, nomeado por influência de seu pai, um juiz que se destacou, na presidência do Tribunal Regional do Trabalho, em Belo Horizonte, por dar emprego ali a “um filho, duas filhas, um genro (filho do deputado Cícero Dumont, da Arena, que também teve uma filha nomeada), dois cunhados e seis sobrinhos”, como escrevi no livro “Injustiçados – o caso Portilho”, disponível na biblioteca deste blog.

O filho nomeado pelo então presidente do TRT não foi Caio, mas o pai deste. Caio entrou no livro apenas como este pé de página, na página 58:

“É preciso esclarecer: esse Luiz Philippe Vieira de Mello acusado de nomear 15 de seus parentes no TRT e depois ser nomeado para o TST não é o atual ministro do Superior Tribunal do Trabalho Luiz Philippe Vieira de Mello Filho. É pai. Depois de se aposentar no TST, o filho assumiu uma vaga ali, saído do TRT mineiro. Mais ou menos na mesma época, por mera coincidência, foi nomeado para o TRT mineiro, na vaga de advogado, indicado pela OAB-MG, Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello, atual vice-presidente do TRT. Caio é filho de Luiz Phillipe e irmão de Luiz Phillipe, entende? Mas não sei se nessas duas últimas nomeações houve nepotismo. O que sei é que não houve concurso público para preencher as vagas, pois eles não são exigidos em lei e os juízes, como se sabe, se limitam a cumprir as leis no momento de preencher vagas nos tribunais. Se a lei, porventura, beneficia algum parente, eles não têm nada com isso, é claro.”

O Portilho do título do meu livro era um técnico judiciário no TRT que se tornou pioneiro em denunciar o nepotismo na Justiça do Trabalho. Antes da nomeação do Luiz Philippe, avô do Caio, para o Tribunal Superior do Trabalho, Portilho enviou telegramas ao general João Batista Figueiredo, então presidente da República, e ao ministro da Justiça, Petrônio Portela, denunciando o juiz Luiz Philippe Vieira de Mello por ter empregado “15 de seus parentes no TRT, com salários que somavam quase 25 mil dólares por mês”.

Era muito dinheiro, na época… Nada, porém, que surpreendesse o ex-presidente do SNI no período mais feroz da ditadura militar. Figueiredo tinha coisas mais graves para fazer do que tentar moralizar a Justiça, algo que está ficando cada vez mais difícil.

Do mesmo modo que Michel Temer, neste momento, tem preocupações mais graves relacionadas à Justiça. Não a menor delas, tentar livrar-se da prisão depois de deixar a Presidência da República que empalmou sem ter sido eleito para isso.

Certamente, nem ele nem seus homens no governo se darão ao trabalho de ler a reportagem da “Folha de S.Paulo”, publicada na última terça-feira, dando conta que seu recém-nomeado ministro do Trabalho “foi autuado 24 vezes em fiscalizações do Ministério do Trabalho por infrações trabalhistas, entre 2005 e 2013, em sua fazenda, em Conceição do Rio Verde, no Sul de Minas Gerais.”

Os repórteres Daniel Camargos e Ana Magalhães vão em frente: “Uma das autuações, de 2009, refere-se a dois trabalhadores rurais que estavam sem registro em carteira de trabalho, e, portanto, sem o pagamento de benefícios trabalhistas como FGTS, INSS e férias remuneradas. As fiscalizações geraram multas de R$ 46 mil. À época, Vieira de Mello era desembargador e vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, em Belo Horizonte”.

Ao contrário dos dois antecessores, Caio não corre risco de ser demitido por Temer que, se ler o que a Folha publicou, certamente se dará por satisfeito com a nota do Ministério do Trabalho e com os cautelosos dois últimos parágrafos da reportagem:

“Em nota, o Ministério do Trabalho confirmou que a fazenda do ministro foi alvo de uma fiscalização “de rotina” e que pagou uma multa de R$ 46 mil. “A administração da propriedade decidiu não contestar nem judicial nem administrativamente as autuações, embora houvesse fundamentos jurídicos e fáticos para fazê-lo”, afirmou.

