Os causos do Maurício Lara

mauriciolara

Texto escrito por José de Souza Castro:

Quem não pôde ir ao lançamento do novo livro do jornalista Maurício Lara na última terça-feira tem nova oportunidade neste sábado, a partir das 10h, no Armazém Dona Lucinha (Avenida do Contorno, 6.283, Bairro São Pedro). O livro é o “Rua dos Expedicionários, 14”.

Há quase 10 anos escrevi no Observatório da Imprensa sobre o terceiro livro desse escritor mineiro nascido em 1952 em Esmeraldas, numa família de 14 irmãos. Ele estava então com 52 anos e escrevera sobre sua luta contra um câncer de próstata. Título do livro publicado pela Ed. Record: “Com todas as letras – o estigma do câncer por quem enfrentou esse inimigo silencioso e cruel”.

Li o livro emocionado, pois temia pela vida do ex-colega da sucursal do “Jornal do Brasil”. (Trabalhamos juntos ali por quatro anos, até 1989.) Mas, no mesmo ano de 2005, Maurício publicou pela Ed. Planeta seu primeiro romance, “Em nome do bem”, inspirado na experiência dele como assessor de imprensa do prefeito Célio de Castro e, em seguida, na Presidência da República, no governo Lula.

Maurício Lara superou o estigma do câncer e aperfeiçoou sua arte de contar causos, como se comprova no novo livro.

Ele não ficará com raiva se disser que são histórias miúdas, com personagens anônimos e sem importância – e que no entanto me lembraram, em alguns momentos, “Pedro Páramo”, do mexicano Juan Rulfo, e “Memória de Minhas Putas Tristes”, do colombiano Gabriel García Márquez, que morreu em abril do ano passado.

São histórias que surgem de um baú vazio encontrado por um historiador num casarão decrépito de uma cidadezinha do interior mineiro – por coincidência, a mesma casa em que o autor nasceu e viveu os primeiros 10 anos de vida e que, na vida real, se isso existe, foi demolida há dois anos.

Esse casarão serviu de abrigo não apenas à família de Maurício Lara. O leitor vai descobrindo aos poucos o que se passou ali dentro no decorrer de décadas, por obra do baú e do historiador que ansiava, a cada dia, abri-lo novamente “para, quem sabe, preencher lacunas e elucidar incógnitas que acompanham o ser humano vida afora”.

É uma ansiedade que os leitores mais sensíveis vão compartilhar, a cada página virada, até chegar à última – a de número 244.

Quando terminei a leitura, imaginei que, no tempo próprio, estarei lendo um novo livro de Maurício Lara. Quando, não sei. Mas pretendo esperar pelo parto, dure o tempo que durar, como no causo “O menino nasceu” – o de número 12, entre os 41 saídos do baú.

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