- Texto escrito por José de Souza Castro
Terminei de ler “Cândido, ou o Otimismo”, emprestado pela Biblioteca Unimed, aberta ao público na sede do Minas Tênis Clube.
Publicado por Voltaire em 1759, esse livro satírico, que castiga principalmente a Igreja Católica, muito ligada à realeza francesa, não foi a causa de sua prisão, em duas temporadas, na mais terrível penitenciária de Paris.
Voltaire morreu em Paris aos 84 anos, em 1778, e só 11 anos depois assistiu-se à grande revolta popular que levou às quedas da Bastilha e do reinado de Luiz XVI.
Nascido em 21 de novembro de 1694 em Châtenay, perto de Paris, Voltaire (pseudônimo de François-Marie Arouet) estudou no Collège Louis-le-Grand, dos jesuítas, onde adquiriu “sólida formação em literatura latina, educação religiosa e uma paixão pelo teatro”.
Foi essa paixão que o levou de volta a Paris, depois de 28 anos, para ver a estreia de sua última tragédia, “Irène”. Grande sucesso de público e crítica. Mas logo depois, o autor morreu.
Essas informações constam da cuidadosa edição de “Cândido, ou o Otimismo”, feita pela Companhia das Letras, com muitas páginas de introdução e de notas.
Leio no livro: “Para evitar a recusa do enterro pela Igreja parisiense, seu corpo é retirado clandestinamente da cidade à noite e sepultado em Champagne. (Os restos mortais seriam transladados a Paris e enterrados solenemente no Panteão em 1791)”.
Terminado esse longo nariz de cera, vamos ao que interessa, o livro. Lê-se ali o que se passa com Cândido, a começar por seu nascimento num lindo castelo da Westfália, na Alemanha. Filho da irmã do barão dono do castelo e de um fidalgo da região, foi criado sem pai, pois a mãe não quis casar com alguém que tinha grau de nobreza inferior ao dela.
Cândido foi chutado do castelo pelo barão que viu sua filha Cunegundes, de 17 anos, beijando-o. Começam aí as desventuras de Cândido, que, aos 16 anos, se encantou pela garota “corada, fresca, gorda, apetitosa”, como descreveu Voltaire.
Em busca dessa garota dos sonhos, Cândido viajou por muitos países da Europa, África e América do Sul. Encontrou principalmente desventuras inúmeras que desmentiam os ensinamentos de Pangloss, seu primeiro mestre, para quem todos viviam no melhor dos mundos possíveis.
Tendo dito isso uma vez, ele não perdeu a crença, mesmo vivendo agruras ainda piores. E concordou, no final do livro, com outra pérola de sabedoria bem ao gosto de Trump, dito por outro velho filósofo: “Trabalhar sem arrazoar é o único meio de tornar a vida suportável”.
Desse modo, conformados, Cândido e todos os companheiros de desventuras entraram nesse louvável desígnio e cada um se pôs a exercer os seus talentos. E os 20 alqueires de terra que dividiam renderam muito.
Ah, esqueci de dizer: Cândido, finalmente, havia encontrado Cunegunda, com quem se casou apesar de ela, a essa altura, ter pedido toda a beleza. Na verdade, estava bastante feia, mas “se tornou uma excelente confeiteira”.
Tendo em vista esse final, não há capitalista, bolsonarista ou não, que possa discordar desse livro do revolucionário Voltaire.
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