Finalmente, surgem as reações aos viciados em smartphones

Sabem quando algo foge dos limites e a sociedade começa, finalmente, a reagir? Será que é o que está acontecendo (de novo, finalmente) com os viciados em smartphones?

Já falamos deles AQUI no blog (e, acreditem, era uma história real).

Mas vocês conhecem pessoas como eles (se é que não se juntou à trupe). São aqueles que, de repente, param de conversar na mesa do bar e, quando você vai ver, estão papeando no Facebook ou WhatsApp. Ou então aqueles que pedem um prato num restaurante legal e, antes da primeira garfada, já estão fotografando a comida e esperando ansiosamente pelas curtidas no Instagram.

Parecem não ter mais a capacidade de “curtir” nada em carne a osso, ao vivo, com toques, respingos de saliva e brilho nos olhos durante uma gargalhada feliz. Só sentem prazer com os “joinhas” dos outros, muitas vezes desconhecidos, no mundo virtual.

Cenas como esta abaixo, flagrada num dia qualquer e numa rua qualquer de Belo Horizonte, são corriqueiras:

Foto: Beto Trajano

Foto: Beto Trajano

Seriam colegas de trabalho, que substituíram a conversa pós-almoço por um tweet?

***

Nos últimos dias, duas reações a essa realidade surgiram.

A primeira, um vídeo já assistido mais de 19 milhões de vezes (enquanto escrevo este post, numa manhãzinha de quarta), feito pela comediante Charlene deGuzman. Embora esteja na categoria de vídeos de comédia do Youtube, é triste, triste, porque identificamos muitas pessoas (ou nós mesmos) em várias das patéticas cenas retratadas:

A segunda, uma foto que já recebeu mais de 20 mil “curtidas” e 15 mil compartilhamentos no Facebook, sempre com comentários como “adorei!!” — prova maior de que os próprios fãs dessa prisão virtual são parte da reação em questão:

"Não temos wi-fi, CONVERSEM entre vocês"

“Não temos wi-fi, CONVERSEM entre vocês”

Não me perguntem onde fica este bar. Mas espero que inspire outros estabelecimentos das nossas cidades, ao redor do mundo. Afinal, restaurantes, bares e lanchonetes são, por princípio mesmo, um lugar de interação social.

E nós, caros leitores, vamos também reagir? Sugiro algo NESTA linha 😉

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15 comentários sobre “Finalmente, surgem as reações aos viciados em smartphones

  1. Bom dia Cris! Você abordou um tema importante e preocupante, tanto que diversas pesquisas afirmam que essa conexão exagerada está se tornando um vício e trazendo problemas para usuários compulsivos, agravamendo-se quando com a dependência das redes sociais, como o Facebook ou o Twitter. Uma pesquisa da Universidade de Chicago aponta que checar o Facebook é mais excitante para seus adeptos do que passar a noite com seus cônjuges. Mais de 10% dos internautas do mundo são considerados viciados e mais de 20% dos usuários de celulares fazem uso exagerado de seus aparelhos segundo Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo e co-autor do livro Dependência de Internet – Manual e Guia de Avaliação e Tratamento. “Um indivíduo que tenha dificuldade de se relacionar socialmente acaba usando a internet ou o smartphone para contornar essa dificuldade”, “É o que chamamos de comorbidade – a presença de um outro problema associado”, explica o especialista. É preocupante e lamentável que as pessoas estejam negligenciando suas relações pessoais presenciais em função de atividades online. “ O problema está tão preocupante que existem no centros de tratamento de dependentes na web. Aqui em SP temos o Grupo de Dependência de Internet, no Ambulatório de Transtornos do Impulso do Inst. de psiquiatria do HC e o Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP. Também em SP, o bar “Salve Jorge” criou o ‘copo offiline’ para inibir o uso do celular em happy hour.
    Cris, você acredita numa “revolução tecnológica”, que possamos ser dominados pelas máquinas?
    Essa “loucura” já me passou pela mente:
    http://hypescience.com/os-robos-um-dia-poderao-acabar-com-os-humanos/
    Um excelente dia para você e obrigada por lembras deste tema que nos leva a muitas reflexões.

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    • Excelente seu comentário, Mag. Todos esses dados que você trouxe só enfatizam nossa preocupação.
      Sobre o domínio pelas máquinas, é algo que o Isaac Asimov já tinha vislumbrado há várias décadas, né? Espero que os nossos caros cientistas tomem os devidos cuidados para evitar que uma tragédia dessas aconteça. Os humanos já são problemáticos demais, imagine as máquinas inventadas por eles?! :O
      Ótimo dia! bjos

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  2. E o que dizer Cristina, da moçada jovem que agora, tem menos tempo ainda para ler um bom livro?

    Dia desses vi um pai numa festa junina, com um pequeno tablet à mão, alheio ao que acontecia ao seu redor. A esposa impaciente, logo disse: tá na hora da quadrilha! Você não vem ver?!

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  3. Isso é deprimente. Eu que nunca tive smartphone fico às vezes pensando em ter e ao mesmo tempo me imaginando como a louca das redes sociais. Acho uma baita falta de respeito quando você está conversando com alguém e de repente a pessoa te deixa no vácuo pra olhar o celular! Esse é o alimento maior da sociedade do espetáculo. As pessoas gostam de mostrar, apenas.

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  4. Cara Cris,
    não sei quão certo posso estar, mas acho que como seres humanos a nossa tendencia ao vicio é gigantesca…os smartphones são o vicio da vez…confesso que pra mim ele quebra um galho legal..em diversas oportunidades e situacoes, mas de fato..a nossa tendencia ao vicio..faz com que estragemos um brinquedinho tão legal…mais foda ainda é que logo logo estaremos nos viciando em outra coisa…mais ou menos perigosa..mais ou menos espetacular..mais ou menos legal…não sei..mas fato é que estaremos nos viciando em algo…e esse é o grande problema a ser resolvido…como sair dessa necessidade torpe..do vicio…
    beijo na buchecha e como sempre excelente a sua escrita.
    Gabriel

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  5. Eu adoro um Facebook, um whatsapp, essas coisas. Mas me policio muito para que eles não roubem o tempo do olho no olho, do respirar fundo, do fazer nada diante do por do sol. Buscando (e nem sempre achando) o equilíbrio.

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