O papel de um governador na mixórdia política do Brasil

O governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino (PC do B)

O governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Foto: Fábio Pozzebom/ABr

O texto abaixo foi enviado por Sandra Starling para publicação no blog, e serve de contraponto a algumas ideias que eu e meu pai defendemos neste espaço.

Você quer também publicar um texto aqui no blog? Um artigo de opinião, uma resenha de filme, um conto, um poema? Envie para mim e, se tiver a ver com a proposta do blog, publicarei por aqui 😉

Vamos ao texto de Sandra Starling: Continuar lendo

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Falta muito mais que um Ministério da Cultura no Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

O Brasil era um dos 59 países relacionados pela Wikipédia que têm um Ministério da Cultura. Agora, com o governo interino de Michel Temer, se juntou à maioria dos que não os tem – entre eles, os Estados Unidos.

Os franceses, ao contrário dos estadunidenses, não devem estar entendendo a estratégia de Temer. Os artistas brasileiros que escolheram o Festival de Cannes para protestar contra o golpe não poderiam ter escolhido um local mais receptivo.

André Malraux e Charles de Gaulle. Foto: Foundation André Malraux

André Malraux e Charles de Gaulle. Foto: Foundation André Malraux

O Ministério da Cultura da França foi criado em 1959 pelo general Charles de Gaulle, que convidou um amigo, o escritor e militante da resistência ao nazismo André Malraux, para ser o primeiro ministro. O presidente francês tinha a estatura de um estadista; e o ministro da Cultura, o bastante para tornar o novo ministério respeitável. Continuar lendo

7 coisas que aprendi com o fim da licença-maternidade

Eu e Luiz, Luiz e eu ❤

Há 21 dias atrás, compartilhei aqui no blog o baque que eu estava sentindo com o fim da licença-maternidade e a volta ao trabalho. Nesses 21 dias, trabalhei 16 dias, incluindo um sábado e um domingo, e folguei em cinco: dois sábados, dois domingos e um dia na semana pelo plantão trabalhado.

Agora, passado o susto e vivida a experiência, quero dividir com vocês algumas coisas que aprendi com o início desse novo ciclo na maternidade — são informações que acho que podem ser úteis a outras mães que estão passando ou logo vão passar por situação parecida, e provavelmente sentem a mesma ansiedade que senti.

Aí vai: Continuar lendo

O fim do Ministério da Cultura no Teatro dos Vampiros

Montagem sobre foto do presidente interino Michel Temer, que circula na internet.

Montagem sobre foto do presidente interino Michel Temer, que circula na internet.

Texto escrito por Beto Trajano:

Em 2007, ano em que me formei em jornalismo, estava eu no meu primeiro dia de “folga” após decidir lagar um emprego, quando fui abordado no centro comercial do Estrela Dalva, em Belo Horizonte, pelo amigo Romeu Sabará, que me fez uma proposta de trabalho.  Seria responsável pela comunicação em um Ponto de Cultura do Ministério da Cultura, o MinC. Topei a empreitada, e na semana seguinte comecei a trabalhar.

Ponto de Cultura foi um projeto implantando enquanto Gilberto Gil era ministro da Cultura, durante o governo Lula. Existiam “pontos” espalhados por todo o país, cada qual com atividades relacionadas à difusão de cultura. Fui trabalhar com capacitação de professores de escolas públicas no Instituto Cidadania Educação e Cultura, sob a supervisão do Romeu.

Fiz site, organizei palestras, elaborei apresentações, apostilas e documentos – toda a comunicação e a logística tecnológica estavam sob minha responsabilidade. Mas a maior experiência que tive foi participar de um evento: o Teia 2007, realizado em Belo Horizonte, um encontro nacional dos Pontos de Cultura.

Foi uma semana intensa. Uma overdose de cultura, gente de todo o Brasil estava concentrada na minha cidade.

Já jornalista, tive a total liberdade para escolher a minha forma de trabalho durante o evento. Resolvi falar sobre a cultura de rua, urbana: grafite, música, artesanato, artes plásticas, ciganos e os movimentos sociais presentes.

Levei meus irmãos e amigos para participar do encontro, realizado em vários locais de Beagá, como a Casa do Conde, hoje Funarte, e o Palácio das Artes. Nesses dias do Teia, sob a tutela de grandes figuras, como o ministro Gil e Jorge Mautner, produzi este documentário: Continuar lendo

Os ‘Documentos do Pentágono’ e as lições de quem os revelou ao mundo

Texto escrito por José de Souza Castro:

Quando, na boa companhia de Leonardo Boff e de muitos outros, chamo a atenção para o papel dos Estados Unidos no golpe parlamentar que derrubou a presidente Dilma Rousseff, não é porque somos inocenteis úteis pagos pelo ouro de Moscou, como se dizia na década de 1960 sobre os que defendiam o governo Jango Goulart.

Senadores dos EUA abrem caixa contendo os Documentos do Pentágono (jun/1971). Foto no site da Universidade do Missouri (EUA)

Senadores dos EUA abrem caixa contendo os Documentos do Pentágono (jun/1971). Foto no site da Universidade do Missouri (EUA)

É porque ainda acho que é preciso denunciar o imperialismo norte-americano, como pensava Daniel Ellsberg, o analista militar do Pentágono que, em março de 1971, entregou ao “The New York Times” os Documentos do Pentágno (7.000 páginas em 47 volumes) que, publicados a partir de junho, reforçaram a luta dos norte-americanos que se opunham à Guerra do Vietnã.

Tratado como um traidor pelo governo Nixon, Ellsberg foi inocentado pela Justiça e ainda vive, aos 85 anos. Tornou-se professor e ativista pela paz e contra as armas nucleares. Escreveu três livros – “Papers on the War” (1971); “Secrets: A Memoir of Vietnã and the Pentagon Papers” (2002); e “Risk, Ambiguity and Decision” (2001) – e incontáveis artigos sobre economia, política externa e desarmamento nuclear. Em 2006, ganhou o Right Livelihood Award, conhecido como o Prêmio Nobel Alternativo, “por pôr a paz e a verdade em primeiro lugar, sob considerável risco pessoal, e por dedicar sua vida a inspirar outros a seguir seu exemplo”.

Paulo Francis morava em Nova York e escrevia para a revista “Status” da Editora Três, quando, em plena ditadura militar, entrevistou Ellsberg. As verdades que ouviu podiam ser publicadas no Brasil, porque a revista, inspirada na norte-americana “Playboy”, tinha poucos milhares de leitores, a maioria mais interessada nas fotos de mulheres nuas do que nas revelações de Ellsberg.

A edição da "Status" com a entrevista de Ellsberg a Paulo Francis.

A edição da “Status” com a entrevista de Ellsberg a Paulo Francis.

Fundada em agosto de 1974, “Status” era vendida nas bancas encartada em envelope de plástico escuro para que a capa não ficasse exposta ao público, em obediência ao Decreto 1.077, que estabelecia censura prévia a qualquer revista ou livro que trouxesse fotos ou desenhos de mulheres nuas. A Portaria 209 determinava que a foto só podia ser liberada pelos censores caso não expusesse os dois seios da mulher (um era permitido) e as partes genitais.

Foi nesse ambiente de censura estúpida – aliás, bem ao agrado de muitos que saíram às ruas gritando “Fora Dilma!” – que Ellsberg admitiu a Francis que existia conexão entre os “Documentos do Pentágono” e o escândalo de Watergate, “mas nunca interessou aos liberais explorar a conexão”. Ele explicou: Continuar lendo