Começou a contagem regressiva para as férias!

Eu tive muito poucas férias na vida.

Mesmo quando era “funcionária pública”, concursada pelo Banco do Brasil — a empresa mais certinha em termos de direitos trabalhistas na qual já trabalhei na vida –, eu sempre tirava férias quando já estava quase vencendo o prazo de dois anos. Na época, o esforço era para conciliar as férias no trabalho com a pausa na faculdade, em meses muito disputados também por outros colegas.

Daí entrei na “Folha de S.Paulo” e, bom, fiquei quatro anos sem férias de verdade. No máximo, uns dias de pausa perto do Natal.

Depois voltei a Beagá em outubro de 2012 e fui tirar minhas primeiras férias em maio de 2014. Merecidíssimas, desejadíssimas, foram minhas melhores férias de que consigo me lembrar. Pegamos o carro e descemos vários quilômetros em uma road trip até Santa Catarina, com diversas paradas por praias, cachoeiras e pela maravilhosa Serra da Mantiqueira. Lavei a alma e voltei com pique total para o jornal “O Tempo”.

Depois tive férias de novo em julho de 2015, já grávida, bastante prejudicadas por uma sinusite que me derrubou por uma semana. E em maio de 2016, emendando com a licença-maternidade, que eu não considero que tenham sido férias de verdade, porque era o dia inteiro por conta do Luiz, naquela fase da vida de mãe em que eu mal conseguia sair de casa por meia hora sozinha, porque tinha que amamentar toda hora e blablablá. E foi isso.

Daqui a exatamente 1 mês, terei minhas primeiras férias de verdade desde 2015, férias com direito a viajar, a desconectar, a refugiar, a esquecer senhas, a ler um bom livro, a sair da rotina até cansar. Ahhh, mais uma vez, espero ansiosamente pela oportunidade de lavar a alma, para voltar renovada, desestressada, pronta pra dar o gás total de novo.

Eu sou uma pessoa quase workaholic, custo a me desligar do trabalho no dia a dia, dou um gás sobre-humano em todos os empregos, visto a camisa completamente do trabalho que eu estiver exercendo no momento, nunca faço só o que me é pedido, sempre tento ir além, e além, e além. Mas considero o descanso uma das coisas mais essenciais do universo. Pra alguém com tanta carga de energia como a que eu dedico, se não tiro um descanso nos fins de semana, uma hora, eventualmente, eu pifo.

Folgas são fundamentais.

Com isso em mente, e curiosa, fui pesquisar sobre a origem das férias. Fiquei surpresa ao constatar que são poucos os textos a respeito no Google, e poucos com qualidade. O melhor que achei foi este do TST, que traz um histórico mundial da adoção das férias, além de algumas regras e curiosidades. Recomendo a leitura na íntegra, mas destaco uns trechos muito interessantes: 

  • “Até o final do século XIX, não havia legislação que garantisse a concessão de férias. (…) As férias, quando concedidas, o eram por liberalidade do empregador. O direito a elas passou a ser regulamentado, inicialmente, por convenções coletivas, e só mais tarde foi objeto de leis. Em 1872, a Inglaterra, em plena era industrial, promulgou sua lei de ferias garantindo o direito para operários de algumas indústrias.”
  • “As férias tiveram repercussão em todo o mundo após o Tratado de Versalhes e com a criação da OIT – Organização Internacional do Trabalho.”
  • “No Brasil, o direito foi conquistado, junto com outros direitos dos trabalhadores, após as greves operárias do início do século XX na luta por melhores condições de trabalho, melhores salários e garantias trabalhistas.”
  • “O Brasil foi o segundo país a conceder férias anuais remuneradas de 15 dias consecutivos a empregados.”
  • “Fomos, ainda, o sexto país a ampliar, em 1925, esse direito para todos os empregados e operários de empresas privadas”

Reparem que as férias são um direito muito recente. E o pessoal adora dizer que o brasileiro é quem mais tira férias, em comparação com o restante do mundo. Com todo o retrocesso que está sendo feito no Brasil, minando direitos trabalhistas conquistados há décadas, não demora e vão também reduzir os direitos relativos ao sagrado descanso das férias.

Enquanto isso não acontece, aproveitarei, com muita felicidade, as minhas. Falta 1 mês! Contando…

 

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2 comentários sobre “Começou a contagem regressiva para as férias!

  1. Olá
    Desculpe-me se a pergunta é invasiva, mas como vc não tirou férias na Folha por 4 anos? Não sei se vc vendia as férias, mas não há um número máximo de dias por ano que o pregado pode vender? Ou a Folha pressiona os empregados a não usufruírem das férias – demitindo que faz questão de usufruir os 30 dias?

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    • Oi, Elisa, não era uma coisa nem outra. Sim, segundo esse texto do TST que eu compartilhei, só podemos vender no máximo 20 dos 30 dias das férias, se não me engano.

      O meu caso foi o seguinte: tirei férias em janeiro de 2008, ainda no Banco do Brasil. Em março de 2008, comecei como trainee da Folha. Só fui contratada formalmente pelo jornal em dezembro de 2011. E aí fui tirar minhas primeiras férias pelo jornal em janeiro de 2012 — 4 anos, portanto, desde as últimas férias que eu tive. E qual era meu regime de trabalho entre março de 2008 e dezembro de 2011? Nenhum. Não tinha carteira assinada, nem qualquer outro tipo de contrato, mas estava presente normalmente no corpo de funcionários, trabalhando de segunda a sexta, mais plantões, e sem férias. E esta é a realidade de muitos outros jornalistas, em muitos outros veículos…

      Hoje fiz as contas e, em 11 anos de profissão, desde que me formei, só tive 4 férias completas de 30 dias remunerados. Ou seja, fiquei sete anos sem ter férias de verdade!

      Beijos

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