O ministério destaca que as ações já transitaram em julgado e que o Ministério Público do Trabalho não viu necessidade de ingressar com ação civil pública. “A propriedade jamais incorreu em reincidência e, portanto, não sofreu nenhuma autuação trabalhista desde 2009, nem ações judiciais trabalhistas”, afirma.”

E a Globo? Vai embarcar nessa?

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Vazou o 1º hit do Carnaval de 2017! Ouça a marchinha ‘Solta o cano’

Todo ano a gente compartilha aqui as SENSACIONAIS marchinhas do Carnaval de BH, principalmente aquelas mais politizadas, mais irônicas, as mais inteligentes com seus jogos de palavras.

E a marchinha que promete ser o hit do Carnaval 2017 já vazou! “Solta o cano” já está bombando na web, com milhares de visualizações (só este único vídeo abaixo já teve 98 mil views).

Ouça para já ir aprendendo a letra e fazer bonito nos bloquinhos pelo país afora:

soltaocano

Os compositores de “Solta o cano” são Vitor Velloso e Marcos Frederico, os mesmos que compuseram “Não enche o saco do Chico“, que foi a marchinha vencedora da edição 2016 do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas.

Relembre todas marchinhas vencedoras dos últimos anos: Continuar lendo

Salários de juízes e de professores, uma aberração da cultura brasileira

Charge de Jarbas

Charge de Jarbas

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma esperança para os professores estaduais paulistas. O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, nomeou o desembargador José Renato Nalini secretário da Educação. O novo secretário sabe da importância de uma boa remuneração para o exercício correto da profissão.

Pelo menos, a dos juízes. Diz ele, nesse vídeo que agora está bombando na Internet, ao defender o auxílio-moradia para os juízes, que ele serve para que “o juiz fique um pouquinho mais animado, não tenha tanta depressão, tanta síndrome de pânico, tanto AVC etc.”

Se não mudou de opinião no novo cargo, o desembargador talvez use os mesmos argumentos (ou parte deles, porque os professores dispensam a parte que fala de ir a Miami para comprar ternos) para defender o reajuste dos salários dos mestres.

O governo federal reajustou no dia 16 deste mês de janeiro o piso salarial dos professores da rede pública de ensino no país. Com o reajuste de 11,36% em relação ao ano passado, o piso sobe para R$ 2.135 por mês. Mas governadores tentam evitar que o piso entre em vigor agora.

Se entrar, um professor, com o novo piso, vai ganhar 11 vezes menos que um juiz, sem contar os vários benefícios e gratificações extras — como o auxílio-moradia –, que são recebidos por todos os juízes. No tribunal do Rio de Janeiro, “entre proventos e benefícios, há juízes recebendo 150 mil mensais”, diz a jornalista e escritora brasileira Cláudia Wallin. Ela mora na Suécia, e escreveu um artigo para um site comparando o comportamento – e os salários – dos juízes suecos e brasileiros. Trecho:

“Em nenhuma instância do Judiciário sueco, magistrados têm direito a carro oficial e motorista pago com o dinheiro do contribuinte. Sem auxílio-aluguel e nem apartamento funcional, todos pagam do próprio bolso por seus custos de moradia.

Para viver em um país que tem um dos mais altos impostos do mundo, e um dos custos de vida mais elevados do planeta, os juízes suecos têm salários que variam entre 50 mil e 100 mil coroas suecas – o equivalente a cerca de R$ 16,5 mil e R$ 33 mil, respectivamente.

Para ficar no exemplo dos vencimentos máximos de um magistrado sueco: descontados os impostos, um juiz da Suprema Corte da Suécia, que tem um salário de 100 mil coroas, recebe em valores líquidos o equivalente a cerca de R$ 18,2 mil por mês.

