Urge vender logo o pré-sal para as multinacionais

Charge de Latuff

Charge de Latuff

Texto escrito por José de Souza Castro:

Como se esperava, passado o governo petista, a Petrobras volta a ser o sonho dos investidores no Brasil e no mundo. Lula ainda não foi preso, como alguns chegaram a divulgar que ele seria na segunda-feira, 17 de outubro. Ao invés disso, na parte da manhã, a estatal informou ao mercado um novo recorde na produção de petróleo e gás em setembro. Há alguns anos, fatos relevantes só eram divulgados após o fechamento do pregão da Bovespa, mas parece que isso também mudou.

E as ações da Petrobras valorizaram durante o dia 2,85% (PETR3) e 3,94% (PETR4). Festa na Bovespa…

Para quem acompanhou o noticiário da segunda-feira, chamou a atenção o fato de que o novo recorde na produção total de óleo e gás na área do pré-sal, com alta de 7,3% sobre agosto, mês em que se registrara também recorde, não foi destaque na imprensa. No R7, portal da TV Record, o pré-sal só entrou no sétimo parágrafo. Curiosidade: a fonte da notícia é a Reuters, uma agência internacional.

No Valor e no G1, do Grupo Globo, o pré-sal deu as caras no quarto parágrafo. Na Folha/UOL e Portal Brasil, no terceiro parágrafo. Ninguém achou necessário pôr o pré-sal no título, nem mesmo o site da Petrobras. Neste site, ficou também no terceiro parágrafo: Continuar lendo

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‘Pelos direitos das meninas’, por Sílvia Amélia de Araújo

Tenho três sobrinhas e espero algum dia ainda ter o privilégio de ter uma filha. E quero ajudar a construir entre essas meninas da família, que são as mais próximas, a consciência de que podem ser livres. L-i-v-r-e-s. Para casarem ou não. Na igreja ou não. Para morarem sozinhas ou não. Para terem profissões em que há pouco espaço para as mulheres — ou não. Para serem as melhores em suas áreas profissionais. Para gostarem de homens, de mulheres, de nada, do que quiserem. Para seguirem a moda, serem vaidosas, ou não. Para terem uma religião o não. Para terem filhos ou não. Etc.

A leitura do texto que a Sílvia Amélia (que tanto cito aqui no blog) escreveu deveria ser obrigatória. Mas é bom que não seja: até nisso devemos ter liberdade, né? Então fica como sugestão para que todos os pais, mães, tios, professores, avós, irmãos, primos e amigos de meninas — e as próprias meninas! —  leiam com muita atenção e repassem adiante, numa grande corrente do bem (corrente também não cai bem nesse contexto de liberdade… Que seja uma roda do bem! ;)).

Em tempo: o Dia Internacional das Meninas foi comemorado em 11 de outubro agora tendo o Brasil na situação vergonhosa de ser um dos 50 piores lugares do planeta para as meninas, segundo a ONG Save The Children. Bora melhorar esse futuro das minhas sobrinhas e do meu filho, pessoal!

Agora vamos ao texto que realmente interessa: Continuar lendo

A coisa mais legal de ser mãe: reviver meu lado criança

Dia desses, talvez influenciada pela Semana das Crianças, cheguei a uma conclusão sobre o que é a coisa mais legal de ter virado mãe: o mais legal de ter um filho é poder voltar a viver a infância!

Quando eu era criança, não queria crescer de jeito nenhum. Meu pai me apelidou de Peter-Pana, porque eu queria ser criança para sempre, vivendo na Terra do Nunca da minha imaginação fértil. Sempre gostei de brincar — brinquei de bonecas até os 15 anos, quando os hormônios e a pressão social já começaram a pesar. Mas brinco muito até hoje, já falei sobre isso aqui.

A diferença é que, com um filho pequeno, posso brincar MUITO MAIS! Logo depois do café da manhã, sento com o Luiz no chão da sala e brincamos de tudo: carrinho, pianinho, de jogar as coisas no chão, de guardar os brinquedos menores na latinha do Galo, de cantar, bater palminhas, olhar as figuras dos livros enquanto faço sons engraçados, rolar a bola grande, esconder e achar de novo, e mais uma infinidade de invencionices deliciosas. As gargalhadas que o Luiz dá e a carinha de surpresa, espanto, concentração, esforço, encantamento ou felicidade (são carinhas fofas que se alternam) tornam esse momento ainda mais divertido!

