No post mais recente do blog, contei que estou prestes a excluir minha conta do Instagram, assim como já tinha feito com o Facebook, em 2018, e com o Orkut, em 2011.
Quando criei minha conta do Instagram, já era uma rede social pop entre meus amigos, na qual eu relutava em entrar. Acabei fazendo o primeiro post em julho de 2016, porque queria fazer testes nela para o trabalho.
Minha conta ficou sendo @blogdakikacastro, justamente porque entrei nessa rede com uma vocação profissional, pensando em ser mais um canal de distribuição dos textos deste blog.
Não à toa, os primeiros posts – até outubro daquele ano – eram de árvores e grafites, dois temas frequentes aqui no blog, e a hashtag #galeriadeipês, que eu usava, era um embrião do movimento @arvoresdascidades, que criei anos depois, em 2021.
Até que, no dia 6 de novembro de 2016, não resisti e postei uma primeira foto do Luiz, prestes a completar 1 aninho, sorridente, com sua touquinha de coruja. Em janeiro de 2017, postei uma segunda foto dele, menos visível, conhecendo a praia. E, poucos dias depois, outra dele bem de pertinho, olhinhos brilhantes.

Por que tranquei meu perfil no Instagram, em 2017
Na época eu trabalhava em uma revista sobre maternidade e lia muito a respeito de vários temas, inclusive sobre os riscos de expor nossos filhos na internet. Resolvi, portanto, fechar minha página de Instagram, como uma forma de proteger meu filho – mesmo que ela tivesse sido criada originalmente para publicizar meu blog.
(Quando tranquei minha página, também removi todos os seguidores que eu não conhecia e descobri, chocada, que uma menina que nunca vi na vida me seguia com 17 perfis diferentes… Tem louco demais no mundo, socorro!)
Depois que meu perfil ficou fechado, passei a me sentir mais segura para postar nele, e o Luiz se tornou personagem assíduo dos meus posts. Quem me seguiu nos últimos sete anos viu meu filhote crescendo, aprendendo a andar, falar, nadar, ler, escrever, desenhar, inventar mil artes maravilhosas, criar peças de teatro, dançar etc. Meu Instagram se tornou um registro vivo do crescimento do Luiz.

Instagram = overdose de informações
Por lá, meus amigos também me viram trocar de emprego um monte de vezes, passaram raiva comigo nas eleições de 2018, puderam me acompanhar durante os meses de isolamento da pandemia, me viram largar anos de sedentarismo e virar “atleta” de novo, e por aí foi.
E, claro, eu também pude acompanhar a vida de muita gente, com bebês nascendo, casamentos acontecendo, divórcios também, amigos ficando doentes e se curando, pessoas morrendo, se internando, recebendo alta, comprando casa própria, viajando pelo mundo, adotando pets, trocando de emprego também ou, simplesmente, comendo um almoço delicioso.
Eu já tinha tirado a notificação do app há anos, então ele não ficava pipocando na minha frente a cada curtida, mas, quando eu entrava, acabava passando um tempo muito maior do que queria ou precisava. E, com o ícone fixado na tela inicial do meu smartphone, eu acabava acessando o Instagram muito mais vezes do que queria ou precisava, também.
Foi uma verdadeira overdose de informações sobre a vida dos outros, ainda que eu não passasse tanto tempo assim navegando por aquelas águas (sério, tem gente que conheço que passa o dia INTEIRO, é assustador).
E, um belo dia, isso parou de fazer sentido pra mim. Como já tinha acontecido, lá atrás, com o Orkut e, depois, com o Facebook.
Por que foi bom excluir o app do Instagram do meu celular
Se não me engano, foi no último dia 16 de junho que resolvi excluir o aplicativo do Instagram do meu celular. Ou seja, há cinco semanas.

Nos primeiros dois, três dias, ainda fiquei sentindo falta de “escorregar” meu dedo por aquele ícone rosa na tela do meu celular – ou no buraco onde ele costumava ficar.
Mas eu não sentia falta de navegar pelo Instagram, de ver as vidas dos outros por ali. Eu sentia falta de outra coisa: o que mais me impressionou foi perceber o quanto meu cérebro estava viciado em pensar em conteúdos para postar no Instagram.
Se eu lia um livro bom, queria logo colocar a capa do livro num story, indicando aos outros. Se fazia um passeio legal com Beto e Luiz, queria colocar uma foto desse passeio lá, recomendando. Fora os posts do blog mesmo, que eu sempre colocava por lá. Já estava até compilando o que eu tinha feito, mês a mês (igual uma doida, rs). Era como se eu não tivesse vivido a experiência se ela não fosse compartilhada.
Como na frase do filme “Na Natureza Selvagem“: “Felicidade só é real quando compartilhada”.
E esta é a cilada do Instagram. É uma rede social que nos estimula a ficar conectados nela o tempo todo, seja produzindo conteúdos (como era o meu caso, e de muitos amigos), seja consumindo conteúdos dos outros. E, no meio do caminho, como bem quer a Meta e seus patrocinadores, fazendo compras nos anúncios estrategicamente posicionados de acordo com nossos gostos.
Passados esses três dias iniciais de “vácuo”, eu me senti, em pouquíssimo tempo, muito mais tranquila depois que me livrei do Instagram. Foi como se uma hora inteira do meu dia tivesse se aberto na minha agenda, para eu ocupar com o que quisesse da vida offline: mais tempo para o Luiz, para mim, para minhas leituras, para qualquer coisa. Um latifúndio nas minhas 24 horas.
Também me senti com menos “cansaço social“, menos gatilhos sendo disparados a todo instante, menos ansiedade relembrando épocas ruins da minha vida (que continuam sendo vividas por outras pessoas), menos impactada pelo excesso de informação/fofoca/notícia/anúncio/ruído/pensamento/grito/soluço/desabafo/paranoia chegando a todo momento.
E olha que eu não era das mais viciadas: tenho certeza que alguns amigos que fizessem o mesmo movimento ganhariam latifúndios ainda maiores em seus tempos 😉
O que estou perdendo sem Instagram? Spoiler: nada!
Fiquei pensando em por que passamos tanto tempo no Instagram e o que eu estava perdendo sem esta rede social, e a conclusão a que cheguei é que eu não estava perdendo nada de mais. Continuo sabendo das novidades, boas e tristes, daqueles amigos que mais importam para mim. Eles me procuram para contar.
E realmente não preciso ver 500 fotos por dia e saber tudo o que todos estão fazendo, entende? Quando encontrá-los pessoalmente, teremos mais assuntos para conversar e vou querer ver muitas fotos bonitas para me atualizar 😉
Coincidência ou não, pouco depois que excluí o app do Instagram, reli este post que eu tinha escrito em 2019, e ele bateu forte em mim: De quando não tínhamos só uma tela pela frente. Passados mais uns dias, fui assistir ao documentário O Dilema das Redes, e ele também reforçou que eu tinha feito uma boa escolha.

