Dilma em entrevista ao Valor: Temer é fraco e extremamente medroso

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Texto escrito por José de Souza Castro:

“A segunda torre de Dilma” é o título de longa entrevista publicada nesta sexta-feira no caderno Cultura e Estilo do jornal “Valor Econômico”, do mesmo grupo dono de “O Globo” e da TV Globo. A reportagem assinada por Maria Cristina Fernandes, feita na quinta-feira pós-carnaval e publicada 15 dias depois, é extensa – afinal, foram quase quatro horas de entrevista no apartamento da ex-presidente em Porto Alegre – e vale ser lida na íntegra.

Não conheço pessoalmente a repórter, que trabalha no “Valor” desde sua criação no ano 2000, a maior parte do tempo como editora de política, mas tenho excelentes referências dela. Por exemplo, aqui. E esta sua reportagem confirma seu valor profissional. Além do livro “Os candidatos”, publicado pela Companhia das Letras.

Posso imaginar, pela experiência que tive no “Globo”, que Maria Cristina gastou muito mais tempo do que o da entrevista, negociando no jornal a publicação do texto. É possível que ela teve que ceder em alguns pontos, mas não é qualquer jornalista, trabalhando para um grupo que vem se beneficiando do governo Temer, na distribuição da verba publicitária, que conseguiria emplacar essa fala de Dilma Rousseff no jornal dos Marinhos: Continuar lendo

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Por menos gritos, muros e ódio nos discursos dos meus amigos de Facebook

Não posso simplesmente deletar minha conta do Facebook, porque trabalho com o Facebook. Faz parte das minhas funções profissionais. Também é por esta rede social que melhor divulgo os posts deste blog de estimação.

Mas, se pudesse, já teria mandado esse circo do tio Zuckerberg pelos ares!

A culpa não é do Facebook, é claro. Ele é apenas um espelho (meio retorcido) da sociedade do lado de cá das telas. E é claro também que leio muitos textos legais ali dentro. Saio curtindo uma porção de fotos incríveis de pôr-do-sol lindo na praia tal, de bebê fofo fazendo uma estripulia, de casais apaixonados celebrando a vida. Dá até para ficar relativamente por dentro da vida de meia dúzia de amigos sumidos que os robozinhos do Facebook permitem que eu veja com frequência em minha timeline.

Essa parte é a parte boa.

Mas quando, vez ou outra, resolvo ler mais a fundo os textões e textinhos que são compartilhados ali, saio meio zonza, com uma sensação de embrulho no estômago, de ter levado mil pauladas. Mal estar danado. Continuar lendo

Se dirigir, não mande WhatsApp

Foto: Pixabay

Há algumas noites, eu estava na calçada da av. Nossa Senhora do Carmo, esperando o sinal de carros fechar para poder atravessar. Comecei a observar os carros. Todos com apenas uma pessoa dentro, o motorista. Comecei a observar os motoristas. E fiquei escandalizada com a constatação: 90% deles estava dirigindo com o celular na mão. Metade falando e a outra metade — choque total! — digitando enquanto dirigia.

O que me chocou foi a banalização e frequência desse grave crime de trânsito. Falar ao celular enquanto dirige deixou de ser exceção, virou a regra. Motorista antenado com o que se passa no trânsito, concentrado apenas em dirigir, este sim é exceção das exceções.

Também me chocou que metade daqueles que seguravam um celular estava digitando enquanto dirigia. Digitar é algo que toma muuuuita concentração, nosso cérebro mal consegue fazer outra coisa enquanto se ocupa de escrever. Mas lá estavam aquelas pessoas, numa noite qualquer, pilotando máquinas mortíferas sem olhar por onde andavam.

Segundo ESTA reportagem, Continuar lendo

Contribuição de leitor: ‘A Estação’

Quem me enviou o texto que publico abaixo assina sob o pseudônimo Moreira Szpak. Ele é paranaense, de 25 anos, blogueiro desde os 14, empresário e estudante… E não me disse muito mais que isso em sua identificação.

