Depoimento da minha mãe sobre o câncer de mama: ‘Me senti sem chão’

laco_rosaEm meu último post sobre maternidade, falei sobre a importância da amamentação para prevenir o câncer de mama. Afinal, estamos em pleno Outubro Rosa, quando deveríamos nos conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, para aumentar as chances de cura deste que é o segundo tipo mais comum de câncer entre as mulheres.

Mas meu contato com o câncer de mama foi mais próximo: no ano passado, minha mãe foi diagnosticada com essa doença. A família toda ficou muito triste e preocupada, mas, felizmente, por ser sempre precavida, minha mãe pôde ser diagnosticada bem no início, quando o nódulo nem era apalpável, foi tratada rapidamente e hoje está curada. Mesmo assim, a experiência para ela foi muito intensa, com baterias de exames, cirurgia, remédios e o medo em torno de cada um desses procedimentos.

Pedi que escrevesse um relato para o blog, na esperança de que, assim, ela pudesse inspirar outras mulheres a cuidarem da própria saúde com bastante atenção e não se abaterem diante de uma grave doença.

Fiquem agora com o depoimento da minha mãe, Ivona Moreno de Castro:

mae“Meados de abril de 2015. Aquele dia ficou marcado em minha memória. Saí de casa tranquilamente para fazer minha mamografia e ultrassonografia de mamas, como fazia anualmente. Nunca me preocupei com os resultados, poishavia em mim a confiança de que tudo estaria bem, já que em minha família não havia casos registrados de problemas de câncer. (Mais tarde fiquei sabendo que o fator hereditário não quer dizer muita coisa.)

A médica me pediu para repetir a mamografia já que nela nada acusava, mas a ultrassonografia mostrava um minúsculo nódulo “suspeito”. Quando vi o resultado, já me senti meio que sem chão. Liguei para meu mastologista, que além de excelente profissional é amigo da família. Muito nervosa, pedi que a secretária antecipasse meu retorno à consulta, pois não conseguiria esperar nem mais um dia para saber a opinão dele.

Naquela noite não dormi. No dia seguinte, fui com uma das filhas ao consultório para ouvi-lo confirmar  a temida doença. Sim. Eu estava com um nódulo maligno na mama esquerda que precisava ser retirado. Novo baque… novo choque… nova dor… Como poderia ser? Não sentia dores na região. Nem eu e nem ele conseguíamos apalpar nódulo nenhum.

Enfim, depois do choque, a realidade. Ja saí do consultório com todos os encaminhamentos para os exames complementares, incluindo aí primeiramente um ultrassom com retirada de material para biópsia que confirmou o diagnóstico, exames de laboratório, ressonância magnética… Risco cirúrgico, dentre outros.

Em quinze dias já foi realizada a cirurgia. Nem preciso dizer que esse também foi um tempo insone.Passava a maior parte da noite imaginando como seria minha vida dali pra frente… Eu não queria alarmar minhas filhas, pois estavam ou com filhos pequenos ou grávidas. Por ter escolhido agir assim, confesso que me senti muito sozinha, sem ter ninguém com quem dividir meus medos e minha insegurança. Coloquei um aparelho de som ao lado da minha cama e ouvia músicas clássicas bem baixinho na maior parte da noite e isso me ajudava a relaxar, desviava meu pensamento do problema a enfrentar, e assim eu conseguia dormir um pouco.

No começo de maio, mais precisamente no dia sete, portando um grande envelope contendo todos os exames feitos, a cirurgia foi feita. Passei a noite no hospital e, no dia seguinte, fui para casa. Novo material foi enviado ao laboratório. Graças a Deus, a porção retirada da mama foi bem pequena e assim não fiquei com o seio mutilado.

Prontos os exames laboratoriais, passei para nova etapa de tratamento. O médico me informou que eu não precisaria fazer a temida quimioterapia. Dezesseis sessões de radioterapia seriam suficientes. Claro que isso me trouxe algum conforto.

Fui então encaminhada ao oncologista e nova etapa de exames chegou. Raio-X de tórax, ultrassom total de abdômen, densitometria… Precisavam verificar se havia alguma metástase. Felizmente, nada foi detectado.

Breast Cancer

Durante esses quase 18 meses, tenho ido com bastante frequência fazer o acompanhamento com o mastologista, oncologista, endocrinologista e ginecologista. Os exames são repetidos periodicamente e preciso tomar o medicamento tamoxifeno por cinco anos, além de fazer reposição de cálcio para evitar a osteoporose, que pode aparecer como efeito colateral do medicamento.

Sigo as orientações médicas e procuro manter pensamento positivo, esperando que eu não venha a ter que passar por isso novamente.

Ressalto a importância de se fazer os exames preventivos. Eles não irão evitar que ninguém tenha a doença, mas, como foi no meu caso, a detecção precoce evita a retirada total da mama e também a quimioterapia, com todos os conhecidos efeitos colaterais. Outra coisa importante é tentar manter a positividade, a confiança no sucesso do tratamento e a fé em Deus!”

 

Você sabe fazer o autoexame para detectar o câncer de mama? CLIQUE AQUI e veja um infográfico com as orientações.

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8 comentários sobre “Depoimento da minha mãe sobre o câncer de mama: ‘Me senti sem chão’

  1. Acompanhei de perto esse drama, e sei como foi sofrido para a Ivona e toda a família. Mas ela resistiu bravamente e conseguiu em pouco tempo superar o trauma. Deu-nos uma lição de vida inesquecível. Que seu exemplo sirva para outras mulheres, sobretudo no cuidado com a prevenção.

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  2. Tirei o seio direito em 2010 e pus prótese. A partir daí, fiz os exames de seis em seis meses. Em dezembro de 2015 recebi um “nada consta” do seio esquerdo. Mas a prótese tinha rompido. O cirurgião plástico resolveu refazer os exames da mama esquerda. Já havia dois tumores de meio centímetro e até necessidade de retirar os linfonodos.Quinze dias depois do “nada consta” do mastologista. O dano moral da perda do seio esquerdo é o seguinte: agora não tenho mais braço para aplicar injeção, pôr soro, tirar sangue. Morro de medo de ir para um pronto-atendimento e me fazerem esses procedimentos por falta de opção. Só me resta rezar.

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  3. no depoimento, sua mae diz que fazia o exame anualmente. Há alguns médicos nos alertando sobre o risco de se fazer a mamografia por causa das radiaçoes. Fica aqui a dúvida: será que nao foi as radiaçoes da própria mamografia que causaram o câncer? Agradeço o depoimento. Esta minha dúvida surgiu justamente porque li um artigo da dra Lucy Kerr sobre a radiaçao da mamografia. Segundo esta médica, existem outros métodos combinados para se detectar o câncer sem gerar riscos de câncer para a mulher: ultrasson com doppler colorido + ressonância magnetica + elastografia. Obrigada pelo depoimento!

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