Quatro filmes e quatro livros que recomendo

tarjaferias

Nada melhor do que estar de férias para colocar a leitura em dia! E, claro, assistir a alguns filmes legais. Seguem abaixo as duas listas, com as devidas recomendações:

LIVROS

xadrez“A Máquina de Xadrez”, de Robert Löhr (ed. Record, 2012, 351 págs, de R$ 11,80 a R$ 20) – Trata-se de uma ficção histórica muito legal, especialmente para quem gosta de jogar xadrez. O autor explora uma história real, de um barão do século 18 que enganou toda a corte imperial de Viena ao anunciar ter criado uma máquina que consegue jogar xadrez. Um autômato que pensa! Na verdade, era um anão genial, escondido dentro do mecanismo. A partir dessa fraude, o livro romanceia, descrevendo personagens e situações incríveis e nos mantendo sempre em suspense: será que o engodo será descoberto? Como e quando? O que aconteceria com o impostor? Enfim, é muito bom, vale a leitura!

holocausto“Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex (ed. Geração, 2013, 255 págs, de R$ 17,90 a R$ 39,90) – É um retrato sombrio de um massacre que aconteceu no Brasil durante boa parte do século 20, e que não aprendemos na escola. Um massacre que contou com o apoio do Estado Brasileiro, do governo mineiro, da Igreja Católica e de médicos (inclusive o CFM e os CRMs). Um massacre de pobres, gays, jovens rebeldes, adolescentes que engravidaram, mulheres que foram trocadas por amantes, pessoas que foram vítimas de parentes durante a divisão de uma herança, e um ou outro doente psiquiátrico, que eram levados de várias partes do Brasil, via TREM, para serem enclausurados em um hospício de Barbacena, onde eram padronizados, torturados, maltratados e morriam aos montes (pelo menos 60 mil em 50 anos, só no hospício Colônia). Os cadáveres, depois, eram VENDIDOS para as faculdades de medicina de universidades como a UFMG e UFJF. O livro é um documento histórico sem igual e tem a vantagem de também relatar histórias bonitas, de solidariedade no meio da monstruosidade, que fazem com que a leitura não seja tão indigesta. A ponto de eu ter lido de uma sentada, num só dia, quase engolindo as 200 e poucas páginas. Recomendadíssimo!

cuco“O Chamado do Cuco”, de Robert Galbraith, pseudônimo de J.K. Rowling (ed. Rocco, 2013, 447 págs, de R$ 20 a R$ 30,50) – O segundo livro para adultos da autora da série de “Harry Potter” é tão bem escrito quanto o primeiro (Morte Súbita), mas tem mais bom humor e personagens mais interessantes. A começar pelo detetive Strike, o protagonista: filho “bastardo” de um astro do rock, ele é um cara gordo, com uma prótese no lugar de uma das pernas, ex-combatente no Afeganistão, recém-divorciado, morando provisoriamente dentro do próprio escritório e praticamente falido. Ao receber o caso da morte de uma top-model, que a polícia deu como suicídio e a família se nega a acreditar que tenha sido isso, ele passa a ter que entrevistar e conviver com modelos, produtores, estilistas e ricos de um modo geral, cada um mais bizarro do que o outro. É assessorado por uma secretária temporária que acha o máximo trabalhar ao lado de um romântico detetive. O mais legal do livro é que, embora siga direitinho a escola dos mestres Agatha Christie, Conan Doyle, Simenon, Rex Stout e outros, ele desconstrói totalmente o glamour por trás da profissão de detetive particular, se parecendo muito mais com a situação dos detetives atuais, que costumam ser contratados mais para ver se a mulher está traindo o marido ciumento do que para desvendar um mistério incrível que nem a Scotland Yard conseguiu. Mas, ao mesmo tempo, Strike ainda conserva os lampejos geniais dos seus companheiros de ficção, como Hercule Poirot. Eu achei a solução do mistério meio forçada, mas as mais de 400 páginas que me levaram até ela foram tão boas e bem escritas, que mantenho a recomendação para todos os que são fãs da literatura policial. Fico à espera do próximo caso de Strike!