Se gostar do conto abaixo, você poderá ler vários outros, do mesmo estilo, no blog Contos da Vida.

Vamos ao texto:

Foto: Pixabay

A Estação

“Eu observava, do outro lado da plataforma, um casal e seus dois filhos. Enquanto a mãe distraía e dava de comer ao mais novo, o pai se divertia com a outra filha em uma brincadeira que eu não conhecia mas que, certamente, era muito divertida.

Os pais, entre uma garfada aqui e outra risada ali, se entreolhavam sorridentes. Era um sorriso puro, se via apenas respeito, amor e sinceridade entre eles. Comecei a refletir sobre tudo à minha volta. Aos meus 13 anos, eu sonhava em ser pai aos 21, e ser avô aos 50. Pensei nas namoradas que tive, nas oportunidades que perdi – e nas que aproveitei, mas não levei até o final.

Lembrei de amores roubados, beijos escondidos, amores proibidos. Lembrei de você também, pois via naquela mulher da outra plataforma o mesmo sorriso de quando nos encontrávamos ou, então, de quando falávamos sobre família e eu lhe confidenciava o desejo de ter três filhos. Ah, como eu amo o teu sorriso!

Vi naquelas crianças uma juventude inteira pela frente, repleta de alegria, amor e oportunidades e senti o dever de alertá-las sobre a importância de se agradecer a cada manhã nova, a cada raio de sol que entraria pela janela. Senti o dever de dizer: ouçam seus pais sempre, mas tentem mesmo que eles digam ser impossível; queria dizer que lágrimas cairiam daqueles lindos olhinhos mas que, lá no fundo, seriam necessárias e ajudariam em sua vida adulta; queria dizer que, apesar de cansativa, a universidade e o conhecimento são necessários para que se faça a diferença na vida de outras pessoas – e nas nossas também.

Senti o desejo de alertar sobre as aventuras do amor, precaver quanto às decepções e armadilhas, invejas e tentativas de destruir o que eles haviam conhecido e vivido dentro de casa como sendo o amor verdadeiro. Dizer que quando o coração doer, é porque a pessoa faz falta de verdade; que quando houver lágrima logo depois vem o sorriso; que quando houver pedaços, haverá como consertar, basta deixar que o tempo sirva como reparador.

Eram tantos conselhos para dar, tanta segurança para passar àquelas crianças. E eu senti o desejo de fazer isso, me levantei e comecei a caminhar em direção delas.

Fui interrompido pelo trem, que chegou, a porta se abriu diante de mim e pude, então ir embora. Afinal, de que adiantaria dar a receita de uma vida perfeita sendo que, na verdade, o que se espera de qualquer ser humano é que viva de forma a errar e aprender com cada ação?

De que adiantaria uma receita só para produzir vários mesmos de um eu?”


Você também escreve contos, crônicas, poemas, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog, na seção de textos enviados pelos leitores 😉

Leia também:

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O fantasma e o fantasma do Palácio da Alvorada

Texto escrito por José de Souza Castro:

O jornalista Kiko Nogueira escreveu neste domingo artigo que me lembrou um livro meu, escrito para a filha de 12 anos. É possível que ela tenha sido a única leitora do que eu havia escrito durante meu ócio de desempregado. A Cris me disse, na época, que amou o livro. Anos depois, o incluiu na biblioteca deste blog.

O artigo do Kiko tem como título “O diálogo de Temer com o fantasma do Palácio da Alvorada”. Como sabem, Michel Temer morou com a família nesse palácio durante 11 dias, depois “de gastar mais de 20 mil reais numa reforma que envolveu a instalação de uma rede de proteção para o filho numa varanda”.

Ao justificar porque preferiu voltar ao Palácio do Jaburu, disse Temer que sentiu no Alvorada uma coisa estranha lá. “Eu não conseguia dormir, desde a primeira noite. A energia não era boa. A Marcela sentiu a mesma coisa. Só o Michelzinho, que ficava correndo de um lado para outro, gostou. Chegamos a pensar: será que tem fantasma?” Continuar lendo