Depois que volto do trabalho, mais uma sessão de brincadeiras mil, mas desta vez com um ritmo menos frenético (porque é melhor o Luiz ir desacelerando no fim do dia, e porque já estou cansada). No fim de semana e em feriados, nem se fala. É o dia inteirinho brincando, com pequenos intervalos para as sonecas.

E fico pensando: vai ficar cada vez melhor, à medida que meu bebê for crescendo. Porque os jogos vão ficando mais interessantes, complexos, instigantes, desafiadores, até chegar o momento em que o Luiz vai me dar um xeque-mate no xadrez (ou não: joguei milhões de vezes com meu pai e só conquistei um xeque-mate e um empate; em todas as outras vezes, perdi de lavada).

Vou curtindo cada fase sem pressa, porque sei que a vida já corre por si só, mas cheia de expectativa pelas milhares de brincadeiras que eu e Luiz ainda vamos inventar juntos. Duas crianças: o filhinho e a mamãe Peter-Pana.

Definitivamente, esta é a parte mais incrível e divertida de ser mãe…! 😀

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PEC 241: a quem morder para cima

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Passados dez meses da publicação do artigo pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo – uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Governo do Brasil –, já é possível afirmar como nossa imprensa se distancia dos interesses da maioria dos brasileiros. Uma pesquisa no Google mostra que grandes jornais, rádios e televisões não destacaram que “cerca de dois terços da renda dos super-ricos (meio milésimo da população) está isenta de qualquer incidência tributária”, como se lê AQUI.

O tema interessa sobretudo agora, quando o novo governo busca formas de garantir pelos próximos 20 anos o pagamento aos investidores ricos que compram títulos públicos, atraídos pelos mais altos juros pagos por um governo de país responsável no mundo, à custa de programas que interessam de perto à grande maioria dos brasileiros pobres ou remediados.

O desinteresse foi notável, tanto que o site da ONU no Brasil insistiu na divulgação do artigo, ao publicar no dia 31 de março, nova notícia a respeito do estudo feito pelos pesquisadores Sérgio Gobetti e Rodrigo Orair, que também são pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), desta vez com o seguinte título: “Brasil é paraíso tributário para super-ricos, diz estudo de centro da ONU”. O título do artigo publicado em dezembro é este: “Tributação e distribuição da renda no Brasil: novas evidências a partir das declarações tributárias das pessoas físicas”.

Trechos desse artigo: Continuar lendo

Coloque o filtro da poesia!

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Em tempos duros, vale a pena baixar o filtro da poesia. Pode ser na lente dos óculos, se você for adepto delas. Vejam o que vi nesta semana, com meu filtro ótico:

 

Um casal bem jovem se beijava carinhosamente em frente a uma balada cult de Beagá. Teriam se conhecido lá na véspera e se despediam, quase às 10h de segunda-feira? Ou são um casal apaixonado em começo de namoro? Um reencontro após vários dias? Só sei que a trilha sonora foi bem apropriada: o uó-uó-uó-uó de uma ambulância subindo a rua Rio Grande do Norte. Paixão-febre-infarto. Achei que combinou.

*

Duas velhinhas passeando com os cachorros. Encontram uma mulher de uns 40 anos, também com o cachorrinho. Se cumprimentam alegremente. Será que se encontram todos os dias, no mesmo horário, para aliviar as bexigas dos bichinhos? Conversam sobre os peludos, trocam figurinhas sobre pet shops, cartões da nova clínica veterinária?

*

Mais adiante, uma mãe com dois filhos. Um de uns 4 anos, outro, idêntico mas maior, com uns 6 anos. Os três se equilibram, braços bem abertos, no meio-fio do canteiro. Riem, como se estivessem numa corda-bamba, no picadeiro de um circo, a 10 metros de altura do respeitável público. Que divertido é brincar pelas ruas, mãe e filhos! Não precisa de celular, de Pokemons, de brinquedos caros de Dia das Crianças: brincar é da natureza humana, requer apenas imaginação.

*

E assim vou seguindo, um quarteirão após o outro, diante de casais apaixonados, velhinhas simpáticas e mães com filhos brincalhões. O mundo ainda não está perdido, mesmo que Dórias, Joões Leites, Kalils e Crivellas me digam o contrário.

*****

A propósito: achei justíssimo que o grande poeta Bob Dylan tenha sido reconhecido com um Nobel de Literatura. Definitivamente, The Times They Are A-Changin’… Ainda bem!

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