Sérgio Andrade, bem mais que acionista da Andrade Gutierrez

Sérgio Andrade, em foto tirada da lista de bilionários da Forbes.

Sérgio Andrade, em foto tirada da lista de bilionários da Forbes.

Texto escrito por José de Souza Castro:

Os lavajatistas de Sérgio Moro ameaçam atingir pelos menos um dono de empresa que vem sendo investigada por corrupção. Até agora, se limitaram aos executivos. Conforme a “Folha de S.Paulo” deste domingo, a Lava Jato quer ouvir Sérgio Andrade, filho de um dos três fundadores da Andrade Gutierrez, empresa nascida em Belo Horizonte em 1948.

Sérgio, filho de Roberto Andrade, não era um “Zé ninguém” dentro da empresa. Não foi um simples acionista, como se informa neste trecho da reportagem assinada por Bela Megale e Valdo Cruz:

“A empresa negou qualquer possibilidade de Sérgio Andrade, um dos sócios do grupo, integrar o rol de delatores da Lava Jato. A assessoria informou que ele nunca teve função executiva no grupo e que sempre figurou apenas como acionista. A empreiteira relata ainda que até o momento não teve informações de que o dono do grupo teria sido alvo de relatos no âmbito das investigações.”

Os repórteres não citam fontes da Lava Jato, e tudo pode não passar de um recado luxuoso para alguém…

Se quisessem contestar a informação recebida da empresa, poderiam recorrer ao Google. Em julho de 2013, por exemplo, o iG publicou um ranking intitulado “Os 60 mais poderosos do País”. Entre eles, Sérgio Andrade.

Também tenho outras informações sobre esse acionista Sérgio Lins Andrade, seu nome completo. Ele foi presidente executivo do Grupo Andrade Gutierrez, a partir de início da década de 1990, só renunciando ao cargo em 2007. Continuou, porém, no Conselho de Administração, onde se achava desde o começo dos anos 90.

Em 2007, os acionistas proibiram que filhos e netos dos fundadores exercessem cargos executivos na Andrade Gutierrez. Por isso, no lugar de Sérgio, foi nomeado Otávio Marques de Azevedo, então com 56 anos de idade. Otávio deixou a vice-presidência da estatal Telebrás em 1992, para, a convite de Sérgio Andrade, planejar a atuação do grupo na área de telecomunicações. No ano seguinte, foi criada a Andrade Gutierrez Telecomunicações (AG Telecom), que, em 1998, liderou o consórcio Telemar, vencedor da disputa pela Tele Norte Leste. A Telemar, que mais tarde virou Oi, tornou-se proprietária da rede de telefonia fixa em 16 Estados.

Nessa época, Sérgio Andrade era o presidente executivo do Grupo Andrade Gutierrez. Otávio Azevedo, seu sucessor, foi também um bem-sucedido executivo, até ser preso pela Lava Jato e tornar-se delator, com salários de dez anos pagos pela empresa pelos bons serviços prestados.

A Cidade Administrativa. Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

A Cidade Administrativa. Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

Caso Sérgio Andrade seja preso e também se transforme em delator para gozar em liberdade de seus rendimentos de grande acionista, ele terá muito a contar. Inclusive, como diz a reportagem, sobre a Cidade Administrativa, uma das joias da coroa do governo Aécio Neves em Minas. Escrevi alguns artigos sobre essa joia cara aos mineiros, como este AQUI.

Mas, sinceramente, não acredito que Sérgio Andrade seja preso. Por que ele seria a exceção, na Lava Jato? Por causa de Aécio Neves? O presidente nacional do ínclito PSDB… Não faz sentido.

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