Agora o Instagram deu para me mandar emails me chamando de volta, como que tentando me fisgar, e, claro, vou ter que bloquear os emails também 😉
Você pode me perguntar: ‘por que não exclui a conta de vez?’
Provavelmente é o que vou fazer algum dia, mas, por enquanto, ainda trabalho com jornalismo digital, e as redes sociais ainda são um importante canal de distribuição das notícias. Então, no meu trabalho, de vez em quando ainda tenho que entrar no Instagram, inclusive para ver como estamos divulgando nossos conteúdos por lá. Mas faço isso no desktop agora, ou direto no navegador, por um tempo minúsculo – somente o necessário.
E o mais importante: eu, enquanto pessoa física, não estou mais produzindo conteúdo para as redes sociais. Sigo com este blog porque ele ainda faz sentido para mim, mas, se algum dia deixar de fazer, ele também vai embora.
Vivemos hoje numa era em que não basta a pessoa ser uma boa dentista, por exemplo: tem que ser boa dentista e boa produtora de conteúdo, postando as bocas consertadas dos pacientes na rede. Não basta ser boa pediatra, tem que ir à rede fazer reels tirando dúvidas dos internautas. Não basta ser um restaurante ótimo, com comida deliciosa: tem que ter um ambiente “instagramável”. O que me pergunto é: será que deveria ser assim?
O recado que quero dar é especial aos meus amigos jornalistas: não, nós não somos OBRIGADOS a estar em todas as redes sociais por conta da nossa profissão. Você pode ter uma conta-fantasma no Facebook, como eu tenho, só para administrar uma página profissional. Ou ter uma conta só para acompanhar determinadas fontes no Twitter e Instagram. Mas não precisa fazer parte do mecanismo por inteiro, cedendo todos os seus dados (e boa parte do seu tempo) e compartilhando sua vida toda na web.
Enquanto não deleto minha conta do Instagram, ela segue aberta, como um museu dos últimos oito anos da minha vida (e quase a vida toda do Luiz), acessível apenas para quem tem o ingresso, ou seja, para os amigos mais próximos. Mas, em breve, suspeito que ela virará apenas memória 😀

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- 2011: Pra que servem as redes sociais??
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- 2011: Sete anos depois, o fim do Orkut
- 2011: Internet: antro de covardes anônimos
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Fiz o mesmo há duas semanas. E tem feito muito bem.
Só falta fazer o mesmo com o Twitter (pensando em fazer depois das Olimpíadas). Não saber de tudo (?), não precisar saber das coisas a cada momento…
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É isso, não precisamos saber de tudo o que está acontecendo a cada segundo. Não somos “programados” para isso: somos humanos!
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Engraçado como o Instagram (e redes de vídeo e fotos em geral) nunca me pegaram. Mesmo o Facebook eu usei muito pouco.
Única rede que realmente uso é o Twitter.
A dúvida que tenho é se estou certo ou apenas velho… 😀
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Provavelmente as duas coisas heheheh
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Acho que o Insta também interfere bastante na nossa capacidade de concentração, mesmo em horas que não estamos usando ele.
Parabéns e obrigada pelo blog com conteúdo e reflexões sempre excelentes!
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Tem razão! É um grande sugador de energia e de atenção. Obrigada a você pela leitura e comentário :))
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Nossa, como amei teu texto. Eu tenho uma relação de amor e ódio com o instagram. Gosto de ver postagens, stories, etc, mas me irrito com a quantidade de informação, de publicidade, e de recortes de vidas perfeitas. Fico muito incomodada que todas as marcas e empresas só estão lá. Então tu tens que estar lá para saber o que estão falando da marca tal, da empresa tal, ou até mesmo para saber se um restaurante ou bar estão abertos ou qual é o horário de funcionamento. Do mesmo modo, tenho plena consciência que ficar perdendo tempo ali só gera mais frustração e ansiedade, mas acabo sempre me perdendo ali. Tentei colocar limite de acesso e não deu certo. Suspendi a conta e logo voltei. Todavia, ainda quero tentar ficar com a conta suspensa mais tempo, porque acho que conseguindo ficar fora um mês, só vai… Acredito que depois de um mês fora tá quase que resolvido, hahahaahah. abração
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Eu não deletei minha conta, mas deletar o aplicativo do meu celular foi a melhor coisa que fiz. Já faz um tempão (dois meses? Nem sei) e sinto ZERO falta. É como se eu nunca tivesse tido Instagram hehehe. Recomendo!!! 😉
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