No Brasil, um juiz federal recebe salário de 25,2 mil, e os ministros do STF – que ganham atualmente 29,4 mil – aprovaram proposta para aumentar os próprios salários para 35,9 mil. Isso sem contabilizar os diferentes benefícios e gratificações extras disponíveis para as diferentes categorias do Judiciário (…)

Também não há Excelências entre os magistrados suecos. Assim me lembra Göran Lambertz, juiz do Supremo Tribunal da Suécia, quando pergunto a ele sobre suas impressões acerca dos recentes benefícios reivindicados pela Corte brasileira.

‘Claudia, mais uma vez peço a você que me chame de Göran. Estamos na Suécia’, ele diz, quando o chamo mais uma vez de ‘Sr. Lambertz’. E prossegue: ‘É realmente inacreditável saber que juízes se empenham na busca de tais privilégios. Nós, juízes, somos pagos com o dinheiro dos impostos do contribuinte, e temos que ser responsáveis. Juízes devem ser elementos exemplares em uma sociedade, porque é deles que depende a ordem em um país. E é particularmente importante que não sejam gananciosos.’”

Pergunta-se: qual a justiça mais respeitada por seus cidadãos: a brasileira ou a sueca? Sem esperar pela resposta, por óbvio, acrescento: quem é mais respeitado no Brasil, um professor que ganha R$ 2.135 por mês ou um juiz que ganha R$ 150 mil?

Dado o caráter dos brasileiros, acostumados a séculos de subjugação pelos poderosos daqui e de além, não me animo a garantir que a resposta seja “o pobre professor”. E nem deveria, pois sou um defensor de melhores salários para o professor. E não creio nessa conversa de que o mestre, por exercer uma profissão missionária, não precisa ganhar bem.

Por semear saberes, o professor precisa ser dignamente remunerado. Até mesmo para que não seja desrespeitado dentro da sala de aulas por um aluno cujo pai ganha bem mais que o professor. Aluno que cresceu numa uma cultura como a desse desembargador defensor dos privilégios da casta a que pertence e que, dificilmente, vai se rebaixar a defender com denodo uma casta que deve julgar bem inferior – a dos professores.

Para concluir, corrijo então a primeira frase do artigo: a nomeação do desembargador não renova a esperança dos professores da rede pública no Estado mais rico do país. Em São Paulo, conforme essa notícia de junho de 2015, eles tinham remuneração por hora de R$ 15,10 e salário-base de R$ 2.415,89. Menor, quem diria, que Minas Gerais (R$ 15,16 e R$ 2.425,50). Minas, como já foi afirmado aqui no blog, destaca-se entre os Estados que pagam os piores salários aos professores.

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Que tal enfrentar esse apagão estrutural do Brasil?

Charge do Duke em 22/1/2015 (O Tempo)

Charge do Duke em 22/1/2015 (O Tempo)

 

Dia desses escrevi aqui que a crise econômica no Brasil ainda não é tão avassaladora como dizem por aí e mostrei alguns sinais disso. Mas outra crise, já abordada diversas vezes pelo blog, agora parece ter chegado ao seu auge: a crise hídrica. Se são Pedro tem culpa no cartório por ter nos proporcionado o verão mais seco dos últimos tempos no Sudeste, os governos — federal, estaduais e municipais — contribuíram e muito com a situação de calamidade em que nos encontramos hoje.

Em todos esses anos de crise de abastecimento batendo às portas, a inação desses governos foi patente. E não só de Alckmin (PSDB), que tem apanhado mais, mas também da presidente Dilma Rousseff (PT) e de seus antecessores Lula (PT) e FHC (PSDB).

