Contribuição de leitor: ‘A Estação’

Quem me enviou o texto que publico abaixo assina sob o pseudônimo Moreira Szpak. Ele é paranaense, de 25 anos, blogueiro desde os 14, empresário e estudante… E não me disse muito mais que isso em sua identificação.

Se gostar do conto abaixo, você poderá ler vários outros, do mesmo estilo, no blog Contos da Vida.

Vamos ao texto:

Foto: Pixabay

A Estação

“Eu observava, do outro lado da plataforma, um casal e seus dois filhos. Enquanto a mãe distraía e dava de comer ao mais novo, o pai se divertia com a outra filha em uma brincadeira que eu não conhecia mas que, certamente, era muito divertida.

Os pais, entre uma garfada aqui e outra risada ali, se entreolhavam sorridentes. Era um sorriso puro, se via apenas respeito, amor e sinceridade entre eles. Comecei a refletir sobre tudo à minha volta. Aos meus 13 anos, eu sonhava em ser pai aos 21, e ser avô aos 50. Pensei nas namoradas que tive, nas oportunidades que perdi – e nas que aproveitei, mas não levei até o final.

Lembrei de amores roubados, beijos escondidos, amores proibidos. Lembrei de você também, pois via naquela mulher da outra plataforma o mesmo sorriso de quando nos encontrávamos ou, então, de quando falávamos sobre família e eu lhe confidenciava o desejo de ter três filhos. Ah, como eu amo o teu sorriso!

Vi naquelas crianças uma juventude inteira pela frente, repleta de alegria, amor e oportunidades e senti o dever de alertá-las sobre a importância de se agradecer a cada manhã nova, a cada raio de sol que entraria pela janela. Senti o dever de dizer: ouçam seus pais sempre, mas tentem mesmo que eles digam ser impossível; queria dizer que lágrimas cairiam daqueles lindos olhinhos mas que, lá no fundo, seriam necessárias e ajudariam em sua vida adulta; queria dizer que, apesar de cansativa, a universidade e o conhecimento são necessários para que se faça a diferença na vida de outras pessoas – e nas nossas também.

Senti o desejo de alertar sobre as aventuras do amor, precaver quanto às decepções e armadilhas, invejas e tentativas de destruir o que eles haviam conhecido e vivido dentro de casa como sendo o amor verdadeiro. Dizer que quando o coração doer, é porque a pessoa faz falta de verdade; que quando houver lágrima logo depois vem o sorriso; que quando houver pedaços, haverá como consertar, basta deixar que o tempo sirva como reparador.

Eram tantos conselhos para dar, tanta segurança para passar àquelas crianças. E eu senti o desejo de fazer isso, me levantei e comecei a caminhar em direção delas.

Fui interrompido pelo trem, que chegou, a porta se abriu diante de mim e pude, então ir embora. Afinal, de que adiantaria dar a receita de uma vida perfeita sendo que, na verdade, o que se espera de qualquer ser humano é que viva de forma a errar e aprender com cada ação?

De que adiantaria uma receita só para produzir vários mesmos de um eu?”


Você também escreve contos, crônicas, poemas, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog, na seção de textos enviados pelos leitores 😉

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