pelefria“A Pele Fria”, de Albert Sánchez Piñol (ed. Planeta, 2006, 239 páginas, de R$ 24 a R$ 40) – Um livro que faz pensar o tempo todo, que mescla vários sentimentos e nos deixa tensos, ansiosos. Imagine um homem que decide, por conta própria, passar um ano inteiro numa ilha minúscula perto da Antártica, onde só vive mais um habitante. A situação, por si só, já seria bastante angustiante e possivelmente renderia muito pano pra manga (ou página pra livro). Mas aí, logo no começo, descobrimos que a ilha não é assim tão desabitada, e nosso protagonista terá de lutar diariamente, com todas as suas forças e recursos escassos, para salvar a própria pele. Nesse ponto da história, o livro passa a ser uma ficção científica, mas também pode ser um ensaio antropológico. Não à toa o escritor catalão Albert Piñol é também um antropólogo. Passamos a pensar sobre invasão, patriotismo, crueldade, humanidade, diferenças, amor, ódio. Enfim, um livro completo, incômodo, marcante. E muito bem escrito, além de tudo.


 

FILMES

jobsJobs (2013) – uma biografia em partes do fundador da Apple, Steve Jobs. Que me deixou com as seguintes impressões sobre ele: Que ele era um gênio das vendas, do discurso de incentivo e da liderança, mas os caras que ele recrutava é que eram os gênios da informática e do design, e não ele. Também concluí, considerando só o filme, que Steve Jobs era um mau caráter de marca maior, babaca, cruel, arrogante, sacana, traíra, enfim, um escrotão em todos os sentidos. Mas achei o filme muito bom, sem entrar no mérito da fidelidade com o personagem retratado. Achei também boa a atuação, supercriticada, de Ashton Kutcher no papel principal. Achei incrível como ele captou direitinho o modo de andar de Steve Jobs, de falar, e o gestual, pelo menos pelo pouco que conheço de imagens reais do empreendedor. Muito bom.

wildNa Natureza Selvagem (2007) – nem lembro mais quantas vezes já assisti a este filme, talvez umas quatro. É a história incrível de um personagem real, Christopher McCandless, que queria se aventurar pelos Estados Unidos, chegar ao Alasca e viver em contato estreito com a natureza. A história foi descoberta e narrada em um livro-reportagem de John Krakauer, que também já li — e foi um dos poucos casos (talvez o único) em que achei o filme melhor que o livro que o inspirou. Sean Penn foi responsável por isso, ao preencher os buracos do livro com a pura poesia do filme, no roteiro adaptado e em sua direção. O personagem principal foi interpretado por um injustiçado Emile Hirsch, ator que emagreceu 18 quilos para fazer o papel, que dispensou dublês para descer uma corredeira de caiaque sem capacete, para escalar picos e para enfrentar um urso, mas que não ganhou nenhum prêmio em reconhecimento pelo esforço e pela atuação. A fotografia é de encher os olhos, maravilhosa. Ótimo.

despertarO Despertar de um Homem (1993) – Trata-se do primeiro filme que Leonardo DiCaprio fez como protagonista. Antes mesmo de Gilbert Grape, muito antes de Diário de Um Adolescente e de Romeu + Julieta e, claro, bem antes de Titanic. Quando o filme foi lançado, ele tinha 19 anos, então tinha menos ainda durante as gravações. É uma história de Toby, um adolescente rebelde dos anos 1950 que acaba tendo que conviver com um padrasto violento, interpretado brilhantemente por Robert De Niro. O próprio DiCaprio já mostra que era um grande ator. O filme, no entanto, me causou uma enorme agonia, como se se prendesse demais nos espancamentos e de menos numa história interessante. Por exemplo, poderia ter explorado melhor a ousadia da mãe de Toby, que queria trabalhar — e na campanha de um candidato democrata! –, em uma época muito machista, e do amigo gay, numa época ainda mais homofóbica. Bom.

cineCine Holliúdy (2012) – A história de Francisgleydisson, que insiste em manter viva uma sala de cinema no interior do Ceará numa época em que a entrada massiva das televisões na sociedade fazia as salas fecharem uma após a outra. É uma comédia com seus lapsos de humor e outros momentos meio entediantes ou bobos. Mas o melhor é a interpretação de Edmilson Filho, que faz o protagonista e é extremamente carismático. O filme é todo falado em “cearês” e fez muito sucesso lá no Ceará, por toda essa referência constante à cultura do Estado. Bom.

Leia mais recomendações de livros AQUI e de filmes, AQUI 😉

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5 comentários sobre “Quatro filmes e quatro livros que recomendo

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