A verdade é que nossos governantes sempre contaram com a abundância de água no verão para suprir a demanda do ano inteiro, e foram pegos de calças curtas com este janeiro atípico. Resultado: mais de cem cidades mineiras estão em estado de emergência por causa da seca (mais de 1.200 no país), várias cidades já estão adotando o racionamento de água — inclusive é o que deve ser anunciado para Belo Horizonte hoje — e muitos Carnavais já foram cancelados por isso. Como nossa matriz energética depende basicamente das hidrelétricas, a situação da energia no Brasil também é preocupante. Segundo ótima reportagem de Ana Paula Pedrosa no jornal “O Tempo” desta quinta-feira, a água armazenada em todos os reservatórios do país hoje é suficiente para gerar energia e abastecer o Brasil só por um mês. UM MÊS!

Ou seja, a crise que vivemos é de infraestrutura como um todo. Um apagão antigo, mas que não foi melhorado pelos governos atuais. Se faltar água no Brasil e, consequentemente, faltar energia, não haverá mais como segurar a crise econômica.

Sim, hoje acordei pessimista. Porque venho batendo nesse problema de falta de água há séculos. Como escrevi em setembro, os governos evitaram falar em racionamento quando deveriam ter falado — naquele mês — por causa das eleições. É o cúmulo! Ficaram rezando para que chovesse no verão, não choveu, e agora a situação beira ao desespero. Ou então fizeram um racionamento às escondidas, como parece ter ocorrido em São Paulo, e depois o governador ficou na saia-justa, tendo que admitir, negar, admitir, negar. Enquanto isso, na esfera federal, Dilma desapareceu. Está há um mês sem dar nenhuma entrevista a jornalistas. ‘Tomou posse e sumiu‘, como bem reparou o jornalista Ricardo Kotscho, amigo pessoal de Lula. Quem parece ter assumido a presidência foi esse ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Se nada for feito de forma mais radical, mesmo que por meio de medidas impopulares, a coisa pode ficar mais grave. Que tal lançar uma mega campanha nacional e local de conscientização contra o desperdício de água? Que tal incentivar as grandes indústrias, que são as maiores consumidoras, a fazerem programas de racionamento de água e energia? Que tal proibir a existência de aberrações como minerodutos, que desperdiçam milhões de litros de água por hora, só para transportar minérios? Água potável, de nascentes lindas, virando lama inútil. Que tal incentivar, inclusive barateando, cortando impostos, a instalação de usinas de microgeração de energia solar nas casas e prédios residenciais? (Vejam AQUI como elas são FANTÁSTICAS, autorizadas pela Aneel, capazes de gerar bastante energia, suficiente pra abastecer algumas casas e ainda jogar o resto na rede da Cemig! Mas são caras.) Que tal fazer programas sérios de recuperação dos nossos mananciais?

Espero que este post, como TUDO desde o ano passado, não se dilua em discussões rasteiras meramente político-partidárias. TODOS os políticos, de todos os partidos, todas as esferas e há muitos anos estão com culpa no cartório. Todos eles foram ineficazes e não agiram contra esta questão estrutural. Todos empurraram com a barriga o problema, que exige medidas impopulares que nenhum deles queria fazer. E agora eu só espero que Dilma Rousseff (PT) e seus ministros, os governadores Fernando Pimentel (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Tião Viana (PT), Renan Filho (PMDB), José Melo (PROS), Waldez (PDT), Rui Costa (PT), Rollemberg (PSB), Camilo (PT), Paulo Hartung (PMDB), Marconi Perillo (PSDB), Flávio Dino (PCdoB), Azambuja (PSDB), Pedro Taques (PDT), Simão Jatene (PSDB), Paulo Câmara (PSB), Wellington Dias (PT), Ricardo Coutinho (PSB), Beto Richa (PSDB), Pezão (PMDB), Robinson Faria (PSD), Confúcio Moura (PMDB), Suely Campos (PP), Ivo Sartori (PMDB), Raimundo (PSD), Jackson Barreto (PMDB), Marcelo Miranda (PMDB), todos os prefeitos e os congressistas tomem atitudes urgentes para resolver esse apagão estrutural do Brasil.

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