Um dia na roça

Nesses tempos de seca (agora finalmente alternada com uma chuvinha), coloco algumas fotos para arejar este blog um pouquinho. Que ajudem a descansar a vista de todos vocês, como descansaram a minha 😉

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As Stars Hollow de Minas

Gonçalves, em Minas, uma das cidadezinhas encantadoras onde eu adoraria viver. Foto: CMC

Gonçalves, em Minas, uma das cidadezinhas encantadoras onde eu adoraria viver. Foto: CMC

Quem nunca pensou em morar numa cidadezinha, em algum momento da vida?

Eu adoro morar na capital, em uma cidade com boa infraestrutura e quase tudo de que preciso, mas, vez por outra, preciso me refugiar em alguma rocinha para descansar de um jeito que em Beagá eu não consigo. Ir para o sítio, a Serra do Cipó ou algum mato qualquer, onde dê para enxergar mais estrelas durante a noite, menos prejudicadas pelo excesso de luzes no chão.

Quando chego nessas cidades, fico encantada com a tranquilidade, com a sensação de que todos se conhecem, com o artesanato local, com as comidas deliciosas e simples, com o preço mais barato de tudo. As pessoas se cumprimentam mais, são mais cordiais, menos apressadas. Há um outro ritmo, outros passos para a vida.

Mas logo sinto necessidade de me acelerar de novo e voltar à minha rotina frenética.

Fico me perguntando se um dia, quando eu tiver me aposentado, vou querer me esconder em um desses recantos pacatos. Se sim, vou buscar a lista de possíveis cidades para morar nesta reportagem AQUI, que fala das 156 cidades mineiras que não tiveram nenhum homicídio registrado em cinco anos, segundo os dados do Mapa da Violência.

Ajudei a fazer a matéria e, enquanto procurava as fotos dessas cidades, me espantei com a tranquilidade que existe até nas imagens. A padaria chama só “padaria”, o casamento é um evento local que lota a igreja, a iluminação da pracinha é amarela, há pessoas sentadas nos banquinhos das praças, namorando ou conversando — e uma infinidade de belezas naturais.

Todas elas, com cerca de 4.600 habitantes em média, lembram a cidade fictícia de Stars Hollow, do meu seriado favorito, “Gilmore Girls”, onde a graça da vida está fundamentalmente nas pessoas, nos doidinhos e estranhos, e nos festivais locais, que mobilizam todo mundo. Também me lembram as cidadezinhas que eram cenários dos livros de Agatha Christie — onde, curiosamente, os piores assassinatos aconteciam.

Pode ser que o mundo da ficção seja melhor do que a realidade que eu encontraria nesses refúgios, mas, pelo menos, tenho certeza que lá não ouvirei o barulho de britadeiras em todas as esquinas. E passarinhos são muito mais inspiradores do que marteladas de obras, então é possível que, morando lá, eu finalmente encontre um jeito de escrever meu livro. Quem sabe quando eu me aposentar…

E você, tem um refúgio favorito? É uma dessas cidades da reportagem?


 

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Ipê-amarelo

Fotos: CMC

As sombras formam formas no muro

formas folhadas, com sons e cores

que na luz tênue do sol poente viram noite

e encobrem espinhos leitosos sabor veneno.

As flores vermelhas se confundem

com os confetes que animam carnaval

e carnaval é a dança da brisa batendo no ipê.

Choveu, e hoje o mundo amanheceu mais verde.

Mato pra todo lado

sementes de milho e feijão.

Horta.

E minha aorta rejuvenescida

sente o piar do joão-de-barro

e respira a natureza em sua forma recém-esculpida em barro.

Uma hora distante do mundo

e mais perto do que parece deus.

(07/12/2003)

Cenas das férias – parte 6

Desta vez resolvi filmar, fotografar e, separadamente, com gravador, capturar os sons da natureza. Juntei tudo bem amadoramente no Windows Movie Maker mesmo. Sugiro que assistam primeiro com os olhos abertos e, numa segunda vez, com os olhos fechados, só ouvindo os passarinhos. Desestressa qualquer um 😀